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O Herói Dos Esquecidos: O Eclipse do Futuro
01 |💫| O Mundo Esquecido
1221 palavras • 7290 caracteres • ⏱ 4 min 53 s

01 |💫| O Mundo Esquecido

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Existe um mundo, perdido entre milhares de outros, tragados pelo esquecimento. Um lugar onde a tecnologia reinava soberana, mas a humanidade não passava de uma sombra distante — um eco fraco de algo que já não existia. O progresso, que um dia prometeu um futuro glorioso, tornou-se o próprio carrasco de sua criação.


A esperança, antes um farol para os que vagavam na escuridão, havia se apagado há muitas décadas. O tempo apagou seus nomes, e o aço das engrenagens que dominavam aquele mundo corroeu qualquer resquício do que um dia foi luz. O que antes fora uma vibrante civilização agora se resumia a uma ruína, com restos de estruturas que pareciam querer engolir tudo, sem piedade.


Entre os destroços, algo destoava da ruína. Um mural antigo, quase apagado, ainda insistia em permanecer na parede quebrada. As cores estavam mortas, as formas irreconhecíveis, mas havia ali a tentativa desesperada de lembrar quem eles foram. Nem mesmo as máquinas conseguiram fazê-lo desaparecer por completo — porque alguém, em algum momento, se recusou a esquecer.


E então, a escuridão tremeu.


Uma luz rasgou o vazio, abrindo uma fenda no desespero. Seu brilho cortou a monotonia fria, como se o próprio universo se recusasse a esquecer aquele lugar. O ar pareceu vibrar, e entre os destroços e corpos esquecidos, um portal se abriu. As máquinas, por um momento, pararam, como se reconhecessem o que estava prestes a acontecer.

Não foi erro do sistema. Algo naquele mundo respondeu — como se, depois de muito tempo, tivesse sido lembrado de que ainda existia.


E de dentro dele, alguém surgiu.


Samuel.


Seus olhos percorreram as ruínas à sua frente. Ele reconheceu o que restava daquele mundo. O ar pesado, o cheiro de morte, o silêncio absoluto, exceto pelo eco distante das engrenagens. Mas ele não recuou. Não hesitou.


Ele havia chegado.


E sua presença mudaria tudo.


--- 💫 ---


Dois anos e meio se passaram desde a última vez que Samuel se despediu de Alex e daquele mundo. O tempo avançou, mas ele jamais ousou esquecer aqueles que um dia chamou de família. Cada lembrança ainda vivia dentro dele, gravada não apenas na mente, mas no coração.


Desde então, percorreu incontáveis mundos, resgatando-os das sombras que ameaçavam consumi-los. Em cada lugar, deixava sua marca—às vezes em gestos simples, como mudar um pensamento ou influenciar um destino com uma escolha sutil. Outras vezes, com atos grandiosos que alteravam o curso da história.


Às vezes, ao atravessar um portal, Samuel sentia o peso silencioso dos mundos que não chegara a tempo de salvar. Não por dúvida — mas porque sabia que não poderia estar em todos ao mesmo tempo.


Samuel era um justiceiro silencioso, sério quase o tempo todo, mas quando precisava reacender a esperança, suas palavras eram exatas, perfeitas. Mostrava, com poucas palavras, que ainda havia algo pelo qual lutar.


Mas havia mundos onde palavras não bastavam. Lugares onde o próprio esquecimento drenava a vida, onde o desespero se enraizava tão fundo que parecia impossível arrancá-lo. Ele sentia o peso dessas batalhas com mais força do que gostaria. Cada mundo perdido deixava uma marca, e Samuel sabia que, se não conseguisse resgatar esses lugares, a escuridão ganharia terreno. Ele não podia deixar isso acontecer.


Samuel sabia que resgatar esses mundos era a chave para enfraquecer o verdadeiro inimigo: o esquecimento.


Ainda assim, enquanto houvesse uma única chama acesa dentro dele, seguiria em frente. Porque, às vezes, tudo o que o mundo precisava era de alguém que se recusasse a esquecer.


