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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
76 |💫| Predadores de Ferro
3547 palavras • 21349 caracteres • ⏱ 14 min 11 s

76 |💫| Predadores de Ferro

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⚡──────👾──────⚡


Samuel e P.A. seguiam pelas ruas da Cidadela. A cidade seguia viva ao redor deles — pessoas passando, vozes distantes, o movimento comum de um lugar que tentava seguir em frente.


Mas Samuel ainda procurava.


Não com os olhos.


Algo o guiava.

Uma sensação sutil puxava sua atenção.


P.A. caminhava ao lado dele, acompanhando o ritmo tranquilo de seus passos. No início ela apenas observava, sem interromper. Com o tempo, porém, percebeu que Samuel analisava tudo ao redor com uma atenção maior do que o normal.


Depois de alguns segundos, ela decidiu perguntar.


— Tem algo errado?


Samuel balançou a cabeça, negando com calma.


P.A. franziu levemente a testa.


— É por causa daquelas sombras?


— Não. É algo diferente.


Ela inclinou a cabeça, curiosa.


— Diferente?


Samuel manteve os olhos à frente.


— Tem algo acontecendo.


P.A. parou por um instante, tentando entender melhor.


— Algo acontecendo? Algo ruim?


Ela já começou a pensar em possibilidades.


— Quer que eu verifique os sistemas da Cidadela? Posso acessar as redes, analisar sensores, verificar se tem alguma anomalia ou—


Samuel interrompeu com tranquilidade.


— Está tudo bem. Não tem nada errado aqui.


P.A. soltou um pequeno suspiro, cruzando os braços enquanto retomava a caminhada ao lado dele.


— Certo… mas se você está sentindo algo diferente, eu poderia dar uma olhada na torre. Só para ter certeza.


Samuel olhou rapidamente para ela e assentiu.


— Podemos ir.


O semblante de P.A. se iluminou um pouco.


— Então ótimo.


Sem pressa, os dois mudaram de direção.


Ao longe, a torre da Cidadela se erguia.


E era para lá que eles estavam indo.


Eles seguiram pelas ruas largas da Cidadela.


Samuel mantinha a mesma calma de sempre.


P.A., porém, parecia pensativa.


Por alguns segundos ela apenas observou o movimento das pessoas passando por eles. Trabalhadores, moradores, algumas crianças correndo entre as passagens elevadas.


Tudo parecia normal.


Ainda assim, algo na presença silenciosa de Samuel a fazia pensar.


— Posso te perguntar uma coisa?


Samuel apenas moveu levemente o olhar em direção a ela, indicando que podia.


P.A. demorou um segundo antes de falar.


— Por que você ainda está aqui?


Samuel não respondeu imediatamente.


Ela continuou, tentando explicar melhor.


— Quero dizer… você ajudou a Cidadela, salvou muita gente… me salvou...


Ela fez um pequeno gesto ao redor.


— O mundo está estável agora.


P.A. olhou diretamente para ele.


— Então por que você ainda não foi embora do meu mundo?


O vento leve que circulava entre as ruas passou por eles naquele momento.


Samuel continuou observando o caminho antes de responder.


— Porque ainda não terminei.


P.A. piscou.


— Não terminou?


Samuel balançou levemente a cabeça.


— Ainda tem algo a se resolver aqui.


Ela cruzou os braços, intrigada.


— Você sente que falta algo?


Samuel assentiu uma única vez.


— Sinto.


P.A. ficou em silêncio por alguns instantes, absorvendo aquilo enquanto continuavam caminhando.


— E quando terminar?


Samuel respondeu com a mesma tranquilidade de sempre.


— Então eu vou embora.


A resposta era simples.


Direta.


A torre agora já estava muito mais próxima.


A grande entrada metálica podia ser vista entre as passagens da cidade, e acima dela o topo da estrutura desaparecia entre camadas de metal e luzes suaves que protegiam o núcleo da Cidadela.


P.A. finalmente suspirou.


— Certo… então vamos descobrir o que está acontecendo logo.


Samuel não respondeu.


E a sensação que ele sentia… estava ficando um pouco mais forte conforme se aproximavam da torre.


