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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
75 |💫| Última Saída de Arkhaven
1562 palavras • 8987 caracteres • ⏱ 6 min 15 s

75 |💫| Última Saída de Arkhaven

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O silêncio durou apenas um instante depois da apresentação.


Mas, dentro do galpão, o barulho da sobrevivência nunca parava.


Geradores vibravam no fundo do prédio.


Pessoas falavam baixo, outras discutiam, algumas apenas encaravam o chão.


O cheiro de óleo queimado e fumaça ainda impregnava o ar.


Drax observou o lugar inteiro antes de responder.


— Quantas pessoas aqui dentro?


O capitão passou a mão pelo rosto sujo.


— Duzentas e setenta… mais ou menos.


Ele fez um gesto em direção ao interior do galpão.


— Continuam chegando.


Drax seguiu o gesto.


Entre contêineres empilhados e caminhões abandonados, fileiras improvisadas de colchões e caixas serviam de abrigo.


Famílias inteiras estavam ali.


Alguns soldados feridos recebiam curativos em uma mesa improvisada.


Crianças permaneciam quietas demais para um lugar cheio de gente.


Como se já tivessem entendido que aquele não era mais um mundo normal.


Um barulho metálico chamou a atenção de Drax.


Do outro lado do galpão, um mecânico tentava conter o vazamento no tronco da androide que havia guiado o grupo até ali.


O líquido escuro ainda escorria entre os cabos expostos.


Faíscas rápidas surgiam da ferramenta de solda.


Um dos sentinelas murmurou:


— Ela ainda está funcionando?


O capitão observou por um segundo.


— Está.


Antes que o mecânico pudesse reagir, o capitão puxou a pistola do coldre, o movimento fazendo a espada em sua cintura balançar.


Antes do disparo, a mão de Drax segurou o braço dele.

O tiro saiu… mas acertou a parede.


O som ecoou pelo galpão.


O mecânico ficou imóvel.


— Ei! Eu estou tentando salvar—


O capitão soltou o braço de Drax e recolocou a arma no coldre com calma.


Seu chapéu antigo — um modelo militar da era napoleônica — projetava uma sombra sobre seus olhos.


— Estamos com falta de médicos, munição e comida.


Ele lançou um olhar breve para o corpo da máquina.


— E você gastando seus esforços com uma máquina.


Drax franziu levemente o cenho.


— Ela ajudou a gente.


O capitão deu de ombros.


— E cumpriu o papel dela.


— Tu só pode estar brincando…


Uma voz surgiu atrás deles.


— Então foram vocês que escutaram nosso pedido de socorro?


Drax virou o rosto.


O homem observou Drax e os dois sentinelas por um instante, então abaixou um pouco o tom de voz.


— Só vocês? Só mandaram vocês?


Ele não usava uniforme militar.


Nem armadura.


Apenas uma roupa comum da cidadela e um rifle futurista pendurado no ombro.


Max olhou para o capitão e imediatamente se colocou na frente dele.


Falou baixo para Drax:


— Não ande com ele. Ele é louco.


O capitão colocou educadamente a mão no peito do homem, afastando-o com calma.


— Peço que não me refira com essa palavra, meu jovem. Já comandei pelotões muito piores que este.


O homem suspirou.


— Meu nome é Maxwell… mas podem me chamar de Max. Poderiam me acompanhar, por favor?


— Eu vou junto — disse o capitão.


Max revirou os olhos.


— Faz o que você quiser, louco.


Max então guiou o grupo.


— Não sabia que Arkhaven era tão importante para mandarem somente 3 sentinelas.


— Seu pedido de socorro não chegou até a outras cidadelas. A gente interceptou seu chamado em um rádio perto daqui.


— Sério? Então significa que estamos mandando pedidos na estação errada.


O capitão apenas seguia à frente, os braços atrás das costas e uma postura firme.


Max conduziu o grupo por entre corredores improvisados formados por contêineres, mesas e equipamentos desmontados.


O interior do galpão ainda estava cheio de movimento. Sobreviventes carregavam caixas, organizavam suprimentos e ajustavam máquinas que pareciam ter sido montadas às pressas.


Mais à frente, uma pequena área havia sido separada para comunicações.


Antenas improvisadas estavam ligadas por cabos espalhados pelo chão.


Três operadores trabalhavam ali, concentrados em painéis antigos e transmissores que chiavam com estática constante.


Assim que se aproximou, Max ergueu a mão.


— Pode parar.


Os três olharam para ele.


Max apontou para o rádio.


— Não vai funcionar.


Um deles ainda parecia pronto para insistir, mas Max continuou antes que qualquer um dissesse algo.


— Ele veio de fora da cidade — disse, indicando Drax com um leve gesto de cabeça. — E o sinal não chegou longe daqui.


O operador soltou lentamente os controles do transmissor.


O som de estática diminuiu até desaparecer.


Max apoiou as mãos na mesa e ficou olhando o mapa digital aberto diante deles.


— Então esqueçam as transmissões diretas.


Ele passou o dedo pelo mapa por alguns segundos, analisando as rotas.


— Se quisermos falar com outra cidadela…


Max levantou o olhar.


