⚡──────👾──────⚡
O campo continuava em movimento, mas o ritmo já não era o mesmo.
Os impactos ainda ecoavam, os disparos ainda se chocavam contra o metal… mas havia algo diferente. Nada acontecia por tentativa.
Cada ataque já vinha decidido.
Drax percebeu antes de qualquer outro sinal claro.
Não pelo que via.
Mas pelo que deixava de acontecer.
Ele avançava ao lado de Koran e dos outros sentinelas. Os ataques vinham em sequência, coordenados, diretos — uma força que normalmente empurrava qualquer avanço.
Mas não dessa vez.
As máquinas não estavam mais cedendo.
Estavam… mudando.
Drax parou.
Dessa vez, ele ficou.
Observando.
O campo continuava em movimento.
Vittorio disparava em sequência com suas pistolas. Os tiros eram precisos, certeiros.
E ainda assim…
escapavam do que importava.
Sempre por pouco.
Mais ao lado, Trash e o pessoal da Skull avançavam no meio das máquinas, abrindo espaço na força.
Funcionava.
Mas já não mantinha.
As criaturas saíam do alcance.
Voltavam por outro ponto.
Nunca no mesmo lugar.
Nunca no tempo errado.
Era como lutar contra algo que já sabia até onde eles iam.
Draken e seus homens levantaram suas armas.
Vários disparos.
Direto.
A criatura à frente não desviou.
Só… não estava mais lá quando os tiros chegaram.
Drax acompanhou o movimento sem mexer o corpo.
Aquilo se repetia.
Não em um ponto.
Em todos.
Datti cruzou o campo com força bruta, tentando quebrar a linha.
Funcionou — por um instante.
Depois não mais.
Nada ali falhava.
Ninguém estava errando.
E mesmo assim…
nada estava funcionando.
O ritmo da luta ainda existia.
O som ainda estava lá.
Mas o resultado já não vinha.
Drax não se moveu.
Os olhos percorrendo o campo mais uma vez.
Sem pressa.
Só confirmando.
E foi aí que algo quebrou o padrão.
--- 💫 ---
A praça da cidadela não estava vazia.
Nunca estava.
Gente reunida, vozes baixas, olhares voltados pra todos os lados ao mesmo tempo. Ninguém corria, ninguém gritava… mas também ninguém estava realmente calmo.
O som da guerra ainda chegava até ali.
Mais distante.
Mas presente.
Lucius estava no meio daquilo.
Não isolado.
Não atrás de um sistema.
Ali.
De pé.
Observando.
Lira estava ao lado dele, firme como sempre. Sylas mais à frente, atento ao movimento ao redor, como se esperasse algo que ainda não tinha forma.
— A cidadela inteira está fechada… — disse Lucius, baixo. — E mesmo assim…
Ele não terminou.
Não precisava.
Ele olhou ao redor.
Civis.
Famílias.
Gente que não tinha como reagir se algo desse errado.
E isso… pesou.
Um som leve quebrou o momento.
Quase nada.
Metal.
Lucius travou.
Foi rápido.
Mas foi o suficiente.
O corpo reagiu antes da mente.
Um passo curto pra trás.
Os olhos buscando a origem.
Nada.
Só prédios.
Pessoas.
Paredes.
O mesmo espaço de antes.
Mas não parecia mais o mesmo.
Outro som.
Agora em outro ponto.
Mais alto.
Mais perto.
O ar mudou.
Sutil.
Mas errado.
Lucius sentiu.
Não como memória clara.
Mas como sensação.
As máquinas.
O laboratório.
A forma como vinham.
A forma como não paravam.
O peito apertou.
Só um pouco.
O suficiente.
Ele não se mexeu.
Mas também não avançou.
Os olhos ainda procurando algo que não aparecia.
— Lucius?
A voz de Lira veio baixa.
Ele não respondeu na hora.
Mas olhou.
E viu.
Ela ali.
Firme.
Sem recuar.
Sem dúvida.
Sylas também não tinha se movido.
Só observando.
Pronto.
Aquilo quebrou.
Não o medo.
Mas o efeito dele.
Lucius puxou o ar, mais controlado agora.
Os olhos voltando pro espaço ao redor.
Outro movimento.
Dessa vez ele viu.
Pequeno.
Rápido.
Uma aranha cruzou o chão — metálica, silenciosa — ignorando completamente as pessoas ao redor. Outra desceu pela parede de um prédio.
Nenhuma parava.
Nenhuma atacava.
Todas seguiam.
Na mesma direção.
Lucius acompanhou com o olhar.
Mais uma.
Depois outra.
E então—
ele entendeu.
Lira seguiu o olhar dele.
— Elas estão indo pra torre…
Baixo.
— Pra P.A.
Lucius não respondeu.
Mas o olhar confirmou.
E então—
a ideia veio.
Não como um plano.
Mas como lembrança.
Um ponto da cidade.
Algo que ele não tinha colocado ali.
Lucius virou.
Já se movendo.
— Fica aqui.
Não foi duro.
Mas foi claro.
Ele não esperou resposta.
Cortou a praça em passos rápidos, desviando das pessoas, passando perto demais de uma das máquinas que cruzava o caminho sem sequer olhar pra ele.
Ela não reagiu.
Nem diminuiu.
Só seguiu.