--- 💫 ---


Drax continuava olhando para a grande porta metálica.


Do lado de fora, o som pesado das máquinas ecoava entre os prédios destruídos de Arkhaven.


Passos metálicos.


Lentos.

Pesados.

Procurando.


Max segurava o rifle enquanto observava a saída.


— Então qual é o plano?


Drax não respondeu imediatamente.


Seus olhos percorreram o interior do galpão.


Caminhões.

Geradores.

Caixas de combustível.

Equipamentos desmontados.


Então ele apontou para um dos caminhões parados perto da parede.


— Aquilo funciona?


Max olhou na direção do veículo.


— Funcionar… funciona.


Ele cruzou os braços.


— Mas você sabe que já mandamos dois desses e quase ninguém conseguiu voltar.


— Eu sei.


Drax voltou a olhar para a porta.


— Esse é o plano.


Max franziu o cenho.


— Colocar todo mundo lá dentro pra morrer é um plano?


Drax respondeu sem alterar o tom.


— Elas já viram vocês fugir com caminhões antes.


Max piscou algumas vezes, tentando entender.


— Então dessa vez… elas não vão correr atrás?


— Não imediatamente.


Max ainda parecia confuso.


— Então por que usar o caminhão?


Drax respondeu:


— Porque elas vão hesitar.


Max olhou novamente para o caminhão.


O capitão, alguns passos atrás, observava a conversa com as mãos atrás das costas.


— Máquinas não hesitam — disse ele calmamente.


Drax olhou para ele.


— Essas hesitam.


Ele apontou para a cidade lá fora.


— Elas analisam padrões.


Max começou a entender.


— As duas tentativas anteriores…


— Foram ataques diretos — completou Drax. — Caminhões tentando romper o cerco.


Max olhou para o chão, pensando.


— Então se fizermos isso de novo…


Drax assentiu levemente.


— Elas vão desconfiar.


O capitão abriu um pequeno sorriso.


— Inteligente.


Max ainda parecia incerto.


— Ou elas simplesmente destroem o caminhão de novo.


Drax deu de ombros.


— Provavelmente.


— Então o que muda?


Drax apontou para o outro lado do galpão.


— Enquanto elas analisam o caminhão…


Ele fez um pequeno gesto com a cabeça na direção da cidade.


— Nós atravessamos para o outro galpão.


Max olhou imediatamente para a grande porta metálica.


Depois para a rua destruída além dela.


A distância não era grande.


Talvez quarenta metros.


Mas no meio daquelas ruas…


Era território das máquinas.


Max soltou um pequeno riso nervoso.


— Isso não é um plano.


O capitão respondeu com naturalidade:


— É exatamente o tipo de plano que soldados usam quando estão cercados.


Max suspirou.


— E quem vai dirigir o caminhão?


O silêncio caiu por um segundo.


Drax respondeu:


— Ninguém.


Max ergueu uma sobrancelha.


— Como assim?


Drax apontou para as pilhas de equipamento espalhadas pelo galpão.


— Você tem mecânicos aqui.


Max olhou na direção deles.


Drax continuou:


— Amarrem o volante.


— Travam o acelerador.


— E apontem o caminhão direto pro galpão.


Max começou a entender.


— Um caminhão fantasma.


O capitão abriu um sorriso satisfeito.


— Agora sim temos um plano interessante.


Do lado de fora…


Um som de metal raspando ecoou novamente pela cidade.


Mais próximo.


Mais pesado.


Como se algo grande estivesse passando entre os prédios destruídos de Arkhaven.


Max apertou o rifle.


— Então é melhor a gente fazer isso rápido.


--- 💫 ---


As ruas de Arkhaven estavam quase completamente vazias.


O vento atravessava os prédios quebrados, levantando poeira e pedaços de papel que rolavam pelo asfalto rachado.


Entre carros abandonados e destroços espalhados, as máquinas patrulhavam.


Uma pantera metálica atravessava lentamente a rua.


Seu corpo era formado por placas de aço escuro que se moviam com precisão silenciosa. Sensores vermelhos percorriam o ambiente enquanto sua cabeça girava devagar, analisando cada esquina.