— Vamos ter que fazer isso de outro jeito.


Drax respondeu com calma:


— Valtrex é a melhor opção.


Max balançou a cabeça.


— O sinal não chega até lá.


Drax apenas observava em silêncio.


Max ficou parado por alguns segundos, pensando. Seus olhos se moveram lentamente, como se organizasse várias informações ao mesmo tempo.


— Mirax.


Drax ergueu levemente o olhar.


— Mirax foi evacuada depois do ataque — disse ele.


Max assentiu.


— Foi.


Ele cruzou os braços enquanto continuava raciocinando.


— Mas não sabotada.


Max falou mais para si mesmo do que para os outros.


— As cidadelas são conectadas por retransmissores de longo alcance. Mesmo abandonada… Mirax ainda deve ter os amplificadores de sinal funcionando.


Ele fez uma pequena pausa.


— Se chegarmos lá e ligarmos o sistema… Podemos retransmitir o sinal.


Max ficou em silêncio por alguns segundos, analisando a ideia.


Atrás deles, o capitão permanecia imóvel, com a postura rígida e as mãos para trás. O chapéu antigo projetava uma sombra sobre seus olhos enquanto observava tudo sem dizer uma única palavra.


Max finalmente respirou fundo.


— Então Mirax é nossa melhor chance.


Ele ergueu o olhar para Drax.


— Se quisermos pedir ajuda… vamos ter que ir até lá.


— As máquinas sabem que estamos aqui. Elas não vão deixar sair daqui tão facilmente. — disse Drax.


Max ficou alguns segundos em silêncio.


Ao redor deles, o barulho do galpão continuava — vozes baixas, metal sendo arrastado, alguém tossindo em algum canto.


Um dos operadores do rádio falou:


— A gente tentou sair ontem.


Max respondeu sem olhar para ele.


— Eu sei.


— Dois caminhões.


— Eu sei.


O homem coçou a cabeça, nervoso.


— Só alguns conseguiram voltar.


Ninguém respondeu.


O capitão observava o galpão como quem analisa um campo de batalha antigo.


Devagar, ele disse:


— Então sair pela estrada parece uma ideia ruim.


Max soltou um pequeno riso cansado.


— É.


O capitão ficou em silêncio por um momento, pensativo.


Então falou:


— E aquele outro armazém?


Max franziu a testa.


— Que armazém?


— O que fica do lado de fora — respondeu o capitão. — Passamos por ele quando entramos.


Max demorou um segundo para lembrar.


— Aquilo é só um depósito velho.


Um dos operadores deu de ombros.


— Nem sempre foi.


Max virou o olhar para ele.


— O que quer dizer?


— Quando a cidadela ainda era organizada manualmente… eles guardavam umas naves de manutenção ali.


Max ficou parado.


— E por que não fomos pra lá antes?


O operador soltou um pequeno suspiro.


— Porque a gente mal consegue avançar alguns metros da entrada daqui… imagina chegar até lá.


O silêncio voltou.


Drax perguntou:


— Elas voam?


O operador deu de ombros.


— Voar, voam. Mas só com energia.


Max passou a mão pelo rosto.


— E se não tiver nada? E se aquelas máquinas acharam isso antes da gente?


Outro homem que mexia no rádio falou, hesitante:


— Mas se tiver uma lá…


A frase ficou no ar.


Ninguém terminou.


Max olhou na direção da grande porta metálica do galpão.


O outro galpão não ficava longe.


Dava quase para imaginar a estrutura escura entre os prédios destruídos da rua.


Tão perto.


E ainda assim, impossível de alcançar enquanto aquelas máquinas rondavam a cidade.


Um dos sentinelas perguntou:


— Máquinas?


Max respondeu sem rodeios:


— Com toda certeza.


O homem do rádio soltou um pequeno suspiro.


— Elas estão cada vez mais perto.


Drax também olhou para a porta.


— Se tiver uma nave funcionando ali…


Ele fez uma pausa curta.


— Por que não ir direto pra Valtrex? Seria mais prático.


A pergunta não veio como dúvida, mas como cálculo.


Max nem hesitou.


— Essa nave não aguenta.


Um dos operadores completou, quase automático:


— Elas são de manutenção. Transporte interno. Curta distância.


Max continuou:


— Foram feitas pra se mover dentro da estrutura da cidadela, não pra cruzar continente.


Ele ergueu o olhar.


— Se tentarem ir até Valtrex… a gente cai no meio do caminho.


Do lado de fora, um som distante de metal ecoava pela cidade.


Passos pesados.


Lentos.


Procurando.


Max pegou o rifle apoiado na mesa.


— Ótimo.


Ele olhou para o grupo.


— Então é simples.


Max apontou para fora.


— A gente sai daqui… vai até aquele galpão…


Ele respirou fundo.


— E torce pra ter alguma coisa lá que ainda funcione.


O capitão abriu um pequeno sorriso satisfeito.


— Agora sim parece um plano.


Max olhou para ele.


— Isso não é um plano.


— É o suficiente — respondeu o capitão.


Drax já estava caminhando em direção à saída.


— Então vamos.


Do lado de fora, o barulho das máquinas parecia um pouco mais próximo agora.


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