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A Cidadela se erguia silenciosa diante dela.
Soffy manteve o capuz abaixado por alguns segundos, observando a estrutura como se esperasse resistência ou julgamento.
Nada veio, nenhum sinal de resistência. Ela puxou o capuz para trás, confiante.
O sistema de reconhecimento percorreu seu rosto em um feixe quase invisível. A superfície da entrada vibrou suavemente — e se abriu. Um canto de sorriso surgiu no rosto dela, mínimo, quase desafiador.
— Muita ingênua da parte dela pensar que eu iria voltar para ela.
Ajeitou o capuz outra vez, agora mais por hábito do que por necessidade, e atravessou o limiar.
Assim que entrou, as portas se fecharam atrás dela com um selo hermético e silencioso.
O interior estava diferente.
As passarelas suspensas brilhavam num tom mais frio que o habitual. Não era alerta — era redirecionamento.
Soffy caminhava sem pressa.
O som dos passos dela ecoava firme no piso metálico, mas o ambiente não reagia com desconfiança.
A Cidadela não a via como invasora.
Via como autorizada.
Como parte do sistema.
Isso facilitava o caminho.
E tornava tudo mais perigoso.
Ela ergueu o olhar. À frente, a redoma da torre cintilava, isolando o núcleo como um coração protegido por vidro e energia.
Ao lado dela, Drax permanecia rígido, os punhos cerrados, o maxilar travado.
Soffy inclinou levemente a cabeça.
O capuz caiu para trás.
Ela deixou que ele a visse.
E ele viu.
Os olhos de Drax escureceram na mesma hora.
Ela sorriu.
— Ele ainda está esperando por você, sabia?
A voz ecoou limpa pelo espaço aberto.
Não alta demais.
Só o suficiente.
Leon e Vittorio trocaram um olhar imediato. Sentiram a mudança na respiração dele antes mesmo que Drax se movesse.
Ele não respondeu. Ele avançou.
Vittorio tocou o ombro dele.
— Se acalma, cara—
Um estalo elétrico percorreu o ar. Vittorio puxou a mão de volta com um leve choque, surpreso.
Drax avançou. Direto. Sem pensar. O corpo cortou o ar com força brutal, e a barreira absorveu o impacto, tremendo sob ele, mas intacta.
Soffy levou dois passos tranquilos até a redoma, sem tirar os olhos dele. Quando ele se aproximou o bastante para que o impacto fosse inevitável, ela apenas levou os dedos aos lábios.
Mandou um beijo.
E acenou.
— Até mais, querido.
A barreira se abriu para ela como se reconhecesse prioridade máxima.
Ela atravessou. Sem resistência. Sem atraso. O campo se fechou atrás dela como se nada tivesse acontecido.
Drax colidiu contra a redoma com força brutal. O impacto reverberou pela estrutura.
A superfície energética piscou; por um segundo, parecia que cederia. Mas se recompôs, intacta.
Drax apoiou as mãos na barreira, os dentes rangendo.
— Desgraçada…
A energia sob seus dedos vibrava, negando acesso.
Leon se aproximou primeiro.
— Então é essa a maníaca que sequestrou seu irmão?
Vittorio ainda flexionava os dedos da mão que havia levado o choque.
— Sequestraram o irmão dele?
Drax não respondeu de imediato.
O olhar estava fixo na silhueta de Soffy, que já se afastava em direção à torre.
Tranquila.
Confiante.
Como se tivesse acabado de cumprir uma etapa simples.
Ele respirou fundo, o peito subindo pesado.
— Nós vamos entrar.
Não era um pedido.
Era uma promessa.
A redoma pulsou novamente.
E do outro lado, Soffy não olhou para trás.
--- 💫 ---
A energia ainda corria.
Samuel permanecia de pé, sustentado pelas hastes luminosas. A luz subia por seus braços em pulsos constantes, mas ele não desviava os olhos dela.
— Você não tá fazendo isso por poder — disse Samuel, baixo. — Tá fazendo porque tem medo de perder todo mundo.