Mais acima, sobre um poste quebrado, uma ave mecânica abriu as asas metálicas.


Seus olhos brilhavam em um azul frio enquanto escaneavam os prédios ao redor.


Dados passavam em silêncio entre as máquinas.


Padrões sendo analisados.

Rotas sendo recalculadas.


Arkhaven já não era mais uma cidade.


Era um território de caça.


Dentro do galpão, o motor do caminhão roncou baixo pela primeira vez.


Um dos homens da resistência estava ajoelhado perto dos pedais, improvisando uma barra de metal contra o acelerador.


Outro puxava uma corda grossa pelo volante.


— Travem o volante um pouco pra direita — disse Max — O caminhão vai puxar sozinho quando ganhar velocidade.


Max observava tudo com os braços cruzados.


— Nunca pensei que ia ver um caminhão sendo dirigido por um monte de sucata.


Drax permanecia perto da grande porta metálica.


Ele observava a rua pela pequena abertura.


Silêncio.


Por enquanto.


Atrás dele, o capitão caminhava lentamente pelo galpão.


As mãos atrás das costas.


Observando cada movimento dos homens.


— Quanto tempo? — perguntou.


— Dois minutos, talvez… sei lá. Eu não sou mecânico.


O caminhão rugiu novamente quando o motor foi acelerado.


Max respirou fundo.


— Quando essa coisa sair… não tem volta, né?


Drax respondeu sem tirar os olhos da rua.


— Não.


Então olhou diretamente para Max.


— Quando o caminhão chegar até lá…

— Corram.


O capitão Armand abriu um pequeno sorriso.


— Finalmente um plano simples.


O caminhão roncou mais forte.


— Acabei! Está pronto!


Drax então reuniu seus sentinelas.


Max chamou um dos operadores de rádio e mais dois voluntários.


O capitão deu um passo à frente.


— Eu vou com vocês.


Max virou imediatamente.


— O quê? Não. O senhor fica. Alguém precisa dar ordens aqui.


O capitão ergueu o queixo.


— Ficar enquanto meus homens atravessam uma zona de caça?


Ele ajustou o casaco longo de oficial, de corte antigo.


— Não mesmo.


— Eu vou.


Max abriu a boca para responder, mas Drax falou primeiro.


— Quanto mais gente ajudando, melhor.


Max hesitou por um segundo… então assentiu.


O capitão ajeitou o chapéu antigo.


— Não vai se arrepender.


Pela rua morta de Arkhaven, um som metálico voltou a ecoar.


Mais perto desta vez.


Como se as máquinas estivessem retomando a patrulha.


E em poucos segundos…


O caminhão fantasma iria sair do galpão.


Dentro do galpão, todos já estavam posicionados.


A parte traseira do caminhão estava aberta, e os homens subiram rapidamente para dentro.


Caixas de suprimentos foram empurradas para formar uma pequena barreira improvisada.


Max entrou logo atrás, segurando o rifle.


— Nunca pensei que iria morrer dessa forma. — murmurou.


A operadora de rádio se sentou no canto, ajustando o equipamento no peito.


Os dois voluntários se acomodaram próximos da porta traseira.


Drax e seus sentinelas foram os últimos a subir.


Antes de fechar, ele olhou mais uma vez para o galpão, as pessoas, todos eles dependiam daquele plano e ele não iria falhar.


Ele bateu duas vezes na lateral da carroceria.

O sinal.


Lá na frente, um dos homens puxou a alavanca improvisada que soltava o freio.


O caminhão começou a se mover.


Primeiro devagar.


Depois o motor rugiu mais alto quando o acelerador travado entrou em ação.


Um dos homens abriu a entrada principal.


O caminhão atravessou a porta do galpão e saiu para a rua vazia.


Dentro da carroceria…


Tudo sacudia.


O metal vibrava enquanto as rodas passavam pelos buracos do asfalto destruído.


Max segurou a lateral da carroceria para não cair.


— Isso parece uma péssima ideia…


Drax permaneceu agachado perto da abertura traseira.


O caminhão continuou seguindo.


O motor rugia alto demais para uma cidade que já havia aprendido a viver no silêncio.


Lá fora, as ruas de Arkhaven continuavam em silêncio.


