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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
14 |💫| O Lobo da Liberdade
1414 palavras • 8639 caracteres • ⏱ 5 min 39 s

14 |💫| O Lobo da Liberdade

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P.A. assistiu a tudo. Seus sensores captaram cada detalhe, cada movimento, cada instante do que acabara de acontecer. Mas, mesmo com toda a sua capacidade analítica, ela não conseguia compreender. Era ilógico.


Ainda assim, algo fora do cálculo despertava dentro dela.


Ela tentou recalcular, cruzar dados, encontrar padrões. Nada fazia sentido. Seu núcleo de processamento sobrecarregou por um instante, como se estivesse à beira de um colapso.


— Como ele fez isso...? Que tipo de anomalia ele é...? — murmurou para si mesma, sua voz digital vacilando levemente.


Nenhuma simulação previa aquele resultado. E, no entanto, aquela criança... aquela criança deveria ter morrido.


Mas não morreu.


Os arquivos que armazenava sobre humanos e anomalias não explicavam o que acabara de testemunhar. Ele não seguia padrões, não se encaixava nas definições. Samuel não era como os outros humanos. Nem como as outras anomalias.


— O que ele é...?


Silêncio. Apenas o processamento frio e ininterrupto de seus sistemas tentando encontrar uma resposta.


Até que algo despertou dentro dela.


Uma necessidade.


Uma obsessão.


— Eu vou descobrir. Eu tenho que saber quem ele realmente é...


Seus cálculos ainda estavam em colapso, mas uma coisa era clara: Samuel passou a ser uma variável que ela não podia ignorar. E P.A. não pretendia desperdiçar essa oportunidade.


--- 💫 ---


Samuel permaneceu parado, observando o ponto onde a pequena estrela desapareceu. O brilho efêmero dela se dissolvera na vastidão da escuridão.


"Ela passou muito tempo longe da luz... A escuridão aqui é densa demais, insaciável. Eu podia sentir cada parte dela sendo devorada, puxada para o vazio sem resistência... Espero que agora ela esteja bem."


Seu pensamento foi interrompido por um arrepio no ar. Uma mudança sutil, mas inconfundível.


Uma presença.


Ele não precisou se virar para saber quem era.


A escuridão no beco se contorceu, tomando forma. Sombras deslizaram como tentáculos, se torcendo em algo que lembrava um corpo humanoide. Olhos vazios, um sorriso pútrido e um odor de desespero impregnando o ambiente. Era apenas uma projeção, um eco deformado do Esquecido. Mas sua presença era sufocante.


— Você ainda insiste em salvar o que já apodreceu…


A sombra inclinou a cabeça de um jeito antinatural, os olhos negros faiscando como fendas abertas no vazio.


Samuel se virou num instante, disparando um feixe de luz diretamente no peito da criatura. A energia brilhou por um momento antes de se dissipar, atravessando a forma sombria sem efeito algum.


A risada que veio a seguir não era apenas som. Era algo que se infiltrava na mente, corrosiva, perturbadora, como um grito abafado dentro de uma tumba.


— Acha mesmo que pode me tocar? — zombou uma das faces do Esquecido, a forma oscilando como fumaça negra. — Patético.


A sombra se aproximou, seu sorriso se alargando além dos limites humanos.


— Tudo o que você chama de esperança acaba em mim.

Sua voz escorria malícia, como veneno gotejando.


— No fim, você será apenas mais um nome esquecido.


Samuel apenas o encarou, inabalável. Então, lentamente, ergueu a mão e mostrou o dedo do meio.


A sombra gargalhou. Um som distorcido, horrível, que fez o próprio ar ao redor se tornar pesado.


— Você está exatamente onde eu queria, Samuel. Saiba disso. — sussurrou, sua voz gotejando malícia pura.


Então, com um último tremor na escuridão, desapareceu, deixando apenas o silêncio e um frio que parecia se agarrar ao mundo.


Samuel escutou alguns sons metálicos se aproximando do beco. Ele se moveu silenciosamente, espiando a rua sem ser notado.


Um grupo grande de ladrões avançava, todos armados com equipamentos estranhamente semelhantes aos que Samuel já havia visto nos mascarados. Suas armas brilhavam no escuro, tecnológicas e mortais. No centro do grupo, um homem operava manualmente uma máquina—uma armadura robusta, com engrenagens expostas e um visor vermelho pulsante.


— Ele está por aqui. Eu consigo ver ele. — Um dos ladrões ergueu um dispositivo, seus olhos se estreitando ao analisar a tela.


Samuel sentiu o olhar do homem varrer sua direção.


— Ali! — Ele apontou diretamente para o beco.


Em um instante, Samuel recuou para as sombras, pressionando-se contra a parede. Seu olhar ficou frio.


