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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
71 |💫| Ecos de Mirax
1620 palavras • 9705 caracteres • ⏱ 6 min 29 s

71 |💫| Ecos de Mirax

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Desde o dia em que Koran havia desaparecido, Drax sentia que havia perdido seu propósito.


O trabalho que antes carregava com tanta convicção já não parecia o mesmo sem o irmão ao seu lado. Tudo em Valtrex havia começado a parecer vazio.


As ruas.


As missões.


Até mesmo as vitórias.


Nada daquilo fazia mais sentido para ele.


Ficar em Valtrex estava se tornando cada vez mais difícil.


Cada lugar lembrava Koran.


Cada silêncio parecia perguntar onde ele estava.


E Drax não tinha resposta.


Foi por isso que, quando a missão de reconhecimento surgiu, ele insistiu em ir.


Inicialmente, o grupo de sentinelas seria enviado sozinho.


Era apenas uma missão de reconhecimento em uma região distante, um território antigo praticamente abandonado.


Nada que exigisse a presença dele.


Quando o pedido chegou à sala de operações, o oficial responsável franziu a testa ao ver o nome de Drax na lista.


— Você não precisa ir nessa missão, Drax. Você está qualificado demais para isso.


Drax respondeu sem hesitar:


— Mas eu preciso. Tenho mais experiência lá fora do que qualquer um desses fracotes.


O homem cruzou os braços.


— Disso eu sei. Mas por que diabos você quer ir justamente nessa missão?


Drax demorou um segundo antes de responder, mas foi direto.


— Porque eu preciso sair de Valtrex.


O oficial observou Drax por alguns segundos, avaliando-o como se estivesse medindo cada palavra.


— Isso tem a ver com o Koran?


Drax não respondeu. Seu olhar permaneceu fixo no painel da missão.


O oficial soltou um pequeno suspiro e ampliou o mapa holográfico sobre a mesa.


— Você vai coordenar essa missão. É apenas um reconhecimento. Recebemos alguns pedidos de rádio na região, mas não sabemos exatamente de onde vieram.


Drax assentiu.


— Entendido.


Ele já estava se virando para sair quando o oficial falou novamente.


— Espere.


Drax parou.


— Eu sinto muito pelo seu irmão.


Um breve silêncio se instalou na sala.


— Hm. Mais alguma coisa?


O superior balançou a cabeça, negando.


Drax então saiu.


--- 💫 ---


Alguns minutos depois, Drax finalmente avistou o ponto de encontro.


Dois veículos blindados dos sentinelas estavam parados entre as ruínas de uma antiga avenida. As luzes fracas dos faróis iluminavam a poeira suspensa no ar.


Três sentinelas aguardavam perto dos veículos.


Quando viram Drax se aproximando, um deles levantou a mão em sinal.


— Comandante.


Drax diminuiu o passo enquanto se aproximava.


— O que encontraram?


— Veja o senhor mesmo.


Drax pegou o dispositivo de ampliação.


Alguns quilômetros adiante, parcialmente cobertos por poeira e ferrugem, vários veículos blindados estavam espalhados pela estrada.


Carros antigos de transporte.

Caminhões reforçados.


Alguns completamente destruídos.


Outros pareciam ter parado no meio da fuga.


Marcas de impacto cobriam a lataria e o asfalto quebrado ao redor.


Na lateral de um dos carros ainda era possível ver os símbolos pintados na blindagem: dois emblemas diferentes.


O selo da Cidadela de Arkhaven.


E o da Cidadela de Mirax.


O que duas cidadelas estariam fazendo juntas?


Mais adiante, outras marcas estavam gravadas na terra: pegadas enormes de máquinas, rastros de pneus e manchas de sangue espalhadas pelo chão.


Sinais claros de combate.


De repente, uma luz subiu ao céu vinda daquela direção.


Um sinalizador.


Drax soltou o dispositivo.


Um dos sentinelas ao lado dele falou:


— Quais são as ordens, comandante?


Drax não demorou para responder.


— Avançaremos.


Os soldados assentiram.


E o grupo seguiu em direção às ruínas.


O grupo avançou com cuidado.


Quanto mais se aproximavam, mais silencioso o lugar parecia.


Nenhum vento.


Nenhum som de motores.


Nenhuma voz.


Apenas o rangido distante de metal velho se movendo entre as ruínas.


Quando chegaram aos primeiros veículos, Drax levantou a mão.


O grupo parou imediatamente.


Ele se aproximou do caminhão mais próximo.


A lataria estava deformada por impactos pesados. Marcas profundas atravessavam a blindagem como se algo enorme tivesse golpeado o veículo repetidas vezes.


Drax passou a mão sobre uma das marcas.


Metal dobrado para dentro.


Não era munição comum.


Ele continuou andando entre os veículos.


As portas de alguns carros estavam abertas.


Caixas de suprimentos haviam sido deixadas para trás.


Como se todos tivessem saído às pressas.


Então ele parou diante de um dos transportes.


A porta do motorista ainda estava fechada.


Mas o vidro estava quebrado.


Drax se aproximou lentamente.


Dentro do veículo… havia alguém.


O corpo estava imóvel no banco.


O uniforme ainda mostrava o símbolo de Arkhaven.


Mas o rádio do painel ainda estava ligado.


Chiando.


Transmitindo a mesma mensagem repetidamente, como se alguém do outro lado estivesse preso em um pedido de socorro que nunca chegava ao fim.


— …unidades… unidades… precisamos de reforços…


Um estalo atravessou o aparelho.


— A Cidadela…


O rádio voltou a chiar.


