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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
84 |💫| O Fim da Espera
3141 palavras • 19035 caracteres • ⏱ 12 min 34 s

84 |💫| O Fim da Espera

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⚡──────👾──────⚡


A mensagem não demorou.


Em poucos instantes…


o mundo inteiro ouviu.


O núcleo ainda brilhava.


Mas a transmissão já tinha acabado.


O silêncio voltou — diferente.


P.A. permaneceu imóvel por um segundo.


Como se ainda estivesse em todos os lugares ao mesmo tempo.


Então piscou.


E voltou.


O grupo não ficou parado.


Lucius foi o primeiro a quebrar o silêncio.


— Isso foi… incrível.


Ele olhou rápido para os dados.


— Você alcançou muito mais do que devia conseguir.


P.A. não respondeu de imediato.


— Não foi completo… mas foi o suficiente.


Lira respirou fundo.


— E o que a gente faz agora?


P.A. se virou para o núcleo.


— Eles vão atacar direto.


Uma pausa curta.


— Eu vou mandar os sentinelas, robôs e androides pra linha de frente.


Por um instante, ninguém respondeu.

Não por concordância.

Mas porque aquilo já estava acontecendo mesmo sem aprovação.


O olhar passou por todos.


— A cidadela fica como refúgio.


— Civis. Crianças. Quem não pode lutar.


Leon recebeu um chamado no T.P.


Ele se afastou da parede.


Cutucou Vittorio.


Só isso.


Os dois se entreolharam por um instante.


Não foi dúvida.


Foi entendimento.


E então saíram.


Sem olhar pra trás.


Drax já estava em movimento antes mesmo de terminar.


— Eu vou pra linha de frente.


Uma pausa.


— É meu trabalho.


Direto.


Sem hesitar.


Samuel não disse nada.


Só deu um passo à frente.


O suficiente.


Lucius abriu a boca.


— Eu posso ajudar lá fora—


— Não.


A resposta veio imediata.


P.A. olhou direto pra ele.


— Você não vai.


A resposta dela não veio no mesmo tempo de antes.


— Mas eu sou imortal... 


— Você precisa ficar.


O tom não era duro.


Mas não deixava espaço.


— Se algo passar… se alguém entrar…


O olhar dela foi até Lira… e Sylas.


— Eles precisam de você aqui.


Lucius ficou em silêncio por um segundo.


Aquilo pesou.


Mas ele entendeu.


— Eu…


Lira se aproximou.


Sem dizer nada.


Só segurou o braço dele.


Por um instante.


— Fica — disse ela, baixo.


Sylas já estava ao lado.


Esperando.


P.A. observou a cena.


Sem interromper.


Quando terminou, falou:


— Vocês precisam ir.


Uma pausa curta.


— Não temos muito tempo.


Drax já estava na saída.


Sem parar.


E então todos saíram.


Restaram apenas Samuel… e P.A.


O silêncio voltou.


Mais calmo.


Mais direto.


— Você vai.


Não foi uma pergunta.


Samuel assentiu.


— Se der errado—


— Não vai.


Simples.


Sem espaço.


P.A. tentou responder—


— Como eu posso—


— Você sabe.


Por um instante, o brilho do núcleo oscilou. Quase imperceptível.


Uma pausa.


— Sempre sabe.


Ela ficou em silêncio.


Dessa vez… não travada.


Pensando.


— Elas não vão parar até acabarem com tudo.


— E você não vai deixar.


Sem força.


Sem dúvida.


Só verdade.


P.A. respirou fundo.


— Não.


Samuel levou a mão até o dispositivo.


Retirou.


E entregou a ela.


— Obrigado.


A voz saiu limpa.


Sem tradução.


Sem adaptação.


Natural.


P.A. observou por um instante.


E um leve sorriso apareceu.


— A anomalia aprendeu rápido.


Um toque leve.


Quase irônico.


