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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
80 |💫| Não Temos Mais Tempo
2395 palavras • 13610 caracteres • ⏱ 9 min 35 s

80 |💫| Não Temos Mais Tempo

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Eles ficaram escondidos, dentro de um prédio.


Ninguém falou nada.


Só observando.


Do outro lado da rua, as máquinas passavam.


Sem formação.


Sem padrão.


Algumas se moviam rápido, outras mais lentas, mas nenhuma parecia perdida de verdade. Era como se todas soubessem exatamente pra onde ir… mesmo sem mostrar isso.


Drax mantinha o olhar fixo nelas.


Max estava ao lado, segurando firme o rifle, a respiração mais controlada agora. A outra mão permanecia pressionando o braço, sem chamar atenção.


O capitão estava um pouco mais atrás, junto dos sentinelas.


Uma das máquinas parou no meio do caminho.


Por um momento, tudo travou.


Ninguém se mexeu.


Ela virou levemente.


Como se estivesse procurando.


Depois… seguiu.


Sumiu entre as estruturas.


O silêncio voltou.


Mas não trouxe alívio.


Max soltou o ar bem baixo.


— Não falta muito.


Drax não respondeu.


Max soltou o ar pelo nariz, olhando lá fora mais uma vez.


— Quando isso acabar… — ele falou baixo, quase como se estivesse pensando em voz alta.

— eu vou voltar pra casa.


Uma pausa curta.


— Prometi pra ela.


Drax nem ligou muito.


Ele desviou o olhar das máquinas e observou o caminho à frente.


— Pela rua não dá.


Max soltou o ar pelo nariz, olhando de novo lá fora.


— Percebi.


Uma pausa.


— E agora?


Drax desviou o olhar um pouco pro lado.


— A gente corta por dentro.


Max seguiu o olhar.


Viu a porta do prédio ao lado. Aberto.


Entendeu na hora.


— Tá… — ajeitou o rifle.


Drax já começou a andar.


Nem olhou pra trás.


Os outros vieram logo depois.


Entraram pelo lado, passando pela porta.  O chão estava cheio de objetos espalhados, mas ninguém fez barulho.


Lá dentro era mais escuro.


O som das máquinas ficou mais abafado… mas ainda dava pra ouvir.


Passos metálicos.


Max olhou pra frente.


— Se aparecer uma dessas aqui dentro…


Drax respondeu sem parar:


— Não vai.


— Elas são imprevisíveis, são animais.


— São animais, mas essas pensam.


— Não mais que eu.


Silêncio de novo.


Eles avançaram até o outro lado do prédio.


Drax parou antes de sair.


Levantou a mão.


Todo mundo travou.


Ele olhou primeiro.


Esperou.


Mais um segundo.


Então saiu.


Os outros acompanharam.


Do lado de fora…

estavam mais perto.


Eles estavam avançando quando o som veio.


— Socorro!


Drax parou na hora.


Os outros também.


Max franziu o cenho.


— Tá ouvindo?


Outra vez.


— Me ajudem!


Eles se aproximaram devagar de uma janela.


Sem fazer barulho.


Até enxergarem.


O operador.


Caído no meio da rua, tentando se arrastar.


A mochila ainda nas costas.


— Então ele que tava com o rádio.


— Ele vai chamar atenção das máquinas assim.


Drax não respondeu.


Já tinha visto.


Antes que qualquer um se movesse—


Elas vieram.


Rápidas.


As hienas.


Saíram de um dos lados, direto nele.


Baixas, rápidas, sem aviso.


O operador ainda tentou se levantar, o corpo falhando, a mão escorregando no chão enquanto puxava a si mesmo pra trás.


Não deu tempo.


A primeira atingiu pelas pernas, derrubando de vez, o impacto seco jogando ele contra o chão. Outra veio logo atrás, já cravando no ombro, puxando com força, arrastando.


Ele gritou.


Mas não terminou.


Mais vieram.


Movimento desordenado, agressivo, corpos se chocando enquanto avançavam umas sobre as outras, disputando espaço, rasgando sem coordenação, sem pausa.


Ele tentou reagir, o braço levantando por instinto, mas foi puxado de lado, o corpo girando à força enquanto as mandíbulas travavam e sacudiam.


