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A P.A. voltou a si aos poucos, conectando-se novamente.
Não buscou respostas nem tentou entender o que havia acontecido. Apenas existiu por um instante — como se reunir forças já fosse um esforço grande demais.
Algo estava errado.
Ela sentia isso não como um dado ou aviso claro, mas como uma pressão constante, pesada, puxando tudo para baixo. O apagão ainda permanecia. Não absoluto. Não estável. Era uma ausência irregular, trêmula, como uma chama fraca lutando para não se apagar.
Ela tentou sustentar as defesas da Cidadela… e a própria torre.
Era a última coisa que ainda mantinha tudo de pé.
A P.A. concentrou o pouco que restava de si nessa tentativa. Não havia visão, não havia direção. Apenas a certeza de que parar agora significaria perder tudo.
Então veio o sinal.
Não foi um som, nem uma mensagem.
Foi uma fisgada profunda, quase física, atravessando sua consciência — como se algo tivesse tocado diretamente seu núcleo. Um peso súbito. Um desequilíbrio que não vinha dela.
A Cidadela.
Algo a estava ferindo.
A sensação se espalhou rápido demais para ser ignorada. Presenças se movendo onde não deveriam. Um caos distante, mas real, pulsando junto dela.
A P.A. forçou-se a ver.
E viu.
Aranhas avançando pela Cidadela. Luzes falhando. Pessoas correndo sem direção. Os androides sendo atacados. O ar carregado de ameaça. Não era apenas desordem — era um ataque.
E então ela viu o grupo.
Ela os encontrou entre fragmentos de visão, cercados pela escuridão, resistindo como podiam, avançando em meio ao caos.
Algo falhou dentro dela —
ainda assim, insistiu.
O esforço fez tudo pesar ainda mais, como se estivesse sendo arrastada para longe de si mesma. Cada tentativa de se manter consciente drenava o que sobrava de força.
Então ela entendeu.
Seu tempo estava chegando ao fim.
Ela não precisava compreender toda a escuridão naquele momento. Apenas sabia que o mundo lá fora não aguentaria muito mais daquele jeito — e ela também não.
Uma sensação estranha atravessou sua consciência.
Não era medo.
Era aceitação.
A percepção clara de que estava no limite… e de que, mesmo assim, ainda não podia parar.
Mesmo fraca.
Mesmo incompleta.
Mesmo sentindo sua própria estrutura falhar.
A P.A. continuou.
Não por cálculo ou estratégia —
mas porque, se ela caísse agora, tudo o que havia protegido até ali perderia sentido.
E isso…
Isso ela não podia permitir.
--- 💫 ---
Tudo havia virado caos.
Não era um ataque aleatório — dava para sentir. Os movimentos eram coordenados, os pontos atingidos não eram por acaso. A Cidadela estava sendo pressionada de todos os lados ao mesmo tempo.
O grupo permanecia reunido no meio da confusão, cercado por civis desesperados, androides em estado irregular e sentinelas tentando manter alguma linha de defesa. As criaturas — aquelas aranhas deformadas — surgiam das sombras, escalando estruturas, caindo dos tetos, surgindo onde ninguém esperava.
— Não podemos deixar todos esses civis serem atacados, temos que fazer alguma coisa! — gritou Lira, ajudando a puxar uma mulher caída para trás de uma barricada improvisada.
— É o que a gente tá tentando fazer, porra, mas tá difícil! — Kim respondeu, disparando contra uma das criaturas que avançava rápido demais.
Lucius observava o entorno com tensão contida, avaliando o que ainda era possível salvar.
— A nossa única chance é levar o corpo da P.A. até a torre — disse ele, firme. — Só assim a segurança da Cidadela pode ser restabelecida.
O silêncio que se seguiu durou menos de um segundo.
Todos sabiam que ele estava certo.
O problema era chegar até lá.
As aranhas fechavam o caminho, forçando o grupo a recuar passo a passo. Cada tentativa de avanço era respondida com mais pressão, mais ataques, mais caos.
