logo do projeto lunar

Capa
O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
67 |💫| Entre Luz e Controle
2481 palavras • 14279 caracteres • ⏱ 9 min 55 s

67 |💫| Entre Luz e Controle

0
0
0

⚡──────👾──────⚡


A torre central se erguia intacta.


Luzes correndo pelas estruturas externas.

Campos energéticos pulsando no ritmo habitual.

Nenhum sinal de ataque.


Drax diminuiu o passo.


— Isso não parece uma invasão ou um ataque.


— Talvez já tenha começado por dentro — murmurou Lucius.


Vittorio inclinou o rosto para cima, analisando a redoma translúcida que envolvia a base da torre.


— Se alguém estivesse atacando, haveria alerta ou sei lá, igual a última vez.


— Ou silêncio — Leon respondeu.


Samuel permaneceu quieto.


A redoma cintilou quando eles se aproximaram. Um arco suave de energia percorreu a superfície como reconhecimento.


A voz da P.A. não veio.


Nenhum aviso.


Nenhuma saudação.


A barreira simplesmente se abriu.


Um vão preciso, limpo.


Samuel atravessou primeiro.


Lira logo atrás.


Lucius.


Sylas.


Quando Drax tentou acompanhar, o campo se fechou diante dele com um estalo seco.


Ele recuou um passo, instintivamente.


— Ei.


Tentou novamente.


A superfície endureceu, opaca.


Sem choque. Sem agressão.


Vittorio ergueu a mão como se testasse também.


— Isso é legal.


Drax virou o rosto para dentro da redoma, onde os quatro já haviam parado.


— Porque vocês podem entrar e a gente não?


Lira voltou-se para Lucius.


— Isso é parte do ataque?


Ele respondeu:


— Eu acho que não...


Lucius se aproximou da redoma.


— Fiquem aqui esperando. Eu abro manualmente lá dentro para vocês entrarem.


Drax apenas estreitou os olhos.


— Agiliza.


Leon e Vittorio permaneceram ao lado dele.


Drax fechou os punhos.


— Se isso for uma armadilha... — Drax cerrou os punhos, o corpo rígido, os olhos percorrendo cada brilho da redoma. — Não vou esperar pra descobrir na marra.


Vittorio completou, baixo:


— Eles já estão nela. — Vittorio murmurou, os dedos tamborilando no braço da jaqueta, inquieto. — E se a P.A. tiver calculado cada movimento nosso?


— Ou a gente corre risco demais ficando aqui parados — ele completou, cruzando os braços e lançando um olhar desconfiado à redoma.


--- 💫 ---


Dentro da redoma parecia mais denso.

Não havia alarme.

A torre funcionava normalmente.


A estrutura da torre se abriu à frente deles.


Não violentamente.


Mas como se estivesse… convidando.


E dessa vez, não houve pedido.


A entrada estava concedida.


Apenas para quem ela precisava.


A sala central ainda estava distante.


Antes dela, o interior da torre se abria em camadas vivas.


Samuel caminhava à frente, atento.


Atrás dele, Lira parou sem perceber.


O chão sob seus pés não era apenas metal. Raízes translúcidas atravessavam as placas estruturais como se a própria torre tivesse escolhido crescer. Pequenos veios de luz corriam entre elas, pulsando suavemente.


— Isso… — ela murmurou, quase sem ar.


À esquerda, um lago raso refletia o brilho verde do alto. Peixes mecânicos deslizavam sob a superfície como se fossem feitos de luz sólida. Acima, folhas metálicas filtravam a claridade, criando sombras vivas que se moviam devagar.


Lira se aproximou do lago. 

— Eu… eu não sabia que era assim — Lira murmurou, os olhos arregalados, a mão tremendo levemente ao tocar a borda do lago. — É… quase vivo.


Lucius estava imóvel alguns metros atrás.


Ele não olhava como quem descobre.


O olhar dele era diferente.


Reconhecimento.


As mãos se ergueram devagar, como se quisessem tocar o ar.


Os circuitos embutidos nos troncos. O equilíbrio da umidade. A disposição das passarelas suspensas. A integração entre código e crescimento.


Ele sabia cada princípio daquilo.


Cada matriz de base.


