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O HerĂłi Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
17 |đŸ’«| Sombras e Escolhas
3123 palavras ‱ 17899 caracteres ‱ ⏱ 12 min 30 s

17 |đŸ’«| Sombras e Escolhas

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Lucius caminhou em direção a Samuel, o olhar frio cravado nele. Sem hesitar, empurrou o ombro dele, testando limites. Sua expressão mudou no mesmo instante, tornando-se sombria, carregada de um aviso silencioso.


— Eu vou ajudar — disse ele, a voz baixa, mas carregada de firmeza. — Mas não por ela. Eu não confio nela e nunca vou confiar.


Seu olhar analisava Samuel em busca de qualquer reação, mas o herói manteve-se impassível.


— VocĂȘ nĂŁo Ă© o primeiro a vir atĂ© aqui — continuou Lucius, sua voz carregada de descrença. — E com certeza nĂŁo serĂĄ o Ășltimo.


Ele se afastou um pouco, soltando um suspiro pesado antes de encarar Samuel novamente.


— VocĂȘ nĂŁo sabe do que ela Ă© capaz de fazer por si prĂłpria...


Havia um peso em suas palavras, uma sombra de algo nĂŁo dito. Lucius ergueu a mĂŁo e fez um gesto discreto para Sylas, que logo começou a segui-lo sem hesitar. EntĂŁo, virou-se uma Ășltima vez para Samuel, seu tom agora carregado de impaciĂȘncia.


— E vocĂȘ? Vai ficar aĂ­ parado? — resmungou. — Venha logo...


Samuel manteve seu olhar firme, inalterado pela atitude de Lucius. Sem responder, apenas seguiu os dois. Lucius caminhava à frente, lado a lado com Sylas, seu corpo tenso, a postura rígida. Era óbvio que desconfiava de cada gesto e movimento de Samuel, sempre lançando olhares de relance como se esperasse algo a qualquer momento.


A atmosfera no corredor era densa, carregada de desconfiança e intençÔes ocultas. O cheiro metålico do laboratório impregnava o ar, enquanto o som ritmado de passos ecoava pelo espaço frio, iluminado por luzes fracas e oscilantes.


Samuel nĂŁo dizia nada. Permanecia atento. Seu olhar percorria cada detalhe daquele lugar, buscando qualquer sinal. O silĂȘncio entre eles era carregado de tensĂŁo, uma troca de olhares implĂ­cita que dizia mais do que qualquer palavra.


Sylas, caminhando ao lado de Lucius, desviou o olhar para ele, sua expressĂŁo carregando um significado silencioso, um pedido nĂŁo dito.


Lucius percebeu. Franziu a testa e respondeu em um tom baixo, desconfiado:


— O que foi?


Sylas ergueu ligeiramente a cabeça, indicando Samuel com um movimento sutil. Lucius captou a mensagem e estreitou os olhos.


— Eu nĂŁo vou — murmurou, a voz carregada de irritação. — Ele quase matou vocĂȘ.


Sylas permaneceu impassível, sua expressão tornando-se mais séria, mais determinada. Ele insistiu com o olhar, como se dissesse algo que Lucius não queria aceitar.


Lucius suspirou, desviando o olhar por um momento antes de encarar Sylas novamente.


— Ele Ă© sĂł mais um
 embora esse aĂ­ tenha algo em “especial”.


Havia um leve amargor em sua voz, um misto de receio e relutĂąncia. Mas Sylas continuou insistindo, seu olhar fixo em Lucius, pressionando-o sem palavras.


Lucius cerrou os punhos, incomodado.


— O que deu em vocĂȘ, Sylas? — questionou em um sussurro ĂĄspero. — Por que parece se importar com ele?


Os olhos de Sylas continham algo diferente. Algo profundo. Lucius não soube definir o que era, mas sentiu uma inquietação crescer dentro de si. Havia um significado naquele olhar que ele não compreendia completamente... e isso o incomodava ainda mais.


Sylas, no entanto, não recuou. Em um gesto quase desafiador, empurrou com a cabeça as pernas de Lucius.


Lucius bufou, rolando os olhos.


— Está bem, está bem... — resmungou. — Eu já disse que ia ajudar. Feliz agora?


Agradecido, Sylas esfregou a cabeça contra a perna dele, sua forma de expressar o que as palavras não podiam.