Samuel apenas assentiu.


E então saiu.


P.A. ficou em silêncio.


O brilho do núcleo ainda refletia no metal ao redor.

Mas agora…

parecia mais distante.


Ela não se moveu.


Só observou o espaço vazio onde ele esteve.


Ela estava pronta.


--- 💫 ---


O silêncio na torre não durou.


Mas foi o bastante.


Lá fora, Valtrex mudou de estado.


Não houve caos.


Houve decisão.


Chamados foram ativados em cadeia, como se algo invisível tivesse pressionado um único ponto da cidade inteira.


Sirenes cortaram o ar.


Portas blindadas se destravaram uma após a outra, liberando camadas de aço como se a cidade estivesse abrindo os próprios ossos.


Valtrex respirou.


Um único fôlego profundo antes do impacto.


E então se moveu.


As ruas começaram a se preencher.


Não com fuga.


Com ordem.


Com propósito.


Veículos militares surgiam pelos corredores da cidade como uma corrente contínua de metal e fogo contido. Blindados avançavam com estruturas improvisadas presas ao corpo. Caminhões pesados passavam carregados de munição, suprimentos e homens já posicionados, como se não houvesse mais preparação — apenas execução.


Motores não rugiam isoladamente.


Eram uma única vibração atravessando o chão.


No alto, o céu foi tomado.


Helicópteros cortavam entre prédios como lâminas lentas, luzes de busca varrendo superfícies, revelando e apagando ruas inteiras em segundos.


Mais acima, drones cruzavam em silêncio preciso, como olhos que nunca piscavam.


Alguns conectados diretamente à P.A., pulsando dados no ar como fragmentos de pensamento.


Outros orbitavam em formação, ajustando ângulos, calculando o mundo em tempo real.


E abaixo de tudo isso…


os portões começaram a se abrir.


Placas gigantes de metal se moveram com um peso antigo, engolindo o som ao redor. Engrenagens profundas liberaram a saída da cidadela como se algo enterrado há muito tempo finalmente tivesse sido exposto.


E então o exército saiu.


Primeiro, as linhas frontais.


Robôs pesados, passos sincronizados que faziam o chão responder em ondas curtas.


Depois os androides soldados, mais leves, rápidos, armas já erguidas como extensão natural do corpo.


Em seguida, os sentinelas.


Blindados.


Firmes.


Formando uma parede que parecia não andar — apenas avançar porque o mundo à frente cedia.


E então os humanos.


Voluntários.


Resistência.


Gente que não ficou atrás da proteção porque não acreditava mais nela.


Não era um exército grande.


Mas era inteiro.


Não em número.


Em escolha.


E isso mudava tudo.


Acima deles, o céu já não era vazio.


Drones cruzavam em silêncio matemático, ajustando formação a cada segundo.


O ar inteiro parecia calculado.


Medido.


Controlado.


Quase vivo.


Drax estava à frente.


Entre os sentinelas.


Imóvel.


Como se já pertencesse ao momento desde antes dele existir.


Samuel não avançou com a linha de frente.


Permaneceu atrás.


Entre os humanos.


Presente.


Silencioso.


Como se aquele fosse exatamente o lugar onde precisava estar.


E então—


— Tão achando que vão lutar sozinhos?


Alguns drones mudaram rota por meio segundo ao detectar a presença deles.


A voz rasgou o ar como algo fora de lugar.


O equilíbrio que existia ali não quebrou.


Foi interrompido.


— A Gangue Skull chegou pra acabar com isso, porra!


Trash surgiu como se a guerra tivesse sido aberta só para ele entrar.


E o espaço ao redor dele mudou.


Não porque se abriu.


Mas porque cedeu.


Leon veio logo atrás, skate preso às costas, arma na mão, olhar firme como se já estivesse dentro disso há tempo demais.


Kim não seguiu o grupo.


Ela já estava em posição.