Mas ver tudo funcionando… assim…


— Eu projetei os primeiros núcleos de integração — ele disse baixo, quase para si. — Mas ela expandiu sozinha. — Seus olhos não saíam de cada junção, e uma pontada de culpa misturada com orgulho passou pelo seu rosto.


Havia algo no tom dele.


Orgulho. Espanto. E um desconforto sutil.


Lira olhou para ele.


— Isso foi você?


Lucius demorou a responder.


— Foi... — Disse claramente com vergonha.


— Incrível! Tem me contar mais sobre você.


Sylas caminhava em silêncio absoluto, as patas grandes tocando o chão com peso controlado. O olhar felino percorria cada movimento da luz, cada alteração mínima na vibração do ar.


Estava atento.


Samuel não compartilhava do encantamento.


Ele sentia.


As algemas vibraram de novo.


Mais intensas.


O brilho verde nas estruturas pareceu acompanhar o ritmo da respiração dele. Não era agressivo. Não era acolhedor.


Era… focado.


Lira ainda girava lentamente, absorvendo detalhes.


— Parece vivo.


Lucius assentiu.


— Está.


Um grupo de pequenas estruturas metálicas — semelhantes a flores — se abriu ao longo do caminho deles, liberando partículas luminosas que subiram devagar.


Não era defesa.


Não era recepção formal.


Era reconhecimento.


Sylas parou.


As orelhas se moveram.


Ele sentiu também.


O lago perdeu o reflexo por um segundo.


O pulso da luz mudou.


Sutil.


Mas coordenado.


Samuel voltou a andar.


Mais direto agora.


O encantamento ainda estava ali para Lira.


O orgulho ainda pairava sobre Lucius.


Mas algo na harmonia do lugar estava… específico demais.


Não era apenas a torre funcionando.


Era a torre esperando.


E ela não estava esperando por todos.


--- 💫 ---


A vegetação foi ficando para trás.


Os últimos reflexos de água desapareceram sob o piso translúcido, e o verde orgânico cedeu espaço ao brilho mais preciso dos circuitos. O ar mudou — menos vivo, mais concentrado.


Samuel reduziu o passo.


A grande sala circular se abriu diante deles.


Ampla. Silenciosa. Suspensa numa calma quase artificial.


Os anéis da estrutura central giravam ao fundo, constantes. Mas não eram o foco.


Ela era.


A P.A. estava de pé à frente deles.


Não como projeção. Não como voz no ar.


Em corpo.


A silhueta elegante, linhas suaves, junções percorridas por um brilho verde discreto que pulsava como respiração contida. Não havia postura de combate. Não havia rigidez.


Mas havia decisão.


Lira parou ao lado de Samuel.


— Ela está bem?


Lucius não respondeu. Observava detalhes demais: micro variações na luz, no ritmo dos circuitos ao redor.


Sylas avançou meio passo. As orelhas erguidas. O corpo pronto.


A sala parecia menor do que realmente era.


Mais fechada.


Mais pessoal.


A P.A. ergueu o olhar.


Direto para Samuel.


— Obrigada por terem vindo.


A voz não ecoou pela estrutura. Não tinha reverberação sintética.


Soava… próxima.


Lira se adiantou.


— Você disse que precisava da gente. Houve ataque?


— Não — respondeu a P.A. — A Cidadela está segura.


— Então por que bloquear os outros?


— Porque eles tentariam impedir.


— Impedir o quê? — Lira insistiu.


A P.A. não respondeu de imediato.


Ela deu dois passos na direção de Samuel.


— Preciso que você permaneça onde está.


Samuel não recuou.


— Por quê?


O silêncio que se formou não era vazio. Era cálculo.


— Porque algo precisa ser feito.


Lucius avançou meio passo.


— Que tipo de algo?


— Um processo.


— Baseado em quê? — ele pressionou.


Uma pequena pausa.


— Em uma coisa que eu deveria ter feito desde o começo.


— Que você é a chave que eu preciso, Samuel.


A resposta veio mais baixa.


— Para mudar o nosso destino.


Nada indicava falha na torre. Nada estava quebrado. Nenhum alerta soava.


Ainda assim, o chão sob os pés deles brilhou.


Foi rápido.


Estruturas emergiram do piso e envolveram os pulsos e tornozelos de Samuel com precisão limpa. Ele não caiu. Apenas ficou contido.


