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Não é uma Maldição
A Ajuda de um Amigo
1681 palavras • 9473 caracteres • ⏱ 6 min 43 s

A Ajuda de um Amigo

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No dia seguinte, na aula, Saytus me cumprimentou toda amigável, nessa hora eu agradeci por ela não saber que eu era um Singular de super sentidos, pois se não ela podia achar que eu não gosto de toques.


Saytus: oh, senhor Antônio, você não vai acreditar na minha surpresa de ontem, não sabia que você era um montador profissional


Antônio: que nada, eu só sei uma coisa ou outra por estar num clube de montadores


Saytus: jura? que legal, então, Antonio Carvalho, me daria a honra de convidá-lo para o clube dos corredores? com certeza você fará uma festa lá


Antônio: ah, eu não sei Saytus, eu tenho andado muito ocupado ultimamente, entende


Saytus: é só um convite cara, não tem problema nenhum recusar, mas falando sério agora, passa no clube dos cavalos qualquer hora, (sussurra) é uma aula opcional que agente tem o próprio professor


Antonio: (risada) acho que uma passagem lá não vai machucar ninguém


Saytus: ótimo, (entrega mapa) segue esse mapa depois da aula, ele vai te levar para a sala certa


Antônio: ah não, hoje não, combinei de me encontrar com um amigo e não posso desmarcar


Saytus: sem ofensas Antônio, mas as vezes você parece ser o sapien mais ocupado que eu conheço


Antonio: Vou encarar isso como um elogio.


E como sempre, a aula foi simples, comigo ajudando os atrasados, entendendo que os mais inteligentes ajudavam os atrasados, não sabia por que eles tinham tão pouca confiança no professor, não, devia ter algo além disso que eu não estava vendo…hunnnnn.


No fim, o dia na escola foi simples e depois de chegar em casa e me arrumar, sai logo em seguida para encontrar meu outro amigo na mesma hora e no mesmo campo deserto de antes, mas agora, Brutus estava com uma armadura potente, um martelo e escudo físicos, eram simples, mas dava pra ver o cuidado daquelas peças.


Antonio: esteve ocupado


Brutus: você também.


Assim como ele ostentava equipamentos simples, eu ostentava robes e chapéus de mago que podiam me ajudar a aguentar mais golpes, junto de uma varinha um pouco maior que antes.


Antonio: nada de aquecimento dessa vez


Brutus: exatamente.


Levantando o grande escudo, Brutus colocou uma muralha entre eu e ele, mas eu já sabia como passar por ela e criei um grande canhão que disparou uma bola de fogo programada pra explodir assim que ela passasse pela parte sem guarda do escudo, mas a bola foi atraída até o escudo e o explodiu com tudo.


Na hora, invoquei um cântico no chão que criou um cristal que jogou uma ventania forte, na hora, uma flecha poderosa foi atirada em mim, mas consegui desviar a tempo, a pressão do ar daquela flecha quase me jogou pra trás, comigo tentando me manter no lugar com o peso dos meus robes, mas ainda fui jogado pra trás, eu subestimei a força da flecha.


Desequilibrado, a segunda flecha quase me pegou, felizmente, consegui terminar o cântico do “peso das ações” e com a ação de rasgar meu robe com a mão limpa, criei um caminho de gás que não apenas queimou a flecha seguinte, como explodiu o escudo novamente, com ele ainda no lugar, ficando feliz que as bolas de fogo conseguiam destruir as flechas.


Antonio: flechas? e serio!?


Brutus: sim, elas são a salvação dos não mágicos como nós.


Tentando segurar o riso, parei de desviar e defender e só comecei a disparar bolas de fogo com apenas 3 canhões mecânicos, que foram capazes de destruir qualquer flecha que Brutus jogasse em mim ou nos próprios canhões.


Só tinha um problema, o fogo das explosões estava cortando o oxigênio do lugar, eu usei um feitiço simples pra manter meu próprio oxigênio estável enquanto o Brutus pareceu usar uma técnica de respiração que não precisava de tanto oxigênio, mas ambos sabíamos que a brincadeira acabou.


Num movimento final, fundi os 3 canhões em um, fazendo ele ganhar pernas mecânicas e conseguir andar por aí, e na mesma hora, senti o poder de Brutus aumentando até um grande mar de aura surgir e o escudo indestrutível que aguentou meus golpes, caiu e se tornou uma prancha.


Brutus: QUER BRINCAR DE PIQUE? EU TOPO.


Eu não respondi, apenas usei mais cânticos e movimentos nas mãos, sorrindo e fazendo golpes longos demais, apenas para enfatizar a liberdade que sentia naquela hora em cada disparo, conseguindo vários movimentos absurdos, o corpo em forma de torre do canhão se contorceu como uma cobra e até rebateu três flechas como um bastão antes de voltar a disparar com tudo no Brutus.


E Brutus fazia saltos e piruetas em sua aura, desviando de meus grandes disparos enquanto parecia estar lutando contra um mar revolto abaixo dele, percebi tarde demais que aquele mar era precisamente calculado para o colocar na posição perfeita pra ele mirar em mim.