Lucius soltou um suspiro cansado, passando a mão na cabeça de Sylas em um gesto resignado.


— O que eu nĂŁo faço por vocĂȘ, meu amigo...


Seu tom de voz era baixo, quase um murmĂșrio. Apesar de sua resistĂȘncia, no fundo, ele sabia que Sylas sempre via algo que ele nĂŁo via.


E, por mais que nĂŁo quisesse admitir, isso o fazia hesitar.


Eles chegam até uma årea oculta do laboratório, um setor afastado que parecia ter sido esquecido pela maior parte dos que ali trabalhavam. O corredor que levava até lå era mais estreito, mas, diferentemente do restante do laboratório, não estava em completo abandono. As paredes ainda mantinham parte de sua estrutura original, sem tantos sinais de corrosão ou fios expostos. A iluminação era mais eståvel, embora algumas lùmpadas piscassem levemente, lançando sombras pelo chão metålico.


Lucius parou diante de uma porta reforçada e, sem virar completamente para Samuel, soltou em um tom seco:


— Eu nĂŁo quero ninguĂ©m mexendo nas minhas coisas. Muito menos um enviado como vocĂȘ. Entendeu bem?


Samuel apenas assentiu com a cabeça.


— Ótimo. — A resposta de Lucius veio carregada de desconfiança.


Ao atravessar a entrada, Samuel se deparou com um espaço visivelmente mais organizado. Diferente do restante do laboratório, aquele lugar não estava completamente destruído ou negligenciado. Bancadas metålicas estavam alinhadas contra as paredes, repletas de ferramentas e dispositivos ainda funcionais. Monitores brilhavam fracamente, exibindo dados e registros de pesquisas antigas, e algumas telas piscavam, revelando códigos que corriam incessantemente.


No canto, uma ĂĄrea mais reservada parecia ser onde Sylas descansava. Um espaço acolchoado com cobertores gastos e algumas almofadas improvisadas indicava que Lucius se preocupava com o conforto do companheiro. Mais adiante, uma parede estava tomada por anotaçÔes e esquemas, demonstrando que aquele nĂŁo era apenas um refĂșgio, mas tambĂ©m um ponto estratĂ©gico.


Sylas caminha lentamente até a cama, jogando-se sobre ela. O som das almofadas amassando parece ecoar pelo ambiente vazio e abafado.


Lucius coloca suas coisas sobre uma bancada, suas mãos movendo-se de maneira mecùnica, quase como se seu corpo agisse por conta própria. Ele sente os olhos de Samuel em sua direção, e, com um gesto brusco, ele para.


— O que vocĂȘ estĂĄ olhando? Perdeu alguma coisa? — Diz ele num tom sarcĂĄstico, tentando esconder o que realmente sente.


Samuel nĂŁo se move. Seu olhar permanece fixo, atento.


— Que fique bem claro, eu não sou seu amigo, e muito menos seu aliado.


Lucius ajeita seus óculos, virando de costas, evitando olhar para Samuel. Ele começa a mexer em algumas ferramentas e utensílios espalhados sobre a mesa, mas há algo em seu movimento — um esforço para se manter ocupado, como se quisesse não pensar nas sombras que ainda o assombravam. Algo dentro dele o consumia, uma escuridão familiar que parecia nunca ter fim.


Samuel se escora na parede, seus olhos nĂŁo saindo de Lucius. Ele podia sentir o peso da solidĂŁo e da raiva que Lucius carregava, uma raiva amarga, enraizada em algo profundo.


— Porque vocĂȘ vive aqui sozinho? — Samuel pergunta, a voz suave, mas carregada de uma curiosidade sincera.


Lucius vira-se rapidamente para ele, sua expressĂŁo endurecendo. Ele parecia pronto para gritar, mas segurou as palavras.


— E pra que vocĂȘ quer saber? Vai cuidar da tua vida. Isso nĂŁo Ă© da sua conta.


— NĂŁo acho que aqui seja um lugar adequado para um cientista renomado como vocĂȘ. — Samuel diz, mantendo o tom calmo, como se fosse um comentĂĄrio simples, mas que tocava em algo sensĂ­vel.


Lucius se vira bruscamente, seus olhos faiscando com uma raiva reprimida.