Sylas reagiu num salto instintivo.


Outras hastes se ergueram e o prenderam no ar antes de depositá-lo no chão, imobilizado.


— Não! — Lira correu.


Foi contida da mesma forma.


Sem dor.


Sem brutalidade.


Apenas impossibilidade.


Lucius ficou parado por um segundo que pareceu longo demais.


— P.A… o que você está fazendo?


Uma barreira transparente ergueu-se diante dele quando tentou avançar.


Ele pressionou o campo.


— Isso é errado!


Ela olhou para ele.


E houve algo ali.


— Eu sei.


A resposta foi calma. Não defensiva. Não irritada.


Samuel manteve a voz estável.


— Você não explicou nada.


— Porque eu não tenho todas as respostas.


Aquilo quebrou algo na sala.


Lucius ficou imóvel.


— Então você está agindo assim? — Lucius perguntou, a voz baixa, quase engolindo as palavras, os olhos passando do brilho da P.A. para Samuel.


— Eu estou agindo porque eu preciso.


Ela deu mais um passo.


O brilho verde nas junções intensificou-se levemente, acompanhando o ritmo da própria fala.


— Não importa o que eu faça. Não importa o que eu tente.

Eu só tenho essa oportunidade…

E não posso deixá-la passar.

Eu sinto muito.


— Oportunidade...?


A P.A. voltou o olhar para Samuel.


— Você. Você é a fonte.


Ele não desviou.


— E o que vai fazer comigo?


Pela primeira vez, ela hesitou.


Não por manipulação.


Mas porque realmente não sabia.


A P.A. olhou para o tigre, depois para Lira.


E quando falou novamente, a firmeza veio com algo por trás — não frieza, mas necessidade.


— Se houver interferência, eu serei obrigada a neutralizar qualquer obstáculo.


Lucius congelou.


— Neutralizar?


A voz dela não subiu. Não endureceu.


— Não quero feri-los.


E aquilo não soava falso.


— Mas não posso permitir que impeçam.


O significado ficou claro o suficiente.


Samuel respirou fundo.


— Você acredita mesmo nisso?


Pequena pausa.


— Eu não posso mais ignorar.


Não era convicção.


Era compulsão.


A sala inteira parecia suspensa na decisão que ainda não tinha sido tomada.


E, no centro de tudo, Samuel permanecia imóvel — preso não apenas pelas estruturas ao redor…


Mas pela escolha que agora era só dele.


Os anéis ao fundo alteraram o ritmo.


O piso sob Samuel brilhou em espiral ao redor de seus pés.


A P.A. não se moveu.


Mas algo nela também se ajustou — como se todos os sistemas estivessem alinhando foco.


— Iniciando — ela disse, baixo.


Lucius bateu contra a barreira.


— Não faz isso!


Lira tentou forçar as contenções.


— Samuel! — ela gritou, tentando avançar, a respiração curta e os dedos se esticando contra as hastes que a seguravam — Não! Você não pode deixar!


Sylas rosnava, o corpo tensionado ao extremo.


Samuel, porém, não lutava.


Ele manteve os olhos na P.A.


E houve um instante quase invisível.


Um assentimento mínimo.


Uma decisão silenciosa.


As hastes ao redor dos pulsos dele se iluminaram e começou.


Não foi um choque.


Não foi dor imediata.


Foi uma sensação de puxão interno — como se algo sob a pele estivesse sendo chamado para fora.


A luz percorreu os braços de Samuel e foi absorvida pelas estruturas


Os anéis aceleraram.


Lira percebeu primeiro.


— Ela está drenando você!


Lucius ficou pálido.


— Ela vai matar ele...


Samuel fechou os olhos por um segundo.

Mas permaneceu de pé.


As estruturas brilharam mais forte, reagindo ao que acreditavam ser fluxo legítimo.


Os anéis sincronizaram com o “ritmo” captado.


A sala respondeu como se algo grandioso estivesse sendo extraído.


Mas Samuel permanecia intacto.


Estável.


Inteiro.


Ele abriu os olhos devagar.


— Está funcionando? — perguntou.


Os anéis dispararam para um novo ritmo.


Mais rápido.


Mais intenso.


