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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
43 |💫| Onde a Luz Não Tem Medo de Ficar
2450 palavras • 14129 caracteres • ⏱ 9 min 48 s

43 |💫| Onde a Luz Não Tem Medo de Ficar

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Leon colocou as mãos no bolso e continuou de pé, firme, de frente para o grupo, com um olhar que misturava cansaço, desconfiança e aquela típica indiferença de quem já viu mais coisa do que gostaria. Por trás da máscara preta, apenas os olhos eram visíveis. Fundos. Marcados. Avaliando cada um deles.


— Deixa eu ver se entendi... — sua voz cortou o silêncio com uma frieza direta, sem rodeios, carregada de ironia — Vocês querem o quê? Que eu leve vocês até a gangue Skull?


O tom quase beirava o deboche, mas por trás dele havia uma nítida preocupação... ou talvez só uma avaliação cuidadosa dos riscos.


Lira respirou fundo. Mesmo carregando um traço visível de ansiedade, seu sorriso gentil surgiu no rosto.


— Eu... — ajeitou uma mecha do cabelo atrás da orelha, mantendo aquele olhar que misturava carinho e firmeza — preciso da sua ajuda, Leon. — A voz era suave, mas carregada de uma urgência sincera. — Você conhece esse setor melhor do que qualquer um.


Leon arqueou uma sobrancelha. Um sorriso meio torto, meio irônico, surgiu, quebrando minimamente aquela expressão fria.


— Hm... — balançou a cabeça levemente, cruzando os braços com mais força — Vocês estão se metendo num jogo... perigoso. — Seu tom ficou mais pesado, mais sério — Eles não ligam pra regras, muito menos pra quem vocês são. — Bateu de leve a ponta dos dedos no próprio braço, pensativo. — A Skull... não é só uma gangue. É onde o lixo da cidade fica.


O clima já estava pesado, mas... algo mudou.


De repente, um zumbido agudo percorreu todo o ambiente, vindo das lâmpadas de néon presas ao teto. Um estalo seco, quase metálico, cortou o ar. As luzes começaram a falhar — primeiro uma, depois outra, até que todo o ambiente piscava num ritmo incômodo, como se o próprio lugar estivesse prendendo a respiração.


As lâmpadas piscaram.

Uma. Duas.


E tudo se apagou.


Não era só escuridão.

Era ausência.


Um rolamento distante ecoou.


Clique.


As luzes voltaram, fracas.


Leon soltou um suspiro quase entediado, passando a mão na nuca como quem já estava acostumado.


— É... já até virou costume — murmurou, ajeitando uma das faixas no braço, sem demonstrar surpresa.


Lucius olhou ao redor, instintivamente ajeitando o casaco, os olhos atentos buscando qualquer sinal que pudesse explicar aquilo. Sua voz saiu mais baixa, carregada de tensão:


— Isso... acontece com frequência? — perguntou, cruzando os braços, mas claramente desconfortável.


— Tá rolando faz algumas horas. — Leon respondeu, dando de ombros, como quem fala do clima — Quedas... apagões... esse setor tá... acabado. — Seus olhos, únicos visíveis por trás da máscara, apertaram um pouco mais, olhando pro teto, como se desconfiasse de algo maior. — E quando até a luz começa a falhar... é sinal de que tem coisa pior vindo junto.


Drax, que até então permanecia quieto, bufou pesado. Sua mão apertou levemente e ele desviou o olhar, rangendo os dentes.


Samuel? Samuel só observava. Firme. Imóvel. Como uma rocha no meio do caos. Seu olhar tranquilo e inquebrável não reagia nem à escuridão, nem ao desconforto, nem ao próprio Leon. Era como se, pra ele, a escuridão... já não tivesse mais efeito.


Sylas, o tigre, só se levantou ligeiramente, suas orelhas se movendo de forma inquieta, farejando o ar pesado, atento.


