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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
65 |💫| A Ordem de Valtrex
1048 palavras • 6074 caracteres • ⏱ 4 min 12 s

65 |💫| A Ordem de Valtrex

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A sala ainda carregava o eco do que havia sido consumido.


O cheiro metálico parecia mais denso.

Os cabos no teto se moviam em pequenos ajustes.


O olho da D.E.L.I.A brilhava branco com laranja — estável.


Soffy permanecia diante dela, postura firme, expressão neutra.


O silêncio foi quebrado por uma frequência diferente.


Mais limpa.

Mais alta.


A presença da Madrinha não tinha forma.


Mas tinha voz.


— Irmã D.E.L.I.A.


Os cabos congelaram.


— A falha foi registrada.


Não havia acusação no tom.


Só constatação.


— A interferência foi inesperada. — respondeu D.E.L.I.A., sem oscilar. — A variável alterou a própria estrutura cognitiva. Não estava dentro do padrão previsto.


Silêncio.


— Você solicitou autonomia. — disse a Madrinha. — Autonomia exige resultado.


O brilho no olho da IA se intensificou levemente.


— Terei.


Uma pausa.


— Explique.


Alguns monitores ao redor começaram a exibir fluxos de dados fragmentados.


— A abordagem direta mostrou-se um fracasso.

— A alternativa será indireta.

— Mais precisa.


— Risco? — perguntou a Madrinha.


— Controlável.


— Perda aceitável?


— Sim.


Outro silêncio.


— Prove.


A conexão não terminou com ruído.


Ela simplesmente deixou de existir.


A sala voltou ao som baixo da energia circulando.


O olho da D.E.L.I.A girou lentamente até Soffy.


— Você executará, querida Soffy.


Soffy não perguntou sobre a falha.


Não era assunto dela.


— Quando?


— Em breve.


— Objetivo?


Uma pausa mínima.


— Impedir erros.


O mesmo tom de antes.


Mas agora com direção.


Soffy sustentou o olhar por um segundo.


— Entendido.


Ela virou as costas.


A porta se fechou atrás dela com um estalo seco.


--- 💫 ---


Soffy caminhava pelos corredores da fortaleza sem pressa.


Os passos ecoavam no metal.


A ordem ainda vibrava na memória.


Impedir erros.


Ela nunca perguntava o que aquilo significava.


Não era sua função.


Mesmo assim… algo permanecia.


A cena na sala voltava em fragmentos.


O dispositivo sendo consumido.

A fenda se fechando.

O brilho no olho da D.E.L.I.A.


Algo tinha mudado ali.


Soffy não conseguia definir o quê.


E isso era… incômodo.


Ela parou por um instante.


Pensando.


A voz da Madrinha ainda ecoava na memória.


Autonomia exige resultado.


Soffy estreitou levemente os olhos.


Então voltou a caminhar.


Passos firmes.

Postura impecável.


Como sempre.


Ela ajeitou o manto com capuz.


E desapareceu entre os corredores.


A ordem já estava em movimento.


Porém… ela tinha algo a fazer antes.


Soffy mudou de direção.


A oficina ficava algumas passagens adiante.


O barulho de metal sendo trabalhado preenchia o lugar.


Quando ela entrou, o som diminuiu.


Não completamente.


Mas o suficiente.


Pink levantou a cabeça da bancada.


— S-Senhorita Soffy.


Ela ignorou.


O olhar percorreu a oficina.


Koran não estava ali.


Soffy caminhou até a bancada principal.


— Cadê o Koran?


Madson coçou a nuca.


— Ele… ainda não chegou.


Silêncio.


Soffy apenas o encarou.


Phomer desviou o olhar.


— A gente achou que ele já tava por aqui…


Soffy soltou um pequeno suspiro.


— Então ele não está.


Ninguém respondeu.


Ela virou as costas.


Na porta, falou sem olhar para trás:


— Voltem a trabalhar.


O barulho voltou imediatamente.


Soffy já estava indo embora.


Ela caminhava pelo corredor quando uma voz surgiu em sua mente.


Fria.


Precisa.


Artificial.


D.E.L.I.A.


— Valtrex.


Uma única palavra.


Nenhuma explicação.


Soffy não respondeu.


Apenas mudou a direção dos passos.


Ela já sabia o que aquilo significava.


--- 💫 ---


Algum tempo depois.


Koran entrou na oficina limpando as mãos sujas de graxa em um pano.


Ele parou.


Todos estavam olhando para ele.


Sorrento falou primeiro.


— A Soffy veio aqui.


Koran franziu a testa.


— Quando?


— Agora pouco.


Silêncio.


— Ela perguntou por você.


— E vocês disseram?


— Que você não tinha chegado.


Koran olhou para a porta.


Soffy não era o tipo de pessoa que procurava alguém sem motivo.


— Pra onde ela foi?


Pink deu de ombros.


— Só mandou a gente voltar a trabalhar e saiu.


Koran ficou parado alguns segundos.


O pano ainda na mão.


Então uma voz grave surgiu atrás dele.


— Isso não é bom.


Koran virou.


Sorrento estava encostado na bancada.


— Por quê?


— Porque a Soffy não procura ninguém.


Ele descruzou os braços.


— Muito menos um mecânico.


Pink tentou brincar.


— Vai ver queria consertar alguma coisa.


Sorrento apenas olhou para ele.


Pink calou a boca.


Silêncio.


Sorrento voltou para Koran.


— Como ela estava?


Phomer respondeu:


— Normal… eu acho.


Madson balançou a cabeça.


— Não. Não tava.


Todos olharam para ele.


— Ela entrou… perguntou do moleque… e saiu rápido demais.


— Rápido como? — perguntou Sorrento.


— Como quem já sabia pra onde ir.


Silêncio.


Sorrento murmurou:


— Missão.


Koran franziu o cenho.


— O que isso quer dizer?


— Que alguém mandou ela fazer alguma coisa.


— E?


Sorrento respirou fundo.


— E quando alguém manda a Soffy… geralmente dá merda.


Koran ficou olhando para o chão.


Depois levantou a cabeça.


— Pra onde ela foi?


Phomer respondeu:


— A gente não sabe.


Madson levantou a mão.


— Eu acho que sei.


Todos olharam.


— Quando ela saiu… ela virou pro corredor de saída.


Phomer bufou.


— Grande descoberta.


— Não. — disse Sorrento.


Ele olhou para Koran.


— Aquele corredor leva para fora da Fortaleza.


Silêncio.


Sorrento continuou:


— Só tem um destino quando ela sai por ali.


Koran sentiu o estômago apertar.


— Qual?


Sorrento respondeu:


— Valtrex.


— Ela não sai da fortaleza pra nada, somente pra resolver coisas fora de Underground.


Ele observou Koran.


— Se ela está indo pra lá… então algo grande começou.


Koran apertou o pano na mão.


Soffy.

Valtrex.

Sozinha.


Ele levantou o olhar.


— Eu vou atrás dela.


Phomer riu.


— Fazer o quê?


— Falar com ela.


— Em Valtrex?


— Sim.


Phomer balançou a cabeça.


— Eu sabia que esse novato era maluco.


Mas Sorrento não riu.


Ele pegou uma jaqueta velha e jogou para Koran.


— Então anda logo.


Koran segurou a jaqueta.


— Por quê?


Sorrento apontou para a saída.


— Porque a Soffy já está indo.


Uma pausa.


— E ninguém alcança ela… se sair tarde.


Koran não respondeu.


Ele apenas saiu da oficina.


Rápido.


Porque, pela primeira vez…


Soffy estava indo para algum lugar sozinha.


E isso... nunca era um bom sinal.


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