O som ficou errado.


Metal rangendo.


Carne cedendo.


Algo quebrando no meio daquilo.


Em segundos, ele já não estava mais lutando.


As hienas ainda estavam lá, agitadas, se empurrando, rasgando o que restou. A mochila tinha sido jogada um pouco mais pra trás… mas ainda perto demais.


Max não desviou o olhar.


— A mochila…


Drax continuou observando a rua.


— A gente precisa mesmo disso?


— Pode ser o único jeito de falar com Valtrex.


Drax soltou o ar, ainda analisando o movimento das máquinas.


— Não dá pra ir sem chamar atenção.


O silêncio foi curto. O sentinela, mais atrás, se inclinou um pouco pra enxergar melhor.


— Se a gente puxar elas pra outro ponto…


Ninguém respondeu, mas a ideia ficou.


Ele olhou pro interior do prédio. Mesas viradas, objetos espalhados.


Então viu o suporte de iluminação, preso só por um lado.


— Dá pra fazer barulho.


O capitão cruzou os braços, olhando primeiro pro objeto, depois pra rua.


— E o que você usa pra chamar atenção?


O sentinela nem demorou muito. O olhar desceu direto pro chapéu.


O capitão percebeu na hora.


— Negativo.


A resposta saiu firme.


— Isso não é peça de distração.


Drax virou o rosto pra ele e só sustentou o olhar.


Um segundo.


Dois.


O capitão respirou fundo e se recompôs, postura firme mesmo ali no meio do caos.


— …se for pra cumprir o objetivo, que seja bem usado.


Ele tirou o chapéu e entregou com cuidado.


Drax pegou sem cerimônia e estendeu pro sentinela.


— Sabe o que tá fazendo?


O sentinela só assentiu.


Pegou o chapéu com mais cuidado do que parecia necessário e foi até a janela. Escolheu um ponto que dava pra ver da rua, mas não completamente exposto, e apoiou o chapéu na altura de alguém em pé, formando uma silhueta parada.


Voltou devagar.


— Vão. Arrodeiem, se der. Eu alcanço.


O grupo seguiu.


Ele esperou alguns momentos, para ter certeza que o grupo se distanciou.


Então fez.

Um barulho alto veio de dentro do prédio.


Do lado de fora, as hienas travaram ao mesmo tempo. Cabeças viraram juntas.


Uma avançou primeiro.


Depois outra.


Em segundos, todas já estavam indo na direção do som.


Drax esperou só o necessário.


Assim que abriu espaço, saiu rápido, baixo, direto até a mochila. Pegou sem hesitar.


Por um instante, ele olhou mais à frente.


Algo.


Um ponto parado… alto demais pra ser entulho.


Ele piscou.


Sumiu.


Drax não parou pra pensar.


Virou e voltou.


Entrou de novo sem fazer barulho e jogou a mochila pra Max.


— Toma. Dessa vez não perde.


O capitão ainda olhava na direção da janela.


As hienas já tinham alcançado o ponto.


Uma delas saltou.


O chapéu sumiu no meio delas.


Ele não reagiu.


Só puxou um lenço preto do bolso e amarrou na testa, ajustando.


Drax já estava olhando pra saída.


— Vamos.


Ninguém discutiu.


Saíram pelo outro lado do prédio, mantendo o ritmo baixo, sem pressa, mas sem parar. O caminho agora estava mais limpo, mas não seguro.


As máquinas ainda passavam.


Eles seguiram por dentro dos prédios, atravessando corredores, salas abertas, espaços ocupados por restos da vida da cidadela. Tudo bagunçado, mas não destruído.


Drax sempre à frente.


Parando antes de cada saída.


Olhando.


Esperando.


Seguindo.


Max vinha logo atrás, já mexendo na mochila enquanto andava.


— Espero que não tenha quebrado na queda.


Ele abriu o rádio, ajustando rápido, sem parar o movimento.


— Guarda isso. — Disse Drax.


Max não insistiu.


Guardou de volta.


Drax parou e levantou a mão.

O grupo travou na mesma hora.


Dessa vez, não era máquina.


Era o lugar.


Do outro lado da abertura… estava o centro de comunicação.