Por alguns segundos… nada aconteceu.


Então, no alto de um prédio quebrado, a ave mecânica moveu a cabeça.


Os olhos artificiais travaram no caminhão.


Luzes internas pulsaram enquanto ela analisava.


Dados fluíram.


Velocidade. Peso. Trajetória.


Logo abaixo, na rua lateral, a pantera metálica parou no meio da avenida.


Seu corpo de aço se abaixou levemente.


Os sensores vermelhos acompanharam o movimento do caminhão atravessando o cruzamento.


A pantera metálica permaneceu imóvel, a cabeça girando lentamente enquanto analisava o caminhão.


Lá no alto, a ave mecânica também observava.


As duas máquinas ficaram em silêncio.


Como se estivessem pensando.


Aquele movimento… já tinha acontecido antes.


Caminhões tentando romper o cerco.


Tentativas desesperadas de fuga.


Mas algo naquela situação parecia diferente.


Então nenhuma delas se moveu.


Por alguns segundos… apenas observaram.


Dentro do caminhão, Max olhava para fora pela abertura da carroceria.


Ele esperava tiros.


Explosões.


Ou pelo menos o som das máquinas correndo atrás deles.


Mas nada aconteceu.


— Elas não estão vindo… — murmurou ele.


Drax continuava observando.


Calmo.


Esperando.


O caminhão seguiu avançando.


Então o volante puxou levemente.


As rodas rangeram.


E o caminhão começou a virar para a direita.


Direto na direção do outro galpão.


Max arregalou os olhos.


— Espera…


Ele olhou novamente para trás.


A rua ainda estava vazia.


— Elas realmente hesitaram.


Drax respondeu baixo:


— Eu disse que hesitariam.


O caminhão atravessou metade da rua.


Mais alguns metros…


E então—


Um estalo metálico ecoou sob a carroceria.

Algo cedeu.


O volante girou bruscamente sozinho nas mãos do motorista.


As rodas dianteiras rasparam contra o asfalto rachado.


A gambiarra que mantinha o eixo preso não aguentou.


O caminhão derrapou alguns metros…

E parou.


Faltavam poucos metros para o galpão.


Talvez sete.

Talvez menos.


Por um segundo ninguém falou nada.


Max olhou para frente.


Depois para os lados.


— Não…


Ele bateu na lateral da carroceria.


— A gente parou.


Do lado de fora, uma sombra metálica se moveu no cruzamento.


A pantera mecânica virou lentamente a cabeça.


Os sensores vermelhos se acenderam.


Ela tinha visto.


Max prendeu a respiração.


— Droga…


Mais duas máquinas apareceram entre os destroços da rua.


Observando.


Analisando.


Agora elas sabiam.


O silêncio dentro do caminhão virou pânico contido.


— Acabou — sussurrou um dos homens.


Drax procurava uma saída.

Mas não havia nenhuma.


Foi então que a porta traseira se abriu com violência.


O capitão Armand saltou para o asfalto.


Ele puxou a espada da cintura em um único movimento.


A lâmina brilhou sob a luz fria da cidade destruída.


Ele ergueu a espada no ar.


— SOLDADOS!


A voz ecoou pela rua.

Firme.

Impossível de ignorar.


Ele apontou a lâmina para frente.

— Avançar!


Drax entendeu imediatamente.

Não havia mais plano.

Só restava correr.


Os homens saltaram do caminhão quase ao mesmo tempo.


Botas bateram no asfalto rachado.


O ar frio cortou o rosto deles enquanto avançavam.


Armand foi o primeiro.


A espada já erguida.


Os olhos fixos no galpão.


— Rápido! — ele gritou. — Antes que cerquem!


Atrás dele, os soldados correram.


Drax puxou Max pelo braço.


— Anda!


Max quase tropeçou ao descer da carroceria, mas conseguiu se equilibrar e disparou junto com os outros.


Sete metros.


Parecia pouco.


Mas naquele silêncio morto da rua… parecia uma eternidade.


Atrás deles, algo se moveu.


Metal raspando.


As panteras mecânicas começaram a avançar.


Primeiro devagar.


Como predadores observando.


