O dia passou bem mais rápido do que pensei, eu não voltei pra casa, não conseguia porque assim que eu toquei na minha varinha de novo, eu não tava conseguindo mais me desapegar dela.
Isso porque, nos dias nos acostumamos uma com a outra, porque, a minha varinha não era apenas uma ferramenta, mas uma espécie de entidade, que possuía um pequeno espírito adormecido nela.
Todas as varinhas eram assim, e por causa disso, era preciso sempre escolher a varinha certa, para a pessoa certa.
E, é claro, meus pais não escolheram a varinha certa pra mim, nem de longe.
Eu queria, muito mesmo me desfazer da varinha, mas tanto eu quanto ela já tínhamos sentido tanta dor uma com a outra, e nós passamos tanto tempo juntas, que, mesmo que eu quisesse me livrar dela, existia algo dentro de mim que queria mantê-la, como se tivesse medo do que poderia acontecer comigo no momento em que essa “dor familiar” da minha varinha não estivesse mais comigo…
Mas felizmente, eu estava com coragem o bastante pra esse medo não me desfazer, e mesmo que fosse preciso que eu ficasse o dia inteiro fora de casa, junto do meu pai(algo que sinto que ele não ligou) eu voltei para a escola…
E eu sinceramente, fiquei surpresa com o que rolou, aquela hora, todos os alunos, até os do turno da noite, já tinham ido pra casa.
E de uma forma irônica, essa era uma das horas onde a defesa da escola estava mais alta, e eu conseguia ver, que toda a escola, de cima pra baixo, tinha milhares de cores de feitiços, que faziam a escola parecer um show de luz de néon a meia noite.
Mas assim como um animal colorido na natureza, normalmente significa “cuidado, sou venenoso” todas aquelas cores de feitiços exóticos significavam algo simples “toque em mim e irá se arrepender”.
Eu fiquei um pouco em dúvida em como eu iria conseguir cruzar aquelas defesas, mas enquanto pensava nisso, alguém veio até nos.
Eu pensei ser outro Golem mas quando olhei melhor pra ele, eu vi que era a Diretora, mas não a Diretora que eu vi na escola, era uma Diretora jovem, em sua faixa de seus 20 anos.
Eu já tinha ouvido esses boatos, que a Diretora dos Golens tinha um grupinho especial de 4 Golens, casa um deles representando um estado de sua vida, e pelo jeito, aquela era a Golem que representava sua Juventude.
Diretora: Dandara, Sir Rodrigues, é um prazer vê-los, peço que sigam-me até o telhado da escola, por favor.
Impressionada pela forma que aquela Golem falava, eu fiquei em silêncio e apenas a segui.
E olha só, pelo jeito a escola mudou muito quando ficava de noite, nos só passamos por 10 corredores no total, mas nesses 10 corredores, eu consegui ver que tinham câmeras em todos os ângulos, Golens de combate patrulhando o lugar a todos o momento, e muitos, mas muitos feitiços armadilhas espalhados por aí (e olha que os feitiços armadilhas foram só os que eu conseguia ver.)
Tudo aquilo me deixou mais que certa que, mesmo se um bandido conseguisse entrar na escola de noite, era bem provável que ele não conseguisse sair.
Mas qualquer devaneios que eu estivesse tendo, foi interrompido quando cheguei no terraço…
Eu já havia pesquisado, eu sabia que ele era bem mais psicodélico do que um ritual pra apenas partir uma carinha deveria ser, mas mesmo assim, ainda fui pega de surpresa.
O terraço da escola era totalmente liso, sem nenhum espaço para irregularidades.
O chão era tomado por uma quantidade imensa de pinturas em cores diferentes, que criavam uma pintura quase abstrata, mas que tinha o padrão de ter quase 15 círculos formados em volta de um décimo sexto círculo imenso bem no centro da pintura.