Leon respirou fundo, tirando as mãos do bolso, e voltou a encarar Lira, com aquele olhar que misturava cansaço, desconfiança... e, no fundo, uma ponta de preocupação real.


— Você tem noção... — sua voz veio mais baixa, séria —... do tamanho da encrenca que tá procurando?


Lira respirou fundo, deu um passo à frente, cruzando os braços como quem tentava disfarçar a tensão, e falou, com a voz mais suave, quase um sussurro, mas cheia de sinceridade:

— Eu sei, Leon... eu sei. — Seus olhos, geralmente cheios de leveza, agora carregavam um peso difícil de esconder. — Mas... por favor... Só dessa vez.


Ela desviou o olhar por um segundo, como se buscasse as palavras certas, e voltou a encará-lo, apertando levemente os braços, quase como se aquilo fosse uma forma de segurar o próprio nervosismo.

— Você já me salvou uma vez... — sua voz vacilou um pouco, mais não perdeu a firmeza —... e eu juro... não pediria isso se não fosse sério.


Leon ficou em silêncio. Seu olhar suavizou por um instante, como se algo dentro dele quebrasse, mesmo que ele tentasse esconder. Ele respirou fundo, desviando o olhar pro lado, balançando a cabeça.

— Droga, Lira... — resmungou, baixo, quase pra si mesmo. — Você sabe que eu odeio quando você faz isso.


Leon soltou um suspiro longo, pesado, como quem carrega nas costas mais do que gostaria. Seus ombros relaxaram por um breve segundo, mas sua postura seguia firme, rígida, como se qualquer sinal de fraqueza pudesse ser perigoso naquele mundo.


— Tá... tá. — Sua voz soou mais seca agora, endurecida, mas dava pra perceber que, por trás dela, havia uma entrega disfarçada. — Eu levo vocês. — Passou a mão na nuca, respirando fundo. — Mas deixa uma coisa bem clara... — levantou o olhar, fixando principalmente em Lira — Eu não me meto. Não me enfiem nas tretas de vocês. Eu só... — apertou mais as faixas enroladas no braço, como se aquilo aliviasse algo que só ele entendia —... só mostro o caminho. Só isso.


Seus olhos apertaram levemente atrás da máscara, o tom ficou mais baixo, mais sério... quase sombrio:


— E pra deixar registrado... a Skull... não esquece. Nunca. — Suas palavras carregavam mais que um aviso. Era quase uma sentença. Um lembrete de que, ali, até os passos deixavam cicatrizes.


Leon deu alguns passos, cruzando os braços, olhando o grupo de cima a baixo, avaliando cada detalhe. E, com aquela calma desconfortável dele, soltou:


— Mas... antes de qualquer coisa... — Leon respirou fundo, cruzando os braços, enquanto o olhar dele percorria o grupo, de cima a baixo, avaliando cada detalhe com aquele jeito desconfiado e frio. — Vocês não podem ir assim. — Apontou com um movimento rápido de queixo, primeiro pra Lucius, depois pra Drax... e, então, seus olhos se estreitaram levemente, demorando um segundo a mais quando percebeu — talvez só agora de fato — a presença de Sylas, o tigre, sentado ali como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.


Ele piscou, ligeiramente confuso, inclinando um pouco a cabeça, como quem quisesse confirmar se realmente estava vendo aquilo.


— Isso é um tigre...? — resmungou mais pra si, passando rapidamente a mão na nuca, mas sem se aprofundar no assunto. — Enfim... principalmente você, Lira. — Apontou direto pra ela, o tom ficando mais firme, mais cortante. — Desse jeito... vocês tão basicamente andando com um alvo nas costas. Vão ser mortos antes mesmo de cruzarem a primeira esquina lá dentro.


Lucius arqueou uma sobrancelha, ajeitando de leve a gola do casaco, meio indignado.


