logo do projeto lunar

Capa
O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
78 |💫| Rota Sem Retorno
1734 palavras • 9925 caracteres • ⏱ 6 min 56 s

78 |💫| Rota Sem Retorno

0
0
0

⚡──────👾──────⚡


O céu estava cinza.


Não pela ausência de luz…

Mas pelo excesso de fumaça.


A nave avançava cortando o ar pesado acima das ruínas de Arkhaven, deixando para trás o eco distante das máquinas que ainda vasculhavam a cidade.


O motor vibrava de forma irregular.


Não era falha.

Era esforço.


Como se cada segundo no ar fosse além do que aquela estrutura foi feita para suportar.


Drax permanecia em silêncio, observando pela abertura frontal.


A cidadela ficava menor.


Mas não mais distante.


O som… ainda dava pra ouvir.


Mesmo dali.


Max saiu lentamente da cabine, segurando o braço ferido com a outra mão. O sangue ainda escorria entre seus dedos.


— Temos o suficiente pra chegar até Mirax… — disse, soltando o ar com esforço. — Não foi tão ruim. A gente conseguiu.


Ele se apoiou ao lado de Drax.


Um dos sentinelas se aproximou sem dizer nada, já começando a cuidar do ferimento.


— Opa… valeu.


O sentinela apenas assentiu, focado no trabalho.


Mais ao fundo, o capitão permanecia sentado de forma impecavelmente ereta.


Mesmo com a nave tremendo.


Ele limpava sua espada com um pequeno pano, como se estivesse se preparando para uma batalha antiga.


Um líquido escuro escorria de seu rosto… mas ele não reagia.


Drax o observava em silêncio.


Max percebeu.


Soltou um leve suspiro.


— Eu teria a mesma reação.


Ele inclinou a cabeça na direção do capitão.


— Ele não foi feito pra isso aqui.


Uma pausa curta.


— Foi criado pra um museu… uma reconstrução histórica. Cada detalhe dele segue um modelo antigo.


Max deu um pequeno sorriso sem humor.


— Um capitão de guerra de outra era. Disciplina, honra, comando absoluto…


Seus olhos voltaram para o capitão.


— Só que ele não entende isso como encenação.


Outra pausa.


Mais pesada.


— Pra ele, isso aqui é real.


O som do motor ecoou mais forte por um instante.


— Ele acredita que ainda está em guerra… — continuou Max, mais baixo. — E que essas coisas lá fora…


Ele fez um leve gesto na direção do céu.


— São o inimigo.


Silêncio.


Max olhou de volta para Drax.


— Agora você entende.


Uma pausa curta.


— Por que eu chamei ele de louco.


O líquido escuro escorria do rosto do capitão, pingando lentamente sobre o uniforme.


Drax observou por um instante.


Então se moveu.


A mão dele alcançou a bolsa médica do sentinela ao lado.


— O senhor se feriu? — questionou o sentinela.


Drax não respondeu.


Apenas pegou uma atadura.


E caminhou até ele.


Parou à sua frente.


— Capitão.


O homem não se moveu.


Permaneceu ereto, como se ignorasse completamente qualquer dano ao próprio corpo.


— Sim, soldado.


Drax estendeu a mão com a atadura.


Sem pressa.


Sem hesitação.


O capitão olhou para o item… e então para Drax.


Pegou.


Por um breve segundo, o silêncio tomou o espaço entre eles.


Então, o capitão inclinou levemente a cabeça.


— Tens minha consideração.


O motor seguia constante, preenchendo o interior da nave com um som grave e contínuo.


Na cabine, o sentinela mantinha as mãos firmes nos controles, ajustando pequenas variações de rota com precisão.


Ao lado dele, o voluntário observava o horizonte através do vidro frontal, quase sem piscar.


A imensidão cinza à frente parecia imóvel… à primeira vista.


Por alguns segundos, nada mudou.


Até que ele franziu levemente o cenho.


— O que é aquilo…?


O sentinela não respondeu de imediato. Apenas ajustou o ângulo da visão.