— Eu nĂŁo sou um cientista e nunca serei. Se vocĂȘ veio aqui para me fazer perder o meu tempo... — Ele Ă© interrompido por uma fotografia que surge nas mĂŁos de Samuel. Era a mesma fotografia que ele havia encontrado mais cedo, aquela que revelava uma versĂŁo diferente de Lucius.


— Onde vocĂȘ achou isso?! — Lucius grita, seus olhos se estreitando com um Ăłdio visceral.


Samuel segura a foto por um momento, observando-a com um olhar mais ponderado.


— Eles estavam felizes ao seu lado. — Samuel diz com uma leveza que contrasta com o peso do momento.


Lucius se aproxima, o olhar agora mais ameaçador, mas também carregado de uma dor imensa, que transparecia mesmo nos menores detalhes de seu rosto. Ele se aproxima de Samuel, seus punhos cerrados com força, como se cada palavra que ia sair de sua boca fosse um golpe que ele não podia evitar.


— NĂŁo se intrometa na minha vida. VocĂȘ nĂŁo sabe de nada! — Ele diz alto, a frustração e o sofrimento transbordando.


O silĂȘncio entre os dois se estende, como se Lucius tivesse usado tudo o que tinha para lançar aquela dor para fora. Mas ela nĂŁo desaparece, ela fica no ar, pesada e sufocante.


Samuel, ainda segurando a foto, observa Lucius por um momento. A raiva que emanava dele era quase palpåvel, mas Samuel via algo mais. Ele sabia que por trås daquela fachada havia alguém em guerra consigo mesmo.


— VocĂȘ nĂŁo sabe o que eu passei. O quanto eu sofri... ainda sofro. — Lucius continua, a voz agora mais baixa, mas carregada de uma angĂșstia profunda. Ele começa a andar em cĂ­rculos, suas palavras se entrelaçando com suas açÔes, como se tentasse escapar de sua prĂłpria realidade.


— Ela tirou isso de mim... o direito de acabar.


Lucius riu sem humor. 

— Não existe final feliz pra gente como eu.


Ele pausa, os olhos brilhando com uma tristeza imensa, como se finalmente cedesse ao peso de sua prĂłpria existĂȘncia.


— Tudo isso... tudo isso Ă© culpa dela. A ganĂąncia dessa desgraçada que vocĂȘ segue ordens. — Ele aperta os punhos com força, a raiva voltando, quase consumindo-o por completo. — Eu perdi tudo. E vocĂȘ... vocĂȘ quase matou a Ășnica coisa que eu me importo. A Ășnica coisa que eu ainda tenho... nesta merda de vida!


Samuel nĂŁo recua. Ele sabia que Lucius nĂŁo era apenas raiva. Havia algo muito mais profundo ali.


Então, com um suspiro, Samuel finalmente fala, sua voz calma, mas carregada de uma sinceridade que atingiu o coração de Lucius.


— Eu realmente nĂŁo sei o que vocĂȘ passou. Mas eu sei que vocĂȘ nĂŁo Ă© um monstro. — Ele dĂĄ um passo Ă  frente, sem hesitar. — Deve doer, viver assim... sem os que vocĂȘ ama. Sem os que vocĂȘ considerava uma famĂ­lia.


Lucius fica em silĂȘncio, seus olhos ainda fixos em Samuel, mas agora algo começa a mudar dentro dele. Talvez fosse a gentileza de Samuel ou o simples fato de que alguĂ©m se importava o suficiente para ver alĂ©m da fachada de raiva e dor.


Samuel continua, sua voz mais suave, mas firme.


— VocĂȘ nunca pediu para viver, mas tambĂ©m nunca pediu para morrer. Tudo isso
 toda essa dor, o medo
 tudo o que vocĂȘ reprime dentro de si.


Lucius aperta os punhos com mais força, mas agora hĂĄ uma dĂșvida, uma hesitação. Algo estava mudando, mesmo que ele nĂŁo soubesse como ou por que.


— NinguĂ©m deveria passar pelo que vocĂȘ passou. Mas isso nĂŁo significa que tudo tenha chegado ao fim para vocĂȘ. — A voz de Samuel era serena, carregada de uma confiança inabalĂĄvel, como se enxergasse em Lucius algo que nem ele mesmo via. — O medo apenas te acorrenta, te impede de seguir em frente. Mas vocĂȘ ainda tem escolha.


Ele faz uma pausa, como se o peso de suas palavras se fizesse mais claro agora.