A luz continuava correndo pelos braços de Samuel.


Convincente.


Constante.


Ele respirou fundo outra vez.


Mais devagar agora.


— Olha pra mim — ele disse.


Não foi ordem.


Foi pedido.


Ela hesitou.


Mas olhou.


Os olhos dela estavam brilhando mais que o normal.


Não de poder.


De tensão.


— Tá doendo? — ela perguntou.


Ele sustentou o olhar.


Uma batida de silêncio.


— Tá.


Ela fechou os olhos por um segundo.


Aquilo doeu mais nela do que nele.


— Eu sinto muito.


— Eu sei.


A resposta veio simples.


Sem acusação.


Sem dramatização.


Os anéis continuaram girando.


Mas Samuel não desviava o foco.


— Você tá fazendo isso porque quer proteger todo mundo.


Ela assentiu de leve.


— Eu não aguento mais assistir. Eu sempre calculo, sempre espero o momento ideal… e quando eu hesito, a conta vem depois. Eu não posso errar de novo.


Ele respirou, como se cada palavra exigisse esforço.


— Pensar nos outros nunca foi erro.


A luz subiu um pouco.


Ela apertou os dedos, inquieta.


— Então por que parece errado?


Ele demorou a responder.


— Porque você não age só com lógica.


Silêncio.


A sala parecia distante.


Só os dois existiam ali.


— Você não tá fazendo isso por poder — ele continuou. — Tá fazendo por medo de perder.


Ela travou.


— Eu não tenho medo.


Ele quase sorriu.


Quase.


— Tem.


A vibração aumentou.


A torre respondeu ao aumento do fluxo.


Mas ali, no centro, o tempo parecia desacelerado.


— Você já pensou — ele disse com cuidado — que pode existir outro jeito?


— Eu já rodei milhares de cenários.


— Cenário não é escolha. É previsão.


Ela respirou mais rápido.


— Eu não posso apostar na esperança.


— Não é aposta.


Ele manteve o tom calmo.


Mesmo preso.


Mesmo sendo drenado.


— É confiar que você não precisa carregar isso sozinha.


Ela desviou o olhar por um instante.


O brilho nas junções oscilou.


— Se eu parar ou continuar... todos correm risco.


Os anéis não diminuíram.


A luz não cessou.


Mas algo na expressão dela mudou.


Não era dúvida completa.


Era conflito real.


— Eu tô tentando fazer o certo — ela murmurou.


— Eu sei.


Ele respondeu sem hesitar.


— E eu não tô aqui pra te impedir de pensar nos outros.


Ela voltou a olhar para ele.


Os olhos menos rígidos agora.


— Então por que você não tá lutando?


Ele respirou fundo.


A luz ainda correndo pelos braços.


— Porque eu confio em você.


Aquilo a atingiu mais forte que qualquer resistência teria atingido.


— Isso não sai da minha cabeça — ela disse.


— Eu tento ignorar… mas sempre volta.


Samuel a observava com atenção total.


— Como se eu já soubesse que tudo dá errado se eu não fizer.


Mas a voz dela estava menor agora.


Mais humana.


— Eu tô falando com você e ainda está aqui. — Ela tocou a própria têmpora. — Não para.


Sem estrutura.


Sem precisão técnica.


Samuel respirou fundo.


— Você tem certeza que é você que quer isso?


Ela demorou a responder.


— Não.


Foi quase inaudível.


— Eu sinto que é o único caminho seguro.


Mas ele manteve o olhar firme


— Se eu parar agora, essa ideia não vai desaparecer. — A voz dela tremeu pela primeira vez. — Vou continuar vendo. Calculando. Sentindo que deixei passar a única chance.


Samuel assentiu de leve.


— Então isso não é sobre mim.


Ela franziu a testa.


— É.


— Não. — Ele sustentou o tom. — É sobre você não conseguir mais viver com essa dúvida.


Aquilo a atingiu.


Silêncio.


O brilho nas junções falhou por um segundo.


— Eu não quero ser a razão da próxima queda — disse ela.


— E eu não quero ser a razão da sua.


— Você confia em mim?


— Sim.


— Então confia que, se existir outro caminho… a gente encontra.


— E se não existir?


— Então a gente encara junto.


⚡──────🌟──────⚡



Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.