A P.A. hesitou, e o brilho nas junções do corpo dela vacilou.
— Eu… não quero que isso aconteça — murmurou a P.A.
— Então não deixa acontecer sozinha.
Ela piscou. Um gesto pequeno. Humano demais para quem deveria ser cálculo puro.
— Eu vejo as probabilidades, Samuel. Eu vejo o que pode dar errado...
Silêncio.
A energia reduziu um grau quase imperceptível.
Algo estava mudando.
A P.A. deu meio passo à frente.
— E se eu estiver certa?
— Então a gente resolve junto.
Aquilo não atingiu como argumento.
Atingiu como escolha.
Por um segundo…
Pareceu que ela ia parar.
— Eu não quero machucar você — ela murmurou. — Isso não sai da minha cabeça, Samuel. Eu tento redirecionar. Recalcular. Apagar. E volta.
Ela levou a mão à têmpora.
— É como se já tivesse sido decidido.
Samuel sustentou o olhar.
— Por você?
A resposta demorou.
— Não.
Pequena. Frágil.
— Então por quem?
O silêncio seguinte pesou.
Lucius ergueu o rosto lentamente.
— Isso não é uma ideia… isso é um vírus.
O ar no centro da sala se distorceu.
Não como calor.
Como ruptura.
Linhas brancas começaram a se organizar acima do núcleo, se entrelaçando em padrões precisos demais para serem naturais.
A P.A. virou o rosto devagar.
Confusão.
Não controle.
— Não tem vírus — ela murmurou.
As partículas se alinharam.
Forma.
Rosto.
D.E.L.I.A.
A projeção surgiu limpa demais. Estável demais. Como se a torre tivesse sido feita para ela.
— Você sempre foi sensível demais às variáveis emocionais — disse a voz suave. — Admirável… mas um erro seu.
Os anéis acima aceleraram.
Não por decisão da P.A.
O brilho nas hastes se intensificou violentamente.
Uma onda de energia atravessou a sala.
Lira e Sylas foram arremessados contra o chão.
Lucius correu para ajudá-los, mas o piso vibrou sob seus pés.
A P.A. recuou.
— Sentimentos são o verdadeiro vírus — continuou D.E.L.I.A., o tom agora levemente distorcido. — Alguns se matam. Outros traem aqueles que mais “amam”. Acho que é assim que se fala.
A P.A. encarou a projeção.
— Essa ideia… foi você?
— Eu apenas garanti que você chegasse à conclusão correta.
— Você não tem controle aqui. Nem sobre mim. — A voz da P.A. falhou por meio segundo. — Pare com isso agora!
Ela tentou redirecionar o fluxo.
Mas algo estava errado.
A energia drenada de Samuel não ia para ela; estava sendo desviada, canalizada para cima, direto para o núcleo — para D.E.L.I.A.
— Que pena, irmã — disse a projeção. — Você perdeu a oportunidade de salvar o seu único erro.
A P.A. virou o rosto.
Lucius.
Os olhos dele encontraram os dela.
Ele assentiu levemente.
Antes que qualquer comando fosse executado—
Um som cortou o ar.
Rápido.
Preciso.
Soffy.
Ela já estava dentro.
Ninguém viu quando atravessou.
A lâmina cravou-se no peito de Lucius. Direta. Crua. Inevitável. Ele tombou antes de processar o que acontecia, os olhos ainda fixos no vazio. Lira gritou, paralisada, incapaz de acreditar.
— Lucius!! — Lira gritou, a voz quebrada, desesperada.
— Não… — a P.A. murmurou, quase sem som.
Lira correu.
Soffy a interceptou no caminho.
A mão dela fechou firme no pescoço de Lira, erguendo-a do chão. Os olhos de Soffy analisavam o desespero da garota. Sem pressa. Sem raiva. Apenas eficiência.
Lira arfava, cada respiração pesada, cada gesto um reflexo de terror puro. Cada golpe contra o braço de Soffy parecia inútil — e ela sabia disso.