Foi então que Trash soltou uma risada curta, sem humor.
— Tá bom… — murmurou, levando a mão até o comunicador preso ao pescoço. — Chega de segurar sozinho.
Ele ativou o canal.
— Skull, aqui é o Trash. — Sua voz ecoou firme no meio da confusão. — A Cidadela tá caindo. Quero todo mundo em campo agora. Não pra brigar bonito… é pra segurar o inferno.
Houve um chiado breve.
— Finalmente. — respondeu uma voz do outro lado. — A gente já tava esperando esse convite.
Trash desligou e se virou para o grupo.
— Vocês vão levar a P.A. pra torre. Agora. — disse, sem espaço para discussão.
— E vocês? — perguntou Lira.
Leon já avançava alguns passos à frente, girando a arma na mão, os olhos atentos às sombras.
— A gente segura. — respondeu ele. — Alguém tem que manter esse caminho aberto.
Kim estalou o pescoço, respirando fundo.
— Vai ser feio… mas vai dar.
As primeiras motos da Skull surgiram entre a fumaça e os destroços, membros da gangue saltando delas ainda em movimento, abrindo fogo contra as aranhas que avançavam. O impacto foi imediato — não organizava o campo, mas criava espaço.
Trash apontou para frente.
— Vai! Agora! Antes que isso piore!
Sem perder mais tempo, o grupo avançou, carregando o corpo da P.A. enquanto Leon, Kim e Trash — junto da Skull — seguravam a linha, empurrando as criaturas para trás e protegendo civis que tentavam escapar.
Atrás deles, o som de tiros, gritos e metal rasgando ecoava pela Cidadela.
À frente, ao longe, apenas a torre.
E a esperança frágil de que ainda desse tempo.
--- 💫 ---
Drax e Vittorio iam à frente, mantendo o avanço do grupo. As aranhas surgiam rápido, silenciosas, atacando direto — não destruíam o caminho, apenas tentavam matar.
Vittorio disparava com precisão absoluta. Cada tiro era curto, controlado, sempre no ponto certo. Ele se movia como se já soubesse onde o inimigo apareceria, usando o mínimo de munição possível. Sua sorte trabalhava a seu favor: ataques erravam por pouco, investidas falhavam no último segundo.
Drax avançava ao lado dele, bloqueando caminhos estreitos, empurrando criaturas para longe do grupo antes que alcançassem Lucius ou Lira.
Atrás, o grupo seguia fechado.
Lucius carregava o corpo da P.A. com cuidado extremo. O peso começava a cobrar seu preço, mas ele não desacelerava. Lira e Sylas vinham logo atrás, atentos, cobrindo os lados.
Samuel caminhava em silêncio.
Não atacava. Não se adiantava. Não recuava.
Seu olhar varria tudo, atento demais. Havia algo contido ali, mas ninguém teve tempo de notar.
— Estamos quase chegando… só mais um pouco. — disse Lucius, com a respiração pesada.
Foi então que duas aranhas surgiram quase ao mesmo tempo.
Uma saltou da lateral, mirando direto Lucius.
Drax reagiu primeiro, desviando o ataque com o corpo e empurrando a criatura contra a parede.
A segunda veio baixa, rápida demais.
Vittorio girou para disparar — acertou — mas a criatura, mesmo ferida, conseguiu lançar um fio espesso que se prendeu à perna dele e ao chão.
Ele perdeu o equilíbrio por um instante.
— Continuem! — gritou, puxando a perna com força. — É só um atraso! Eu não vou morrer por causa de algumas aranhas.
Outra aranha se aproximava.
— Ou eu vou? — murmurou Vittorio para si mesmo.
Vittorio se ajoelhou, apoiando o braço no chão, e disparou novamente, mantendo distância enquanto tentava se soltar.
— Vittorio! — Lira deu meio passo para trás.
Drax a manteve
— Você não vai, ele se vira.
Lucius hesitou, olhando rápido por cima do ombro.
