logo do projeto lunar

Capa
O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
20 |💫| O Doce Gosto da Dor
876 palavras • 5126 caracteres • ⏱ 3 min 30 s

20 |💫| O Doce Gosto da Dor

0
0
0

⚡──────👾──────⚡


Drax acordou com um sobressalto, a respiração pesada e a visão embaçada. Tudo girava. Um zumbido leve vibrava em seus ouvidos, como se seu próprio cérebro tentasse reiniciar. Ele piscou várias vezes, mas a escuridão ao redor não ajudava em nada.


Tentou se mover, mas logo percebeu que um de seus braços estava amarrado a uma estrutura metálica. O outro, o braço robótico, simplesmente... não estava mais lá. O ombro exposto mostrava fios soltos e conexões rompidas, com pequenas descargas elétricas ainda crepitando. Um leve trimilique sacudiu sua cabeça, e uma faísca saiu próximo à têmpora. Ele balançou o rosto com força, e o sistema interno se estabilizou.


Com a visão aos poucos se ajustando, Drax conseguiu observar melhor o ambiente ao seu redor. Estava em uma sala vazia — fria, metálica, e mal iluminada por lâmpadas bruxuleantes no teto. As paredes estavam cobertas por símbolos estranhos, uma mistura de circuitos desenhados à mão e marcas esculpidas como se fossem feitas por alguém obcecado por simetria. O ar tinha cheiro de óleo velho e eletricidade estática.


Ele tentou se lembrar... o que aconteceu? A última coisa que via era Koran à sua frente. E depois? Uma névoa. Um ataque repentino? Uma emboscada?


Foi então que, em um dos cantos daquela sala, alguém o observava, sentado numa cadeira. A figura se levantou.


— Acordou, docinho? 


O som soou infantil, mas carregava algo artificial, desconfortável.


Das sombras, surgiu uma figura pequena. Parecia uma garota... ou talvez um garoto. Sua estatura era baixa demais para um adulto. O rosto era parcialmente coberto por uma máscara translúcida, revelando apenas um olho âmbar, brilhante como fogo artificial prestes a explodir.


— O que foi, meu bem? Não reconhece mais sua amada?


Drax franziu o cenho, tentando ajustar a memória embaralhada. A voz... aquele jeito...


— Soffy?


A máscara se dissolveu em névoa, revelando um sorriso doce demais para ser inocente.


— Olá, Drax...


Naquele instante, sua mente foi tomada por memórias adormecidas.


--- 💫 ---


Chovia fraco no terraço de um prédio abandonado. Drax, ainda jovem, estava sentado ao lado de uma figura pequena que observava em silêncio o que restava da paisagem à sua frente: Soffy. Seus olhos brilhavam com curiosidade, e sua risada ecoava como uma melodia improvável naquele mundo cinzento.


— Um dia, vamos voar juntos, bem longe de tudo isso, Drax — disse ela, olhando para o céu nublado.


— Você acha mesmo que a gente vai conseguir escapar?


— Eu não quero escapar — respondeu Soffy, sorrindo de leve. — Eu quero voar... pra te proteger.


Drax a encarou, confuso.


— Você não é um erro, Soffy...


Ele se aproximou um pouco mais, tocando suavemente o rosto dela com uma das mãos.


— Você é especial. Especial pra mim.


Soffy sorriu. E por um breve instante, o mundo pareceu ter cor.


--- 💫 ---


Drax afastou o rosto ao vê-la se aproximar. O calor daquela lembrança era doloroso demais.


Soffy cruzou os braços, encarando-o bem de perto.


— Eu esperei muito tempo por esse momento, você acredita? Quando eu soube que três sentinelas conseguiram entrar aqui na cidade, eu sabia que isso era coisa sua.


— Três sentinelas?


— Não se faça de bobinho, Drax. Antes de você aparecer aqui, eu recebi uma mensagem de que um outro sentinela havia chegado. Infelizmente, eu não pude capturá-lo tão facilmente quanto você.


Ela se abaixa, sussurrando perto do rosto dele.


— Foi fácil invadir o seu sistema e rastrear sua localização. Você nunca mudou sua senha, seu tonto.


A lembrança do humano cruzou sua mente como um estalo tardio. O maxilar se travou.


— Onde está Koran?! — ele gritou, a voz cheia de raiva e desespero contido.


— Calma, docinho. Ele está seguro... por enquanto.


— Me solta, sua—


Ela enfiou a mão nos fios expostos de seu ombro, girando-os cruelmente. Seu corpo estremeceu com as falhas do sistema, faíscas voando em todas as direções.


— “Sua” o quê, hein? Não escutei direito.


— Pa-para! — Drax gritou, e um impulso de energia fez a mão dela queimar.


Ela recuou, observando a pele derretida se desprender... e então regenerar como se trocasse de invólucro. A verdade era revelada — ela era uma androide.


— Ah, o seu amor ainda é tão... quente — disse, tocando o queixo de Drax com carinho perturbador.


Ele desviou o rosto, enojado.


— Seu outro amiguinho conseguiu escapar… por enquanto. 


Ela sorriu.


— Eu vou achá-lo.


Ela segurou o queixo de Drax com força.


— Até mesmo... se eu tiver que torturar o Koran na sua frente, pode ser?


— Espero que você tenha entendido — murmurou, passando os dedos pela bochecha dele, de forma quase carinhosa. — Eu sei que você ainda me ama, meu amor.


Drax cerrava os olhos, o ódio pulsando como um tambor surdo em sua cabeça.


— Você vai me pagar...


Soffy riu, seu sorriso torto e perturbador iluminado pelas luzes intermitentes.


— É o que vamos ver...


Ela se virou, os passos ecoando metálicos enquanto desaparecia na escuridão da sala.


Drax fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, a raiva não havia diminuído — havia se concentrado.

A luz fraca refletiu em seus olhos como brasas prestes a incendiar o mundo.


⚡──────🌟──────⚡



Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.