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Os veículos avançavam pela estrada destruída enquanto o horizonte continuava sendo rasgado por clarões.
Explosões distantes iluminavam as nuvens de fumaça que subiam no céu.
Arkhaven estava em chamas.
Drax mantinha os olhos fixos à frente enquanto o veículo blindado avançava entre os escombros da antiga rodovia. No rádio interno, apenas estática e fragmentos de transmissões quebradas.
O sinal morria antes de completar qualquer frase.
Ao longe, um prédio desabou entre chamas, levantando uma nuvem de poeira que se misturou à fumaça que já cobria metade do céu.
Um dos sentinelas ao lado de Drax observava pelo visor lateral.
— Nunca presenciei um ataque assim.
Drax não respondeu.
Outro clarão iluminou as nuvens.
Desta vez, mais próximo.
O motorista diminuiu a velocidade.
As estruturas da periferia de Arkhaven começaram a surgir no horizonte.
Torres defensivas estavam destruídas. Algumas inclinadas, outras arrancadas da base como se algo gigantesco tivesse simplesmente atravessado por elas.
No céu, sombras enormes cruzavam a fumaça.
Luzes se moviam entre as nuvens como estrelas errantes.
Máquinas voadoras.
Uma delas passou lentamente sobre os veículos.
Grande demais para ser apenas um drone.
O corpo metálico ondulava no ar com um movimento estranho… quase orgânico.
Um dos soldados ergueu o visor óptico.
— Aquilo é um drone?
— Não — respondeu Drax.
A máquina girou lentamente no céu.
Segmentos longos se dobravam e se estendiam enquanto ela flutuava, como uma criatura marinha nadando no ar.
— Aquilo é um observador.
Rajadas de armas pesadas ecoaram entre os prédios à frente.
Balas traçantes cruzavam a fumaça.
Explosões surgiam em diferentes pontos da cidade.
As máquinas já estavam dentro de Arkhaven.
As muralhas externas da cidadela estavam parcialmente abertas.
O portão principal havia sido destruído.
Placas enormes de metal retorcido estavam espalhadas pelo chão.
Os veículos atravessaram o portão quebrado.
E o cenário dentro da cidade era ainda pior.
Carros abandonados e barricadas improvisadas bloqueavam partes da avenida, enquanto prédios queimavam de ambos os lados da rua.
No meio da avenida principal, um grupo de soldados de Arkhaven disparava contra algo entre os prédios.
Então a coisa saiu das sombras.
Um robô.
Alto. Blindado.
Movimentos rápidos demais para algo daquele tamanho.
Drax reconheceu imediatamente o tipo de máquina.
As mesmas registradas nos primeiros relatórios da queda de setores inteiros da cidade.
As mesmas que atravessavam explosões como se fossem nada.
A máquina avançou entre os disparos sem hesitar.
As balas ricocheteavam na carapaça metálica, espalhando faíscas pela rua.
Um dos soldados tentou recuar.
Tarde demais.
A máquina atravessou o corpo dele com um único golpe.
Drax abriu a porta do veículo antes mesmo de ele parar completamente.
— Saíam.
Os sentinelas saltaram do veículo já levantando as armas.
Drax mirou.
Disparou duas vezes.
As balas atingiram as juntas do androide.
Faíscas explodiram.
A máquina cambaleou um passo para trás.
Um dos sentinelas aproveitou a abertura.
Três disparos seguidos.
A cabeça metálica da máquina explodiu em faíscas violentas.
O corpo tombou pesado no asfalto.
Por um segundo, pareceu imóvel.
Então o metal estalou.
O corpo se moveu novamente.
O androide tentou se erguer.
Parte do rosto metálico estava destruída, revelando circuitos queimados e luzes piscando de forma instável. Um dos braços tremia, falhando.
Mesmo assim… ele continuava tentando levantar.
Drax já havia desviado o olhar.
— Ignora.
Movimento surgiu entre os prédios.
Algumas máquinas menores corriam entre os carros destruídos.
Corpos metálicos longos e segmentados serpenteavam pelo asfalto quebrado, lembrando centopeias mecânicas.
Outras unidades voadoras passavam entre os edifícios com asas rígidas que batiam em intervalos mecânicos.