Maior.


Mais fechado.


E diferente do resto da cidade…


Parecia intacto... bom demais pra aquele lugar.


Um som baixo vindo de dentro.


Drax observou por mais alguns segundos.


Nada se movendo na entrada.


Só o som baixo… constante.


— Parece que é aqui.


Ninguém respondeu.


Mas todos entenderam.


Ele avançou primeiro.


Devagar.


Encostou na lateral da entrada, olhou por dentro antes de entrar de vez.


Só então passou.


Os outros vieram logo atrás.


O interior era diferente.


Menos bagunçado.


As mesas ainda estavam no lugar. Equipamentos espalhados, mas não destruídos. Algumas telas ainda piscavam fraco, como se estivessem presas em algum ciclo.


O som vinha dali.


Max entrou olhando direto pra frente.


Ele largou o rifle por um segundo no ombro e abriu a mochila, já puxando o rádio.


Drax continuava andando.


Olhando cada canto.


— Fecha a entrada.


Um dos sentinelas voltou e puxou o que dava pra cobrir parcialmente o acesso. Não era perfeito… mas já ajudava.


O capitão caminhou mais pra dentro, observando os equipamentos com atenção.


Drax parou perto do centro da sala.


Esperando.


Max já estava em um dos consoles, abrindo o rádio com mais cuidado agora.


— Parece inteiro… — murmurou.


Ele girou um dos ajustes.


O som mudou um pouco.


Nada claro ainda.


— Pode funcionar.


Ele apoiou uma mão na mesa.


E travou por um instante.


A outra mão apertou o braço de novo, um pouco mais forte dessa vez.


Ele soltou logo em seguida, como se não fosse nada.


Continuou mexendo.


— Ia ser mais fácil com outro aqui…


O sentinela que tinha ficado para trás ainda não tinha aparecido.


Drax considerou por um instante se ele tinha se perdido.


Mas deixou.


Max conectou alguns cabos no rádio central.


O chiado aumentou.


Ele se sentou, colocou um fone e começou a ajustar.


Inclinou a cabeça, tentando ouvir melhor.


A mão dele passou de leve pelo pescoço dessa vez.


Como um incômodo rápido.


Coisa pequena.


Ele franziu levemente o cenho.


— Vocês tão sentindo esse frio?


O sentinela ferido negou.


— Não sinto nada.


O som do rádio mudou. Um sinal fraco surgiu no meio do chiado.


Max ergueu o olhar, focado.


— Tá funcionando… só conectar com a estação.


Drax continuava olhando pra entrada.


— Então vai.


Max respirou fundo e levou a mão até o controle. Hesitou quase nada antes de girar.


O chiado mudou de novo. Quase uma voz.


Ele inclinou a cabeça, tentando ajustar melhor. A mão voltou pro braço, apertou, ficou um pouco mais e soltou devagar.


— Só mais um pouco…


Ninguém respondeu.


O capitão permanecia imóvel, atento. O sentinela respirava baixo. Tudo parado, mas longe de estar calmo.


Max passou a mão pelo pescoço outra vez, demorando mais dessa vez, como se aquilo não fosse embora.


— …isso tá estranho.


— O quê? — perguntou o capitão.


— Não sei.


Girou mais um pouco. O som falhou, voltou, falhou de novo.


Max travou. Ajustou. Nada.


— Parece que piorou.


— Interferência? — o sentinela murmurou.


— Não — disse Drax. — Isso tava funcionando.


Agora não.


Max mexeu mais rápido. O chiado voltou, mas mais pesado, mais fundo. Errado.


Ele inclinou a cabeça, tentando entender. A mão foi pro braço de novo, apertando mais forte. A respiração encurtou.


Devagar, tirou o fone.


O som continuou.


Não no rádio.


Nele.


Max parou.


Os olhos perderam o foco por um instante.


A respiração prendeu.


Ele deu um passo pra trás. Instável.


Depois outro.


O capitão percebeu.


— Tudo certo, soldado?


Max não respondeu. O rosto tinha perdido a cor. Ele levou a mão até o ouvido, tentando afastar o som.


Não adiantou.


Drax desviou o olhar da entrada.


— Max.


Nada.