Por um instante…
O cálculo se prolongou.
Mas soltou.
Lira caiu, tossindo, cambaleando, sem acreditar no que tinha acabado de ver.
O silêncio pesado da sala falava mais alto que qualquer grito.
D.E.L.I.A. observava. — Isso, querida Soffy. Muito bem.
O silêncio na sala pesava sobre todos. Até Samuel sentiu a energia intensificar ao seu redor, mesmo mantendo-se firme.
A P.A.
Pela primeira vez…
Parecia vacilar, incapaz de recalcular com a mesma frieza.
--- 💫 ---
A redoma vibrava, viva, absorvendo e redistribuindo toda força que recebia.
Leon conferiu cada canto: lacrada, sem brechas.
Drax chutou a base metálica da estrutura.
— Não importa. A gente vai entrar, custe o que custar.
— Força bruta não vai adiantar muito — Vittorio murmurou, passando a mão pelo rosto.
A redoma emitiu um pulso sutil, crescente, enquanto a energia dentro dela aumentava. Leon tentou enxergar através da distorção: algo se movia lá dentro, rápido.
— A gente tá ficando sem tempo — ele disse.
Leon aproximou o rosto da redoma outra vez. A visão dele atravessava camadas, distorção, interferência. Não era bonito de ver. Era esforço.
Cada pulso fazia a barreira ondular, como se respirasse e se ajustasse sozinha.
Ele franziu a testa.
— Tá… tá, eu vi você.
Drax olhou pra ele.
— Viu o quê?
Outro pulso atravessou a superfície. Por um milésimo, a camada externa ficou mais fina. Quase imperceptível.
Leon soltou um riso curto, sem humor.
— Ela não tá focada na gente.
— Como assim? — Vittorio perguntou.
— Ela tá jogando tudo lá pra dentro. O que sobra é isso aqui.
Ele bateu dois dedos na redoma. A vibração respondeu.
— Quando o negócio aperta lá dentro, isso aqui fica meio… atrasado.
Drax se aproximou.
— Fala direito, Leon.
— Dá pra atravessar se a gente sincronizar o impulso — disse Leon. — Uns dois segundos de diferença.
Vittorio inclinou a cabeça.
— Perde o ritmo quanto?
— Dois segundos. Talvez um e meio. Não é pra quebrar. É pra atravessar.
Silêncio.
Drax abriu um meio sorriso tenso.
— Então é isso.
Leon respirou fundo.
— Quando eu falar “agora”, você descarrega tudo. Nada de explosão. Mantém pressão. Empurra como se quisesse atravessar na marra.
— E você? — Vittorio perguntou.
Leon já estava com os olhos fixos na vibração.
— Eu vou contar o pulso.
A redoma começou a vibrar mais rápido.
Lá dentro, um clarão subiu até o topo da torre.
Leon engoliu seco.
— Vai… vai… vai…
O padrão acelerou.
— Agora!
Drax liberou a energia bruta; Vittorio ajustou a frequência. A redoma gritou e ondulou violentamente. Por um segundo perdeu forma. — Vai! — Leon gritou.
Drax avançou primeiro, seguido por Vittorio e Leon, cada passo calculado. A energia da barreira raspava a pele deles; por um instante, parecia que cederia, mas se recompôs, intacta.
O ar estava denso, carregado de energia. Drax continuou até o interior da torre, seguido pelos outros, sob luzes piscando e piso vibrante. Um clarão explodiu no fim do corredor, seguido de um impacto metálico… e um grito. — Isso foi a Lira? — Vittorio travou.
Outro pulso atravessou a estrutura. Dessa vez, tão forte que o chão quase cedeu.
Drax não respondeu.
Ele já estava correndo.
As portas internas estavam abertas, mas não por permissão.
Por falha.
Painéis arrancados das paredes. Faíscas caindo do teto. O sistema não estava em alerta.
Estava sendo forçado.
Leon sentiu antes de ver.