— Ué... — soltou, cruzando os braços, lançando um olhar enviesado pra Leon — Eu troquei de roupa não tem nem algumas horas... — bateu de leve nas próprias mangas, ajeitando como quem quisesse valorizar —... e olha que foi por vaidade — Desviou o olhar rapidamente pra Samuel, apontando com o queixo — Inclusive, roupa de presente. — Sorriu de canto, piscando de forma quase provocativa, mas sem perder aquele ar descontraído. — Achei que... sei lá... já tava no padrão “andarilho misterioso”. — Fez aspas no ar.


Drax bufou revirando os olhos como quem já tava perdendo a paciência.


— Fala das nossas roupas... o cara que se veste tão bem... — resmungou, baixo, carregando a voz com aquele peso irônico e amargo que só ele conseguia.


Samuel, que até então permanecia imóvel, lançou um olhar rápido pro lado e, com um movimento sutil, deu uma leve cotovelada no ombro de Drax. Não foi forte — longe disso —, foi mais um toque seco, direto, quase como um lembrete silencioso pra ele se controlar.


Drax virou o rosto de leve, semicerrando os olhos, e soltou no mesmo tom:


— O quê? Eu não menti. — Encolheu os ombros, balançando a cabeça, mas não insistiu. — Fala sério... olha pra ele... — resmungou pra si mesmo, cruzando os braços mais forte.


Leon nem respondeu. Só soltou um suspiro lento, ajeitando o Air Board encostado na parede, como quem já tava acostumado demais com esse tipo de coisa pra perder tempo discutindo.


— Enfim... — balançou a cabeça, voltando a encarar todos — Se querem mesmo andar por onde a Skull habita... vocês precisam parecer parte do problema. — Seus olhos apertaram ainda mais. — Ou... pelo menos... parecer algo que eles não querem mexer.


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Algum tempo depois… o grupo já estava pronto.


As roupas agora carregavam uma nova identidade — alinhadas ao submundo da Cidadela, com um toque tecnológico sutil. Tecidos escuros. Couro gasto. Linhas de néon pulsando como circuitos vivos.


Com um toque no pulso, as roupas se ajustaram.


Em segundos, eles deixaram de parecer visitantes.

Pareciam parte do problema.


— Tá... dá pro gasto. — Leon comentou, jogando o Air Board no ombro. Sua voz, como sempre, carregava aquele tom seco, sarcástico, mas levemente satisfeito. — Bem melhor do que parecerem uns turistas perdidos... prestes a serem assaltados... ou pior.


— E como você conseguiu isso? — questionou Lucius, passando o dedo sobre a linha de neon que cortava a manga, como se ainda não acreditasse que aquilo realmente funcionava.


Leon ajeitou o board no ombro, deu de ombros, e respondeu no tom mais casual — e ao mesmo tempo misterioso — possível:


— Quando você vive tempo o suficiente no fundo do poço... — balançou a cabeça de leve —... aprende que ou você some dos radares... ou vira mais um corpo no chão. — Seus olhos se apertaram, olhando Lucius por trás da máscara. — E sumir... sempre foi uma das poucas coisas que eu sei fazer bem.


Fez uma pausa, depois bateu duas vezes com o indicador no próprio pulso, bem onde ficava o dispositivo.


— Não pergunte quem me vendeu... nem como eu consegui. Acredite... você não quer saber.


Seu tom era meio preguiçoso, meio sério... mas deixava claro que havia história ali. Histórias que talvez fosse melhor nem serem contadas.


Lucius apenas arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.


— Tá. Nem vou perguntar... — sorriu de canto —... mas, admito, é bem estiloso.


Lucius ajeitou a gola da própria jaqueta, alterando o dispositivo no pulso que fez o tecido assumir um padrão mais discreto, com cortes ajustados e detalhes fluorescentes nas costuras. Olhou para o lado e não conseguiu evitar o sorriso.


Lira, com a jaqueta escura que agora brilhava levemente com circuitos em néon azul, ajeitou o cinto com presilhas que cruzava sua cintura. As luvas pretas e o cabelo solto completavam o contraste: mesmo no submundo, ela parecia mais viva e confiante do que nunca.