Vittorio girava as pistolas entre os dedos como se o peso da guerra fosse leve.


E então eles vieram juntos.


Datti, Myra, Blank, Sable.


Motos pararam em meio à formação militar.


O som delas quebrando a ordem perfeita como uma rachadura intencional.


Não foi chegada.

O campo apenas entendeu que eles já estavam lá.


O tipo de presença que não pede espaço.


Toma.


— Hoje esses robôs vão cair, caralho! — Trash gritou.


Por um segundo, os motores militares perderam o ritmo.


E não houve reação contrária.


Só eco.


Da própria confiança deles.


Trash caminhou direto até Samuel.


— A gente tá com você.


Samuel assentiu.


Simples.


E por um instante… o movimento ao redor dele pareceu mais lento.


Como se aquilo já estivesse decidido antes de qualquer um ali falar.


Um dos membros da Skull observou Samuel por um segundo.


— Esse é o cara que tirou a gente daquele robô…


Trash riu, alto, quase incrédulo.


— Eu sabia. Eu sabia porra! Chupa Valtrex!


Por um instante, até o ar pareceu não saber como reagir àquilo.


Drax desviou o olhar.


Não por desinteresse.


Por cálculo.


Os dois sentinelas de antes estavam ali, ao lado dele.


— As suas ordens, comandante.


Drax assentiu.


E o campo inteiro pareceu se alinhar de novo.


Como se tivesse respirado junto.


E então…


o silêncio voltou.


Mas não era vazio.


Era retenção.


Como se o mundo inteiro estivesse segurando algo que não podia mais ser evitado.


Samuel olhou para o horizonte.


Ainda limpo.


Ainda distante.


Mas não por muito tempo.


Porque ao longe… o mundo reagiu.


--- 💫 ---


O horizonte não avançou.


Parou.


Não como hesitação.


Mas como comando.


A linha de avanço simplesmente cessou ao mesmo tempo, como se algo tivesse apertado um ponto invisível no mundo inteiro.


E então…


o que estava escondido se revelou.


Primeiro, os grandes.


Leões mecânicos surgiram entre a poeira distante.


Mandíbulas metálicas, placas reforçadas no lugar de músculos, olhos vermelhos estabilizados em foco contínuo.


Ao lado deles, tigres.


Mais baixos, mais silenciosos.


Movimento calculado, quase natural, mas errado o suficiente para incomodar qualquer instinto humano.


Panteras vieram logo atrás.


Corpos mais leves, quase sem som.


Deslizavam em vez de andar.


Hienas mecânicas apareceram em grupo.


Desorganizadas na forma, mas sincronizadas no movimento.


Como se o caos também tivesse sido programado.


Entre eles, lobos.


Em maior número.


Formando pequenas alcateias de máquinas.


Cabeças baixas.


Orelhas metálicas ajustando direção constantemente.


Cada passo deles era leve.


Mas juntos, faziam o chão parecer instável.


E então vieram os maiores.


Hipopótamos de guerra.


Elefantes.


Estruturas pesadas, blindadas, avançando como blocos vivos de metal.


Não corriam.


Mas quando se moviam, o terreno cedia.


Rinocerontes surgiram logo depois.


Um impacto silencioso em forma de presença.


Chifres reforçados, placas frontais como blindagem de cerco.


Cada um deles parecia feito para atravessar qualquer coisa sem parar.


O céu também respondeu.


Aves mecânicas começaram a circular acima.


Não em formação bonita.


Mas em padrão de reconhecimento.


Girando, mudando direção o tempo todo, como olhos que nunca piscavam.


E então…


as aranhas.


Desceram de estruturas invisíveis até então.


Outras simplesmente surgiam entre os veículos maiores.


Corpos segmentados, múltiplas pernas articuladas, movimentos rápidos demais para acompanhar sem foco.


Subiam em rochas, blindados abandonados, estruturas do próprio campo.