Tinha uma vela em cima de cada um dos 15 círculos, e com cada vela tendo o tamanho da minha cintura, as chamas azuis daquelas velas balançavam em meio a noite, fazendo todo o ambiente ser pintado em um grande azul…
O dia inteiro, eu senti que todo aquele azul em volta de mim era de calmaria, mas no momento em que eu entrei naquele círculo, e segurei a minha varinha na mão, eu entendi que não era calmaria, era azul de tristeza.
Antes de sequer começarmos o ritual, eu apenas olhei pra varinha a muito tempo, eu sofri muito junto dessa varinha, ela nunca foi pra mim, não importa o quanto meus pais quisessem que isso fosse verdade, simplesmente não era.
E por não sermos compatíveis, a varinha estava contaminada, pela dor e podridão que nós duas passamos juntas, e essa podridão, junto com meu sangue, havia virado basicamente a armadura para essa varinha, o espírito dele, não podia ter uma outra dona, não podia seguir em frente, nao podia tentar de novo, quando eu me livrasse dele.
E eu apenas conseguia pensar que, isso não era nem um pouco justo, mas para a minha sorte, existia uma forma de limpar a varinha dessa sujeira que eu causei a ela, e ela teria a chance de conseguir uma nova vida, uma nova chance, uma portadora que realmente a amasse.
Dandara: bom, velha amiga, acho que isso é um adeus…agradeço por você ter aguentado até aqui comigo, mas sinto que é hora de nos separarmos.
A varinha, assim que falei isso, ficou pesada, e começou a disparar muitos feitiços por todos os lados, como se estivesse protestando contra as minhas palavras.
Dandara: não, não, não chore, você sabe que isso é o melhor pra nós dois…eu, me importo com você, por isso, irei quebrar nosso elo, pois sei que você merece coisa melhor do que essa dor que eu te causo, então, por favor…seja feliz com a sua próxima dona…
A minha voz começou a falhar quando eu comecei a falar daquela forma, acho que, quando eu tava tão perto de me desfazer daquela conexão foi quando eu percebi o quão real esse momento era…
Eu pensei que, se eu pensasse apenas que essa fosse a última a ligação que eu tinha com meus pais, o meu corpo iria só aceitar que eu teria que me desfazer da varinha, e não lutar tanto com aquilo, mas eu estava errada…
Mesmo que aquela ligação fosse principalmente com meus pais, como quase tudo na minha vida, aquela varinha cresceu em mim, a ponto dela não ser mais uma simples lembrança dos meus dias ruins, mas uma lembrança da grande resistência que eu fiz ao lado dela por muito tempo.
Eu já estava começando a questionar se eu deveria mesmo fazer isso ou não…até que minhas mãos começaram a doer, e então eu vi, os calos, os calos daqueles dias onde eu disparava feitiços até minhas mãos sangrarem…
Eu me lembrava de todas as vezes que eu chorei quando minha mão se cortou, ou fiquei com bolhas tão grandes nas mãos que elas rasgaram e sangraram.
Só de lembrar daquela dor, eu fiquei tremendo por alguns segundos, até eu me acalmar, pensando que acabou, eu não tava mais sangrando, pelo menos não mais.
A minha pele se curou, mais grossa, menos sensível, e com muita dor física e emocional em cada ferida.
Essas feridas, foram como um balde de água fria no meu rosto, e eu me lembrei porque eu pedi isso pra Diretora pra começar…
Me lembrar de todas essas coisas, cada momento que a minha varia presenciou, e cada fardo que eu carregava se não a trocasse agora. Fez minha determinação ficar inabalável como uma montanha.
Então eu respirei fundo, apertei a minha varinha bem forte no meu punho, e andei até a Diretora, antes que essa minha vontade de ferro acabasse.
O brilho azul de tristeza das velas, refletiu bem o rosto da Diretora, me permitindo ver de forma perfeita que ela me olhava com uma mistura de pena, compreensão e felicidade, no olhar. Não era nem um nem outro, eram os três ao mesmo tempo.
