Depois do café eu segui meus pais para o lugar especial onde eu seria tratada. E uma vez do lado de fora, o sol, algo que eu era tão ignorante antes, agora me machucava como se eu tivesse virado uma vampira, nossa, agora eu sabia como os reclusos se sentiam, por isso eu levei óculos e um chapéu.
Que alegria, eu, era, uma amaldiçoada também, mas não uma maldição legal, ou controlada quanto meu querido Príncipe dos olhos de mel, tinha. Não, a minha Maldição, era cruel, sádica, perigosa, e extremamente mortal.
A minha Maldição fazia com que um por um de todos os sentimentos do meu corpo fossem desligados, e se eu não tomasse cuidado, eu podia até mesmo perder o sentimento de necessidade que eu tinha pra respirar.
O fato de que eu sobrevivi até chega a adolescência era um milagre, mesmo com meus pais biologicos me “ajudando”
Enquanto que a Maldição do meu príncipe, mesmo não sendo um mar de rosas, com certeza era algo bem mais tranquilo que a minha, afinal, o que era ter todos os sentidos do corpo mais sensíveis, comparado com o que eu tinha?
Além de que, a maldição dele fez com que ele ficasse bem mais “radiante” do que eu mesma estava agora.
Perto de onde eu estava, eu até percebi aonde o meu Príncipe estava, ele estava me esperando em uma rua específica do Reino, pois ele não queria que eu passasse por tudo aquilo sozinha, e isso era apenas um dos exemplos da grande radiância que meu Príncipe carregava, principalmente perante a mim.
Com a pele escura em tom de chocolate dele, o cabelo encaracolado que pareciam desenhados pela própria Criadora, uma calmaria no rosto que causava minha própria paz, e dois olhos dourados, que eu comecei a associar com mel, porque meu Príncipe era um docinho, principalmente pra mim.
Hoje ele estava usando calças grossas, um casaco bem grosso, daqueles que se usa pra escalar montanhas, e um cachecol ao redor no corpo.
Se eu não soubesse que em cada uma daquelas roupas super grossas tinha um feitiço de congelamento por baixo, eu já ia questionar como o meu Príncipe não desmaiou de insolação, mas não tinha o que fazer sobre isso, mesmo que fosse difícil, o meu príncipe amava muito roupas de estilo inverno.
E, como sempre, o meu mundo ganhou bem mais cor assim que meu príncipe ficou no meu campo de visão, mas o meu mundo não ficou com as cores normais, não, foi algo muito mas muito melhor, ele ficou rosa, tudo ficou rosa.
E enquanto andava devagar até ele, só conseguia sentir um sentimento bem específico, que era quente, inocente, e alegre ao mesmo tempo, e esse sentimento, eu já sabia com certeza que era amor, sem nem precisar pensar duas vezes.
Quando cheguei perto dele, a primeira coisa que eu fiz foi abraçá-lo com toda a força nova que o meu amor por ele conseguia me dar, e ela era bem alta.
Meu Deus, eu sempre me impressionava quando o tocava, mas o meu Príncipe possuía um calor de cuidado e carinho bem parecido com o do meu pai, só que um pouquinho mais intenso.
Dandara: senti saudade
Antônio: eu também senti.
A minha voz sempre aprecia ficar mais doce quando tava perto dele, e isso era só mais uma coisa que eu não questionava, só aceitava, pensando que era só uma consequência do amor que nós dois tínhamos um pelo outro.
Agente ficou abraçado por bastante tempo, e durante o abraço, me senti uma pessoa normal, feliz e completa novamente e com nenhum dramas sentimentais que parecia ocorrer sempre que eu tava sozinha
Isso até nos desfazermos do abraço, e mesmo que eu ainda sentisse de forma bem forte meu amor pelo meu Príncipe, eu podia sentir que, uma vez separados, de novo eu estava incompleta…voltando a me sentir totalmente vazia e fria por dentro.
