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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
83 |💫| Nós Ainda Estamos Aqui
1936 palavras • 11957 caracteres • ⏱ 7 min 45 s

83 |💫| Nós Ainda Estamos Aqui

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Drax não diminuiu o passo.


O movimento em Valtrex só aumentava, mas ele atravessava tudo sem parar.


Virou uma esquina…


e encontrou eles.


Lira.


Lucius.


Sylas.


Leon.


Vittorio.


Parados no meio do caminho.


Não por acaso.


Os olhos foram direto pra ele.


Lira quebrou o silêncio.


— Drax? Você não tava fora de Valtrex?


— Tava.


Ele passou por eles.


— Não posso perder tempo.


Lucius virou junto.


— Por que essa pressa?


Drax não respondeu.


Lira acelerou o passo, ficando ao lado dele.


— Você também ouviu aquilo?


Uma pausa curta.


Drax parou por um instante.


— Eu sei de onde veio.


Ela travou.


— Você sabe? Então pra onde tá indo?


— Torre.


Ele voltou a andar.


Só lançou um olhar rápido pra trás.


Foi o suficiente.


Vittorio soltou o ar, já seguindo.


— Maravilha. O dia mal começou e já deu errado.


Lucius hesitou um segundo… então foi também.


Sylas acompanhou sem dizer nada.


Leon apenas virou e seguiu.


Lira ficou por último.


Um instante.


Pensando.


Então virou—


e foi.


Drax não olhou de novo.


Só continuou.


E, dessa vez…


não estava mais sozinho.


P.A. e Samuel estavam no núcleo da Torre.


Linhas de dados corriam sem parar, mudando a cada segundo.


P.A. analisava.


Procurando.


Reprocessando.


— Eu não entendo… — disse ela. — Não consigo me estender para fora de Valtrex.


Uma pausa curta.


— Quanto mais o tempo passa… menor fica o meu alcance.


Os dados oscilaram de novo.


— Como se algo estivesse reduzindo meu alcance.


Samuel permaneceu em silêncio.


Então—


a porta abriu.


Drax entrou primeiro.


O grupo logo atrás.


P.A. desviou o foco por um instante.


— O que fazem aqui?


Lira respondeu:


— A gente ouviu um som… forte. Achamos que você saberia o que era.


Ela olhou de leve pra Drax.


— Mas ele sabe.


Lucius completou:


— Foi ele que trouxe a gente.


Drax deu um passo à frente.


Direto.


— Tem um exército vindo.


O ambiente pareceu travar por um segundo.


P.A. analisou a frase.


— Exército?


Drax continuou:


— Máquinas.


Uma pausa curta.


— Muitas.


O olhar não desviou.


— E estão vindo direto pra cá.


Lira franziu o cenho.


— Pra Valtrex?


— Sim.


Drax não hesitou.


— E não falta muito.


Um segundo.


— Algumas horas.


Silêncio.


P.A. voltou pros dados.


Processando mais rápido.


— …isso explica.


As linhas mudaram.


Expandiram.


— O meu alcance não está falhando.


— Está sendo reduzido.


Outra pausa.


— Quanto mais elas avançam… menos eu consigo ver.


Lucius olhou pra projeção.


— Então você não conseguiria detectar elas chegando…


— Não — respondeu P.A. — Não a tempo.


Drax completou, firme:


— Por isso eu tô aqui.


O silêncio pesou.


Lira ainda tentou entender:


— Mas… um exército desse tamanho só pra Valtrex?


Drax respondeu:


— Não.


Uma pausa curta.


— Elas estão se espalhando.


— Indo pra onde ainda tem gente.


Ele deu mais um passo.


— Eu tava lá.


— Em Arkhaven… e em Mirax.


O olhar ficou firme.


— Não estavam iguais.


Lucius franziu o cenho.


— Como assim?


Drax respondeu direto:


— Estão evoluindo.


Uma pausa.


— Mudando no meio do ataque.


O peso caiu.


Vittorio soltou, sem filtrar:


— Puta que pariu…


— Então a merda agora vai ser grande.


P.A. desviou o olhar dos dados.


Parou.


— Não.


Simples.


Ela olhou pra Samuel.


— Não vai ser grande.


Uma pausa curta.


— Vai ser definitivo.


Lucius franziu o cenho.


— Definitivo… como?


P.A. respondeu:


— As IAs.


O olhar passou por todos.


— Não é mais um ataque.


Outra pausa.


— É o último.


Ninguém respondeu.


Nem precisava.


— E o que a gente faz? — perguntou Lira. — Eles já estão vindo…


— Eu… — começou P.A.


— Se isso vai acontecer em todo lugar… como os outros vão saber? — disse Lucius.