Lucius mordeu o lábio inferior, meio sem perceber.


— Uau... tá... tá ilegal de bonita assim. — disse, sorrindo meio sem graça, passando a mão na nuca — Sério... acho que a Cidadela ficou pequena pra você agora.


Lira segurou o riso, mas não conteve o sorriso bobo que escapou.


— Você é terrível, sabia? — respondeu, dando um empurrãozinho leve no braço dele — Mas... obrigada.


Os dois riram baixinho, cúmplices, enquanto a tensão da missão parecia desaparecer por um momento.


Leon, olhando o grupo de cima a baixo, parou o olhar em Drax, apertando os olhos por trás da máscara.


— E aí... me responde uma coisa, grandão — a voz dele vinha seca, ácida — Essas tuas roupas aí... — fez um gesto de cima a baixo — são de onde? Roubo malfeito de sentinela... ou é algum cosplay de segurança aposentado?


Drax apertou o punho, cerrando a mandíbula, olhos estreitados, ríspido e raivoso como sempre.


— Foi feito pra mim... — respondeu curto, direto, com o tom firme de quem segura a irritação. — Se tem problema com isso... fala agora.


Leon deu um passo pro lado, ajeitando o Air Board no ombro, despreocupado.


— Hm... não tenho problema, só achei curioso. — desviou o olhar, meio indiferente — Tem cara de quem resolve tudo na base da porrada.


Drax apenas respirou pesado, sem tirar o olhar duro e desconfiado.


Enquanto isso, Lucius observava Samuel, que permanecia parado em um canto, atento aos movimentos de Sylas.


— Ei, Samuel. — chamou Lucius, num tom mais leve, tentando quebrar aquele ar denso que sempre parecia envolver o outro.


Samuel virou o rosto devagar, seus olhos sempre calmos, mas atentos.


— Pega isso. — disse Lucius, jogando um pequeno dispositivo tecnológico em suas mãos. — Com isso, você pode esconder as roupas quando precisar. Disfarce rápido. Ajuda a passar despercebido, caso algo dê errado.


Samuel olhou o aparelho por um instante, girando-o levemente entre os dedos, analisando cada detalhe com a mesma serenidade de sempre. Depois olhou para o grupo, sem dizer uma palavra. Deu apenas um leve aceno com a cabeça... e guardou o dispositivo no bolso, sem ativá-lo. Em seguida, voltou a observar Sylas. Como se já estivesse escutando sons que ninguém mais podia ouvir.


Lira se aproximou de Lucius, com os braços cruzados e um traço leve de preocupação no olhar.


— Ele tá bem...? — perguntou em voz baixa. — Samuel, eu digo.


— Ele é assim mesmo, não se preocupe. — respondeu Lucius, com um sorriso suave no canto dos lábios. — Às vezes, eu acho que a mente dele tá em outro lugar... como se enxergasse coisas que a gente ainda não consegue ver.


Lira soltou um suspiro, apertando as luvas nas mãos. Aquela missão já tinha peso o suficiente. Mas ver Samuel daquele jeito... dava a sensação de que algo ainda maior os aguardava.


O grupo enfim estava pronto.


— Isso aí. — disse Leon, girando o Air Board e apoiando-o no ombro, com aquele ar de quem já sabia exatamente no que estavam se metendo. — Agora sim... podemos partir.


Lucius franziu a testa, confuso.


— Mas onde é esse lugar... exatamente? — perguntou, olhando para Leon como quem queria acreditar que ainda tinha escolha.


Leon parou por um segundo, virou apenas o rosto e, com um meio sorriso escondido sob a máscara, respondeu com aquele tom seco, carregado de implicação:


— Eu conto no caminho.


Foi o bastante.


Lucius engoliu seco, desviando o olhar por reflexo. Não perguntou mais nada.


O grupo partiu em silêncio.


Leon seguiu à frente.


Samuel foi o último a atravessar a porta.


Quando ele passou, as luzes atrás dele se apagaram.

E ninguém comentou.


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