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Olhos de mel 🌻X
🐱🥰ainda um bom gatinho🥰🐱
2616 palavras • 14752 caracteres • ⏱ 10 min 28 s

🐱🥰ainda um bom gatinho🥰🐱

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Eu consegui me divertir bastante enquanto saia e me divertia com as pessoas que eu mais amava em toda minha vida, tudo enquanto estudava e me esforçava pra conseguir ser a melhor aluna que eu podia, sem acabar me machucando no processo.


No meio de tudo isso, 3 meses se passaram e eu não tive nenhum único sonho com o castelo, mas eu consegui me manter tranquila vendo alguns vídeos bem tranquilos e divertidinhos no espelho mágico, encontrando vários vídeos de gatinhos bem divertidos, além de bem fofinhos e nem educativos.


Narrador: a maldição do coração de coelho, explicado por gatos. Gato anda pela rua, mas gato pensa “e se a rua desaparecer”, “e se os pássaros olharem pra mim”. Não tem nada de errado, mas o gato pensa que sim, coração rápido, mente correndo, patas inquietas. Nada, ao mesmo tempo tudo, gato tenta descansar, mas não consegue. O cérebro de gato diz: e se você nunca conseguir? E se isso for pra sempre? e se você cometer um erro e se arrepender? Gato cancela planos só pra garantir, gato pede desculpas por coisas que ninguém notou. Cão diz: você se preocupa demais. Gato sabe, mas saber não ajuda. Coração de coelho não é só estar nervoso, é uma constante tempestade de “e ses?” gato ainda está tentando, ainda respirando, ainda andando, ainda quando parece que ele vai cair, ele ainda é um bom gatinho.


Nossa, nossa nossa nossa, aqueles vídeos do espelho era so algo divertidinho pra passar o tempo, mas eu me sentia muito feliz, não fazia ideia que o coração de coelho era tão complexo assim, me fez questionar se eu realmente tinha essa maldição ou não, mas depois descartei essa ideia de não ter, podia ser apenas mais fraco, mas eu tinha bastante de todas as coisas faladas no vídeo, hummmm, fico imaginando como seria o próximo.


Narrador: a maldição das múltiplas faces explicada por gatos. Gato acorda, ninho diferente, rua diferente, gato não sabe como, minutos depois, gato diferente, nome diferente, voz diferente, lanche favorito diferente, ainda o mesmo corpo, mas um novo gato está dirigindo, minutos depois, um novo gato, mais calmo, nervoso, não lembra o que o último gato disse. No próximo dia, um novo gato aparece. Vários gatos, mas só um corpo, cada um tem um papel. O cérebro do gato se dividiu, muita dor o fez se dividir em partes, que sempre trocam, às vezes sem aviso, não é falsidade, não é por atenção, é como o cérebro mantém gato seguro. Corvo sábio se aproxima, e diz: muitos gatos em um corpo não significa “quebrado”, só quer dizer que o cérebro montou um time. Gato não é quebrado, gato apenas é diferente, e ainda é um bom gato.


Davi, na mesma hora eu me lembrei do Davi e do Brutus, os dois eram bem legais, e gostei da fala que o corvo sábio disse “muitos gatos não significa quebrado, só que o cérebro criou um time” isso me fazia imaginar se apenas o Brutus e o Davi existiam, ou será que existia mais alguém? 


Hehe, isso era bem interessante de se pensar, mas ficou só no pensamento enquanto pensava que deveria ser bem interessante, assustador e peculiar viver com alguem assim, apesar de todos os problemas, a família do Davi deve estar cheia de histórias doidas pra contar. 


E ele tinha apenas duas (até onde eu sabia) mal conseguia imaginar o quão difícil e “cheia de emoção” seria a vida de alguém com mais de duas faces era, então só tentei me distrair partindo pro próximo vídeo.