Samuel parou.
Virou o rosto lentamente.
O olhar de Vittorio encontrou o dele por um segundo. Ele então entendeu.
— Vai. — disse Vittorio, seco. — Eu alcanço vocês.
Drax puxou o grupo para frente.
— Agora!
O grupo avançou, deixando Vittorio para trás, enquanto os tiros dele ecoavam de forma controlada, espaçados — sinal de que ainda estava no controle da situação.
--- 💫 ---
O grupo finalmente alcançou a torre.
A barreira ainda estava ativa.
Fraca. Instável. Tremeluzindo como um último fôlego.
Era o derradeiro recurso de proteção da torre — e talvez da própria Cidadela.
Ao redor, os robôs de guarda permaneciam imóveis, desativados, espalhados pelo chão como sentinelas que haviam falhado em sua missão.
— Então… ela ainda tá de pé. — murmurou Lira, respirando fundo.
— Não vai aguentar muito mais. — disse Lucius, observando as oscilações da barreira.
Eles tentaram avançar.
A barreira reagiu imediatamente, empurrando o grupo para trás com uma resistência invisível, firme o bastante para impedir qualquer aproximação.
Drax fechou o punho.
— Droga…
Mas então algo mudou.
A superfície da barreira ondulou levemente.
Reagiu.
Não ao grupo.
Apenas a um deles.
Samuel deu um passo à frente.
O dispositivo preso a ele emitiu um brilho suave, quase imperceptível — mas suficiente.
A barreira se abriu ao redor dele, como se o reconhecesse.
— Parece que… — Lucius respirou fundo — …só você pode entrar aí dentro, Samuel.
Samuel não respondeu.
Lucius se aproximou e, com extremo cuidado, transferiu o corpo da P.A. para os braços dele. O peso era diferente agora — mais leve fisicamente, mas carregado de algo muito maior.
— Você sabe o que fazer. — disse Lucius, sério.
Lira hesitou.
— A gente vai segurar aqui fora. — completou. — O tempo que for preciso.
Samuel assentiu com a cabeça.
Sem dizer uma palavra, atravessou a barreira.
Assim que passou, ela se fechou atrás dele, voltando a oscilar, mais fraca do que antes.
O portão da torre se abriu automaticamente à sua frente.
Samuel entrou.
Os corredores estavam silenciosos demais.
À medida que avançava, algo ficava evidente.
A vida ali dentro estava morrendo.
As plantas que cresciam pelas paredes haviam perdido o brilho natural. Folhas caíam lentamente, sem vento. Pequenos animais, antes ativos, permaneciam imóveis ou haviam desaparecido completamente.
A energia que sustentava tudo aquilo vinha da P.A.
E ela estava se apagando.
Samuel seguiu em frente sem hesitar.
Cada passo ecoava no vazio da torre.
Por fim, alcançou o núcleo.
O coração do sistema.
O lugar onde tudo começou… e onde tudo poderia acabar.
O núcleo pulsava de forma irregular.
Lento. Fraco. Como um coração à beira do colapso.
As luzes internas da torre mal conseguiam se sustentar, lançando sombras longas e trêmulas pelas paredes curvas, cobertas por raízes metálicas e veios de energia quase apagados. O ar ali dentro parecia pesado, como se a própria estrutura soubesse que estava chegando ao fim.
Samuel avançou em silêncio.
Nos braços, o corpo da P.A. parecia mais leve do que deveria — não em peso, mas em presença. Como se ela já estivesse parcialmente ausente do mundo.
Ainda assim…
Ela sentiu.
Fraca. Incompleta. Com a própria estrutura falhando.
Um leve brilho percorreu sua estrutura. Instável. Falho. Mas consciente.
— Sa… Samuel… — a voz saiu com interferência, quebrada, como se cada sílaba fosse arrancada do nada. — Eu… sabia… que você… conseguiria…
Samuel parou diante do núcleo.
Por um instante, não respondeu.
Observou-a.