— Aquilo… são os destroços de Mirax?


O sentinela negou devagar.


— Não.


O tom foi suficiente.


Ele soltou o ar… e disse:


— Chama os outros.


— Tem certeza?


— Agora.


O voluntário assentiu e saiu rápido da cabine.


Seus passos ecoaram pelo corredor estreito.


— Galera… temos um problema.


Max ergueu o olhar.


— Que tipo de problema?


O voluntário hesitou.


— É melhor vocês virem ver.


Drax já estava de pé.


— Eu vou.


Ele atravessou a nave e entrou na cabine.


O sentinela apenas disse:


— Olha.


Drax seguiu a direção.


E então viu.


No início… nada.


Só o céu.


Cinza.


Mas havia movimento.


Distante demais.


A fumaça não se espalhava… se organizava.


Formas começaram a surgir.


Primeiro pequenas.


Depois maiores.


Depois… muitas.


O horizonte deixou de ser linha.


Virou massa.


Criaturas.


Inúmeras.


Movendo-se juntas, rápidas, coordenadas, predadoras. Corpos metálicos refletiam a pouca luz, enquanto pontos vermelhos surgiam na névoa — poucos no início, depois dezenas, centenas… milhares.


Drax não se moveu.


Acima deles, sombras enormes cruzavam o céu em silêncio.


E de seus corpos, formas menores se desprendiam continuamente, caindo em direção ao solo.


O voluntário olhava assustado.


— Elas… estão indo pra Arkhaven?


— Estão.


Uma pausa.


— Mas não é só pra lá.


O silêncio voltou.


Mais pesado.


— Aquilo não foi feito pra uma cidadela — disse Drax.


Max apareceu logo depois.


— Qual foi o pro—


Ele viu.


E parou.


— …que porra é aquela?


Ninguém respondeu.


Porque agora era claro.


Aquilo não era um grupo.


Nem uma patrulha.


Nem um ataque isolado.


Era um exército.


E ele estava avançando.


— A gente precisa avisar os outros! — o voluntário disparou. — Aquilo tá indo direto pras cidadelas!


Max passou a mão no rosto.


— Isso não tá certo… isso não é só um ataque, isso é—


Ele parou.


— Eles vão passar por Mirax — continuou o sentinela. — Se a gente for pra lá, a gente morre.


— E se a gente voltar? — alguém sugeriu do corredor.


— Voltar pra onde?! — Max cortou. — Arkhaven já era!


— A gente precisa sair daqui, agora! — disse o sentinela.


— Não! — o voluntário rebateu. — A gente tem que chegar em Mirax e avisar!


Max virou pra Drax.


— Fala alguma coisa!


Drax não se moveu.


— A gente não pode ir pra Mirax! — insistiu o sentinela. — Não vamos chegar vivos!


— Então você sugere o quê?! — Max retrucou.


— Eu não sei!


Um silêncio curto.


— A gente tá ferrado… — murmurou o voluntário.


Drax falou.


Baixo.


— Não.


O barulho diminuiu.


— Sem mudança de planos — continuou. — A gente vai até Mirax.


— Mas não dá pra contornar… — disse o sentinela. — Não com essa nave.


Drax respondeu, sem tirar os olhos do horizonte:


— Então passa por eles.


O sentinela travou.


Max soltou o ar, ainda tenso.


Lá fora, o exército avançava.


E agora… ninguém mais fingia que dava tempo.


Drax finalmente se moveu.


— Vai pro copiloto.


O sentinela virou o rosto, surpreso.


— Tem certeza?


— Agora.


O sentinela não discutiu. Tirou as mãos dos controles e se moveu rápido pro lado.


Drax assumiu o lugar.


Max ainda tentou dizer algo:


— Drax, isso não—


— Vai pra trás — cortou ele, sem olhar. — Prendam os cintos.


Max puxou o voluntário pelo braço, e os dois saíram da cabine às pressas.


O espaço ficou mais silencioso.


Apenas o som do motor.


E o que vinha lá de fora.