Narrador: a maldição da cabeça nas nuvens, explicada por gatos, gato se senta pra fazer tarefa, “ok, tarefa fácil”, gato abre caderno, caderno pronto pra começar, ótimo começo, mas primeiro, peixinho, gato anda até a cozinha, gato entra na cozinha, mas gato se esqueceu por que está na cozinha, gato olha em volta, cérebro diz: você veio pegar uma colher, talvez? Gato volta pra mesa, lembra do lanche de peixe, volta de novo pra cozinha, esquece de novo, gato vê sujeira na cozinha, limpa a cozinha inteira, organiza colheres, organiza peixes, gato se senta de novo, gato abre celular e mexe nele por 40 minutos, gato vê outros gatos fazendo coisas, gato diz: eu sou preguiçoso. Gato diz: eu estou quebrado. Gato diz: qual é o meu problema? Mas gato não é quebrado e nem preguiçoso, gato apenas é focado em missões secundárias, missões principais são difíceis de completar. Gato não é quebrado, apenas avoado, gato tenta aprender a dizer: eu fiz o melhor que eu pude, vou tentar mais depois, eu ainda sou um bom gato. Gato escreve uma frase e gato diz: é isso aí.


Uuuuuuuuuh, essa era uma das interessantes, era tão fácil deixar uma maldição assim passar despercebida, dizer que é “birra de criança” ou só dizer que é só pra chamar atenção. Mas ela deve ser muito interessante de se analisar quando tá junta de outra coisa, ela deve se combinar com várias outras maldições pra deixar as coisas bem complicadas pras pessoas.


Será que eu conhecia alguém que tem essa? Não, eu tinha certeza que devia ter pelo menos 3 pessoas que deveriam ter essa maldição, e eu tinha certeza que pelo menos 5 pessoas que eu conhecia tinham ela e não sabiam, hummmm.


Narrador: a maldição da mente de Golem explicada por gatos. gato sorri, gato diz “ola”, gato bem charmoso, gato calmo, calmo demais, gato vê outro gato cair, sem reação, sem empatia, apenas encara. gato diz: você está bem? mas só porque aprendeu que isso é o que deve se fazer, não por que se importa. Gato não se importa, gato não sente muita coisa, mas gato aprende como atuar, gato diz coisas legais, dá olhares bons, fazem coisas boas, até conseguir o que ele quer. Outros gatos dizem: gato é tão adorável, mas algo parece estranho, como um sorriso que nunca pisca. Gato mente, gato manipula, gato fica calmo até no caos, rua em chamas e gato só toma seu chá. Gato diz: eu entendo o certo e o errado, eu só não ligo, a verdade é que, nem todo gato com muitos sentimentos é dramático, e nem todo gato com poucos é mal, alguns gatos apenas são diferentes, sem culpa, sem empatia, mas muito bom em fingir. Mas ainda é um bom gato, se quiser.


Hummmmm, interessante, os mentes de Golem eram beeeeeem interessantes, já vi muitas histórias que eles eram maus apenas por serem Cabeças de golem, mas como sempre, é tudo em questão de criaçao, não sei se alguém da minha escola era assim, mas se existia um cabeça de Golem em algum lugar que era “tranquilo e normal” provavelmente teria que agradecer aos pais por isso, por que ensinar a alguém que “ser bom é algo lógico” a alguém que não é capaz de sentir emoções deve ser a coisa mais maneira que alguém poderia fazer na vida…


Dandara: ensinar a alguém incapaz de sentir emoções que ser bom é a coisa lógica a se fazer, e quem não é bom é ilógico e irracional é além de maneiro, é absurdo, digno de um prêmio de primeiro lugar…i-ra-do.


Eu sabia que tinha falado aquilo alto, já tinha melhorado em perceber essas coisas, e não podia estar mais feliz de ter entendido o que eu fiz, e enquanto colocava outro vídeo no espelho, pensava se aquele vídeo iria me fazer entender melhor meu Príncipe.