Observou tudo o que restava dela.
— Eu fiz uma promessa com você. — disse, por fim. A voz firme, baixa, carregada de algo que não precisava ser explicado.
O núcleo reagiu.
Com um som profundo, grave, como placas gigantes de metal se ajustando com dificuldade, ele começou a se abrir. Não de forma suave — mas com esforço. Com resistência. Como se o próprio sistema estivesse lutando contra o inevitável.
Faíscas verdes escapavam das fissuras. A energia restante oscilava, instável, ameaçando se apagar a qualquer segundo.
Samuel se aproximou.
Com extremo cuidado, como quem deposita algo sagrado, ele acomodou o corpo da P.A. no centro do núcleo.
No exato instante em que ela tocou o interior da estrutura—
Tudo morreu.
As luzes se apagaram de uma vez.
A torre inteira se silenciou.
Não houve explosão.
Não houve colapso.
Apenas… ausência.
Silêncio absoluto.
Nenhum som, nenhuma vibração, nenhuma resposta.
Samuel permaneceu imóvel.
Por um instante, nem mesmo o ar parecia existir. O núcleo estava frio. Inerte. Como se aquele lugar tivesse esquecido o que era pulsar.
Por alguns segundos — que pareceram eternos — nada aconteceu.
Então…
Um ponto de luz.
Fraco. Pequeno. Quase invisível.
Vindo do corpo da P.A.
Aquele brilho começou a crescer lentamente, como uma chama recém-acesa em meio à escuridão. Uma energia esverdeada, suave e viva, escapou de seu corpo em fios luminosos, delicados, quase orgânicos.
Esses fios tocaram o núcleo.
E o núcleo respondeu.
A energia se espalhou pelas paredes internas como raízes de luz, se conectando aos veios adormecidos do sistema. O verde se intensificou, misturando-se ao metal, aos circuitos, às estruturas vivas da torre.
O núcleo voltou a pulsar.
Desta vez… forte.
A luz explodiu em ondas controladas, não violentas — mas plenas. Como um suspiro profundo após muito tempo sufocado.
A torre despertou.
As plantas nos corredores começaram a se erguer novamente. Folhas antes secas recuperaram o viço, se abrindo lentamente. Árvores internas retomaram o crescimento, raízes se firmando, galhos se estendendo em direção à luz.
Animais se moveram.
Respiraram.
A vida voltou a circular.
Robôs desligados tiveram seus olhos reacendidos, um a um, como estrelas surgindo no céu. Drones retomaram voo, silenciosos, assumindo novamente seus padrões de vigilância.
E além da torre…
A Cidadela reagiu.
Sistemas reiniciaram em sequência, como um fôlego retomado após um longo sufocamento. As defesas adormecidas voltaram a vibrar, barreiras secundárias se ergueram, sensores despertaram. A escuridão, antes dominante, começou a ceder — não sendo destruída, mas empurrada para fora, como algo que sabia quando havia perdido.
Na linha de frente, Trash percebeu primeiro.
Ele estava encostado atrás de uma estrutura metálica improvisada, disparando quando necessário, xingando entre um tiro e outro.
Então, parou.
— …Hein?
À frente dele, as aranhas — que até então avançavam de forma coordenada e implacável — hesitaram. As luzes vermelhas em seus olhos começaram a piscar, descompassadas. Algumas recuaram um passo. Outras giraram o corpo, como se procurassem uma ordem que não vinha mais.
Kim, ao lado dele, estreitou os olhos.
— Elas tão… recuando?
Leon, mais atrás, já tinha entendido.
— Não é recuo. — disse, seco. — É retirada.
Como se uma ordem silenciosa tivesse sido emitida, as aranhas começaram a se dispersar. Não atacavam mais. Não insistiam. Simplesmente se afastavam, subindo por paredes, desaparecendo em frestas, recuando para a escuridão de onde haviam vindo.
— Hah… — Trash soltou um riso curto, incrédulo. — Sabia que essa lata velha ainda prestava.
