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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
11 |💫| Ecos do Passado
1173 palavras • 7192 caracteres • ⏱ 4 min 42 s

11 |💫| Ecos do Passado

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O silêncio do ambiente era perturbador. Cada passo o aproximava de algo que ainda não conseguia compreender completamente. As carcaças robóticas começaram a surgir ao redor de Samuel, espalhadas pelo chão como lembranças enferrujadas de uma era passada. Algumas estavam partidas ao meio, com circuitos expostos; outras não passavam de molduras vazias, corroídas pelo tempo. O ar carregava um cheiro metálico, misturado com poeira e umidade.


Samuel observava tudo com atenção, seus olhos analisando cada detalhe. Seus sentidos estavam aguçados, procurando não apenas pela ameaça visível, mas também pelos vestígios de um passado perdido.


— O que aconteceu com todos esses robôs e máquinas? — Sua voz cortou o silêncio, firme e analítica, sem traço de surpresa ou medo.


P.A. demorou um instante para responder, como se refletisse sobre o peso daquela pergunta.


— Muitos foram desativados. Outros, simplesmente abandonados quando deixaram de ser úteis. — Sua voz manteve a mesma frieza de sempre, mas Samuel percebeu um resquício de hesitação, como se ela própria fosse tocada pela solidão daqueles destroços.


Samuel deu alguns passos à frente, seus olhos continuando a varrer os destroços ao redor. Ele notou que alguns robôs pareciam ter sido desmontados de forma agressiva, como se tivessem sido destruídos em combate. Havia marcas de tiros e cortes no metal — rastros de batalhas que alguém tentou apagar.


— E por que alguém iria querer viver em um lugar desses? — Samuel perguntou, sua voz mais suave.


P.A. permaneceu em silêncio por um momento mais longo. Samuel já sabia a resposta. O que havia levado pessoas a escolherem viver entre os restos de um passado destruído era algo mais sombrio e enraizado.


— Não sei... — Ela finalmente respondeu, mas Samuel sabia que não era verdade.


A paisagem ao redor parecia se tornar mais hostil. Entre os destroços, algo se movia, furtivo. Uma presença oculta, espreitando. O ar vibrou. Samuel soube imediatamente: não estavam sozinhos.


Apenas alguns segundos depois, o pressentimento se confirmou.


— Tem mais alguém aqui. — Disse Samuel, sem virar o rosto, mas com os olhos ajustados, prontos para qualquer movimento.


Entre as carcaças retorcidas e pilhas de sucata, sombras começaram a se mover. Pequenas figuras, quase invisíveis, camufladas pela destruição, espreitavam Samuel à distância, avaliando-o. Cada movimento delas era meticulosamente calculado, como se estivessem a postos, esperando o momento certo para agir.


Então, sem aviso, um grupo emergiu dos destroços, avançando rapidamente e cercando Samuel. A tensão no ar era palpável, como se todo o ambiente estivesse segurando a respiração, aguardando o primeiro movimento.


Samuel permaneceu firme, seu corpo ereto e os olhos frios, analisando cada um dos homens ao seu redor com precisão. Eles usavam máscaras irregulares, moldadas a partir da própria sucata — nenhuma igual à outra. Nas mãos, armas improvisadas, instáveis, feitas para matar sem precisão. Não eram soldados.


Mas, entre todos, uma figura se destacou.


Ele era alto, imponente. O macacão escuro que ele usava estava repleto de rasgos sutis, como cicatrizes de batalhas passadas, e suas botas pesadas ecoavam contra o metal retorcido a cada passo. Ele não se apressava, caminhava com uma calma desafiadora, como se estivesse em total controle da situação. Sua máscara negra e lisa cobria completamente seu rosto, sem expressão, mas com uma fissura horizontal onde os olhos deveriam estar, brilhando em um tom frio e enigmático. Era impossível ler seus sentimentos, mas sua presença, sombria e enigmática, transmitia poder.


Diferente dos outros, ele não precisou erguer uma arma. Sua presença era o suficiente para silenciar o grupo ao seu redor. Eles aguardavam sua liderança, prontos para seguir qualquer ordem que ele desse.


Ele caminhou calmamente entre os destroços, seus passos lentos e deliberados, até parar diante de Samuel. A distância entre eles era curta, mas a tensão no ar tornava-se imensa. Seu olhar, invisível sob a máscara, parecia perfurar qualquer um que ousasse encará-lo. Como se ele pudesse ver algo além do que era visível, algo que estava escondido nas entrelinhas de cada movimento.


Os outros permaneciam imóveis, suas mãos firmes segurando as armas improvisadas, apontadas diretamente para o rosto de Samuel. O momento era decisivo. A tempestade estava prestes a começar.


De repente, a figura imponente falou, sua voz sombria e abafada cortando o silêncio.


— O que um estranho como você faz aqui por essas terras... acompanhado? — A voz carregava uma leve incredulidade, mas também uma ameaça velada. Ele deixava bem claro que notara o dispositivo no ouvido de Samuel, algo que o colocava em uma posição vulnerável.


Samuel, sem perder a compostura, ergueu lentamente as mãos, as palmas voltadas para frente, mas sem um gesto de rendição. Era um movimento controlado, calculado. Ele não estava ali para um confronto, mas também não estava disposto a se mostrar fraco. O gesto simples de elevar as mãos transmitia autocontrole, uma mensagem clara de que não era uma ameaça, mas também não estava ali para ser subestimado.


O homem à sua frente observou o gesto de Samuel, os olhos ocos sob a máscara escura, avaliando-o com mais intensidade. A tensão no ar aumentava, mas Samuel manteve sua postura imperturbável, aguardando o próximo movimento.


O grupo de figuras ao redor, com suas armas feitas de sucatas, ficou em silêncio, esperando a ordem do líder. O homem diante de Samuel ainda o observava atentamente, como se estivesse testando sua atitude e suas intenções.


— Você é um homem de poucas palavras, não é mesmo? — Ele finalmente disse, sua voz ainda grave e cheia de um respeito silencioso.


— Seja o que for que você veio fazer aqui, essa coisa na sua cabeça não é bem-vinda.


A tensão era quase insuportável, mas Samuel permaneceu firme, sem ceder.


O homem se aproximou de Samuel, e quando estava prestes a tocar no dispositivo em sua cabeça, Samuel agarrou sua mão com firmeza, impedindo o gesto.


Os outros ao redor estavam quase prontos para atirar em Samuel, mas o homem levantou sua outra mão e, com um movimento fluido, ordenou que os outros abaixassem suas armas.


Ele sentiu a força de Samuel, percebeu a energia que emanava dele, mas não notou nenhuma reação de medo, nem mesmo dor. O homem observou Samuel com um olhar calculador, reconhecendo algo único nele.


Draken entendeu que Samuel não era comum.


Samuel, ainda com a mão firme sobre a do homem soltou-a lentamente.


— Você é forte. Muito forte para uma pessoa comum. — O homem comentou, uma pontada de admiração em sua voz, como se estivesse surpreso com a resistência de Samuel, com a confiança que ele emanava.


— Me chamo Draken, O Poderoso. — Ele se apresentou com um tom respeitoso, não de submissão, mas de reconhecimento. Ele sabia com quem estava lidando.


— Você pode entrar.


Draken fez um breve gesto com a mão.


Houve um ruído metálico sob os pés de Samuel — baixo, profundo, como engrenagens antigas despertando. A sucata ao redor tremeu levemente, e então o chão se abriu, revelando uma passagem estreita, oculta sob camadas de ferrugem e terra.


Aquilo já estava ali. Apenas esperando.


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