E paravam.


Como se o mundo inteiro tivesse sido preenchido por elas de propósito.


As baleias voadoras cruzavam o céu como se ainda estivessem no mar.


E dos seus corpos…


robôs humanoides desciam.


Nenhum som de ataque.


Nenhuma investida.


Só posição.


E espera.


A formação inteira se espalhou diante de Valtrex.


Um ecossistema inteiro de guerra.


Artificial.


Coeso.


E perfeitamente parado.


Do outro lado, ninguém se moveu.


Nem os sentinelas.


Nem os drones.


Nem os humanos.


Drax observou por um instante.


— Eles pararam?


Samuel apenas observava.


Porque não parecia uma invasão.


Parecia chegada.


E o mundo inteiro estava esperando ver quem respirava primeiro.


Samuel ergueu levemente uma das mãos.


Uma pequena esfera de luz se formou.


Simples.


Silenciosa.


Ela subiu aos céus.


Deixando um rastro suave no ar.


E então se desfez.


Pontos quase invisíveis se espalharam ao redor.


Caindo entre todos.


Tocando sem serem notados.


Ninguém viu.


Ninguém reagiu.


Mas o peso… diminuiu.


Só Samuel observou.


E então abaixou a mão.


Estava entardecendo, o sol mesmo ao céu com nuvens cinzas estava aparecendo.


O silêncio ali não durou muito.


Mas, de algum ponto invisível…


As máquinas começaram a se mover.


As primeiras unidades avançaram ao mesmo tempo.


E então vieram os disparos.

Não desordenados.

Precisos.


Os lobos vieram primeiro.


Logo atrás, as hienas.


Os céus desceram junto.


Aves mergulhando em ângulos impossíveis.


As aranhas dispararam pelo campo.


Subindo, atravessando, ocupando tudo.


E então…


os maiores.


O chão respondeu antes deles chegarem.


Rinocerontes.


A linha de frente reagiu.


Disparos cortaram o ar.


Drones desceram.


Os robôs avançaram um passo à frente.


E o impacto começou a se formar—


Mas não chegou.


Um dos rinocerontes rompeu a linha.


Sem ser parado.


Sem ser atingido a tempo.


Avançando com força suficiente para atravessar tudo no caminho.


Mas não foi o único.


Atrás dele, outros começaram a romper.


Não em massa.


Em pontos.


Como se estivessem testando.


Procurando falhas.


E encontrando.


A linha respondeu.


Sentinelas avançaram em bloco.


Pesados.


Firmes.


Um deles girou o braço e cravou no chão.


Uma barreira emergiu em sequência.


Metal contra metal.


O impacto veio.


Agora veio.


O rinoceronte atingiu a estrutura—


E dessa vez o mundo sentiu.


Não foi explosão.


Foi pressão.


O tipo de impacto que empurra o ar pra fora.


A linha segurou.


Mas não intacta.


E então vieram mais.


Disparos vindos de trás das linhas inimigas.


Canhões embutidos nas estruturas maiores.


Rajadas atravessando o campo.


Alguns caíram de uma vez com os disparos.


As aranhas já estavam lá.


Rápidas demais.


Entrando por frestas.


Subindo pelas estruturas.


— Tira elas de cima! — alguém gritou.


Um sentinela caiu de joelhos.


Outro esmagou duas com o próprio peso.


Mas três já tinham passado.


Leon desceu no meio do caos.


O skate bateu no chão—


e ele já estava em movimento.


Baixo.


Rápido.


Uma ave mergulhou.


Ele inclinou o corpo.


Passou por baixo.


Atirou sem parar.


A criatura girou no ar e caiu atrás dele.


Sem perder velocidade, ele girou o skate.


Subiu na lateral de um caminhão.


Saltou.


E caiu no meio das aranhas.


Um disparo passou raspando pelo rosto dele.


Outro atingiu o chão à frente, explodindo em fragmentos.