— Cobertura! — ordenou Drax.
Os sentinelas se posicionaram imediatamente.
Disparos ecoaram pela rua.
Uma das máquinas voadoras mergulhou em direção ao grupo.
Um dos soldados girou a arma automática.
Rajadas cortaram o ar.
A máquina perdeu estabilidade e colidiu contra a fachada de um prédio.
Explodiu em uma chuva de metal.
Drax avançou alguns passos pela avenida, observando.
Algo ali estava errado.
As máquinas não estavam apenas atacando.
Estavam se reorganizando.
Mudando de posição.
Um dos observadores parou no céu.
Por um instante…
todas as máquinas na rua pararam junto.
Um silêncio estranho atravessou a rua.
Até os disparos diminuíram.
Como se todos, humanos e máquinas, tivessem sentido a mesma coisa.
Recuando e avançando como se recalculassem cada movimento.
Um dos sentinelas derrubou outra unidade que avançava pelo flanco.
— Elas estão lendo nossos ataques!
Drax estreitou os olhos.
Ele também havia percebido.
As máquinas que avançavam pela avenida pararam.
Recuaram alguns metros.
Como se tivessem recalculado algo.
No céu, dois observadores começaram a circular acima da rua.
Lentos.
Silenciosos.
Analisando.
— Elas estão estudando a gente — murmurou um dos sentinelas.
Passos correram entre os escombros do outro lado da rua.
Um grupo apareceu.
Mercenários de Arkhaven.
Não eram soldados.
Civis armados.
Oito ao todo. Parte deles androides.
Um homem carregava um androide nas costas — o mesmo estava sem as pernas.
Outro segurava o ombro sangrando enquanto caminhava.
Mesmo assim, protegiam um pequeno grupo de civis que vinha logo atrás.
— Soldados! — gritou um deles ao ver Drax.
— Graças aos céus.
O homem se aproximou rápido… mas desacelerou ao ver o símbolo na roupa de Drax.
— Valtrex?
Ele franziu a testa.
— O que vocês estão fazendo aqui?
— Respondemos ao pedido de ajuda.
O homem soltou uma risada curta e amarga.
— Pedido de ajuda? Não fomos nós. Essas coisas cortaram todas as transmissões.
Ele olhou ao redor.
— Quantos vocês trouxeram?
— Quatro — respondeu um dos sentinelas.
O homem ficou em silêncio por um segundo.
— Só isso?
Um dos sentinelas respondeu seco:
— Era melhor a gente não ter vindo?
Antes que a discussão crescesse, uma androide do grupo se aproximou.
Ela estava sem um braço e metade do rosto e do corpo destruído.
Cabos e circuitos expostos no ombro destruído.
— Podemos continuar andando? — disse ela. — Eles estão vindo.
Outra explosão sacudiu a rua ao fundo.
Uma torre defensiva desmoronou entre chamas.
A androide continuou:
— Temos um abrigo improvisado no Centro Logístico de Arkhaven. Parte do complexo ainda está de pé. O restante… está lá.
Um dos sentinelas perguntou:
— Quantos?
O homem hesitou antes de responder.
— Centenas.
Drax ergueu o olhar para o céu.
Os observadores ainda circulavam acima da cidade.
Aprendendo.
— Essas coisas já estavam aqui com vocês antes — disse Drax.
— Como assim?
— Parem de conversar. — A androide interrompeu, firme. — Não temos tempo pra isso.
Ela olhou diretamente para Drax.
— Se querem mesmo ajudar… então parem de bancar os sabichões e sigam-nos. Pelo menos assim não morrem à toa.
Outra rajada de tiros ecoou ao longe.
O chão vibrou com mais uma explosão.
— O prédio fica duas ruas daqui.
Drax fez um gesto curto para os sentinelas.
— Vamos.
O grupo atravessou a rua rapidamente.
Eles avançaram entre carros destruídos e pedaços de concreto espalhados pelo asfalto. O calor dos incêndios próximos fazia o ar ondular.
Uma máquina voadora cruzou o céu acima deles.
Ninguém parou.
Viraram a esquina de um prédio parcialmente destruído.
E então o Centro Logístico de Arkhaven surgiu diante deles.
