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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
02 |💫| O Portal da Escuridão
2430 palavras • 14744 caracteres • ⏱ 9 min 43 s

02 |💫| O Portal da Escuridão

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Pouco tempo se passou, e então um novo portal surgiu diante de Samuel.


Mas algo estava errado... algo que Samuel não podia ignorar.


Diferente dos portais anteriores, este não irradiava luz nem segurança. Sua borda tremulava como uma sombra viva, e no centro, o vazio se contorcia, instável, como se estivesse à beira de se desfazer. Um frio percorreu o ar, e Samuel sentiu — aquele portal estava corrompido.


Era uma passagem frágil, um fio de existência prestes a se apagar. Ele permaneceu imóvel, observando cada detalhe, cada oscilação da escuridão que tentava consumi-lo. Mas antes que o portal desmoronasse por completo, a luz surgiu ao seu redor, envolvendo-o em um brilho sereno, trazendo equilíbrio à instabilidade.


— Não se assuste — ecoou a voz. — O mundo para onde esse portal leva não é como os anteriores. Ele é uma das principais fontes do esquecimento. Tudo lá está mergulhado nas sombras, prestes a desmoronar no vazio absoluto.


Samuel não desviou o olhar, seus olhos imersos na escuridão do portal. Sua voz saiu firme, sem hesitação.


— O que há de tão ruim nesse mundo?


A luz pulsou, como se a resposta trouxesse um peso impossível de ser ignorado.


— Morte. Dor. Solidão. Sofrimento. Tudo o que há de pior, tudo o que destrói almas. Não há esperança nesse lugar. A última chama que existia... se apagou há muito tempo.


Samuel permaneceu em silêncio por um instante, assimilando cada palavra. Então, murmurou:


— Então esse mundo é uma das principais fontes do poder do esquecimento?


— Sim.


Samuel respirou fundo, fechando os olhos por um breve momento, sentindo o peso da decisão que se aproximava. O caminho que havia trilhado até ali não fora fácil, mas agora ele estava diante de algo maior. Aquela missão não seria como as outras. Não havia ninguém esperando por ele, ninguém que ainda tivesse forças para lutar.


Mas se não havia mais esperança naquele mundo... então ele a traria de volta.


— Parece que esse não vai ser um trabalho tão fácil, não é?


A luz brilhou suavemente.


— Não.


Samuel abriu os olhos. Seu olhar era firme, inabalável.


— Eu vou acabar com o sofrimento. Vou extinguir o esquecimento. Custe o que custar.


A luz permaneceu em silêncio por um instante, como se aceitasse a resolução inquebrantável em suas palavras. Então, respondeu:


— Que assim seja.


Samuel então pegou seus equipamentos, ajustando sua escopeta em suas mãos e certificando-se de que estava pronto. Então, ergueu o olhar e encarou o portal sombrio à sua frente.


Um mundo condenado o esperava do outro lado. Um mundo esquecido.


Ele deu um passo à frente, mas antes de atravessar, murmurou para si mesmo:


— Esperança.


E então, desapareceu nas sombras daquele portal.


--- 💫 ---


Após sair pelo portal, o mesmo desapareceu rapidamente, como se nunca tivesse existido.


Samuel deu o primeiro passo naquele novo mundo e, imediatamente, foi tomado pela cena devastadora à sua volta. A visão era dolorosa. Tudo ao seu redor estava destruído, em ruínas. Restos de corpos e ossos espalhados pelo chão, misturados com pedaços de máquinas. O óleo se misturava com as poças de sangue, criando uma visão grotesca.


O fogo ainda queimava em alguns pontos, mas a luz... parecia ter se apagado, deixando o mundo imerso em um manto de sombras.


Samuel observava aquilo em silêncio, sentindo uma dor profunda ao ver tanta destruição. Ele não podia deixar de se lembrar de seu próprio mundo, das cicatrizes deixadas pelas ações que tomaram seu curso. "Parece que esse mundo também foi destruído pelas suas próprias ações."