Ele nem desacelerou.


Disparos rápidos.


Movimentos totalmente cirúrgicos.


Sem parar.


Como se o campo inteiro fosse uma pista.


— Que não exploda na minha cara! — gritou Vittorio.


Ele girou os tambores das pistolas.


Já estava atirando.


Cada disparo encontrava um alvo.


Sempre na cabeça.


Sem mira aparente.


Mas nada era aleatório. Era pura sorte. Sua sorte.


Uma hiena saltou.


Ele virou o corpo—


um tiro.


Ela caiu antes de tocar nele.


— Jackpot!


Do outro lado—


— VAMOS BOTAR PRA FUDER!


Trash avançou.


E a Skull veio junto.


Como uma onda desorganizada… que funcionava.


Motos rasgaram o campo.


Cortando entre linhas.


Entre tiros.


não eram só deles.


Rajadas cruzavam no sentido contrário, forçando cada movimento.


Um dos membros puxou uma corrente.


Prendeu no pescoço de um lobo mecânico.


Arrastou até esmagar contra um blindado.


Outro saltou de uma moto em movimento.


Caiu sobre uma aranha.


Cravou um dispositivo.


Explosão curta.


Precisa.


E já estava correndo de novo.


Datti veio logo atrás.


Passos pesados.


Força bruta sem hesitação.


Um hipopótamo avançou contra ela.


Ela segurou a boca da criatura com as duas mãos—


travou.


E girou.


O impacto contra o chão foi seco.


Pesado.


Final.


Myra apareceu ao lado.


Terminou o que restava.


— Obrigado, amorzinho.


Myra só riu.


Na linha de frente—


Drax não parava.


Uma hiena avançou.


Ele agarrou no ar.


Uma descarga percorreu o braço robótico.


A máquina travou.


Ele lançou contra outra.


Sem desperdício.


Sem pausa.


Outro ataque veio.


Mais rápido.


Ele não recuou.


Entrou antes do impacto.


Quebrou o movimento.


Continuou.


Os dois sentinelas ao lado dele avançaram juntos.


Coordenados.


Sem precisar falar.


Uma aranha saltou—


foi esmagada no ar.


Outra tentou subir—


foi arrancada antes de fixar.


A linha estabilizou.


Por um segundo.


Só um.


Porque o campo não parava.


No alto—


— Cuidado!


Um enxame desceu.


Aves.


Muitas.


Rápidas.


Cortando o ar como lâminas.


Drones subiram para interceptar.


Colidiram.


Explodiram.


Alguns caíram junto.


Outros passaram.


E atingiram.


Um helicóptero perdeu estabilidade.


Girou.


Quase caiu.


Mas não caiu.


Padre Ross e Blank já estavam ali.


As aves ao redor dele mudaram.


Por um instante…


não eram inimigas.


Eles as tomaram.


E elas responderam.


Mudaram de direção.


Seguraram o peso.


Estabilizaram a queda.


O helicóptero voltou.


Instável.


Mas vivo.


Ross e Blank se olharam e apertaram as mãos.


No chão—


ninguém fugiu.


Ninguém recuou.


Mesmo quando a linha cedia—


ela não quebrava.


Porque ninguém ali soltava.


E no meio de tudo…


o entardecer continuava.


Luz atravessando nuvens cinzas.


Refletindo no metal.


Na poeira.


Nos corpos.


Como se o mundo ainda estivesse decidindo…


se aquilo era o fim.


Ou só o começo.


E então a intensidade mudou.


As máquinas começaram a disparar mais rápido.


Como se tivessem decidido parar de testar.


Mas começou a ceder.


Devagar.


Quase imperceptível no início.


Os robôs de Valtrex começaram a cair.


Os androides.


Um sentinela caiu.


Depois outro.


As aranhas já estavam dentro de algumas unidades.


Desligando.


Sabotando.


As linhas começaram a abrir.