Uma vez que estávamos frente a frente uma à outra, eu entreguei minha varinha a ela… e assim que entreguei a varinha a ela, mais uma vez me lembrei algo que deixava mais que justificável que eu quebrasse minha varinha, o tamanho dela.
Varinhas de magos tinham uma característica especial e misteriosa, que, quando eles cresciam tano como magos como pessoas, as varinhas deles cresciam também, de varinhas, pra bastões, e depois pra cajados.
Eu era uma aluna partindo pro segundo ano na época que parei de usar minha varinha, então na teoria, a minha varinha devia ser, pelo menos, um bastão aquela altura, mas isso não aconteceu, porque assim como minha varinha, eu não cresci quando estava na escola da Diretora, por mais que ela tenha me ajudado muito em certos pontos da minha vida, então minha varinha nunca cresceu comigo.
Diretora: tem certeza que quer fazer isso jovem Dandara?
Dandara: desde que eu comecei a sentir coisas de novo, eu tenho sido bem sincera por muitas coisas, mas isso, isso eu tenho a mais absoluta certeza
Diretora: essa varinha deve ter lhe causado muita dor, mas tenho certeza que ela deve ter muitas lembranças boas também
Dandara: é, tem mesmo, mas todas as lembranças boas são completamente engolidas pelas lembranças ruins, não vale a pena essa varinha continuar existindo.
A Diretora entendeu e apenas me permitiu continuar isso, além do sangue que corria em minhas veias, aquilo talvez fosse a última coisa que eu tinha que pertencia a família Galdino, então, quando tudo começou, eu usei meu ódio dos Galdinos para conseguir fazer tudo do jeito certo.
Assim que o ritual começou, as velas mudaram de cor, elas foram de chamas azuis, direto para camas vermelhas, e a cera delas, bem devagar, começou a escorrer pra onde a varinha estava.
E enquanto a cera vinha pra nós, a Diretora usou um encantamento, que pareceu tirar os feitiços de resistência da varinha, um segundo encantamento, que fez ela começar a voar de forma bem lenta pra onde eu estava, e um terceiro e misterioso encantamento que fez com que a varinha começasse a crescer milhares de pequenas raízes em volta dela, como se a varinha fosse uma batata no meio da terra.
E depois disso, a cera finalmente chegou até nós, se transformando em um pequeno círculo entre nós duas, que logo se transformou em um pequeno portal, um portal que eu tinha uma leve ideia do que ia dentro dele
Diretora: pronto, a parte difícil terminou, normalmente, essa é a parte fácil.
Ouvindo aquilo, eu sorri pra Diretora, e segurei as duas extremidades da varinha, e assim como ela falou, quando eu segurei a varinha, e finalmente tive a chance de parti-la, aquela pareceu se tornar a parte facil mesmo.
Eu coloquei força em lados opostos da varinha, e ela resistiu, tentou se manter dura, tentou ficar forte, impedir que aquilo acontecesse.
Ironicamente, isso fez com que ela ficasse mais fácil de partir, naquele ato, muitas lembranças, de mim desmaiando, indo pro hospital e ninguém da minha família estando do meu lado, dos gritos que eu constantemente levava dos meus pais, e das brigas constantes que eu tinha com meus irmãos.
De vez em quando, uma imagem deles me abraçando, me dando um bolinho, ou apenas sendo gentis comigo, apareciam, mas tinha tantas lembranças ruins, que essas poucas boas eram totalmente esmagadas e reprimidas.
E com o rosto cheio de fúria e ódio, eu parti a minha varinha ao meio e algo peculiar aconteceu, ela começou a soltar magia, uma magia bem bonita, fofinha e linda que estava presa naquela madeira feia e triste.
A magia ficou rodopiando alegremente no ar por um bom tempo, até que ela se condensou numa criaturinha toda alegre, que tinha o formato de uma pequena gênia da lâmpada.
E depois de rodopiar por mais algum tempo, o espírito que habitava a minha varinha se virou pra mim…nós duas sabemos que, quando ela entrasse naquele portal, não teria mais volta…e mesmo sabendo que, nunca mais nos veriamos, tambem estávamos felizes, felizes pois, seja lá onde nós duas fossemos pro futuro, nós sabíamos que estaríamos melhores e felizes.