Antes de irmos, nós dois tiramos um tempinho pra admirar um ao outro, até agora, eu não sabia o que meu Príncipe via em mim além de uma mulher quebrada e com muitos traumas. Mas se ele visse em mim algo tão bonito quanto a minha visão que eu tinha dele, então tava tudo bem pra mim.
Porque em meus olhos, o meu príncipe era incontrolável, inabalável…e até intocável, por todas as coisas inacreditáveis que eu já vi ele fazer, por mais que ele insistisse que não era um anjo.
Ele sempre foi lindo pra mim, desde nosso primeiro encontro, mas quando sorria pra mim com aqueles olhos de mel, ele parecia um anjo.
Antônio: pronta?
Dandara: pronta.
E de mãos dadas, nós caminhamos juntos sem falar nada, mais um lembrete que, apesar do amor, nós éramos no máximo só conhecidos agora.
Ainda era difícil de acreditar que eu tinha a Maldição do Vazio, apesar do que os Psicomago diziam, e isso só comprovava o quão ruim da cabeça tava antes.
Eu ainda não era uma especialista em Maldições como meu Príncipe, mas o dia do teste, foi algo que eu nunca poderia esquecer, eu fui levada a uma sala isolada de todos, com alguns feitiços gravadoras, e umas paredes reforçadas, caso, o que quer que descobrissem dentro de mim, fosse instável de alguma forma.
E naquela salinha, eu conversei com um psicomago por um bom tempo, e em menos de 1 hora, o mesmo Psicomago contou aos meus novos pais que eu tinha a Maldição do Vazio.
Essa maldição era super perigosa por vários motivos, pelo quão fácil alguém poderia a contrair, e o que ela fazia era, como o próprio nome sugere, deixar a pessoa totalmente vazia, tirar todos os sentimentos dela, até a pessoa afetada não ter sequer vontade pra conseguir respirar sozinha.
Sendo muitas vezes referida como “um cadáver que ainda estava vivo” por muitos especialistas…e se o meu príncipe não tivesse me conhecido, talvez eu tivesse morrido, e ninguém no Reino inteiro teria ligado…bom, talvez alguém ligasse por eu ter morrido, mas eles nunca iam conseguir me achar, não no lugar onde eu estava.
Pensar nisso fez o medo subiu pela minha espinha, e diferente de todos os meus outros sentimentos, aquele ali nunca enfraqueceu, o que talvez fosse algo bom, porque em frente aos portões da casa de reabilitação, comecei a questionar a mim mesma se era aquilo mesmo que eu queria.
Mas como eu fiquei bastante tempo apenas sem fazer nada, eu fiquei muito boa em conversar comigo mesma, pelo menos pra momentos essenciais igual esse.
E nesse momento, eu estava pensando qual medo estava maior em minha cabeça: o medo de ficar dentro daquele lugar e presa, ou o medo de ficar aqui fora e desprotegida.
Eu pensei nisso até minha mente entrar em completo branco ao ver a imensa casa de reabilitação na minha frente, sendo uma grande casa forte, blindada tanto de forma física quanto mágica, e muitos sistemas de segurança espalhados por todo lugar, não apenas fazendo certeza que ninguém poderia sair…mas que ninguém poderia entrar também.
E na hora que eu percebi isso, um único pensamento passou pela minha cabeça, que nocauteou e empurrou todos os outros pra bem longe: “eles não podem pegar você aqui”. E quando esse pensamento passou pela minha cabeça, o medo por ficar fora e desprotegida acabou vencendo.
Com minhas certezas definidas, eu já estava pronta pra entrar ali com meu Príncipe, mas antes de entrarmos, uma mão chamou minha atenção de longe, e eu vi de cara quem era, era a mãe do meu príncipe. A Lady Marcela.
Mãe: não se preocupe, vai ficar tudo bem.