Lucius chegou até a lateral de uma estrutura baixa, integrada ao próprio chão da praça — quase invisível se você não soubesse onde procurar.
Ele parou.
Observou.
E então pressionou a superfície.
Nada aconteceu.
Por um instante—
nada.
Então a cidade respondeu.
Linhas finas de luz correram pela estrutura, como se reconhecessem o toque. Um painel se abriu em silêncio, revelando uma interface embutida ali desde sempre.
Esperando.
Lucius soltou o ar, quase sem perceber.
— Obrigado…
Baixo.
Quase inaudível.
Não pra alguém ali.
Mas pra quem tinha deixado aquilo.
A P.A.
Ele não hesitou.
Os dedos se moveram pela interface com precisão.
Sem excesso.
Sem tentativa.
Ele não estava criando.
Estava ativando.
A cidade respondeu.
Acima da praça, partes das estruturas se ajustaram.
Placas deslizaram.
Aberturas surgiram entre os prédios.
Por um momento... pareceu que nem a cidadela sabia o que fazer.
E então a praça respondeu.
Não com som.
Com movimento.
E então—
descargas elétricas cortaram o espaço.
Algumas máquinas foram atingidas.
Duas falharam no próprio movimento.
Outra parou no meio do trajeto — como se tivesse chegado tarde demais ao próprio tempo.
Mas as demais—
não.
Mudaram o trajeto no instante exato.
Contornaram.
Passaram entre os disparos como se já soubessem onde eles iriam cair.
Lucius travou o olhar.
A mão ainda no painel.
Outro comando.
Mudou o padrão.
As descargas vieram de outro ângulo.
Funcionou.
Mas só por um momento.
As outras já estavam diferentes.
Ajustadas.
Como se tivessem aprendido ali.
Na hora.
Lucius parou.
Não porque não tinha mais o que fazer.
Mas porque entendeu.
Aquilo não ia parar com aquilo.
Os olhos subiram.
Seguindo o caminho que todas tomavam.
A torre.
— P.A…
Baixo.
Quase um aviso.
Ao fundo, as máquinas continuavam cruzando a praça.
Menos atingidas agora.
Mais… certas.
A cidade ainda respondia.
As defesas ainda funcionavam.
Mas não controlavam mais.
Lucius tirou a mão do painel devagar.
O olhar ainda fixo na direção da torre.
E pela primeira vez…
Valtrex não estava à frente do problema.
Estava atrás dele.
--- 💫 ---
O campo ainda se movia, mas já não carregava o mesmo peso.
Os ataques continuavam, os disparos ainda cortavam o ar, impactos se espalhavam pelo chão… e ainda assim nada mudava, como se tudo aquilo já tivesse perdido o efeito antes mesmo de acontecer.
Drax não desviava mais do caos.
Ele só observava.
E agora via.
Via os avanços sendo evitados antes de nascerem, golpes chegando tarde demais, tentativas que já não tinham espaço para existir. Nada era desorganizado… mas também já não era perfeito. Havia algo ali, quase imperceptível, começando a ceder.
E mesmo assim… aquilo não vinha deles.
Drax olhou de novo.
E viu.
Samuel.
Ele não corria, não desviava, não recuava.
Só estava.
Presente.
Parado como se o movimento ao redor não tivesse força suficiente para alcançá-lo.
Não havia luz.
Não havia força aparente.
E ainda assim… tudo se reorganizava ao redor da presença dele.
Uma criatura avançou primeiro, rápida, direta, com a mesma precisão que havia atravessado todos ali até então.
Samuel não reagiu — só deu um passo.
O rinoceronte veio em seguida, pesado o bastante para fazer o chão vibrar sob cada impacto, rápido o bastante para cortar o ar antes que qualquer resposta fosse possível.
Samuel ergueu a mão.
Sem pressa.
Sem intenção de confronto.
E tocou o chifre.
No momento do contato…
o movimento deixou de existir.
Não houve impacto.
O rinoceronte permaneceu ali, imóvel, a poucos centímetros.
Por um segundo… o campo inteiro hesitou.
Não por medo.
Mas por não reconhecer aquilo.
Samuel não empurrou.
Ele só manteve a mão ali, calmo, presente.
E então soltou.
A máquina não caiu.
Não recuou.
Só deixou de continuar.
Samuel baixou a mão.
A luz sob a superfície, antes vermelha, baixa, quase esquecida… se alterou.
Não houve força.
Não houve ruptura.
Ela só deixou de ser o que era.
E se tornou verde.
A mesma presença da P.A.
O rinoceronte permaneceu ali.
Mas não desligado.
Algo nele ainda existia.
Só… diferente.
Uma outra criatura avançou pela lateral, rápida, ajustando o trajeto como todas faziam.
Veio direto.
Sem hesitar.
E tocou.
Não em Samuel.
Na máquina.
O contato foi breve.
O movimento dela falhou.
A luz vermelha vacilou.
E então—
verde.
Silencioso.
Sem transição brusca.
Como se sempre tivesse estado ali… esperando.
Ela parou.
Não caída.
Só… sem continuar.
Outra veio.
Mais rápida.
Mais precisa.
E encontrou o mesmo.
Contato.
Pausa.
Mudança.
Drax observou.
Não era o campo que mudava.
Era o caminho entre eles.
E aquilo…
não era mais delas.
⚡──────🌟──────⚡