Drax assumiu os controles sem hesitar. As mãos firmes, o olhar fixo, como se nada ali fosse novo para ele. Ao lado, o sentinela permaneceu imóvel, encarando o que se aproximava.


A rota não mudou.


A nave continuou avançando.


Direto.


A fumaça à frente começou a se abrir — não pelo vento… mas por movimento.


As formas surgiram de uma vez.


Rápidas.


Vivas demais.


As primeiras vieram do alto.


Criaturas longas, cortando o céu com asas que pareciam lâminas. O vermelho no centro de cada uma pulsava… constante, sincronizado… como um único coração espalhado pelo céu.


Elas não cercaram.


Vieram direto.


A primeira passou raspando, arrancando faíscas da lateral da nave.


A segunda bateu.


Forte.


A estrutura inteira respondeu com um som pesado, profundo — como se algo tivesse cedido por dentro.


E então vieram mais.


De todos os lados.


Mergulhando juntas, cruzando a frente da nave, subindo, descendo, voltando… sem parar.


Sem ritmo.


Sem falha.


Uma delas brilhou por dentro.


O vermelho cresceu.


E disparou.


Dessa vez não passou perto.


Atingiu.


O impacto explodiu luz contra a lateral, arrancando metal e jogando calor pra dentro da cabine. O ar pareceu comprimir por um instante.


Outra veio logo depois.


E outra.


Sem espaço entre elas.


Sem tempo pra respirar.


O céu à frente deixou de ser caminho.


Virou pressão.


Drax moveu o controle.


Curto.


Exato.


A nave passou por um intervalo mínimo entre dois disparos que se cruzavam — tão perto que o calor ficou, grudado no metal.


Uma das criaturas não desviou.


Veio direto.


Grande demais.


Rápida demais.


Drax puxou no último instante.


Ela passou por cima.


Mas levou parte da nave com ela.


O som foi seco.


Arrancado.


O motor respondeu.


Falhou.


Voltou.


Falhou de novo.


E voltou pior.


Abaixo, o chão também se movia.


Criaturas pesadas corriam entre as ruínas, rápidas demais para o tamanho que tinham. Saltavam estruturas, atravessavam destroços, todas na mesma direção.


Mirax.


Acima, as formas gigantes cruzavam o céu.


Lentas.


Imensas.


Indiferentes.


Seus corpos se abriam… e deixavam cair mais.


Sempre mais.


Alguns ainda no ar já começavam a disparar.


Agora vinha de tudo.


De cima.


De baixo.


Da frente.


De lados que nem deveriam existir.


Outro impacto.


Mais fundo.


Dessa vez não foi só o som.


Algo realmente cedeu.


A nave respondeu diferente.


Mais pesada.


Mais lenta.


Uma das criaturas surgiu pela lateral.


Perto demais.


O vermelho no centro dela brilhou mais forte.


Mas ela não disparou.


Se lançou.


O impacto lateral arrancou a nave da própria linha por um instante. Tudo saiu do lugar — peso, direção, controle.


O motor falhou.


E não voltou igual.


A vibração mudou.


Errada.


Instável.


A descida começou.


Devagar no início.


Mas sem parar.


Mirax crescia à frente.


Rápido demais.


As estruturas surgiam como sombras fixas… imóveis… esperando.


Drax ajustou o que ainda respondia.


Não pra escapar.


Pra chegar.


Guiando a queda.


Forçando direção.


Aceitando antes mesmo do impacto existir.


Lá fora, o exército continuava avançando.


Imenso.


Indiferente.


Como se aquilo tudo… não fosse nada.


A nave perdeu mais altura.


Agora rápido.


Sem resposta.


O chão subia.


Rápido demais.


Mirax já não era mais horizonte.


Era impacto.


As estruturas cresceram diante deles, enormes, imóveis… inevitáveis.


Drax não recuou.


Apenas segurou.

Guiando o que restava.

Até o fim.


Lá fora, o exército seguia avançando.


Imenso.

Sem sequer perceber.


Como se aquilo… nunca tivesse importado.


A nave caiu.


E então—


⚡──────🌟──────⚡



Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.