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Olhos de mel 🌻X
🤝uma nova promessa🤝
1898 palavras • 10730 caracteres • ⏱ 7 min 36 s

🤝uma nova promessa🤝

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Com todas as doideiras que rolou nos últimos dias, eu não sabia exatamente o que iria acontecer, mas ter um jantar com a família do meu Príncipe não era algo que eu esperava. Eu fui bem arrumada porque eu queria causar uma boa primeira impressão, mesmo que eu só fosse conhecer o pai dele pela primeira vez, e todo mundo eu meio que já conhecia muito bem.


A casa do meu Príncipe era bem grande, mas comparado aos casarões de outros mercadores, era uma casa bem humilde, lá dentro tinha muitos mordomos, hum, o nome Carvalho deveria ter uma história bem interessante em sua fundação.


E quanto mais eu entrava, todo mundo me recebeu muito bem, meu Príncipe foi o primeiro a me comprimentar com um abraço, a mãe dele chegou logo em seguida, também me dando um abraço, logo depois veio o irmão mais velho do meu príncipe, que me deu um aperto de mão e depois puxou com um abraço até que eu finalmente vi o pai do meu Príncipe. 


Com todas as histórias, ataques de raiva e ódio genuino que eu ouvi não só do meu Príncipe, mas da família inteira, imaginei que ele seria um tipo de monstro, aberração ou um cara muito feio, mas foi totalmente o contrario, ele tinha a aparência de um cavaleiro exemplar, cabelo bem feito, barba aparada, um simples corte na bochecha, e uma postura que já mostrava que ele passou por poucas e boas assim como seus filhos. Ele me deu um abraço também, e o abraço dele tinha um calor peculiar, muito parecido com os dos meus pais, então, fomos pra sala de jantar.


E novamente fui pega de surpresa, porque pelo que ouvi do pai deles, pensei que o jantar seria um campo de batalha, ou pelo menos que o clima ia estar pesado, mas não, todo mundo só comia, bebia e tinha um papo solto um com o outro de vez em quando, o clima da mesa era tão leve que eu ate pensei que poderia sair voando se eu não tivesse cuidado. Com meu medo perdendo pra minha curiosidade, perguntei.


Dandara: então senhor Carvalho, poderia me dizer o que você faz?


Pai: ah, não sou mais o senhor Carvalho, agora sou o senhor Santos.


A família Santos? Eles estão divorciados? como era possível ficar divorciado com alguém e apenas ter um jantar com um clima tão leve assim como se nada estivesse errado? Nossa, era em momentos assim que eu notava onde meu Príncipe conseguiu toda a sua inteligência e beleza tambem, por que o pai do meu principe, o agora “senhor Santos” era muito bonito, mas era óbvio, ele tinha a mesma cara do meu príncipe, tirando a idade, as rugas e os olhos castanhos. Hummmmm, isso me fazia pensar de onde ele puxou os olhos de mel, mas talvez eu pudesse perguntar isso depois.


Pai: sobre sua pergunta querida, eu sou o capitão de um esquadrão de cavaleiros, normalmente eu sou mandado pra cidades bem distantes pra algumas “operações especiais” se é que me entende


Dandara: você poderia ser mais específico?


Pai: infelizmente não.


O que era uma pena, porque “cavaleiros de operações especiais” era um titulo muito vago, poderia significar tanto coisas simples como “dar cascudos em adolescentes” quanto como coisas mais sérias como “resgatar Singulares sequestrados”.


Mas não importa em que operação ele estava envolvido, isso apenas significa uma coisa pra mim, o Pai do Antônio era forte, o que me deixava ainda mais assustada, por que o pai do Antônio era tão forte que ele conseguia diminuir seu poder a ponto dele parecer que era mais fraco que seus filhos, não queria olhar com detalhes aquilo por que parecia bem rude, mas não pude me conter, e fiquei absurdamente assustada em ver o quanto de controle ele tinha pela própria aura, isso já mostrava a quantidade de treino aquele cara passou.


