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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
82 |💫| Até o Último Instante
1975 palavras • 11524 caracteres • ⏱ 7 min 54 s

82 |💫| Até o Último Instante

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O céu ainda estava coberto de fumaça.


Arkhaven queimava.


Mas não estava mais sozinha.


No meio das ruas destruídas, entre carros virados e prédios em chamas, novos sons começaram a surgir.


Diferentes.


Mais firmes.


Disparos.


Mas não vinham dos mesmos pontos de antes.


As primeiras unidades chegaram sem aviso.


Sentinelas.


Unidades de Valtrex.


Descendo entre os escombros, atravessando a fumaça como se já soubessem exatamente para onde ir.


No meio da avenida, uma das panteras mecânicas avançava.


Corpo baixo.


Movimento silencioso.


Olhos vermelhos varrendo tudo ao redor.


Ela não chegou longe.


Um disparo atravessou sua lateral.


Depois outro.


E mais alguns.


O corpo metálico travou no meio do salto… e caiu pesado no chão, deslizando pelo asfalto.


Pela primeira vez desde o início do ataque…


os predadores estavam sendo interrompidos.


No alto, uma das aves mecânicas girou a cabeça.


Os olhos frios focaram nas novas unidades.


Analisando.


Calculando.


Um homem, escondido atrás de um carro destruído, levantou o olhar.


Sem acreditar.


Mais unidades surgiram.


Avançando.


Abrindo caminho pelas ruas.


E, aos poucos…


os tiros começaram a mudar.


De desespero…


para resposta.


Mais à frente, o antigo armazém — onde a maior parte dos sobreviventes tinha se escondido — já não estava inteiro.


Uma das paredes havia cedido.


O portão estava arrombado.


Marcas profundas cortavam o metal.


Como garras.


Eles não tinham aguentado por muito tempo.


Ainda assim… alguém tinha resistido.


Dentro, entre destroços e fumaça, algumas pessoas permaneciam escondidas.


Feridos.


Cansados.


Em silêncio.


Esperando o pior.


Até ouvirem.


Passos.


Disparos.


Diferentes.


Do lado de fora, uma pantera mecânica surgiu na entrada destruída.


O corpo se abaixou.


Pronta para avançar.


Antes que pudesse—


um disparo atravessou sua cabeça.


O impacto lançou a máquina contra a parede já rachada.


Ela caiu.


Sem se mover.


Uma das sentinelas atravessou a entrada logo depois.


A arma ainda levantada.


Varreu o ambiente.


E então parou.


— Área segura.


A voz saiu simples.


Sem emoção.


Mas firme.


Um dos sobreviventes se moveu devagar.


Ainda sem confiar.


— …Valtrex?


Um dos sentinelas se aproxima.


— Viemos ajudar. Recebemos sua mensagem.


Outras unidades entraram logo depois.


A androide ainda estava ali, embora a sua situação ainda péssima.


— Eles conseguiram....


E, pela primeira vez desde que tudo começou…


aquele lugar deixou de ser apenas um esconderijo.


Virou um ponto de resgate.


--- 💫 ---


O som lá fora só aumentava.


Passos metálicos, mais de um, se aproximando rápido.


Drax não tirava o olhar da porta. O capitão se manteve ao lado dele, firme.


— Não vai segurar muito.


— Eu sei.


A primeira batida veio logo depois. Forte. A estrutura inteira tremeu, algo raspando no metal do lado de fora.


Atrás deles, o sentinela ferido ainda tentava no rádio.


O sinal falhava, voltava, falhava de novo.


A porta cedeu um pouco. Uma fresta.


Foi o suficiente.


Uma das hienas enfiou a cabeça ali, mandíbula já abrindo no ataque. Drax atirou. O impacto fez ela travar, mas não parar. Outra já vinha por trás, empurrando sem parar.


O capitão avançou. A espada desceu direto, cravando na cabeça da criatura. Um estalo seco. Ela caiu… mas abriu espaço.


Outra já vinha.


A porta entortou de vez.


Agora duas forçavam passagem ao mesmo tempo, se arrastando pra dentro.


O capitão puxou a lâmina—


Não deu tempo.


A mandíbula bateu na espada.


Metal contra metal.


E quebrou.


O som foi seco. Errado.


O capitão recuou meio passo, mas ainda firme.


Drax nem olhou.


— Continua.


Atrás deles, o sentinela apertou o rádio com mais força.


— Vai… dá sinal...


Nada.


Só chiado.


— Segurem mais um pouco!


Mais uma batida.


A porta cedeu mais.


Agora elas já estavam entrando de verdade.


Uma conseguiu passar metade do corpo. Outra veio logo atrás, raspando, forçando espaço. O chão já arranhava com as patas metálicas.


Drax atirava sem parar.


Mas não diminuía.


Só atrasava.