— Podem ter tirado a sua decisão de viver ou morrer, mas nunca vão tirar a sua escolha de ser um herói.


Lucius olha para ele, a raiva agora substituída por um olhar mais vazio, mais perdido. Ele começa a dar passos em direção a Samuel, mas com raiva contida, seus olhos como uma tempestade prestes a estourar.


— Da prĂłxima vez que vocĂȘ se intrometer na minha vida... vocĂȘ jĂĄ era!


No entanto, antes que Samuel possa responder, o dispositivo em seu ouvido brilha, interrompendo o momento tenso. A voz da P.A ecoa, fria e autoritĂĄria.


— Parem de discutir, agora!


Lucius olha de forma severa para Samuel, seu olhar cortante como uma lùmina afiada. A tensão no ar é palpåvel, mas ele, relutante, começa a caminhar de volta para sua mesa, seu corpo ainda tenso, como se cada movimento fosse calculado para não demonstrar mais do que o necessårio.


— Eu nĂŁo vim atĂ© aqui para brigarmos, Lucius. Eu



A voz falha por um instante.


— Eu preciso de vocĂȘ.


Lucius para por um instante, sua postura rĂ­gida. O sarcasmo que sempre o acompanhava desaparece por um momento, mas logo ele dĂĄ um passo Ă  frente, com uma expressĂŁo que mistura raiva e um tipo de dor silenciosa.


— VocĂȘ sĂł se importa comigo quando precisa. Por isso, me manteve vivo... — Ele diz, as palavras saindo com uma amargura que quase poderia cortar o ar.


As palavras de Lucius pairam no ambiente, pesando mais do que qualquer outra coisa que ele tenha dito atĂ© ali. P.A, fica em silĂȘncio por um momento, como se suas funçÔes internas precisassem processar a verdade nĂŁo dita que havia sido exposta. Ela sabia que Lucius estava certo, e a realidade de que a relação deles era marcada pela necessidade mĂștua e nĂŁo por um vĂ­nculo genuĂ­no a incomodava de uma forma que ela nĂŁo queria admitir.


Lucius suspira pesadamente, o som como um reflexo da exaustão que ele sentia não apenas no corpo, mas também na alma. Ele se vira novamente, agora olhando para Samuel com uma frieza ainda mais evidente.


— Me diz logo o que vocĂȘ quer, para que vocĂȘs dois possam sumir logo daqui... — Ele diz com um tom de voz que nĂŁo esconde sua impaciĂȘncia. A dor e o sofrimento que ele tenta esconder continuam se transbordando em suas palavras, mas ele nĂŁo sabe mais como lidar com isso. A sombra do que ele foi, do que ele perdeu, continua a se arrastar atrĂĄs dele.


Samuel då um passo à frente, não se deixando intimidar. Ele sabia que, por mais que Lucius tentasse empurrå-lo para longe, havia uma parte dele que, no fundo, ainda queria ajudar. Mas ele também sabia que, se quisesse chegar até aquele homem quebrado, precisava ser mais direto, mais sincero.


— Eu sei que vocĂȘ nĂŁo quer mais uma vida assim. Eu entendo que vocĂȘ esteja cansado. Mas nĂŁo estou aqui sĂł por causa dela. — Samuel fala, sua voz suave, mas firme, como uma Ăąncora que tenta se firmar no turbilhĂŁo emocional de Lucius. — VocĂȘ nĂŁo precisa carregar isso sozinho por tanto tempo.


Lucius o encara por um momento, como se, naquele breve contato visual, as palavras de Samuel ecoassem. Por um instante, ele vĂȘ algo nos olhos de Samuel — uma força silenciosa, uma compreensĂŁo que ele nunca achou que encontraria. Era o mesmo olhar que viu nos olhos de Sylas. Lucius desvia o olhar, se recusa a deixar qualquer fraqueza transparecer. Ele dĂĄ uma Ășltima olhada na mesa, seus dedos brincando distraidamente com uma ferramenta, antes de soltar um suspiro pesado, como se a exaustĂŁo tomasse conta dele novamente.