Dandara: soube que você e o meu Principe conversaram e se entenderam, tá tudo bem vocês ficarem aqui


Pai: claro que sim, o que ele passou foi só por uma raivinha momentânea, agora que já passou ta tudo bem, não é filho?


Antônio: é


Pai: mas não pergunte pra mim, acho que você vai gostar mais de entender com ele explicando


Dandara: voceeeee, viu algum jogo de vassoura ultimamente.


Então o pai do Antonio ficou sério e me olhou com a maior atenção do mundo.


Pai: você fala das finais dos “flamingos vermelhos contra os escudos gêmeos?”


Pedro: ah não


Antonio: a caixa de pandora foi aberta


Dandara: é


Pai: e você gostou do resultado?


Dandara: como eu poderia? os flamingos perderam por bobeira


Pai: E NÃO É, BEM NO MOMENTO DECISIVO, TROCARAM O MELHOR JOGADOR, E O LANCELOT FOI AFASTADO A TEMPORADA INTEIRA, COMO VOCÊ AFASTA A COLA QUE MANTÉM TODO SEU TIME UNIDO?


Apesar de toda a raiva presente ali, e o fato de eu só falar de uma coisinha ou outra, comecei a perceber algo interessante, e o meu Príncipe, que estava só comendo enquanto seu pai ainda falava, me olhava enquanto balançava devagar a cabeça, como se ele estivesse falando “é, eu também percebi”. 


O pai do meu príncipe…falava de forma igual a ele, ele falava pouco, mas quando era algo que ele realmente gostava, ele falava por horas disso, e eu ouvi palavra por palavra, e graças a deus, o pai do meu Príncipe não parecia irritado que eu ligava mais para as vassouras que para os jogadores, na verdade ele parecia até ainda mais intrigado pra saber mais de como ele poderia reclamar das decisões idiotas dos técnicos. 


Por que era isso que ele fazia, ele passou um tempo absurdamente longo apenas reclamando das decisões idiotas que os técnicos fizeram, e do jeito como ele explicava tudo certinho, eu comecei a sentir raiva também, e no fim do jantar nós já estávamos gritando juntos, enquanto a senhora Carvalho parecia cansada, mas feliz que seu ex achou alguém tão doido quanto ele, hehe.


Depois do almoço, fui pra um canto conseguir uma água depois de falar tanto, e enquanto tomava, vi o Pai do meu Príncipe enrolando seu braço no pescoço dele, fazendo cascudos na cabeça dele e falando.


Pai: respeita essa garota Antono, essa ai é pra casar


Antônio: é, sei disso, mas vou fazer na hora certa.


Tentei imaginar que aquele copo conseguia de algum jeito impedir que todos vissem o quando estava vermelha e continuei bebendo, e quando meu Príncipe me chamou, fui na hora até ele. Agente se afastou de todo mundo logo depois, e apenas o pai do Antônio parecia se importar com isso, nem fiquei impressionada quando chegamos no quarto e o pai dele gritou.


Pai: PORTA ABERTA


Antonio: EU SEI.


Ele apagou a luz mesmo assim, mas com a luz da porta aberta, ele pensou não precisar de lanternas, eu não queria passar por aquilo, mesmo que eu me encrencasse depois, então eu fechei a porta, e falei.


Dandara: se você levar bronca, fala que eu fiz isso


Antônio: então, me conta as novidades, parece que você tem muitas coisas para me falar


Dandara: você também, você tá tão diferente


Antonio: vai, você primeiro.


Eu queria muito ouvir todas as aventuras doidas que meu Príncipe passou, mas eu também queria muito falar tudo que eu passei, e com o escuro escondendo meu rosto, eu me senti muito livre pra contar tudo, literalmente tudo o que eu passei, e eu tive muito o que falar. 


