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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
55 |💫| Uma Lenda Viva
1782 palavras • 10072 caracteres • ⏱ 7 min 08 s

55 |💫| Uma Lenda Viva

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Leon e Drax caminhavam pelo corredor estreito até a sala dos lutadores. O som abafado de conversas, risadas agressivas e batidas metálicas ecoava lá de dentro. Alguns daqueles homens já conheciam Leon, mas ele mantinha os olhos baixos, evitando qualquer contato. O peso que carregava não vinha de medo nem de nervosismo; era algo mais fundo, uma sombra que o consumia por dentro.


— Tá perdido aí, é? — Drax quebrou o silêncio, a voz firme, quase debochada.


Leon parou por um instante e respondeu sem olhar para ele:

— Eu não tenho medo. Já falei isso.


— Vai começar de novo com essa história de passado, é? — Drax resmungou, revirando os olhos.


Leon se virou de repente, a tensão estampada em cada gesto.


— Você quer que eu faça o quê, Drax?

Leon desviou o olhar, os ombros rígidos, como se o próprio corpo recusasse aquele lugar.


Drax respirou fundo, contendo a irritação.

— Escuta… nós não estamos aqui só pra ver sangue. — Ele apontou para a arena. — Se encontrarmos o corpo da P.A., talvez ainda dê pra salvá-lo.


Leon demorou um segundo a mais do que o normal para responder. A mão fechou com força na empunhadura da Tomura.


— Se não quiser lutar... foda-se também. — Drax completou, sério. — A gente arruma outro jeito. Mas não fica que nem um merda se lamentando sobre o passado, Leon. Isso não vai mudar nada.


Por um instante, o silêncio pairou entre eles. Mas então, através da máscara, um brilho discreto surgiu nos olhos de Leon. Não era medo, nem dúvida. Era determinação.


— Nós vamos vencer essa porra. — disse, firme.


Drax abriu um meio sorriso.

— É isso que eu queria ouvir.


Os dois estenderam as mãos, apertando-as com força, como um pacto silencioso entre irmãos. Ali, naquele aperto, não havia apenas promessa de vitória — havia dor, fúria e a esperança frágil de que, em meio àquele caos, ainda valia a pena lutar.


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A multidão rugia como uma fera insaciável, urrando por sangue. O ar estava espesso, carregado com o cheiro de suor, ferrugem, fumaça das tochas presas nas colunas e o ferro cru do sangue seco que impregnava o chão. Cada grito ecoava pelas paredes como um chamado ancestral, clamando por violência.


— Parece que eles estão bastante animados. — murmurou Leon, a voz abafada pela máscara. — Nunca ouvi tanta intensidade assim. Eu sinto... que tem algo errado nisso.


Ele e Drax permaneciam lado a lado, imóveis, apenas esperando. O chão sob seus pés tremia com os tambores metálicos, um som grave, repetitivo, que soava como o coração da arena.


— Está chegando nossa vez. — completou Leon, olhando em frente.


Drax baixou os olhos e notou uma poça escorrendo até seus pés. Sangue fresco.

— Sangue? De onde essa porra tá vindo?


Leon apontou com o queixo. No canto, quase oculto pela sombra, jazia um corpo abandonado, o sangue ainda se espalhando em filetes pelo piso irregular.


— Embora a luta não seja “até a morte”, isso não significa que alguns não acabem mortos no processo. — disse Leon com frieza.


— Hm. — Drax apenas soltou um som baixo, a mandíbula cerrada.


Um estrondo metálico cortou o ar. O portão principal se abriu lentamente, e uma luz ofuscante atravessou o corredor escuro. Dois homens surgiram dali, arrastando os pés. Cada passo ecoava contra o ferro do chão, pesado, quase fúnebre, como se estivessem trazendo consigo uma sentença.


Seus corpos contavam a história da luta anterior. Um deles mal conseguia manter-se de pé; tinha o rosto coberto por hematomas, os olhos quase fechados pelo inchaço, o nariz quebrado escorrendo sangue. O outro mancava, com cortes profundos nos braços e no peito, a pele marcada por mordidas e arranhões, como se tivesse sido dilacerada. Ambos tremiam de exaustão, respirando como animais feridos.


Leon observou a arena. Do outro lado, largados no chão como bonecos quebrados, estavam os corpos da dupla que eles haviam derrotado. Sangue escorria das bocas abertas, os olhos fixos no nada. Não havia plateia lamentando. Só mais um espetáculo terminado.


— Se só tem dois voltando... — disse Drax, a voz grave.


— Sim. — respondeu Leon. — A outra dupla morreu aqui dentro.


Silêncio. O peso da arena se fez sentir como uma corrente invisível. Leon deixou escapar um suspiro.

— É um fim triste... mas ninguém é obrigado a estar aqui. — ele murmurou, quase para si mesmo. — No passado, eu queria ter tido a mesma concepção que tenho hoje.


Drax virou o rosto para ele, mas não disse nada. Aquele não era lugar para arrependimentos.


Leon ergueu o olhar novamente para o portão ainda aberto. O som dos tambores recomeçou, mais forte, mais rápido, o ritmo acelerando os batimentos no peito dos que aguardavam.


— Mas, mudando de assunto... — disse ele, sério. — Os próximos somos nós. É melhor se preparar. Algo grande está vindo.


Enquanto conversavam, dois pares de olhos os observavam a espreita. A sombra da arquibancada parecia respirar junto com a multidão.


— É, é o Cirurgião mesmo. Bem que o Coach disse. — um sussurro, carregado de incredulidade.