Espírito: bom, acho que isso é um adeus
Dandara: é…vê se tenta não ter o azar de pegar duas garotas como eu seguirás
Espírito: não se preocupe, eu vou garantir que algo assim nao vai acontecer…se você conhecer o dono da minha futura rainha, vou tentar te dar um sinal
Dandara: então até mais…espero que agente possa se conhecer em situações melhores no futuro
Espírito: eu também, Dandara Rodrigues, eu também.
E depois de falarmos isso, a garota espírito lentamente se transformou em fumaça de novo, e foi sugada para o portal, que iria levá-la pra uma varinha sem Espirito ou pra um brancho de árvore ainda grudado no chão, podia ser qualquer um dos dois.
E quando o último fiapo da pequena fantasminha entrou no portal, a cera finalmente chegou onde estávamos, e uma pequena caminha de cera foi colocada onde estava o portal.
Uma caminha, que logo ems eguida se acendeu em uma grande faixa de fogo, e quando eu vi aquela chama ali, foi nesse ponto que eu agradeci a mim mesma por ter feito tudo aquilo, antes de acabar perdendo a coragem de novo, porque mesmo sem magia, mesmo sendo apenas dois pedaços de madeira inuteis e sem valor magico nenhum, eu ainda penei muito pra conseguir jogar as lascas da varinha no fogo.
E o fato do fogo ser azul de novo, novamente um aul de um clima que mostrava tristeza, não ajudava muito nisso também.
Diretora: faça no seu tempo, não se force
Dandara: não to me forçando…eu…só preciso de um minuto, ou 2.
10, pra ser exato, foi difícil, e muito pesado, mas eu consegui força nas mãos o suficiente pra jogar aqueles últimos pedaços de madeira nas chamas.
E quando fiz isso, sabia que tinha algo errado comigo, pois por um reflexo, eu quase tentei pegar aquelas chamas, mas o calor delas me afastou.
Eu olhei a madeira queimar por muito tempo, é isso, acabou, aquela varinha era a última coisa que me conectava aos Galdinos agora, eu devia estar feliz…mas pelo jeito, uma parte de mim, mesmo que bem pequena e escondida em todos os sentimentos novos que descobri ao longo do tempo, ainda acreditava que, por algum milagre, eu iria me entender com meus pais.
Isso, porque eu comecei a chorar…não eram meus choros descontrolados, que apreciam mais berros ou birras de criança, esse choro foi apenas um choro, lágrimas caíram, eu não esperneei, não gritei, apenas deixei que a tristeza escapasse pelo meu rosto ao saber que eu não tinha mais nada além de sangue e traumas que me ligava a minha família de sangue agora.
E olha só, mesmo com essa tristeza em meu peito, quando não tinha mais nenhuma lasca de varinha la, e s existia cinzas pra todo o lado, eu senti a conexão com a minha varinha se partindo, e consequentemente, eu me senti bem melhor comigo mesma, como se um peso tivesse saído das minhas costas.
E pela primeira vez, em toda aquela noite, a Diretora parecia feliz em me ver ali
Dandara: oh minha jovem, como se sente?
Era engraçado que tantas pessoas começaram a perguntar isso pra mim, e o mais engraçado é que eu amava sempre responder a pergunta.
Dandara: melhor.
Eu tava sentindo muito mais coisas do que simplesmente “melhor”, mas a Diretora me olhou nos olhos, e entendeu na hora que eu não queria falar muito, então ela apenas perguntou outra coisa pra mim.
Diretora: quer ajuda pra conseguir uma nova varinha?
Dandara: não precisa, eu vou ir com meu pai na loja
Diretora: ah, você vai na loja com o Sir Rodrigues? Sortuda, ele é um grande especialista em varinhas
Dandara: sério?