O capitão pegou o que restava da espada, segurando como dava.


— Até aqui… ninguém recuou.


Ele não terminou.


Não precisava.


Outro impacto.


Mais forte.


A estrutura gemeu.


Lá fora, o som mudou.


Algo cortou o ar.


Rápido.


Corujas metálicas passaram pelo céu, sombras cruzando acima do prédio.


Drax ergueu o olhar por um segundo.


Algo ali… não parecia igual.


Mas não deu tempo.


A porta cedeu.


De vez.


Uma das hienas entrou inteira, caindo pesado no chão, já avançando.


Outra vinha logo atrás.


Muito perto.


Sem espaço.


Sem saída.


O sentinela largou o rádio.


Devagar.


Os olhos indo da porta… pro resto do grupo.


Aceitando.


Ninguém falou nada.


Nem precisava.


Já não era mais sobre sair dali.


Era sobre segurar… o quanto desse.


Drax ajustou a arma.


O capitão deu meio passo à frente.


Segurando posição.


Então o impacto veio.


De cima.


Forte.


O teto tremeu.


Poeira caiu.


As hienas hesitaram.


Só um segundo.


O suficiente pra todo mundo perceber.


Algo mudou.


Um corte atravessou o teto.


Limpo.


Sem explosão.


A luz entrou junto com a poeira.


E então—


algo desceu.


Pesado.


Rápido.


Caiu no meio da sala com força, fazendo o chão vibrar.


A máquina ergueu a cabeça.


E avançou.


Direto nas hienas.


Um único movimento.


Preciso.


Uma foi arremessada contra a parede.


A outra nem terminou de reagir — foi atravessada no meio do avanço.


Mais dois desceram logo depois, pelo buraco no teto.


Agora o som era outro.


Confronto.


As hienas recuaram.


Pela primeira vez.


Recuando.


Lá de cima, as corujas mergulharam pela abertura, mas eram interceptadas antes de tocar o chão.


Sem espaço.


Sem tempo.


As novas unidades seguravam tudo.


Empurrando o que restava pra fora.


Abrindo caminho.


Uma corda caiu.


Depois outra.


— Subam.


Simples.


Direto.


O capitão foi o primeiro. Sem hesitar. Guardou o que restava da espada e subiu.


O sentinela veio logo depois, mesmo ferido.


Drax ficou um segundo.


O olhar caiu no corpo de Max. No rifle.


Ele foi até lá, pegou o rifle e voltou sem parar.


Subiu.


Os outros vieram logo atrás, um por um.


Abaixo, as máquinas seguravam.


Uma hiena ainda tentou saltar.


Foi derrubada no ar.


Drax alcançou o topo.


A nave já estava ali.


Aberta.


Esperando.


Ele entrou.


--- 💫 ---


O interior da nave era diferente.


O som de fora ficou abafado assim que a escotilha fechou.


Só o motor.


Baixo.


Ninguém falou nada quando entrou.


O capitão foi o primeiro a soltar o corpo, apoiando a mão na lateral.


Drax ficou de pé.


Ainda com o rifle na mão.


O de Max.


Sem desviar o olhar.


Mais à frente, alguém se moveu.


O sentinela.


O que tinha ficado pra trás.


Inteiro.


Ao lado dele… o voluntário desaparecido.


Vivo.


Cansado, mas de pé.


O sentinela olhou o grupo.


Um por um.


Parou no capitão.


Depois em Drax.


— Mandaram eu ficar — disse, simples. — Não iam me deixar descer.


— Ouvi eles sobrevoando. Consegui chamar atenção.


Ele puxou o braço do voluntário um pouco pra frente.


— Achei ele no caminho. Tava escondido.


O voluntário não disse nada.


Só assentiu fraco.


O sentinela respirou pelo nariz.


— Me atrasei.


O olhar dele percorreu o grupo de novo.


Contou.


Parou.


Franziu levemente.


— Cadê o Max?


Ninguém respondeu.


Nem na hora.


Nem depois.


O olhar dele desceu.


Devagar.


Até o rifle nas mãos de Drax.


Parou ali.


E ficou.


Ele não perguntou de novo.

Não precisava.

Já tinha entendido.


O capitão não desviou o olhar.


— Lutou até o fim. Como um homem.


O sentinela ficou parado por um instante.


Depois caminhou até um compartimento.


Puxou algo.


O chapéu.


Rasgado.


Mas inteiro.


Ele deu dois passos até o capitão.


Estendeu.


— Não deixei elas levarem.


A voz saiu baixa.


Mas firme.


— Não iam destruir isso também.


O capitão olhou.


Por um segundo… só ficou.


Então pegou.


Com cuidado.


Mais do que antes.


Ajeitou devagar na mão.


Sem colocar de volta ainda.


Só segurando.


— Fez bem. Obrigado soldado.


O sentinela assentiu.


Recuou.