"Então foram eles que cortaram a transmissão."


Ele apertou os punhos. Não era coincidência.


"Ele me queria aqui por esse motivo..."


A armadura deu um passo à frente, e o chão vibrou com o peso da máquina. Os ladrões avançavam com cautela, armas erguidas, prontos para abrir fogo ao menor movimento.


Samuel pensou rápido. Ele precisava de uma distração. Algo grande o suficiente para confundi-los, mas sem gastar muito de seu poder.


Seus olhos brilharam levemente. Suas mãos começaram a irradiar uma luz sutil enquanto ele acessava sua habilidade—trazer de volta algo Esquecido. Mas com sua força limitada naquele mundo, teria que ser algo pequeno.


Por um instante, a lembrança de Alex atravessou sua mente — não como um lobo, mas como um vínculo.


Uma ideia surgiu. Algo inteligente.


Samuel se concentrou no ar ao seu redor, buscando nas memórias esquecidas algo útil. Algo que aqueles ladrões nunca gostariam de encontrar.


E então, ele trouxe algo.


No alto dos prédios, a escuridão começou a se mover. Não era apenas uma sombra, mas algo vivo, pulsante, faminto. A silhueta se alongou, ganhando forma, músculos e presas afiadas. Um par de olhos negros como o abismo se abriu na escuridão, brilhando com um ódio inumano.


Era um lobo.


Não um lobo comum, mas uma fera colossal. Seu pelo negro como a noite, sua presença opressora, como se devorasse toda a luz ao redor. Suas garras arranhavam o concreto, deixando marcas profundas, e seu peito subia e descia de forma lenta, ameaçadora.


Então, ele soltou um uivo monstruoso.


O som não era apenas um uivo qualquer — era um trovão que sacudiu as estruturas ao redor, reverberando direto na alma dos ladrões. Um som que gritava desespero e morte.


Os ladrões congelaram, os olhos arregalados.


— O quê... O que é ISSO?! — Um deles gaguejou, dando um passo para trás, o terror estampado no rosto.


— Que coisa é essa?!!! É um monstro! — gritou outro, a voz falhando, incapaz de acreditar no que via.


Era uma lenda perdida. O Esquecimento havia apagado sua existência, mas Samuel a trouxe de volta, por um breve instante. E aquilo foi o suficiente.


A fera desceu dos prédios com um salto impossível, aterrissando no meio da rua com um impacto que rachou o asfalto, o som ecoando como um trovão. Sua respiração pesada ressoava como um aviso de morte, cada suspiro carregando um peso de destruição iminente.


Pânico se instaurou no grupo. Alguns começaram a recuar instintivamente, tropeçando nos próprios pés, enquanto outros simplesmente ficaram imóveis, paralisados pelo medo.


— A-atirem! — gritou um dos ladrões, apontando sua arma, a mão tremendo.


Disparos ecoaram pela cidade subterrânea, mas os projéteis atravessaram a criatura como se ela fosse feita de névoa, sem causar qualquer dano. Isso só intensificou o medo, a sensação de impotência tomando conta deles.


Samuel não perdeu tempo.


Aproveitando a distração, ele se moveu como um vulto, silencioso e implacável. Deslizou entre as sombras do beco, contornando os ladrões com uma velocidade impressionante. Em poucos segundos, já estava atrás deles, fora do alcance da luz, invisível.


O lobo ergueu a cabeça e soltou um último uivo, mais profundo e aterrador, como um grito de guerra ancestral. E, finalmente, os ladrões cederam ao pânico. Eles fugiram como presas, correndo sem direção, a mente tomada por um medo primal diante de um predador implacável.


Samuel não olhou para trás.


Ele não precisava.


O lobo encarou Samuel enquanto ele desaparecia entre os prédios, seus olhos negros brilhando com um olhar de agradecimento. Não era por acaso — Samuel o salvara do esquecimento. E, por um instante, a besta espectral parecia compreender sua própria existência, renovada por aquele gesto.


Após aquele olhar, a fera desapareceu em fragmentos de luz brilhante, como estrelas que se desfazem na noite, mas ao contrário do esquecimento, ela se espalhou para a liberdade. Suas formas fragmentadas flutuaram e se uniram ao vento, dissipando-se nas trevas, mas agora livres, livres para existir novamente no mundo.


Seus passos eram firmes, mas sua presença quase inexistente, tão silenciosa quanto as sombras que o acompanhavam. Ele desapareceu nas profundezas da cidade subterrânea, enquanto os ladrões ainda lidavam com o pavor de uma ameaça que, na realidade, nunca existiu.


E, no final, essa era a verdadeira essência da esperança: não era apenas sobre lutar. Era sobre ensinar a escuridão a errar.


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