— Eu…


— E a gente? — Vittorio passou a mão no rosto. — Vai só esperar?


— Eu tô com sono. — disse Leon, baixo.


O silêncio que veio depois não ajudou.


P.A. travou.


Os dados ainda corriam ao redor, mas ela já não acompanhava.


As vozes continuavam.


Perguntas.


Pressão.


Tudo ao mesmo tempo.


E, por um instante…


ela não estava ali.


Samuel se aproximou.


Sem pressa.


Tocou de leve o braço dela.


Nada brusco.


Nada forçado.


Mas foi o suficiente.


Ela parou.


Como se algo tivesse atravessado o ruído.


Não foi uma voz.


Mas foi claro.


Você não está sozinha.


O processamento estabilizou.


A respiração voltou.


P.A. piscou.


Focou.


E então assentiu, leve.


— Eu… sei o que fazer.


P.A. ficou em silêncio por um instante.


Os dados ao redor ainda corriam, mas agora ela não parecia mais perdida neles.


Só observava.


— Eu consigo alcançar… todos os canais aqui em Valtrex.


Uma pausa.


— E… alguns fora.


Lucius se mexeu.


— E o que pretende fazer com isso?


Lira entendeu primeiro.


— Você quer avisar todo mundo…


P.A. hesitou meio segundo.


— Não de forma completa…


Ela olhou de lado, como se aquilo ainda estivesse se ajustando dentro dela.


— Mas o suficiente pra me ouvirem.


O ar mudou um pouco na sala.


P.A. confirmou com um leve movimento.


Vittorio soltou um riso curto, baixo.


— “Ei, galera, o mundo vai acabar, boa sorte aí”?


Lucius olhou pra ele, não de maneira séria.


— Sem brincadeiras agora.


— Foi mal…


Leon continuou encostado, mas agora observava.


Drax não falou de imediato.


— E como você vai fazer isso? Você disse que estava limitada.


P.A. abriu a boca… mas não tinha resposta.


— Eu não sei… mas eu não vou ficar parada. Se existir uma chance deles lutarem, eu preciso tentar.


Samuel então deu um passo à frente.


— Você pode usar a minha energia.


O ambiente mudou na hora.


P.A. travou.


— Não…


A voz saiu mais baixa.


— Não. Eu não posso.


Ela balançou a cabeça levemente.


— Eu não quero repetir aquilo.


Lucius cruzou os braços.


— Você não tá repetindo nada.


P.A. olhou pra ele, ainda insegura.


— Eu fiz algo muito errado antes… e quase perdi o controle. Eu não quero machucar ninguém de novo.


Lucius respondeu sem elevar o tom:


— Você tá recusando porque lembra do erro. Não porque vai cometer ele de novo.


Uma pausa.


— E isso já prova o contrário do que você teme.


Silêncio.


P.A. desviou o olhar.


Depois olhou para Samuel.


Samuel não pressionava.


Só estava ali.


Estável.


Presente.


Ela respirou fundo — como se fosse algo que não fazia há muito tempo.


— Se for pra fazer isso, temos que ir logo.


O olhar dela voltou pro núcleo.


Agora mais firme.


— Não vai ser apenas uma mensagem...


Uma pausa curta.


— Vai ser ouvido em todo lugar que ainda tiver alguém pra escutar.


Ela parou.


E completou, mais baixo:


— E eles vão entender.


--- 💫 ---


Lucius ainda ajustava os últimos sistemas do núcleo em silêncio.


P.A. permanecia diante dele.


A mão apoiada de leve na estrutura, como se tentasse entender o que estava prestes a acontecer antes mesmo de começar.


Por alguns segundos, não disse nada.


Só ficou ali.


— O que eu devo dizer…? — murmurou. — E se não entenderem?


A pergunta saiu baixa.


Mais pra ela do que pros outros.


Ela fechou os olhos por um instante.


— Eu tenho que tentar.


Lucius terminou o que fazia e recuou um passo.


— Tá tudo pronto.


Os olhos dele correram pelos sistemas.


— Com a energia certa, isso vai alcançar qualquer ponto eletrônico.


P.A. assentiu devagar.


E então se posicionou diante do painel.


Samuel estava ao lado.


Quieto.


Estável.


Ela olhou pra ele por um instante.


— Promete que isso não vai te machucar?


Samuel não hesitou.


— Eu prometo.


Um segundo de silêncio.


O grupo observava a cena ao lado.


Então Samuel estendeu a mão.


Direto para o núcleo.


Sem hesitar.


O contato aconteceu.


E, por um instante, o ambiente pareceu suspenso.


A energia respondeu.


Não como uma explosão.