Narrador: a maldição dos super sentidos explicada por gatos, gato acorda, luz? MUITA. Som? VOLUME MÁXIMO. ar? TEXTURA ERRADA. Cérebro: EM 200%. Gato diz: é sempre assim? SIM, SEMPRE. Festa na rua depois, MUITOS GATOS, MUITAS VOZES, MUITAS REGRAS NÃO ESCRITAS. Gato tenta falar, erra o momento, tenta de novo, interrompe todo mundo, OLHARES, gato fica em silêncio. Cérebro diz: VOCÊ É ESTRANHO, ELES ODEIAM VOCÊ. Cérebro mente. Gato ama tampinhas, sabe tudo sobre tampinhas, fala de tampinhas por 3 horas seguidas, todo mundo lentamente se afasta. Gato se move, joga as patas pra cima, meche a lingua pra todo lado, balança o corpo, se sente bem, pessoas na rua julgam. Gato para, gato vai deitar, gato repassa todo o dia parte por parte, gato diz: porque eu disse aquilo? Por que eu sou assim? é, mas na verdade, gato não é quebrado, gato é apenas diferente, alguns gatos andam reto, esse gato faz ziguezagues, mas ainda atravessa a rua, não muito quieto, não muito barulhento, não muito estranho, apenas gato, e ainda um bom gato.


Eu gostei muito mesmo do vídeo, principalmente a última parte, ao mesmo tempo que fiquei triste com o que o meu principe passou até descobrirem a verdade sobre ele, sabia que meu Príncipe iria me odiar se eu sentisse pena dele, só pelo que eu vi nesse video eu sabia que ele já deve ter passado por coisas o bastante pra odiar pessoas tendo pena dele só por existir, mesmo assim, estava começando a gostar quando o narrador falava “ainda é um bom gato”. 


Tudo que eu ouvi, eram coisas que eu já sabia ou pelo menos tinha uma fraca ideia do que era, mas olhar e ver a resposta absolutamente lógica do que meu príncipe tinha era incrível. 


Mas ele sempre gostava de falar aquilo pra mim também “maldições, de todo o tipo, tem níveis, principalmente as mentais”, ou seja, o que era algo estranho pro Antônio era algo comum pra outro Singular dos super sentidos, hummmm, interessante. 


Mas mesmo assim, a base era a mesma, a maldição de meu príncipe podia ser leve, e talvez várias coisas daquele vídeo sequer fossem dele mesmo, mas mesmo assim, agora eu sabia. E agora eu poderia entender melhor, ser mais paciente e conseguir fazer amizade com todas as pessoas doidas que eu tava me interessando cada vez mais, hahaha.


Dandara: tomara que entender isso possa me tornar uma pessoa melhor (sorri de forma fraca).


Enquanto pensava sobre isso, cheguei no vídeo que eu estava guardando por último, eu já tinha uma ideia bem clara do que eu tinha, e mesmo assim algo em mim sentia uma necessidade absurda de ver aquele vídeo, parecido com o que eu senti antes de ler o livro “hora de ninar” mas agora estava bem mais tranquilo, não era apenas um desejo, era uma necessidade, eu sentia a necessidade de entender o que eu tinha. 


Muitas pessoas explicavam pra mim o que eu tinha, muitos outros tentavam entender através de raciocínios igual ao meu Príncipe e as minhas amigas, eu mesma tentava entender o que eu tinha através do que eu estava sentindo (ou deixando de sentir) no momento, mas mesmo assim, eu sabia que quando eu visse o vídeo, as coisas iriam ficar ainda mais simples pra mim, ou mais complexas, ou os dois, de qualquer forma, eu iria ver esse vídeo, depois de tudo que eu passei, eu devia isso a mim mesma, e com a maior coragem do mundo, uma coragem que eu não achei ser necessária pra apenas ver um vídeo que, não ironicamente era sobre mim, comecei o vídeo.


Narrador: a maldição do vazio, explicada por gatos, gato acorda, e o céu está radiante em um lindo azul, dia perfeito, mas gato não consegue se mover, gato costumava amar a rua, agora? a rua parece muito barulhenta, muito suja, muito “tudo”, seu próprio corpo parece pesado, pensamentos parecem lentos, nada parece divertido, até doces parecem chatos, gato não quer falar, às gato tambem nao quer ficar sozinho, gato quer chorar, mas nada sai, alguns gatos falam: só tente se exercitar. outros dizem: seja grato, você só está triste. Mas não é só estar triste, é “nada” e “pesado” ao mesmo tempo, gato ainda sorri algumas vezes, ainda trabalha, ainda a brincar, mas por dentro, nublado, nem escuro de tristeza nem radiante de alegria. Gato não é preguiçoso, dramático ou quebrado, gato está doente de um jeito que nem sempre dá pra ver, mas gato está tentando, dormir é tentar, acordar é tentar, pedir ajuda é tentar e gato ainda está aqui, mesmo quando é difícil, gato ainda é um bom gato.