No céu, os drones diminuíam.


Não por falha.


Por número.


Eles estavam sendo derrubados mais rápido do que conseguiam ajustar. As aves não paravam de vir.


No chão, os humanos começavam a recuar um passo.


A pressão aumentava.


E não parava.


Os animais avançavam novamente.


Dessa vez, em mais pontos.


Uma barreira cedeu.


O impacto atravessou.


E levou tudo atrás.


Humanos e androides sendo arremessados.


Giravam no ar.


E mesmo assim levantavam.


E dessa vez…


era verdade.


Na frente—


Drax avançou.


Um tigre avançou.


O impacto veio lateral.


O braço mecânico de Drax foi arrancado.


Metal se partindo.


Fios expostos.


E mesmo assim…


ele não parou.


Mas o campo ao redor já não acompanhava.


Um rinoceronte surgiu do lado.


Drax virou—


Tarde.


O impacto veio.


E então—


não veio.


Algo atingiu o rinoceronte de lado.


Com força suficiente pra deslocar toda a trajetória.


O corpo da máquina arrastou no chão.


Abrindo sulco.


Parando.


Antes de chegar.


Drax travou por meio segundo.


Olhou.


E viu.


Um caminhão velho, mas totalmente modificado.


Mas o campo não parou.


E então—


o som mudou.


Não foi explosão.


Não foi impacto.


Foi motor.


Grave.


Pesado.


Crescendo.


Do lado esquerdo do campo.


Primeiro uma.


Depois várias.


Faróis acenderam na poeira.


Como olhos surgindo no nada.


E então eles vieram.


Carros.


Blindados improvisados.


Metal sobre metal.


Placas soldadas.


Estruturas montadas na força.


Motos cortando a frente.


Rápidas.


Barulhentas.


Desorganizadas.


E perfeitas pra aquilo.


...


Era Underground.


— FINALMENTE EU SAI DAQUELA OFICINA


Sorrento gritava enquanto ria. TM e Phomer olhavam incrédulos pra Sorrento.


— Ele tá rindo? Tu já viu ele feliz?


— Eu não.


O primeiro veículo rompeu a linha lateral.


Atropelou um grupo de hienas.


Sem parar.


Outro veio logo atrás.


Disparando sem precisão.


Mas com volume.


Com pressão.


Com presença.


Caminhões surgiram atrás.


Altos.


Pesados.


Com gente em cima.


Armada.


Gritando.


Vivendo aquilo.


E então ele apareceu.


No topo de um dos veículos.


Equilibrado como se o movimento não importasse.


Olhar fixo no campo.


Draken pulou ao lado de Samuel junto com seus homens, todos com máscaras.


— Samuel. — Disse Draken.


Samuel assente.


A resposta veio em forma de ação.


Não de fala.


Veículos atravessaram o campo.


Quebrando formação inimiga.


Abrindo espaço.


Motos passando entre as máquinas como lâminas vivas.


Correntes sendo lançadas.


Explosões curtas.


Corpos metálicos sendo arrastados.


A guerra mudou.


Não parou.


Mas mudou.


A linha que cedia…


respirou.


Drax viu de longe.


Koran.


E o mesmo o viu.


Os olhares dos dois se encontraram no meio do caos.


Não foi surpresa.


Foi reconhecimento.


Drax virou o corpo no exato momento em que um ataque vinha pela lateral—


Koran apareceu antes.


Interceptou.


O impacto desviou.


Os dois ficaram frente a frente.


Por um segundo.


— Koran.


— Drax.


Sem tempo.


Sem pausa.


Koran puxou o irmão pelo braço no instante em que outra máquina avançou—


Os dois se moveram juntos.


Lutando lado a lado.


Protegendo.


Respondendo.


E pela primeira vez desde o início…


o campo deixou de apenas resistir.


Agora…


ele revidava.


⚡──────🌟──────⚡



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