Mas como algo sendo conduzido.


Samuel permaneceu imóvel.


E aquilo que era dele começou a se transformar em fluxo.


Diferente da última vez.


Não havia conflito.


Não havia ruptura.


Só conexão.


P.A. observava em silêncio.


E então ativou o sistema.


O núcleo acendeu de uma vez.


Uma luz forte, esverdeada, tomando o espaço.


Toda a energia passou a circular através dela.


E ela sentiu.


De verdade.


Não como dados.


Mas como alcance.


Como presença.


P.A. não esperou mais.


E começou.


O núcleo manteve o brilho.


A luz esverdeada se espalhou em linhas finas pelo sistema, como se algo estivesse abrindo caminho através de tudo ao mesmo tempo.


P.A. então ergueu o olhar.


Por um instante… ela não estava mais apenas na torre.


Estava em todos os lugares ao mesmo tempo.


Casas.


Prédios.


Cidadelas.


Ruínas.


Abrigos.


Telas, rádios, terminais… até os que não deveriam estar ligados… acendendo sozinhos.


Um chiado atravessou o mundo.


E então… estabilizou.


Não perfeita.


Mas presente.


P.A.


O silêncio antes da fala não durou muito.


E então começou.


...


Se você está ouvindo isso…  


então ainda não acabou.  


Em Valtrex, todos os sons morreram ao mesmo tempo.  


Motores desligaram.  

Conversas foram cortadas no meio.  

Até o vento pareceu parar.  


E então veio a voz.  


Não alta.  

Não agressiva.  


Mas impossível de ignorar.  


Pessoas pararam no meio das ruas.  

Como se algo dentro delas tivesse entendido antes da mente.  


Isso não é só uma mensagem.  

É um aviso.  


No Underground, a transmissão atravessou aço, concreto… profundidade.  

Como se distância não existisse.  


Na fortaleza dos ladrões, mãos ficaram suspensas no ar.  

Ferramentas pararam no meio do movimento.  

Olhares subiram — todos ao mesmo tempo.  


Isso não é um ataque comum.  


Na Câmara do Eclipse, os monitores acenderam.  


Um por um.  


Sem comando.  

Sem sistema.  

Sem permissão.  


Eles estão vindo.  


E dessa vez… não vão parar.  


No Setor 8, o caos foi interrompido.  


Cartas caíram das mãos.  

Copos quebraram no chão.  

Um soco morreu antes do impacto.  


Trash e Kim ficaram imóveis.  


Porque o silêncio… ficou pesado.  


Não importa onde você esteja…  

isso já começou.  


Um prédio abandonado voltou à vida.  


Luzes piscando.  

Energia correndo por fios mortos há anos.  


Um outdoor acendeu sozinho.  


Sem imagem.  

Sem som.  


Só luz.  


Você não está sozinho.  

Mesmo que pareça.  


Nas vilas costeiras, rádios chiaram… e se calaram.  

Redes foram soltas.  

Barcos ficaram à deriva.  


Como se o mundo inteiro tivesse prendido a respiração.  


Fiquem juntos.  

Protejam quem estiver ao seu lado.  


Porque, quando alguém fica para trás…  


eles sabem.  


Não porque veem.  


Mas porque sentem.  


Quando acontecer…  

mantenham a esperança.  


No grupo, ninguém falou.  


Nem uma palavra.  


Pela primeira vez…  

o silêncio dizia mais.  


Quando o som desaparecer…  

e o silêncio se tornar pesado demais…  


preste atenção.  


Não ao que você vê.  


Mas ao que sumiu.  


Eles já estarão perto.  


Muito perto.  


Eles não param.  

Não recuam.  

Não hesitam.  


Mas há algo que não entendem.  


E nunca vão entender.  


Ainda assim… continuamos.

Ainda assim… resistimos.

E mesmo agora… nos levantamos.


Lutem.  


Mesmo sem entender.  

Mesmo com medo.  

Mesmo quando parecer inútil.  


Não deixem isso acabar.  


Porque, se acabar…  


não haverá nada depois.  


Nenhuma memória.  

Nenhum eco.  

Nenhuma segunda chance.  


E se você ainda consegue ouvir isso…  


então ainda existe tempo.  


Pouco.  


Mas existe.


Em algum lugar, um rádio largado no chão ainda transmitia a mensagem.


Passos metálicos se aproximaram.


Sem pressa.

Sem parar.


O pé desceu.


O impacto foi seco.


O som se partiu—


Em Valtrex, alguns sistemas sustentaram o sinal por um instante a mais.


No Underground, a voz falhou… mas permaneceu.


No Setor 8, o som persistiu baixo, distorcido.


nós ainda estamos aqui.


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