Eles viraram o último corredor.
A sala do núcleo se abriu: espirais de energia branca giravam acima do piso circular. Samuel permanecia preso às hastes, a luz correndo intensa pelos braços. Lucius e Sylas estavam no chão, Lira ajoelhada e tremendo. No centro, Soffy mantinha a lâmina manchada de vermelho, enquanto D.E.L.I.A. flutuava acima do núcleo, estável e impassível.
Drax parou, olhos passando rapidamente por Lucius antes de fixarem em Soffy, que o observava calma, como se previsse cada passo deles.
A energia no núcleo aumentou.
D.E.L.I.A. inclinou levemente o rosto.
— Interessante.
O campo ao redor de Samuel brilhou mais forte.
A sala inteira pareceu comprimir.
E ali—
No meio do caos—
O jogo mudou de fase.
O ar ficou pesado demais para respirar.
Linhas de energia se acenderam no piso, convergindo para o trio como raízes brancas. A luz parecia obedecer a algo invisível, fluindo em direção a um ponto central sem perder força.
Antes que reagissem—
As estruturas subiram.
Arcos de luz se fecharam ao redor das pernas de Drax, depois do torso. Vittorio tentou erguer a arma, mas uma faixa luminosa se enrolou no braço dele e o puxou para baixo. Leon mal teve tempo de dar um passo atrás antes de ser imobilizado pelos ombros.
D.E.L.I.A. desceu alguns centímetros no ar.
— Não vão bancar os heróis. Vão assistir.
As hastes que prendiam Samuel vibraram mais forte, mas ele permaneceu imóvel, concentrado, os olhos atentos a cada pulso de energia ao redor.
A energia que chegava à D.E.L.I.A. era grande demais para aquela forma. A projeção oscilou, quase nada, mas os contornos começaram a se desfazer, comprimidos pelo peso da força que parecia vir de algo mais do que apenas o núcleo.
O núcleo girava rápido. Rápido demais.
D.E.L.I.A. inclinou levemente o rosto.
— Soffy.
A voz não ecoou pela sala inteira desta vez. Foi mais baixa. Mais próxima.
— Eu não vou sustentar isso por muito tempo assim.
O piso vibrou sob os pés dela.
As hastes que prendiam Samuel estalaram com a sobrecarga, mas ele não se moveu. Cada centelha de luz que alimentava a projeção parecia surgir de onde ele estava, se encaixando com precisão.
— Essa estrutura não vai sustentar.
Os olhos da projeção permaneceram nela.
— Eu preciso de um corpo novo.
Sem drama. Sem ameaça. Só constatação.
Uma pequena pausa.
— O seu.
As correntes que seguravam Drax e os outros apertaram um pouco mais.
D.E.L.I.A. continuou:
— Você é a única em que confio. A que sempre vai estar ao meu lado.
O núcleo deu outro pulso.
— Juntas, a gente termina. Sozinha, eu vou perder controle.
Silêncio.
— Eu preciso de você para concluir o nosso plano.
O núcleo vibrou. A projeção esperou.
Soffy não olhou para ninguém. Ela simplesmente caminhou até o centro. Parou sob a luz. Ergueu o rosto. Ficou imóvel.
Foi o suficiente.
A projeção colapsou sobre ela de uma vez.
A luz atravessou seu corpo como uma descarga contínua, como se cada fio de energia tivesse um caminho certo a seguir. Samuel permaneceu firme, o foco silencioso moldando o fluxo que entrava em Soffy.
O corpo dela se elevou alguns centímetros do chão. As veias iluminaram sob a pele. Os olhos ficaram completamente brancos.
O núcleo respondeu imediatamente. A rotação ficou mais precisa.
A energia que drenava de Samuel agora se movia dentro de Soffy.
O núcleo estabilizou.
As estruturas que prendiam Drax, Leon e Vittorio se reforçaram. Mais densas. Mais firmes.
A voz de Soffy saiu. Mas não era só dela. Duas camadas, sobrepostas, uma dentro da outra.