Contei sobre as músicas que eu fiz, sobre como eu consegui minha nova varinha, como eu me aproximei de minhas novas amigas, como eu aprendi mais sobre maldições, como eu comecei a pensar o que realmente significa ser boa, o que é ser feliz e o que significava ser Dandara Rodrigues. 


Eu falei tanto e mostrei bastante também, primeiro mostrei minha varinha, e ainda em sua forma incompleta de bastão, o Antonio criou uma pequena luz para vê-la, quando ele a segurou, as flores cresceram em volta dela e isso não me surpreendeu muito.


Antônio: ah, ela é muito linda


Dandara: é, eu sei.


Também cantei no escuro todas as músicas que eu fiz, ele sempre ficava feliz quando eu cantava as músicas antes, mas agora ele parecia além de feliz, ele parecia hipnotizado por minha música, e o meu sorriso no escuro não podia ser mais sincero.


Antonio: parece que você encontrou o que faltava na sua música


Dandara: é, demorou um tempo pra eu descobrir, mas consegui…mas e você? Como tem andado?


Antônio: alem do trabalho exaustivo e super complexo que eu consegui? Eu também consegui visitar um monte de lugares doidos, olha.


E usando uma magia de memórias, meu Príncipe mostrou muitas fotos mentais que mostravam os lugares doidos que ele visitou. 


Um grande gêiser que ao invés de disparar a água, ele sugava a água que estava flutuando no ar de forma peculiar, a foto dele era junto com alguns nativos fazendo poses no jeiser. 


A outra foto era uma grande cidade feita de frutas, onde mostrava que ele ganhou o terceiro lugar num concurso de comer morangos, eu não me impressionava em ver que o primeiro e segundo lugar eram montanhas de tão enormes que eram. 


Outra imagem era uma lembrança dele rindo enquanto cavalgava em cima de um tiranossauro rex, o de verdade, colorido, cheio de penas e absurdamente assustador, mas manso e de coleira, então devia ser domesticado. 


Outra imagem é ele brincando de spelball(uma versão de magos de paintball) com um bando de amigos que ele dizia ter feito no caminho. 


Outra imagem é ele brincando e se divertindo em uma floresta com árvores de quebra cabeça que tinham todas as cores do mundo. 


E as imagens continuavam mudando de novo e de novo, e de certa forma, senti muita inveja dele, e como ainda estava escuro, não tive vergonha de mostrar como eu estava com inveja dele.


Dandara: nossa, você tá fazendo a festa


Antonio: pois é, mas eu tenho guardado o melhor pro final.


Ele falou isso enquanto a imagem mudava para outras memórias, mas agora eram apenas fotos, o clássico “túnel do amor” que já era autoexplicativo. 


Um grande bosque de fadas chamado “Berço dos passarinhos” que tinha um tema bem legal e fofinho, onde dois magos colocavam suas magias em um ovinho, e o passarinho que nascesse da magia iria ser sempre o símbolo do amor deles. 


Também mostrou um lindo restaurante, com pratos lindos e muito exóticos, mostrando um pedido pra casais. 


E o meu favorito, um grande templo das fadas que tinha uma grande ancia fada que era conhecida por olhar no fundo dos olhos do casal e colocar em uma linda pintura o que ela via quando olhava o casal. 


Eu estava ansiosa, empolgada, vermelha e animada pra ir pra esses lugares, mas antes de eu ter qualquer outra ideia, o Antonio falou de novo.


Antônio: eu quero muito te levar, mas só quando você terminar o que começou


Dandara: hmhmhmhmhm, pois é…ainda tenho muito caminho pela frente


Antonio: vou tentar não mudar muito até você conseguir


Dandara: É uma promessa.


E dando um beijo no meu Príncipe, me senti calma e tranquila, sentindo como me entregar tanto assim a ele era apenas o certo, pensando como ninguém, enquanto eu estiver viva, chegar num nível de intimidade que eu tenho com ele, e tá tudo bem assim.


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