— VocĂȘ... nĂŁo entende. — As palavras saem com dificuldade, como se fossem feitas de pedras. — Mas... — Ele começa, hesitante. As palavras falham, deixando o vazio das emoçÔes que ele guarda para trĂĄs de si mesmo. — Eu... sou quem sou por causa do que me fizeram. NĂŁo posso simplesmente voltar atrĂĄs e agir como se fosse o mesmo Lucius de antes. Eu nĂŁo sei mais quem sou... — Ele finalmente olha para Samuel, e pela primeira vez, o peso da confusĂŁo e do vazio que o consome se torna visĂ­vel em seus olhos. — Me diga... vocĂȘ realmente acha que alguĂ©m como eu ainda tem esperança?


Samuel observa o homem Ă  sua frente, o silĂȘncio entre eles pesado e denso. Ele nĂŁo responde de imediato, mas as palavras que saem sĂŁo firmes e calmas, como se ele tivesse encontrado a verdade que precisava dizer.


— Todos tĂȘm uma escolha. Mesmo que vocĂȘ nĂŁo consiga ver agora, ainda hĂĄ algo em vocĂȘ que vale a pena. VocĂȘ nĂŁo precisa ser o que os outros quiseram que vocĂȘ fosse. A sua vida... ainda Ă© sua.


As palavras de Samuel flutuam no ar, e por um instante, Lucius parece absorver o impacto delas. Seus olhos, geralmente cerrados e frios, revelam uma fraqueza que ele nĂŁo quer mostrar. Ele fica em silĂȘncio, sua mente tumultuada, como se aquelas palavras fossem um farol tentando guiar seu barco em mar revolto.


P.A, ainda silenciosa, observa tudo do outro lado, sua presença invisível, mas cada vez mais importante. Ela sabia que este momento era mais do que uma simples missão. Era algo maior. Samuel não estava apenas tentando salvar Lucius fisicamente; ele estava tentando recuperar a esperança que ele acreditava ter perdido. Mas a P.A sabia que o futuro de Lucius não dependia apenas das palavras de Samuel, mas de sua capacidade de finalmente enfrentar o que ele havia sido forçado a se tornar e o que ele ainda poderia ser.


Lucius, pensativo, då um suspiro breve, como se estivesse refletindo sobre as palavras que Samuel disse. Ele sente algo estranho crescer dentro de si, uma sensação que ele jå havia experimentado, mas nunca realmente entendido.


— Porque vocĂȘ se importa tanto comigo, hein? — ele pergunta, sua voz carregada de ceticismo, mas tambĂ©m de curiosidade, como se finalmente estivesse tentando entender o que movia Samuel.


Samuel olha para ele, o olhar sincero e tranquilo, e entĂŁo responde, com um leve sorriso:


— Porque eu sei quem vocĂȘ Ă©.


Aquelas palavras, simples mas profundas, atingem Lucius de forma inesperada. Ele sente um calor crescente dentro de si, um misto de alívio e confusão. Algo em sua alma, algo que ele pensou ter sido apagado para sempre, começa a se acender. Ele finalmente entende o que viu nos olhos de Samuel e Sylas — esperança. Aquela luz que ele pensava perdida está ali, diante dele, ainda acessível.


— VocĂȘ... vocĂȘ Ă© estranho, sabia? — Lucius diz, a boca curvando-se levemente em um sorriso, apesar da resistĂȘncia que ainda sente.


Samuel då um sorriso leve, como se entendesse a ironia por trås da observação, mas não se ofendesse.


— Eu sei. — Ele responde de forma simples, mas com um olhar que transmite mais do que palavras.


Lucius, embora ainda desconfiasse de Samuel, sente algo mudar dentro dele. Uma pequena brecha na parede que construiu ao longo de tanto tempo começa a se abrir. Ele sente, pela primeira vez em muito tempo, que talvez — sĂł talvez — ele nĂŁo esteja mais sozinho nesse caminho. E o que mais o surpreende Ă© que, no fundo, ele tambĂ©m começa a acreditar que pode ser algo melhor.


Ele finalmente se vira para Samuel, o tom mais suave agora, uma pequena vulnerabilidade emergindo.


— Eu ainda nĂŁo confio em nenhum de vocĂȘs.


Ele encara Samuel.


— Mas quero entender
 que tipo de pessoa vocĂȘ Ă©.


Samuel olha para ele, reconhecendo o momento de mudança, e då um pequeno aceno de cabeça, sabendo que, embora o caminho de Lucius fosse difícil, ele finalmente começava a dar passos na direção certa.


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