Muitas pessoas estavam me falando aquilo, como se eu fosse fugir dali na primeira oportunidade, mas depois de tudo que a Lady Marcela fez por mim, sentia que de todos ali, ela era a pessoa que eu mais podia confiar.
E eu presumia isso só pelas coisas que eu sabia que ela fez por mim, quando saísse dali, eu ia ficar mais que empolgada em ouvir detalhe por detalhe tudo que ela fez pelo meu Príncipe e pelo irmão dele, com certeza, essa seria uma história boa para ser ouvida, mas primeiro, eu tinha que cuidar da minha cabeça.
Isabeli: eu sei, mas obrigado por tentar me acalmar, Lady Marcela
Marcela: ah, não precisa ser tão formal assim, pode só me chamar de “Mãe”
Isabeli: ok…“mãe”.
Aquilo fez eu me sentir mexida por dentro, como se milhares de dedos estivessem fazendo cosquinhas no meu peito, era isso que as pessoas sentiam quando ficavam felizes?
Bom, eu não sabia o por quê? Mas até agora, a Lady Marcela, ou melhor, a Mãe do meu Príncipe, era a única pessoa, além do meu Príncipe, que era capaz de me fazer sentir esse tipo de coisa.
E novamente, considerando TUDO que ela e meu Príncipe fizeram por mim, não era pra menos que meus poucos sentimentos restantes não tinham medo nenhum de se mostrarem pra eles.
E enquanto entramos mais na casa de recuperação, tirei um tempinho só pra olhar pro meu pulso, e depois de passar por muitas portas, falar com muitos guardas e passar por muitos setores de segurança, eu cheguei em um lugar onde o Diretor daquela casa de reabilitação estava, mas antes de eu falar qualquer coisa, a Lady Marcela foi até meu Príncipe, mas eu sabia que ela tava se referindo a mim também, pela forma como ela me olhava de canto.
Marcela: crianças…porque vocês não ficam lá fora um pouco enquanto os adultos conversam?
Mesmo não tendo muitas emoções consistentes agora, eu tinha total noção do que essas “conversas de adulto” significavam, então era mesmo melhor pra mim ficar lá fora com meu Príncipe.
Mas uma vez que nós ficamos do lado de fora, o medo continuou o trabalho dele que era me manter viva.
Mas como a única emoção realmente forte na minha cabeça, ele tava fazendo um péssimo trabalho em me manter viva, me enchendo de pensamentos sinistros e ruins, como “e se eu nunca sair daqui?”, e que talvez, só talvez, fosse melhor eu nunca sair mesmo.
E enquanto minha alma se afogava em medo, olhei pro meu Príncipe, pensando que apenas olhá-lo, iria diminuir meu medo, mas pelo jeito, só o olhar não ia ser o bastante dessa vez.
Dandara: eu tô com medo Antônio
Antônio: normal, qualquer um iria ficar.
E com essa simples frase, mesmo não estando nem perto do fim de nossa conversa, eu já estava um pouco mais calma.
Porque foi pela belíssima aparência dele que eu escolhi o Sir Antônio como meu amado Príncipe, nananananão, eu o escolhi porque ele tinha o dom da fala capaz de acalmar até o dia mais tempestuoso do meu coração, coisa que ele fazia agora, de forma tão fácil quanto respirar.
Dandara: acha que eu tô fazendo a coisa certa?
Antônio: ué, não foi você que disse pra mim outro dia, “não confio na minha mente, até entenderem o que tem de errado comigo, ficar num lugar seguro vai ser melhor pra todo mundo”.
E mas uma vez,ele fez muitos sentimentos meus saírem de uma vez, a ponto que eu nem sabia direito o que eu tava sentindo agora.
Ai, eu amava esses papos que eu tinha com meu Príncipe,quando eu entrasse, provavelmente ue iria ter bem menos papos como esse, mas apenas aquela conversinha tranquila foi o bastante pra eu deixar meu medo de lado e dar um soquinho de brincadeira no meu Príncipe pela brincadeira que agente ta fazendo.