Com passos firmes, Samuel começou a caminhar pelo caos. Ele se encontrava em uma cidade praticamente deserta, seus prédios agora apenas sombras do que haviam sido. No céu, seu olhar foi atraído por máquinas voadoras. Elas tinham a forma de baleias gigantescas, deslizando sem um piloto visível, como se fossem controladas por algo além da compreensão de Samuel. Mas o que poderia ser?


De repente, o chão tremeu violentamente. Uma nave disparou a toda velocidade, cortando o espaço entre os edifícios quebrados. A onda de choque foi tão intensa que fez um prédio ao lado de Samuel, já à beira do colapso, começar a desabar.


Os escombros vieram abaixo com um estrondo ensurdecedor, mas Samuel ergueu rapidamente um escudo de energia brilhante ao seu redor, impedindo que os destroços o atingissem. Quando a poeira começou a baixar, um som cortante ecoou pelo ar — uma sirene mecânica, grave e ameaçadora.


Samuel sentiu algo se aproximando. Instintivamente, recuou para entre os destroços, ocultando-se na escuridão das ruínas.


Uma das máquinas voadoras desceu suavemente, pousando sobre os escombros. Seu metal reluzia sob o brilho pálido das chamas ao redor. Samuel, em silêncio absoluto, manteve os olhos fixos naquilo.


De repente, uma luz azul se projetou do ventre da máquina, iluminando o chão. Fragmentos começaram a se materializar naquela energia cintilante até que algo tomou forma diante dele.


Era um robô.


Suas pernas dobradas lembravam as de um canguru, construídas para saltos ágeis e movimentos bruscos. No centro do peito, um pequeno núcleo pulsava em tons vermelhos e azuis, como se contivesse energia viva. Seu rosto... ou o que deveria ser um rosto... lembrava um crânio metálico, com olhos brilhando da mesma maneira que o núcleo.


O robô ergueu uma das mãos, e um dispositivo se projetou de seu antebraço. Uma luz vermelha cortou a escuridão, oscilando em busca de algo. Um scanner.


Samuel se abaixou lentamente, prendendo a respiração. Ele sabia que não poderia ser detectado.


O scanner percorreu os escombros até que, de repente, parou. O robô inclinou levemente a cabeça, como se tivesse encontrado algo de interesse. Sem hesitação, caminhou com passos metálicos até um ponto específico entre as ruínas.


Samuel observou em silêncio enquanto a criatura mecânica retirava algo debaixo dos destroços. Era um torso humano... ou o que restava dele. Sem um dos braços, sem vida, a cabeça ainda presa ao corpo, pálida e gélida.


Então, sem qualquer hesitação, a cabeça do robô se abriu. Um mecanismo interno girou e um triturador emergiu de seu crânio. Segurando o torso como se fosse nada além de um pedaço de lixo, ele levou a cabeça humana até a lâmina e a triturou em segundos.


O barulho foi seco, cruel.


Após concluir a tarefa, jogou o resto do corpo de lado, sem qualquer traço de remorso.


Samuel sentiu o peso daquele momento se prender em sua mente. Ele já tinha testemunhado inúmeras atrocidades, mas aquilo...


Aquilo era diferente.


Era um mundo sem esperança.


E ele acabara de entrar nele.


O robô começou a caminhar de volta para o círculo de luz azul projetado pela nave, mas antes que pudesse retornar, um som estrondoso ecoou pelas ruínas.


De repente, um carro futurista e mecanizado surgiu a poucos metros dali, deslizando pelo solo destruído com uma velocidade impressionante. Sua estrutura metálica refletia as chamas ao redor, e seu motor emitia um rugido eletrônico que parecia desafiar o próprio silêncio da destruição.


O robô imediatamente girou a cabeça em direção ao veículo, seus olhos brilhando com um tom ameaçador. Mas antes que pudesse reagir, alguém sobre o carro ergueu um lançador de mísseis e disparou.


O projétil cortou o ar em um rastro de fogo, indo direto na direção da máquina.


Mas, num movimento surreal, o robô ergueu o braço e agarrou o míssil no meio do ar, como se fosse nada além de um simples objeto.