Pai: muito serio, filha. Eu não quero me gabar, mas, seu papai é um grande amante de varinhas de todos os tipos e tamanhos, é meio que um passatempo meu.
Dandara: olha quem diria…nesse caso, acho que não poderia pedir pra alguem melhor pra me ajudar a escolher uma varinha.
Meu pai sorriu pra mim quando eu falei aquilo, e depois de me despedir da Diretora, eu e meu pai fomos levados pra fora, pela mesma golem vestida de “Diretora adolescente” que tinha nos levado lá pra dentro…
E, depois de tudo que eu passei, não consegui focar nos mega controles de segurança da escola.
O mundo inteiro parecia ter ficado desfocado de novo, mas não porque eu não tava me importando com nada, era porque eu literalmente tava importando tanto com o que eu tava sentindo agora, que eu não podia nem pensar muito no que tava na minha frente.
Pai: você tá bem?
Dandara: não…
Eu queria continuar falando, mas antes de falar mais, eu olhei pra minha mão alguns minutinhos, os calos ainda estavam lá, eu ia me livrar deles de alguma forma, eu ia voltar a ter mãos normais, mas por enquanto, eu teria que olhar pras minhas mãos, todos os dias, e lembrar de todas as coisas horríveis que passei pra deixa-las assim.
E enquanto pensava nesse fato, terminei a frase, com minha voz com muito mais peso do que pensei que teria.
Dandara: eu fiquei com aquela varinha por anos, sim, ela tava me machucando, mas quando me acostumei com a dor, ela meio que se tornou um lugar seguro, pois a dor da varinha era previsível, diferente dos meus pais, eu estava me machucando, mas a dor que aquela varinha me causa era uma das poucas coisa que eu conseguia entender na minha casa antica…
Dandara: de, uma forma bem distorcida e estranha, a minha varinha foi uma das coisas que me ajudaram a chegar até aqui. Eu não me arrependo de ter libertado ela dessa amizade dolorosa, estranha e distorcida que nós tínhamos, eu me sinto aliviada e feliz, e ela com certeza se sente da mesma forma, onde quer que ela esteja…
Dandara: mas, como eu falei, mesmo sendo distorcido e errado, ainda éramos aliadas, de alguma forma…e agora que ela não tá do meu lado…eu sinto uma saudade bem grande dela.
Esse era um dos momentos em que eu agradecia por não termos levado a Amanhecer ali conosco, porque o meu pai começou a caminhar um pouco mais devagar comigo no meio da noite, segurando minha mão bem forte, tentando me confortar.
Pai: não se preocupe filha. Não tem problema em sentir saudade de alguém que, de uma forma estranha, de ajuda numa parte ruim da sua vida, sinto que, de todas as coisas ruins que você passou, essa varinha, com certeza é algo que vale a pena lembrar
Pai: mas eu quero que saiba que não sou tolo como aquele orco imundo que um dia você já chamou de pai. Eu vou saber escolher uma boa varinha pra você, e vou te ensinar a usá-la direitinho
Dandara: hmhm, e, eu espero.
Eu sabia que ia demorar pelo menos uns dias pro meu Pai conseguir tempo pra me levar até a loja de varinhas, e de forma bem sincera, eu não me importava.
Sim, eu me sentia vazia e incompleta, mas também sentia que essa liberdade que ganhei quebrar a vassoura era algo que poderia me manter calma, até chegar o dia de eu conseguir minha nova varinha.
Além disso, quando fui recebida em casa, o Rex pulou em meu colo, e ficou ali, lambendo minhas mãos, algo que me deixou bem mais calma.
Serio, fazer carinho em um cãozinho causava uma calma tão grande que às vezes era difícil de descrever.
Dandara: hehe, acho que eles não são tidos como “melhores amigos dos Sapiens” atoa
Pai: e, e você ainda vai descobrir muito mais disso, vem, vamos ver seus irmãos.
E depois daquilo, e me acalmei, sentindo que meu segundo sonho, desde que eu tinha saído da casa de recuperação, estava completo.