— Ele não tinha se aposentado? — outro respondeu, a voz cortando o ar como lâmina.


— Que nada, ele sumiu. Meteu o pé e nunca mais apareceu. — o tom tinha veneno de quem acreditava em finais definitivos.


— Então ele tá pensando que é só sumir e aparecer assim e tá tudo bem? — o primeiro rosnou, apertando os punhos. — Vamos mostrar pra ele a última luta da vida dele.


Os olhos se voltaram para os dois caras que haviam desafiado Drax. Um aceno sutil, quase ritual, e os dois se prepararam, músculos rígidos, prontos para se levantar. Mas antes que alguém pudesse se mover, a cena mudou.


Ela surgiu como um trovão contido — uma mulher que andava como se o mundo fosse seu ringue. Usava óculos escuros que escondiam qualquer fraqueza; os óculos refletiam a arena inteira, transformando a luz em lâminas. O corpo era denso de poder: ombros largos, braços que lembravam correntes de metal, e uma postura que fazia até o ar recuar. Suas roupas eram brutais por design: couro surrado cobria o torso, tiras e fivelas marcavam uma estética de combate; botas pesadas deixavam marcas no cimento; e algo peculiar chamava atenção na sua cintura — um artefato de metal assimétrico, uma espécie de bracelete/gancho que tilintava quando ela andava, como se fosse um alarme particular de sua presença. Tudo nela dizia que não se tratava de um adereço: era uma assinatura.


— Leon!!! — ela gritou, correndo em direção a ele com um abraço armado.


Leon reagiu com a rapidez de quem viveu toda a vida à beira de uma lâmina. Puxou a Tomura — a katana de lâmina escura — e encostou o fio rente ao pescoço dela, um gesto seco.


— Que saudades, querido! — ela disse, sorrindo como se reencontrasse um velho amor.


Sem pressa, ela segurou a ponta da lâmina com a mão descoberta e a dobrou, como se a espada fosse um arame. A platéia prendeu a respiração; Drax recuou, olhos arregalados, não tanto por espanto quanto por reconhecimento da força que ali se manifestava. Dobrar uma katana com a mão era coisa de lenda — e aquela mulher acabara de provar que as lendas respiravam.


— Oi, Datti. — Leon falou, a voz baixa, com um misto de alívio e cautela.


Ela ajeitou a lâmina de Leon com um gesto de condescendência afetiva, deixando claro que conhecia cada curva da Tomura como se fosse sua. Ao se abaixar para ficar na altura deles, seu olhar percorreu Drax e o amigo com um divertimento afiado.


— Assim que eu gosto. Voltou pras lutas? — perguntou, a voz macia impregnada de perigo.


— Assuntos importantes. — Leon respondeu curto, evitando o queixo que queria sorrir.


— Ah, meu deus. Pensei que você tinha se aposentado de vez, ou até mesmo morrido... mas é bom te ver de novo. — Ela fez uma pequena pausa, olhos faiscando. — Quem é esse aí com você?


— Um... amigo. — Leon hesitou, protegido pela sombra que Drax fazia ao seu lado.


— Amigo? Desde quando você tem amigos? — Na minha época você só pensava em matar. — ela sorriu. — E fazia isso muito bem.


Drax sentiu a provocação como se uma faísca tivesse sido atirada em sua direção. Um músculo na mandíbula tencionou.


— PARA! eu não sou mais assim. — Leon deixou escapar, a voz contendo um passado que ele não queria repetir.


— Que pena, então pra que você veio pra arena? — Datti cutucou, inclinando-se, como se estivesse saboreando cada palavra. — Aqui você deveria escolher um parceiro como eu: forte, independente e que sabe mandar em você. Não essa coisa aí.


Drax cerrava os dentes. O insulto queimou, e ele avançou com a resposta pronta no rosto — a expressão feroz de quem não tolera diminuições.


Drax deu um passo à frente, o maxilar travado, os punhos cerrados ao lado do corpo.


— Você, coisa fofa. — Ela respondeu, impassível, sem perder o sorriso.


O estalo entre os dois quase virou violência. Drax deu um passo, ombro contra ombro, a presença ameaçadora. Leon reagiu num reflexo apressado, puxando Drax para longe.


— Chega. — Leon puxou Drax para trás, a voz baixa e firme.


Drax abriu a boca, livrando-se do puxão com um brilho nos olhos que não precisava de palavras.


— Ela é o quê exatamente? — ele murmurou, questionamento mais à sua própria confusão do que a qualquer definição.


Datti riu, um som que parecia quebrar vidro. Ela virou-se como se falasse com velhos conhecidos.


— Desculpa atrapalhar a conversa de vocês dois, mas minha hora já já chega. Se o assunto é pessoal, então fodasse, né mesmo? — murmurou, com desdém. — Aproxima luta, nós iremos ver se você veio aqui pra lutar ou não, Leon... tchauzinho. — E com um aceno teatral, ela começou a se afastar.


Enquanto ela se movia, o artefato metálico em sua cintura tilintou outra vez, uma música curta que ficou ecoando nos ouvidos de quem a conhecia.


Leon apertou a empunhadura da Tomura, o couro rangendo sob os dedos. Depois, soltou devagar. Drax permaneceu imóvel, bruços duros, olhos como feridas ainda não cicatrizadas. O silêncio entre os três pesou mais que o som dos tambores da arena. A iminência da luta pairava, mas algo mais — uma história antiga de sangue, alianças e traições — havia sido reavivada naquele encontro. E ninguém mais acreditava que um simples desaparecimento fosse o fim de nada.


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