Houve um breve instante de silêncio, um silêncio mortal, e então, a explosão aconteceu.


O impacto foi devastador. O clarão iluminou as ruínas como se o próprio inferno tivesse se aberto, lançando uma onda de choque brutal que ergueu poeira e destroços em todas as direções.


Samuel abaixou-se rapidamente, protegendo o rosto enquanto fragmentos de metal voavam ao seu redor, cortando o ar com a violência de uma tempestade.


Mas em meio à fumaça espessa da explosão, algo se destacou.


A silhueta do robô ainda estava ali.


Aos poucos, conforme a poeira assentava, sua forma metálica se revelou. Ele permanecia de pé. Intacto.


O ataque não havia causado quase nenhum dano.


Os olhos vermelhos da máquina brilharam intensamente, e num único movimento, ela avançou na direção do carro, seus passos esmagando os destroços no caminho.


Mas antes que pudesse alcançar o veículo, uma onda de luz o atingiu em cheio, jogando-o para trás com força, como se tivesse sido atingido por um trovão.


Quatro figuras emergiram do carro, suas silhuetas ocultas pela penumbra e pelas luzes piscantes da cidade devastada.


Eles seguravam armas tecnológicas, suas presenças imponentes sugerindo que não eram meros sobreviventes, mas algo... mais. Algo letal.


Samuel observou a cena com atenção, seus olhos se estreitando, tentando avaliar a situação.


Quem eram eles?


E, mais importante... estavam ali como aliados ou inimigos?


Sem dar tempo para mais dúvidas, o robô contra-atacou novamente.


Seu braço direito se abriu em múltiplas placas de metal, revelando um mecanismo oculto. Em um instante, uma lâmina negra emergiu de seu antebraço, vibrando em uma frequência distorcida, como se pudesse cortar o próprio ar.


Com um movimento impossível de acompanhar a olho nu, o robô girou sobre si mesmo e lançou a lâmina como um bumerangue mortal.


O projétil atravessou a distância entre ele e os quatro guerreiros com uma velocidade absurda.


Um deles, o mais alto do grupo, mal teve tempo de reagir antes de a lâmina perfurar seu ombro, atravessando sua armadura tecnológica como se fosse papel.


Ele gritou, o som abafado pela força do impacto, e caiu para trás, segurando o ombro enquanto sangue escorria pelo metal de sua roupa.


Mas o ataque não terminou ali.


A lâmina não caiu no chão.


O terceiro tentou atirar no robô, mas antes que pudesse apertar o gatilho, a máquina avançou em um movimento brutal. Seu torso metálico se abriu como mandíbulas mecânicas, revelando uma série de lâminas giratórias.


Antes que o sobrevivente pudesse reagir, o robô o agarrou e o puxou para dentro de sua estrutura.


Houve um grito curto, abafado pelo som cortante das serras triturando carne e ossos.


Sangue escorreu pelas brechas da máquina, pingando no chão devastado.


O robô permaneceu imóvel por um instante, como se estivesse absorvendo a cena. Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente. Ele não caçava por necessidade. Não era uma máquina de guerra comum.


Era algo pior.


Um predador absoluto.


E ele não terminaria ali.


Seus olhos voltaram-se para os três sobreviventes restantes, que engatilharam suas armas, mas hesitaram. Eles sabiam que não tinham chance contra aquela coisa.


O robô avançou um passo, preparando-se para exterminá-los.


Mas então...


Samuel se levantou.


De propósito, ele fez questão de pisar sobre um pedaço de metal, fazendo um barulho seco, mas intenso.


O robô congelou. Sua cabeça girou mecanicamente, identificando Samuel de imediato.


Ele analisou o novo alvo.


E então, notou a luz.


As mãos de Samuel começaram a brilhar com um tom dourado, um contraste absoluto contra aquele mundo mergulhado em trevas.


O brilho suave cortava a escuridão como uma faísca no vazio. Pequeno, fraco... mas inegavelmente real.