Calculando.


Os olhos vermelhos da máquina acompanhavam cada passo.


Então uma delas abaixou o corpo.


E saltou.


O impacto contra o chão ecoou pela rua.


Drax ouviu o som e olhou por cima do ombro.


A máquina vinha rápido.


Muito rápido.


— Ela vem! — gritou Max.


Armand nem se virou.


Apenas correu mais rápido.


— Corram!


Mais três metros.


O portão do galpão estava entreaberto.


Uma abertura estreita no metal enferrujado.


Armand chegou primeiro.


Ele chutou o portão com força.


O metal rangeu.


Abriu o suficiente.


— Entrem!


Um passou.


Depois outro.


Max atravessou quase se jogando para dentro.


Drax estava logo atrás.


Foi quando o som metálico ficou alto demais.


A pantera saltou.


Direto na direção deles.


Drax se virou no reflexo.


Os sensores vermelhos da máquina estavam a menos de dois metros.


Armand moveu a espada.


Um único golpe.


A lâmina encontrou a carcaça da criatura com um estalo de metal.


Faíscas explodiram no ar.


A pantera foi desviada para o lado e bateu contra o asfalto.


— Dentro! — Armand ordenou.


Drax atravessou a porta.


Armand foi o último a entrar.


Ele puxou o portão de ferro com força.


O metal se fechou com um estrondo.


Do lado de fora…


Algo bateu contra a porta.


Uma vez.


Duas.


Três.


As máquinas estavam ali.


Procurando uma forma de entrar.


Dentro do galpão…


A escuridão era quase total.


Os homens respiravam pesado.


Max encostou na parede.


— Me diz que elas não conseguem abrir isso…


Do outro lado da porta…


Um novo som começou.


Metal arranhando metal.


Lento.


Persistente.


Como se as máquinas estivessem aprendendo.


Armand guardou lentamente a espada, enquanto seus olhos percorriam a escuridão do galpão.


O lugar era enorme.


Frio.


Silencioso.


Poeira cobria quase tudo.


— Não temos tempo! Procurem essas naves! — gritou Drax, enquanto segurava o portão metálico com o corpo junto de seus sentinelas.


Do outro lado, o som das máquinas batendo contra a porta já começava a ecoar.


Max e os outros homens se espalharam rapidamente pelo galpão.


O lugar estava escuro, iluminado apenas por algumas lâmpadas quebradas que piscavam no teto.


Estruturas metálicas gigantes ocupavam o espaço.


Algumas cobertas de poeira.


Outras claramente abandonadas há anos.


— Achei! — gritou um dos homens ao fundo.


Max correu até ele.


Ali, parcialmente escondida entre caixas velhas e ferragens, estava uma das naves.


A carcaça metálica estava coberta por uma camada grossa de poeira e ferrugem.


Mesmo assim, ainda parecia inteira.


— Pode funcionar… — murmurou Max.


Ele subiu rapidamente pela lateral da nave e entrou na cabine.


Suas mãos correram pelos controles.


Ele abriu o compartimento traseiro.


— Entrem! Rápido!


Os homens começaram a subir.


Max então abriu o painel elétrico.


Os cabos estavam corroídos.


Conectores quebrados.


Placas queimadas.


Ele soltou um suspiro frustrado.


— Ela não vai voar…


Ele passou a mão pelos fios enferrujados.


— Não tem como conduzir energia depois de tanto tempo… talvez se a gente—


De repente Drax se afastou do portão.


Os sentinelas ainda seguravam a estrutura metálica que vibrava com o impacto das máquinas do lado de fora.


Drax caminhou até a nave.


Seu braço mecânico começou a estalar.


Pequenas faíscas elétricas começaram a dançar ao redor da prótese.


Ele puxou Max para o lado sem dizer uma palavra.


— Sai.


Max nem teve tempo de discutir.


Drax ergueu o braço.


As faíscas correram pela prótese.


E o golpe veio como um martelo.


BANG!


Seu punho acertou a lateral da nave.


Faíscas explodiram.


Por um segundo…


Nada aconteceu.


Então as luzes da cabine começaram a piscar.


Os sistemas estalaram.


O painel acendeu.