Drax manteve os olhos atentos ao redor. O vento passava entre as carcaças metálicas e fazia pedaços de sucata rangerem lentamente.


Então ele ouviu algo.


Uma tosse.


Baixa.


Úmida.


Vinda do outro lado do caminhão.


Drax se aproximou com cuidado, arma erguida. Seus passos eram lentos, quase silenciosos sobre o chão sujo.


Quando virou a lateral do veículo, ele viu o corpo.


Um homem estava encostado ali.


O uniforme rasgado.


O símbolo no peito ainda visível.


Mirax.


A cabeça dele estava caída para frente, como se estivesse sem forças para se manter erguida.


— Ajuda… — murmurou o homem.


A voz saiu arrastada.


— Ajuda… ajuda…


O corpo dele tremia levemente.


No mesmo instante…


Um clarão iluminou o horizonte ao longe.


A luz cortou o céu escuro por um segundo.


Logo depois veio o estrondo.


O chão vibrou.


Drax estreitou os olhos.


Algo estava errado.


O homem ainda murmurava.


— Aju… da…


Então a cabeça dele se moveu.


Devagar.


Primeiro um pequeno giro.


Depois outro.


O pescoço começou a torcer com um estalo seco.


O giro ficou mais rápido.


Mais rápido.


Como um parafuso sendo apertado com força.


O corpo permanecia imóvel.


Mas a cabeça rodava.


Rodava.


Rodava.


Até que—


CRACK.


Ela se soltou.


Drax puxa sua arma.


A cabeça rolou alguns centímetros pelo asfalto rachado.


Parou de lado.


Os olhos ainda estavam abertos.


Drax manteve a arma apontada.


Por um segundo… dois…


Os olhos do homem piscaram.


Não como um reflexo mecânico.


Foi um piscar lento.


Humano.


A boca tremia levemente, como se algo dentro da cabeça estivesse tentando mover os músculos que restavam.


— Me... mata...


A frase morreu antes de terminar.


Então algo estalou dentro do crânio.


As pupilas do homem contraíram de forma brusca, como se um interruptor tivesse sido acionado.


Pernas finas começaram a sair de dentro dela, se esticando como membros de um inseto.


A carapaça do crânio se abriu em pequenas fissuras, como placas sendo empurradas de dentro para fora.


Algo se movia ali dentro.


Drax não hesitou.


— Contato!


O disparo ecoou pela estrada.


A cabeça explodiu contra o asfalto antes que a criatura pudesse se levantar completamente.


Fragmentos metálicos e pedaços de osso se espalharam pelo chão.


Silêncio.


Por um segundo tudo ficou imóvel novamente.


Então o rádio no caminhão chiou outra vez.


— …unidades… unidades… precisamos de reforços…


Passos correram atrás de Drax.


Os sentinelas chegaram com as armas levantadas.


Um deles olhou para o que restava no chão e congelou.


— Que inferno foi isso?


Drax manteve os olhos fixos nos destroços.


— Uma máquina.


Ele levantou o olhar para a estrada, na direção da Cidadela ao longe.


No horizonte, outro clarão iluminou o céu.


Um dos sentinelas se aproximou do corpo e reconheceu o símbolo no uniforme.


— Mirax…


Ele arrancou o pedaço rasgado do tecido para olhar melhor.


— Esse símbolo… não é da Cidadela que foi destruída?


Drax levantou o olhar para ele.


— Como é?


— Mirax caiu semanas atrás. Quase ninguém sobreviveu. Os poucos que restaram fugiram.


Drax ficou em silêncio por um segundo.


Ele olhou novamente para o que restava da cabeça no chão.


Fragmentos de osso.


Metal.


Pequenas peças ainda se mexendo entre os destroços.


Ele se agachou.


A ponta da arma empurrou um dos pedaços metálicos. A peça girou no chão como um inseto morto.


— Isso não é uma máquina… — murmurou.


Os sentinelas se aproximaram um pouco mais, atentos, analisando os restos no chão.


Drax continuou observando.


— Quando eu cheguei aqui, ele ainda estava vivo. — disse. — Falou comigo. Pedia ajuda.


Um dos sentinelas franziu a testa.


— Então o que foi aquilo?


Drax apontou com a arma para os restos espalhados.


— Algo entrou nele.


Ele tocou com o cano da arma a base quebrada do crânio.


— Isso estava dentro da cabeça dele.


O vento passou entre os veículos destruídos.


Drax se levantou.


Seus olhos voltaram para a estrada.


— Não tomou o controle imediatamente. — disse. — Ele ainda estava consciente quando chegamos.


Um dos sentinelas analisava os fragmentos metálicos no chão.


— Parece uma arma. Uma arma que foi implantada neles.


Drax respondeu sem tirar os olhos do horizonte.


— Se o que você disse for verdade… e ainda restaram sobreviventes…


Ele deixou a frase no ar.


Outro sentinela completou o raciocínio imediatamente.


— Então essas coisas estavam andando por aí como se fossem pessoas.


O grupo ficou em silêncio por um momento.


— E alguém abriu os portões para eles. — concluiu outro.


Drax apertou a arma.


No horizonte, outro clarão iluminou o céu distante.


Desta vez mais forte.


Ele não precisou pensar muito.


— Arkhaven.


Um dos sentinelas olhou para ele.


— Comandante…


Drax virou-se imediatamente.


— Voltem pros carros.


Os homens começaram a correr.


Enquanto o rádio do caminhão continuava chiando atrás deles.


— …unidades… unidades… precisamos de reforços…


— A Cidadela… está… sob ata—


O sinal morreu no meio da frase.


No horizonte, outro clarão rasgou o céu.

Desta vez muito maior.


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