Eu gostei cada vez que ele falou aquilo, mas daquela vez em específico, era como se uma flor tivesse desabrochado em meu coração, uma sensação que era uma mistura de alívio, alegria, um tipo específicos demais de tristeza e muita tranquilidade foi liberada em meu peito. O sentimento foi tão intenso que a flor se materializou em meu peito e eu tive que cuspir ela fora, e eu só consegui rir quando isso aconteceu.


Dandara: o gato ainda esta aqui, mesmo quando é difícil... e ainda é um bom gato.


Eu deixei aquelas palavras fiarem em minha cabe;a, melevei novamente aos meus dias mais sombrios, onde eu considerava sempre me matar, acabar com o sofrimento, cortar meu pulso, me enforcar, ou so enficar uma faca na minha garganta, ja pensei em cada metodo imaginavel pra acabar com meu sofrimento, eu pensava ser “covarde” demais pra terminar o servi;o, mas aquela ultima frase, me fes ter uma ideia diferene do ue eu tinha na epoca.


Dandara: eu ainda tento, eu ainda luto, eu ainda estou aqui, mesmo quando é difícil, e eu…(mexe nas mãos de nervosismo) eu ainda sou uma boa menina…(suspira de alívio) sim…sou uma boa menina, sou uma boa menina, sou uma boa menina.


Continuei falando isso por um tempinho, eu tinha muito o que pensar, principalmente com tudo que eu descobri da minha maldição, por que graças ao Criador, eu nunca passei pelo caso de alguém falar pra mim “você está apenas triste, as coisas vão melhorar depois de um tempo” ou “você apenas tá assim por causa disso disso e isso” eu tive uma boa ajuda em conseguir me concertar, e pra variar, junto de uma felicidade absurda, pensei de novo como eu realmente ganhei na loteria das famílias.


E pensar daquele jeito me fez refletir sobre muitas coisas, como eu estava pensando sobre tudo errado, eu estava pensando “se existissem mais pessoas no mundo igual meus pais” ou “se mais pessoas como meu príncipe existissem” mas como eu poderia indagar isso se eu não era como eles? Bom, eu era, mas não de forma completa, talvez, apenas talvez…


Dandara: talvez se eu começar apenas sendo feliz, alegre e tentar ser a mais gentil possível com toda pessoa que eu encontrar, talvez esse mundo se torne um lugar melhor.


Não havia pensado nas consequências de ajudar alguém ruim, nem pensei em como reagir quando alguém fosse mal comigo, mas sinto que tudo ficaria bem, afinal, comecei a entender bem como diferenciar alguém mal de alguém apenas “tentando se proteger ou se mostrar”. 


Afinal, o fardo que pessoas criadas tão bem deveriam carregar, era o fato de serem boas pessoas, não parecia justo ser cruel, ruim e mal sem desculpas, muitos não deveriam concordar comigo, mas é daí? Isso era o que eu acreditava, e no fim, quem vivia mais tempo estava certo, então eu viveria, ajudaria todos que conseguisse, fosse tão boa quanto conseguisse, e se no fim eu fosse descartada, esquecida e destruída no meio desse caminho, pelo menos eu poderia dizer que “eu me mantive fiel no que eu acreditava” errada ou não, eu iria acreditar até o final, ou até alguém me mostrar que eu estava errada, e mesmo os caras mais malvados e mais bem sucedidos que eu já vi apenas me mostraram uma coisa, “não vale a pena” no final não vale, pelo menos era o que eu queria acreditar, “não vale a pena ser mal” e pensando assim, me aprontei, me arrumei, desliguei meu espelho e decidi ir pra escola finalmente, não imaginando como seriam as coisas hoje.


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