Max engoliu seco. Quando falou, saiu baixo, falhando no meio.


— Tem… alguma coisa… errado comigo.


Drax deu um passo à frente.


— Max.


— Pode ser por causa da queda — disse o capitão.


— Não parece.


Max soltou um riso curto, sem vida.


— Eu sei o que é isso.


A mão subiu pro pescoço com força, como se sentisse algo se movendo ali.


— Eu tô ouvindo…


O olhar dele subiu, perdido.


— Aqui dentro.


O sentinela deu meio passo.


— Calma. A gente—


— Não resolve.


A resposta veio firme.


Max respirou fundo.


A mão desceu até o rifle.


Puxou.


Ergueu.


Apontou pra própria cabeça.


Tudo travou.


— Max—


— Eu não vou virar um deles.


A voz saiu clara.


Decidida.


Drax parou.


Por um instante, não era Max ali.


Era Soffy.


O som seco.


A cabeça tombada.


O vazio.


Drax avançou.


Rápido.


A mão bateu no rifle, desviando.


O disparo estourou pelo lado, ecoando pela sala.


Os dois caíram.


O rifle deslizou pra longe.


Max ficou sem ar por um segundo, o mundo girando. Quando voltou… não voltou certo.


Tudo estava frio.


Azul.


Ele piscou.


Continuava.


O som ficou distante, abafado.


Ele tentou se levantar.


Drax já estava de pé, entre ele e a arma.


Max ergueu o olhar, tentando focar.


— Me… ajuda…


A voz veio pesada.


Arrastada.


Ele deu um passo. Quase caiu. Se segurou.


Outro.


A mão voltou pro braço, apertando com força.


— Não… dá…


O corpo travou.


De uma vez.


Os olhos se abriram.


A respiração sumiu.


Silêncio.


Então veio.


Os músculos se contraíram com violência. O corpo enrijeceu. A cabeça inclinou pra trás, a boca abriu, mas nenhum som saiu.


Algo se moveu sob a pele.


Subindo.


Forçando o pescoço.


A mandíbula.


Max tentou reagir. A mão subiu, arranhando o próprio pescoço, sem força.


Os olhos perderam o foco.


Mas não ficaram vazios.


Ficaram… azuis.


Profundos.


Errados.


O corpo cedeu.


Caiu pesado no chão.


Um último espasmo percorreu o braço.


Depois outro.


E parou.


Silêncio.


Drax não se moveu.


Ninguém se moveu.


Então o sentinela avançou um passo à frente, mesmo ferido, levantando a pistola.


Dois disparos.


O som ecoou pela estrutura.


Por um instante, ninguém falou nada.


Mas lá fora…


algo respondeu.


Um som distante.


Metálico.


Se aproximando.


O capitão virou levemente o rosto.


— …


Drax não olhou.


— Não temos mais tempo.


O sentinela hesitou.


— Ele…


Max não respondeu.


Não se moveu.


O corpo no chão tremeu.


Um espasmo curto.


Depois outro.


Algo estalou.


O pescoço se moveu.


A pele puxou.


Algo forçando de dentro.


Drax já estava virado pra ele.


A cabeça se ergueu.


Sozinha.


Os olhos… não estavam vazios.


Mas também não estavam ali.


As pernas metálicas rasgaram por baixo, se abrindo com movimentos secos, se apoiando no chão.


Ela avançou.


Rápido.


Na direção deles.


O sentinela levantou a arma.


— Comandante—


A cabeça parou.


A poucos metros.


Os olhos presos nele.


Sem som.


Sem ataque.


Só… parada.


Algo falhou.


Como um comando que não completou.


Como se estivesse… preso.


A cabeça inclinou levemente.


A mandíbula se moveu.


Demorou.


Forçando.


Até que saiu—


— …dói.


Baixo.


Quebrado.


Quase sem voz.


Drax não se mexeu.


Ninguém se mexeu.

Nem respirou direito.


Por um instante…


aquilo não era só uma coisa.


E então acabou.


A cabeça perdeu a força.


Caiu de lado.


Imóvel.


Silêncio.


Só o som lá fora.


Mais perto agora.


Drax virou.


— Agora.


Ninguém olhou pra trás.


E o som lá fora… só aumentava.


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