--- 💫 ---


Após salvar mais um mundo, um portal abriu-se diante de Samuel. Como sempre fazia antes de partir, ele parou por um instante, deixando o olhar vagar pela paisagem que estava deixando para trás. A sensação era a de que ele estava deixando um pedaço de si em cada lugar que salvava. E essa sensação o acompanhava, como um peso invisível.


Cada mundo deixava uma marca nele—memórias que ele se recusava a abandonar. Ele jamais esqueceria os rostos, as palavras, as vidas que tocou. O vazio do esquecimento era uma sombra que o perseguia, mas ele se mantinha firme, como uma rocha em meio ao mar revolto.


Com um suspiro leve, murmurou para si mesmo:


— Mais um mundo que ainda resistia ao esquecimento.


Virou-se e deu um passo à frente. Assim que seu corpo desapareceu dentro do portal, a fenda se fechou atrás dele como um sussurro, apagando-se no ar como se nunca tivesse existido.


Mas, mesmo depois que o portal se foi, aquele mundo ainda vivia dentro dele.


Ao emergir do outro lado, Samuel encontrou-se em um lugar familiar, uma toca de lobo. O cheiro da terra e da madeira misturava-se ao leve perfume das lembranças. Era uma sensação reconfortante, como voltar a um lar antigo, ainda guardado nas memórias.


Ele parou por um instante, absorvendo o ambiente ao seu redor. Não era a mesma toca onde conhecera Alex. Mas era um lugar semelhante. Um refúgio. Um lar que ainda o reconhecia.


O silêncio ali dentro era diferente do silêncio dos mundos esquecidos. Não era um silêncio de vazio e abandono, mas de paz. De pertencimento. O espaço era simples, mas carregado de significado. Pelas paredes, estavam dispostas pequenas relíquias, cuidadosamente organizadas. Fragmentos de cada mundo que ele havia ajudado, pedaços de histórias que se recusavam a desaparecer.


Samuel caminhou pelo local, deixando os dedos roçarem cada objeto. Um medalhão antigo, uma foto envelhecida, uma escultura talhada à mão. Cada um deles contava uma história. Cada um deles era uma lembrança viva de um mundo salvo.


Então, ergueu a palma da mão.


Uma luz suave brilhou sobre sua pele, e um pequeno vaso materializou-se, contendo uma flor vibrante e delicada. Uma lembrança viva do mundo que ele acabara de salvar. Com cuidado, ele a colocou ao lado dos outros objetos, dando-lhe um lugar entre as memórias.


Por um breve momento, Samuel fechou os olhos e inspirou fundo, sentindo a paz que o envolvia. Era um raro instante de descanso. Mesmo assim, havia algo no ar — leve demais para ser chamado de ameaça, mas presente o suficiente para lembrá-lo de que aquela paz não era permanente. Mas, por agora, ele se permitia esse pequeno momento de serenidade.


E foi então que uma luz dourada preencheu a toca, envolvendo tudo com um brilho etéreo. A luz parecia reconhecer a importância daquele momento de tranquilidade.


A voz que ecoou era serena, mas carregava um peso grandioso, como a sabedoria dos tempos antigos.


— Vejo que salvou mais um mundo. Agradecemos por isso. Observamos o que fez… e o peso que carregou.


Samuel permaneceu em silêncio por um instante, absorvendo aquelas palavras. Seu olhar era sereno, mas havia algo firme nele—uma convicção inabalável. Ele era um homem de poucas palavras, mas as que dizia sempre carregavam um peso.


— Quem deveria agradecer sou eu — disse, sua voz firme. — Você me deu uma chance… e agora eu posso dar essa mesma chance para aqueles que precisam.


A luz pareceu pulsar, como se reagisse àquelas palavras, respondendo ao peso daquelas escolhas.


— Fico feliz em ouvir isso.


O brilho continuou a dançar suavemente pelo ar, enquanto Samuel se permitia um raro instante de descanso. Ele sabia que logo outro portal se abriria. Outro mundo precisaria dele. Mas, por um breve momento, ele estava em casa.


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