O motor respondeu com um rugido baixo.


Max arregalou os olhos.


Drax abaixou o braço.


— Resolvido.


Nesse instante, um estrondo ecoou acima deles.


CRAAASH!


Parte do teto começou a desabar.


As máquinas finalmente tinham atravessado.


Placas de metal caíram.


Concreto rachou.


Entre a poeira e os destroços, as primeiras panteras mecânicas saltaram para dentro do galpão.


— Entrem na nave! — ordenou Drax.


Os homens correram.


Mas nem todos conseguiram.


Duas panteras avançaram direto contra Max.


Uma delas saltou sobre ele.


Max caiu de costas no chão com o impacto.


A máquina abriu as mandíbulas metálicas.


Mas o rifle de Max já estava apontado para o corpo da criatura.


Ele apertou o gatilho sem pensar.


BANG! BANG! BANG! BANG!


Os tiros ecoaram pelo galpão.


As balas atravessaram a carcaça da pantera.


Faíscas e fragmentos de metal voaram.


Mesmo assim a máquina conseguiu arranhar seus braços com as garras afiadas.


Max gritou de dor.


— Tira essa coisa!


Um dos sentinelas de Drax chegou correndo.


Com um chute brutal, ele arrancou a máquina de cima de Max.


— Levanta!


Ele puxou Max de volta para os pés.


Do outro lado do galpão, outra pantera avançava contra o capitão Armand.


A criatura saltou.


Armand girou a espada.


A lâmina atravessou o ar.


CLANG!


A espada se cravou no pescoço metálico da máquina.


A pantera se contorceu violentamente.


Mesmo assim conseguiu atingir o capitão.


Uma das garras rasgou seu rosto.


O impacto fez Armand recuar um passo.


Um corte profundo abriu sua pele.


Drax apareceu no instante seguinte.


Ele agarrou a cabeça da máquina com a mão mecânica.


O metal rangeu sob a pressão.


Então ele girou.


Com força brutal.


CRACK!


A cabeça da pantera se partiu.


Drax lançou o corpo da máquina no chão.


Silêncio por um segundo.


Drax olhou para o rosto do capitão.


Seus olhos pararam ali por um instante.


Algo estava errado.


Mas não havia tempo.


— Agora!


Os dois correram para a nave.


Todos já estavam dentro.


Assim que Drax e Armand entraram, um dos sentinelas fechou a comporta.


O motor rugiu.


A nave levantou com força.


O impulso arremessou as máquinas ao redor.


Algumas bateram contra as paredes.


Outras foram esmagadas pelos destroços.


A nave subiu.


Rápido.


A nave rompeu o teto do galpão com um estrondo.


Placas de metal e concreto despencaram enquanto o motor rugia cada vez mais alto.


Lá embaixo, as panteras mecânicas foram arremessadas para trás pela força do impulso.


Uma delas tentou saltar.


Tarde demais.


A nave já estava subindo.


Arkhaven se abriu abaixo deles.


Ruas destruídas.


Prédios quebrados.


Máquinas patrulhando entre os escombros como predadores silenciosos.


Dentro da nave, o barulho do motor preenchia o silêncio pesado que havia tomado conta da cabine.


Max respirava fundo, ainda tentando recuperar o fôlego.


Um dos sentinelas olhava pela janela lateral.


— Conseguimos…


Drax permaneceu em pé perto do cockpit, observando a cidade desaparecer lentamente abaixo deles.


As máquinas ainda se moviam.


Ainda patrulhavam.


Ainda aprendiam.


Como se aquela guerra estivesse apenas começando.


Atrás dele, o capitão Armand levou a mão ao rosto.


O corte atravessava sua bochecha.


Um líquido escuro escorria lentamente pela pele.


Negro demais para ser sangue.


Ele observou os próprios dedos por um instante.


Em silêncio.


Então limpou a mão no casaco e ajeitou o chapéu novamente.


— Muito bem, soldados. — disse ele com calma.


Max assentiu e voltou sua atenção para os controles improvisados da nave.


Arkhaven ficava cada vez menor no horizonte.


Mas Drax sabia.


Aquilo não era uma vitória.


Por enquanto.


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