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P.A. estava no topo da torre, olhando a cidadela à frente, enquanto linhas de dados cruzavam seu corpo sem parar.
Ela tentava entender.
Desde o momento em que o som atravessou a cidade.
— Isso não foi por acaso…
Samuel não respondeu.
— Aquilo passou por quilômetros. Não foi um ataque… foi um aviso.
Ela focou mais, puxando informações de vários pontos ao mesmo tempo.
— Tá tudo bagunçado…
Algumas áreas simplesmente sumiam do alcance dela, como se algo estivesse limitando sua conexão para fora.
— Não tô conseguindo achar de onde veio.
Tentou de novo.
Procurando qualquer sinal.
Qualquer direção.
E então parou.
— Espera…
Samuel virou o olhar de leve.
— Achei um sinal.
— Parece onda de rádio.
P.A. ergueu a mão, e um pequeno projetor surgiu, formando a onda no ar.
— Veio de longe… de fora da Cidadela.
Ela apontou trechos falhando.
— Tem muita interferência.
O sinal falhou.
Voltou.
Ela ajustou rápido, segurando antes que sumisse de novo.
— Parece uma mensagem… e o destino é aqui, em Valtrex.
A onda se ampliou à frente.
— A origem… parece ser Mirax.
— Mirax? — perguntou Samuel.
— Uma cidadela que foi atacada pelas IAs. Não resistiu.
Ela travou por um instante.
— O sinal tá vindo de lá… mas isso não faz sentido.
Os dados correram mais rápido.
— Tem algo junto na onda.
— Essas interferências… não são normais.
— Não são humanas.
Um chiado atravessou o sinal.
Mais pesado.
— Parece que tão tentando derrubar a transmissão.
Ela ajustou de novo, segurando o máximo que conseguiu.
— Alguém tentou mandar alguma coisa… mas não chegou inteiro.
O vento passou pelas estruturas.
Samuel continuava olhando à frente.
De repente, a onda estabilizou.
Linha reta.
Sem variação.
Sem som.
O sinal acabou.
P.A. ainda olhou por um segundo, esperando.
Nada.
Então—
um pico.
Curto.
A linha tremeu.
— Voltou.
Ela ajustou na hora.
O sinal veio diferente.
Irregular.
Subia, travava, voltava.
Sem padrão.
Até fazer sentido.
— Ponto… traço… ponto…
Ela estreitou o olhar.
— Não é ruído.
— É código.
O chiado voltou, pesado, quase engolindo tudo.
P.A. segurou o que restava.
O padrão se repetiu.
Ela acompanhou.
— Valtrex…
Falha.
— …estamos…
Corte.
— …sob ataque…
A onda tremeu mais forte.
Fragmentada.
Forçada.
— Arkhaven… sob ataque…
— IAs… máquinas…
— um exército…
— não é só aqui…
— eles estão vindo…
— sobreviventes...
E então acabou.
Linha reta.
Silenciosa.
P.A. ficou imóvel.
— É um pedido de socorro.
O vento passou.
Samuel não desviou o olhar.
Agora eles sabiam de onde vinha.
P.A. ainda encarou a linha por um instante.
Depois se moveu.
— Vou enviar unidades pra Arkhaven. Sentinelas e robôs. Resgate e contenção.
Os dados cruzaram o corpo dela mais rápido.
— E Mirax? — disse Samuel.
Ela travou por um segundo.
— A mensagem veio de lá.
Samuel manteve o olhar no horizonte.
— Então ainda tem gente lá.
P.A. soltou o ar.
— Seria mais fácil se eu pudesse acessar direto as cidadelas.
Samuel virou o rosto de leve.
— Por quê?
— Elas bloquearam meu acesso.
Uma pausa.
— Eu só sustento a energia delas. Não tenho controle.
O vento passou.
Samuel ficou em silêncio.
— E mesmo assim você vai ajudar.
P.A. não hesitou.
— Vou.
Ela voltou ao sinal.
— Espero que dê tempo.
Lá embaixo, Valtrex seguia normal.
Luzes acesas.
Gente andando.
— Já mandei unidades pra Arkhaven e Mirax.
Ela olhou pra frente.
— Era isso que você sentiu antes? Esse ataque?
Samuel não respondeu.
Só negou de leve.
P.A. assentiu.
Os dados no corpo dela ficaram mais rápidos.
— Vou tentar achar mais sinais de fora.
— Enquanto der tempo.
O vento soprou de novo.
Mais frio.
Samuel não se mexeu.
O olhar continuava no horizonte.
Aquilo…
ainda não tinha chegado.
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