Um enorme complexo industrial.
Parte do teto havia desabado.
Contêineres estavam espalhados pelo pátio.
Veículos militares destruídos bloqueavam metade da entrada.
Mesmo assim, uma grande porta de carga ainda estava aberta.
Dois homens armados faziam guarda do lado de fora.
Eles levantaram as armas por instinto.
— Espera! — gritou um dos homens do grupo. — São aliados!
As armas abaixaram.
— Entrem! Rápido!
O grupo avançou imediatamente.
Os civis foram os primeiros a atravessar o portão. Os sentinelas ficaram por último, cobrindo a retaguarda enquanto o eco distante das máquinas se aproximava pela rua.
Então elas apareceram.
Silhuetas metálicas surgindo entre a fumaça ao fundo da avenida.
Os disparos começaram.
No meio da corrida, a androide tropeçou.
O corpo dela caiu pesado no asfalto.
Ela tentou se levantar.
Falhou.
Um dos sistemas internos ainda piscava em seu peito danificado.
Drax percebeu.
Ele já se virava para voltar quando um dos sentinelas colocou a mão na frente dele.
— Eu vou.
Sem esperar resposta, o sentinela correu.
Balas começaram a cortar o ar ao redor dele.
Ele chegou até a androide e a ergueu com esforço.
— Vamos!
Os dois avançaram mancando em direção ao galpão.
Então algo atingiu o braço do sentinela.
Ele quase caiu.
Instintivamente olhou de relance.
Algo negro rastejava sob sua pele.
As veias ao redor escureciam.
Linhas escuras subiam pelo braço como raízes se espalhando pela carne.
Ele cerrou os dentes.
— Merda…
Continuou correndo.
Os dois finalmente alcançaram o portão.
O sentinela entregou a androide para as pessoas dentro do galpão.
Mas ele não entrou.
Ficou parado na entrada.
Drax percebeu imediatamente.
— Entra!
O sentinela apenas balançou a cabeça.
— Não.
Ele retirou a bolsa do ombro e jogou para dentro.
Depois soltou o restante do equipamento no chão do galpão.
— O que diabos você está fazendo? — rosnou Drax.
O portão começou a se mover.
Lento.
Pesado.
Drax correu.
Mas o sentinela já havia se virado para a rua.
De costas para o galpão.
De frente para as máquinas que avançavam.
Ele abriu os braços.
— Aqui.
Um disparo atravessou sua cabeça.
Tudo ficou lento.
O corpo tombou.
No mesmo instante, a visão de Drax pareceu se quebrar.
Por um segundo…
ele viu novamente o mesmo clarão branco.
A mesma lembrança de Soffy.
E logo depois…
o rosto de seu irmão.
O portão se fechou com um estrondo pesado.
Drax piscou uma vez.
E a guerra voltou.
Ele pegou as coisas do sentinela.
Dentro do galpão, geradores improvisados iluminavam o espaço com luzes fracas.
E ali dentro…
centenas de pessoas estavam reunidas.
Soldados feridos deitados em macas improvisadas.
Civis sentados entre caixas de suprimentos.
Crianças agarradas aos pais.
Mecânicos tentavam consertar armas e equipamentos em mesas improvisadas.
O que restava de Arkhaven estava reunido naquele lugar.
Os outros sentinelas se aproximaram.
Os olhos deles caíram sobre o equipamento apoiados em Drax.
Arma. Mochila. Placas de proteção.
Faltava apenas quem deveria estar usando tudo aquilo.
Eles entenderam.
Sem dizer nada, Drax recolheu os itens e os entregou a um deles.
O silêncio entre os três durou apenas alguns segundos, mas parecia mais pesado do que toda a batalha lá fora.
Passos se aproximaram.
Um homem parou diante de Drax.
Uniforme manchado de fuligem. Olhos cansados. Postura firme apesar do caos ao redor.
— Você é de Valtrex, certo?
Drax assentiu.
O homem soltou um pequeno suspiro pelo nariz, como alguém que já tinha visto problemas demais naquela noite.
— Então parece que estamos no mesmo barco.
Ele estendeu a mão.
— Capitão Armand, comandante da Defesa de Arkhaven… enquanto ela ainda existir.
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