E pegando uma grande onda de aura, Brutus foi jogado pra cima, desviou de 3 bolas de fogo em pleno ar, e deu um único disparo em meu peito, um disparo rápido e forte demais para eu consegui bloquear.


Senti como se alguém tivesse me dado um soco no estômago, os robes que eu mesmo costurei e criei se rasgaram em instantes e minha torre foi desfeita, apesar da dor das costelas quebradas, não pude deixar de pensar nesse espertinho, ele estava guardando tanta força por tanto tempo.


O disparo me arremessou pra uma das grades da quadra e fez o chão rachar levemente, nossa, esse concreto fortificado não era brincadeira, já estava começando a entender por que o Brutus gostava de treinar ali.


Olhando pra baixo, vi uma flecha com a aparência redonda de uma bola, se fosse uma das clássicas de ponta fina meu coração estaria beijando o concreto agora, é, eu não tava bom o bastante.


Antonio: isso é um ponto pra você certo?


Brutus: isso não importa, parei de contar a muito tempo, agora é sua vez de treinar e me dar uma surra depois.


Era estranho isso que nós tínhamos, nós nunca deixávamos o outro muito pra trás, já lutamos muitas vezes, mas a maior onda de vitórias seguidas que tínhamos foram 3 vitórias pra cada um, então paramos de contar quem ganhou mais e só começamos a contar quem ganhou por último. 


Brutus estava feliz por vencer, feliz por conseguir me ajudar a me sentar no banquinho fora da quadra, feliz em me ajudar a beber a poção de cura, e o sorriso de lobo dele…parecia querer me falar algo.


Brutus: o seu fogo estava diferente hoje


Antonio: (risada abafada) diferente como?


Brutus: ele tava mais brilhante que o normal, como se as impurezas dele tivessem sido tiradas


Antonio: pois é, aconteceu algo parecido com isso comigo


Brutus: não me fala, eu gosto de adivinhar essas coisas.


E novamente, esse doido por batalhas começou a pensar bastante, segurando o próprio queixo e dando soquinhos na própria cabeça até finalmente falar.


Brutus: você falou algo super secreto que te consumia por dentro pra alguém, e você ficou feliz que finalmente pode compartilhar isso.


Eu não respondi, eu apenas…olhei para o Brutus, sério, ele deduziu isso tudo da luta? esse cara não era qualquer um mesmo.


Antonio: serio mano, como você chegou nessa conclusão? é sinistro


Brutus: é um dom


Antonio: nesse caso, você pode me ajudar?


Brutus: com o que?


Antonio: eu tenho uma colega na escola, e…ela não tem espirito de luta nenhum nos ataques mágicos dela, ela parece um personagem que personificou os livros didáticos


Brutus: sem sentimento nenhum? você tem certeza disso?


Antonio: não, por que não sou um especialista como você, olha, você pode ir pra minha escola um dia desses e dar uma olhada nela? vai ser um dia que eu posso conseguir um passe pra você, e um que Dandara esteja lutando, então esteja pronto.


Brutus: sei não mano, eu vou estar ocupado, a brigada de cavaleiros é um lugar bem puxado, (sussurro) ainda mais que estamos estudando por dois


Antônio: então você não pode me ajudar?


Brutus: bom, eu não disse isso, semana que vem vou dar um jeito de te ajudar, só espera


Antonio: em que dia da semana?


Brutus: não posso te dar o dia exato, mas deve ser provavelmente nos três últimos dias, então se prepare.


Estava empolgado, mesmo sabendo que não poderia ajudar tanto a Dandara logo de cara, e como sempre, a gente foi tomar sorvete depois de um treino muito bom, o som da armadura era irritante, mas ativando um dispositivo, o barulho de CLAK CLAK parou.


Antonio: ela é desconfortável?


Brutus: debaixo dela tem uma cota de malha e uma armadura de couro com feitiços de gelo pra eu não ficar cozido aqui dentro, então, um pouco.


E nós apenas andamos, andamos, e andamos mais, pois a gente se conhecia tão bem, que não era preciso falar mais nada um pro outro.


Brutus: então, Dandara né? que nome diferente, é a sua amiga?


Antonio: sou só um colega, não somos nem amigos, mas eu to preocupado de verdade com ela


Brutus: se um cara pateta como você notou que ela não tem sentimentos nos feitiços então o assunto é sério, obrigado por falar comigo


Antonio: (risada) não é normal você agradecer alguém que te pediu um favor


Brutus: Antonio, Antonio, Antonio, você já sabe muito bem que eu não sou nem um pouco normal


Antonio: e é por isso que a gente se dá tão bem.


O Brutus sequer respondeu, ele só riu e me deu um soquinho de brincadeira no ombro, agente riu e se divertiu até minha bateria social acabar e eu deixar o Brutus lá, pois já que hoje era o dia dele, a noite era uma criança, cara, as vezes eu me preocupava que o pai do Daniel estivesse dando muita liberdade pros dois, mas eu não era o pai dele então, só deixei ele ali…sozinho, mas com um pouco de medo, falei.


Antonio: toma cuidado tá bom, e não entra em becos escuros


Brutus: fica tranquilo Antônio, eu não tenho 8 anos.


E nessa piadinha, sai e fui direto pra casa.


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