O silêncio voltou.


Mas agora era outro.


Não vazio.


Pesado.


Drax continuava de pé.

Ainda segurando o rifle.

Depois… colocou nas costas.


Lá fora, a cidade ainda queimava.


Mas ali dentro…


eles tinham saído.


Nem todos.


--- 💫 ---


A nave não diminuiu a velocidade.


Nem quando deixou a zona de fumaça.


Nem quando Mirax começou a desaparecer lá embaixo.


Ninguém falou nada durante o trajeto.


Só o som contínuo do motor.


As nuvens escuras ficaram pra trás.


E então… apareceu.


Valtrex.


Estruturas altas cortando o céu, alinhadas, vivas de luz.


A nave seguiu direto, entrando por um corredor já aberto, como se estivesse sendo esperada.


Desceu.


Travou com um impacto leve.


A escotilha se abriu.


Do lado de fora, já havia movimento.


Outras naves pousadas.


Pessoas sendo retiradas.


Feridos sendo carregados.


Unidades, médicos e soldados andando entre eles.


Tudo funcionando ao mesmo tempo.


O capitão foi o primeiro a descer.


O sentinela ajudou seu companheiro logo depois.


Drax veio por último.


Assim que pisou fora da nave, já dava pra ver que eles não eram os únicos.


Os sobreviventes de Arkhaven estavam ali.


Alguns sentados no chão, recebendo atendimento.


Outros sendo levados.


Alguns só… tentando entender que tinham saído.


Uma mulher se soltou de um dos grupos.


Os olhos procurando.


Desesperados.


Ela viu a nave.


Viu eles.


E veio.


— Max?


Ela se aproximou mais.


— Cadê o Max?


Ninguém respondeu.


O capitão manteve a postura.


O sentinela desviou o olhar.


Drax não falou nada.


Ele apenas tirou o rifle das costas.


O de Max.


E estendeu.


Direto pra ela.


Sem hesitar.


Sem explicar.


A mulher parou.


Olhou pro rifle.


As mãos tremeram antes de pegar.


Ela segurou.


— Não... não...


O ar falhou.


Só os olhos.


Lágrimas caindo sobre o metal.


— Ele disse que eu não precisava ter medo…


A voz saiu baixa.


Quase quebrando.


— Disse que ia voltar… porque sempre voltava.


Uma pausa curta.


— Eu acreditei.


Ela puxou o rifle contra o corpo.


Como se ainda fosse ele ali.


A cabeça abaixou devagar.


E ela saiu.


O mundo ao redor continuava.


Pessoas sendo salvas.


Máquinas se movendo.


Ordens sendo dadas.


Mas ali…


parou.


Drax se virou.


O capitão estava mais afastado agora.


Sem a pressão do combate.


O chapéu ainda na mão.


Observando tudo como se já estivesse fora daquilo.


Drax se aproximou.


Parou ao lado.


— Onde vai?


O capitão manteve o olhar à frente.


— Seguir.


Drax virou levemente o rosto.


— Pra onde?


O capitão demorou um segundo.


Então colocou o chapéu de volta, ajustando com calma.


— Não sei.


Uma pausa curta.


Ele olhou de volta pra cidadela ao longe.


Depois… pra Drax.


— Mas não é aqui.


Drax não respondeu.


O capitão assentiu de leve.


— Foi um bom trabalho.


Sem formalidade.


Sem discurso.


Só aquilo.


Ele estendeu a mão.


Drax apertou.


Firme.


Sem dizer nada.


O capitão soltou primeiro.


Virou.


E começou a andar.


Sem pressa.


Sem olhar pra trás.


Os dois sentinelas seguiram junto.


Os três se misturando ao movimento de Valtrex.


Até desaparecerem.


Drax ficou parado por um instante.


O movimento ao redor continuava, mas já não prendia ele.


Alguém se aproximou.


Passos leves. Diferentes.


Ele virou o rosto.


A androide.


Ainda marcada… mas estável agora. Movimento firme. Olhar focado.


Ela parou a poucos passos.


— Você.


A voz saiu mais limpa.


Drax não respondeu. Só observou.


Ela sustentou o olhar.


— Eu… me lembro.


Uma pausa curta.


— Do que você fez.


O som ao redor seguiu, distante.


— Se o capitão tivesse atirado…


Ela deixou a frase morrer.


Não precisava terminar.


Drax permaneceu em silêncio.


Ela assentiu de leve.


— Obrigada.


Simples.


Sem excesso.


Ela levantou a mão, hesitou por um instante… e tocou o braço dele de leve.


— Eu não vou esquecer.


Soltou.


Deu um passo atrás.


E virou, voltando pro meio dos outros.


Drax não ficou.


No instante seguinte, já estava andando.


Sem olhar pra trás.


O passo firme.


O tempo que eles tinham…


estava acabando.


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