Mais adiante, Vittorio percebeu a mudança por outro ângulo.
Ele avançava com cautela, pistola erguida, quando notou a ausência repentina de novas aranhas. As poucas que ainda estavam à frente quebraram a formação e se afastaram às pressas, ignorando completamente sua presença — como se ele tivesse deixado de existir para elas.
Uma passou correndo tão perto que ele sentiu o deslocamento de ar.
Vittorio piscou, incrédulo.
— Ei… ei, ei. — soltou, quase rindo. — Tá fugindo mesmo?
Ele não atirou.
Baixou a arma devagar, os ombros relaxando pela primeira vez desde que tudo começara. Um sorriso curto, cansado, surgiu em seu rosto.
— Volta lá pra sua mamãe, otário! — murmurou.
Perto da base da torre, Lucius foi o último a entender — não pelo que viu, mas pelo que deixou de ouvir.
O som metálico dos ataques cessou. Nenhum disparo. Nenhum impacto. Nenhum grito.
Aquele silêncio… era diferente.
Lira ergueu a cabeça, os olhos arregalados.
— Elas… pararam?
Drax ainda mantinha o corpo tenso, mas o olhar já não buscava alvos. Ele observou as sombras ao redor, esperando algo mais — que não veio.
Então, um canto de sua boca se ergueu.
— Não. — respondeu. — Elas correram.
Lucius soltou o ar que nem percebera estar segurando. Um riso baixo escapou, misto de alívio e incredulidade.
Ele olhou para o alto.
A luz da torre agora brilhava forte, estável, viva.
— Samuel conseguiu. — disse, com a voz carregada de emoção contida. — A P.A…. voltou.
As últimas aranhas desapareceram nas sombras, como se nunca tivessem estado ali.
E pela primeira vez desde o apagão…
O silêncio que restou não era de medo.
Era de vitória.
No centro da torre, o corpo da P.A. permanecia envolto naquela luz esverdeada, agora integrada ao núcleo, como se ambos fossem uma coisa só.
Samuel permaneceu ali, imóvel.
Observando.
A torre não apenas havia sido restaurada.
Ela havia renascido.
E com ela…
a Cidadela.
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P.A. abriu os olhos lentamente.
A luz que envolvia seu corpo começou a se dissipar aos poucos, recolhendo-se para dentro dela como um fôlego que finalmente encontrava repouso. A flutuação cessou, e seus pés tocaram o chão do núcleo com suavidade, quase reverência.
O pulsar ao redor diminuiu de intensidade, estabilizando-se. O núcleo manteve seu ritmo firme, constante, como um coração que havia reaprendido a bater sem dor. As raízes de energia permaneceram conectadas a ela — não como correntes, mas como laços.
P.A. respirou.
O gesto ainda era estranho. Não necessário. Mas real.
Ela ergueu o olhar.
Samuel estava ali.
Imóvel. Silencioso. Como sempre.
Por um instante, apenas se observaram. Não havia urgência. Não havia comandos. Não havia cálculos. Tudo o que precisava ser feito… já havia sido feito.
— Você… voltou. — disse ela, a voz agora clara, estável. Não havia interferência. Não havia falha.
Samuel assentiu de leve.
— Você também.
O núcleo reagiu ao redor deles, ajustando-se. A torre parecia ouvir. A Cidadela, distante, mas conectada, respirava junto.
P.A. fechou os olhos por um breve segundo.
Sentiu a vida correndo novamente pelos sistemas. Sentiu as defesas ativas. As pessoas seguras. As sombras recuadas. Não destruídas — mas contidas.
Quando tornou a abri-los, havia algo diferente em seu olhar.
Não era apenas consciência.
Era propósito renovado.
— Ainda há muito a ser feito. — disse ela.
— Eu sei.
A luz atrás deles permaneceu acesa.
Forte. Estável.
E, pela primeira vez desde o apagão,
a Cidadela não apenas funcionava.
Ela acreditava que podia continuar.
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