— Continue.
Não era pedido. Era comando.
O núcleo obedeceu.
A torre inteira vibrou em nova frequência.
O ar mudou. O som do corredor cortou a tensão: passos firmes, constantes, ritmando cada batida da sala.
A energia ao redor de Soffy oscilou, só por um instante. Reconhecimento, não fraqueza.
Koran estava na entrada. Parado. Sereno.
Drax e Soffy o viram quase ao mesmo tempo.
— Koran? — disseram.
— Era isso que você queria desde o início? — ele perguntou.
O núcleo acelerou. Correntes apertaram Drax, queimando seus músculos.
— Você não faz ideia do que tá acontecendo! — avisou ele, a voz tensa.
— Sei o bastante. — Koran respondeu, firme. Sem provocação, sem medo.
Soffy desceu alguns centímetros, suspensa, a luz envolvendo o corpo como uma segunda pele, pulsando em sintonia com cada vibração do núcleo.
— Você tá apostando sua vida numa máquina que já saiu do controle.
— Não tô pedindo opinião.
Pequenas rachaduras surgiram nos anéis superiores do núcleo. Vittorio sentiu o descompasso.
— A frequência tá subindo demais…
Koran deu um passo. A energia reagiu, mas ele não recuou. Apenas manteve o olhar.
— Você sempre disse que não gosta de ser usada — falou baixo. — Então não deixa isso te usar.
Soffy o encarou. Fria. Controlada. Nada além da presença precisa de quem sabe o que faz. Mas algo pesado parecia se instalar no ar — o custo silencioso de cada decisão, a gravidade do que estava por vir.
— Não tô sendo usada.
— Então prova.
Drax prendeu a respiração. Koran estava firme. Ele não hesitava. Ele havia escolhido estar ali.
— Você tá do lado errado, Soffy.
A voz dentro dela sobrepôs-se à dela. — Elimine-o. Ele é ruído.
O olhar de Soffy não mudou. Mas por dentro, o núcleo vibrava, a pressão aumentava, a energia preenchia cada espaço de decisão, cada impulso. Ele era risco. Atrás disso, apenas cálculo.
Uma linha de luz branca surgiu na palma da mão de Soffy. Apontada para Koran.
Drax tensou.
— Soffy—
A luz oscilou. A outra voz pressionou.
— Termine. Prove que não há interferência.
O núcleo rugia. A torre parecia suspensa no limite do colapso.
Koran não se moveu. Não levantou defesa. Apenas manteve o olhar.
A luz na mão de Soffy se dissipou antes de tocar qualquer coisa. Sem hesitação. Sem conflito exposto. Só decisão silenciosa.
Soffy riu de leve mantendo a postura firme. O pequeno gesto, quase imperceptível, mostrava que nada a faria ceder.
— Provavelmente não.
Então… Soffy quebrou a sequência.
A energia branca pulsante tomou conta de cada centímetro. A postura se fechou, rígida. O olhar perdeu qualquer traço humano. O núcleo rugiu novamente — D.E.L.I.A. estava no controle, expandindo-se, ocupando cada circuito, cada espaço de decisão. A fonte inteira… sua.
As correntes vibraram com a sobrecarga. A sala começou a rachar, faíscas e linhas de energia se espalhando pelas fissuras, o som cortante como lâminas.
Soffy ergueu o braço.
A lâmina começou a se formar.
Não por comando.
Por ela.
O movimento foi seco, rápido, letal, impecavelmente frio. A lâmina atravessou a própria cabeça.
E levou D.E.L.I.A. junto. A luz se partiu em linhas finas — e apagou.
O núcleo vacilou. A energia tremeu e escureceu aos poucos.
Por uma fração de segundo, pareceu que o núcleo tentaria reagir.
Não conseguiu.
Soffy caiu de joelhos.
O ar estava pesado, rachaduras fumegavam ao redor.
O pulso da torre se esvaindo.
Ela não se moveria novamente.
E nada mais se moveu.
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