O robô reagiu imediatamente. Seu corpo tremeu, e suas luzes vermelhas piscavam descontroladamente. Seu sistema estava confuso.


Então, algo inesperado aconteceu.


A cor de seus olhos mudou.


O vermelho desapareceu, substituído por um azul frio, quase... ansioso.


Os sobreviventes recuaram, sem entender. Mas Samuel compreendeu.


A esperança não existia naquele mundo.


A presença dela era uma anomalia.


E aquela máquina estava programada para eliminar anomalias.


Sem hesitar, o robô ignorou completamente os outros e avançou para cima de Samuel.


Samuel não se moveu. Ele sabia que sua energia estava fraca ali. O brilho em sua mão oscilou por um instante, menor do que deveria ser — não por medo, mas por desgaste. Mas ele não podia recuar.


A máquina ergueu seu braço, que se dividiu em lâminas, prontas para dilacerá-lo.


No último segundo, Samuel ergueu a mão brilhante e, com um estalo de luz, uma barreira dourada surgiu entre os dois.


O impacto foi brutal.


O robô colidiu contra a barreira, faíscas se espalhando em todas as direções. O chão rachou sob seus pés, e uma onda de choque se espalhou pela área.


Mas a máquina não parou.


Ela empurrou contra a barreira, rachando-a lentamente, forçando-se para atravessá-la. Samuel manteve a mão erguida, mesmo quando seus dedos começaram a perder firmeza.


Samuel sentiu seu corpo fraquejar. Aquilo estava sugando sua energia rapidamente. O sombrio daquele mundo era avassalador, esmagador.


A esperança ali era uma chama fraca, e ele estava queimando-a rápido demais.


— Não — murmurou Samuel, mais para o mundo do que para si mesmo.


Então, tomou uma decisão.


Ele afastou a mão e deixou a barreira ceder.


O robô avançou num movimento certeiro, suas lâminas prontas para matá-lo.


Mas era exatamente isso que Samuel queria.


No instante em que a máquina ultrapassou o escudo, ele canalizou tudo que lhe restava e tocou o núcleo brilhante em seu peito.


Por um segundo, a luz pareceu pequena demais para aquele mundo.

A luz da esperança explodiu.


Uma onda de energia dourada se espalhou pelo corpo metálico do robô, infiltrando-se em cada peça, cada fio, cada circuito.


A máquina parou.


Seus olhos piscavam freneticamente, como se estivesse lutando contra algo invisível. Seu corpo começou a tremer, faíscas escapando de suas juntas.


Então, Samuel viu.


Por um breve instante, flashes de memórias passaram pelo olhar morto do robô.


Cidades em chamas. Pessoas correndo. Máquinas exterminando tudo à sua volta.


E um comando final gravado em seu código: "Elimine a esperança humana."


Samuel apertou os dentes e aumentou sua energia.


O robô gritou. Um som horrível, metálico e distorcido.


A luz de seu núcleo brilhou intensamente... depois escureceu.


Seu corpo começou a rachar e, aproveitando a oportunidade, Samuel apontou sua escopeta no núcleo daquela coisa e então disparou, fazendo o mesmo explodir.


Os restos da máquina foram lançados pelo ar, pedaços de metal se espalhando pelos destroços ao redor.


Samuel recuou cambaleando. Seu corpo doía. Sua respiração estava pesada.


Ele olhou para sua mão, antes brilhante, agora apagada.


Ele havia usado demais.


O sombrio era forte demais ali.


Se continuasse assim, não conseguiria manter a esperança viva por muito tempo.


Mas então, algo chamou sua atenção.


Os sobreviventes ainda estavam lá.


E, pela primeira vez... pareciam surpresos.


Eles olhavam para Samuel com algo que não demonstravam há muito tempo.


Talvez, por um breve instante...


Eles tivessem sentido a esperança.


Samuel fechou os punhos e se forçou a ficar de pé.


Ele havia gasto tudo. Energia. Esperança.

E antes que seu corpo cedesse, um último pensamento cruzou sua mente.


Eles sentiram. A esperança ainda existe.


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