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Olhos de mel 🌻X
😶‍🌫️música, releve😶‍🌫️
2126 palavras • 12074 caracteres • ⏱ 8 min 30 s

😶‍🌫️música, releve😶‍🌫️

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Depois de passar um tempo absurdo pensando, estudando com minhas amigas, filosofando com as minhas melhores amigas e fazendo bobagens com o meu principe dos olhos de mel, encontrei um tempinho no meio de todas as coisas doidas que eu fazia e tentei criar mais uma música. 


Não sabia direito que tipo de música iria sair disso, só sabia que seria algo épico, igual a outra, dessa vez demorei um tempão apenas pensando no que iria cantar. 


Essa inspiração foi bem mais simples de conseguir, eu iria falar sobre o pequeno bosque onde os cãezinhos cuidaram de mim, mas depois descartei a ideia, pensando que provavelmente tinha outro animal que seria bem lindo, específico e empolgante de se falar.


Sonhando acordada de novo, pensei como o final da música poderia ser mais épico que tudo, só precisava acertar o ritmo, colocar tudo na posição certa, e ter certeza que eu estava pronta pra escrever de verdade, sem medo de fazer tudo grande demais, e quando confirmei tudo aquilo, terminei meu primeiro rascunho depois de milhares de escreve e apaga.


FAZER MUITAS MODIFICAÇÕES.


(início do rascunho)


Correndo ao campo e balançando o rabo. 


eu só olhava meu novo irmão danado


Papai derrubou troncos, rochas mamãe rolou. 


Com tantas coisas, a toca se formou.


Mesmo não passando mais perigo, não podia me acalmar


Sofria dores todas as noites, mas com calma, me construíram um lar.


Fortes arremessos pra jogar as pedras e grandes duelos pra mover as madeiras.


Me divertia no escuro incapaz de enxergar, sem notar que estava criando fronteiras.


Os monstros dos bosques tinham medo dali, só quem ousava entrar era o gatinho.


Abanando o rabo quando o via, sabia que ele era meu amiguinho.


E o grande monstro só esperava o termino da minha fortaleza, bem no canto da fronteira só ficando de vigília.


Tinha muito medo dele, mas me acalmava ao vê-lo fugir de minha família. 


Rindo e brincando, juntos uivavamos, fraca e fria, eu apenas dormia.


Com seu ronronar, o gatinho me esquentava, e cheio de carinho, eu o amava.


Em tanta brincadeira, a casinha ficou pronta, nem acreditei, tão grande e imponente que pensei não poder dar conta.


O grande monstro apareceu do nada, sem minha amiga ou família ver, ele nos prendeu na nossa nova morada.


(fim do rascunho)


Hummmmmmm, tinha algo faltando naquela música, eu conseguia sentir, mas eu não conseguia dizer o que era, eu pensei por bastante tempo, tentando descobrir o que era, mas não consegui nenhum resultado aceitável. 


Mas não tinha muito o que pensar ali, isso era contra o que a Leide falou pra mim, que foi ela que me ajudou a construir o castelo, mas então tentei imaginar o castelo que eu poderia ter criado na época em que eu estava ainda com a maldição do vazio tão forte em mim, onde eu estava desconfiando de todo mundo, menos do meu príncipe, e onde eu estava com medo de tentar entender qualquer coisa sobre mim, aquele castelo deveria estar muito ruim, quebrado e mal feito, mesmo com a ajuda de tantas pessoas que tentaram fazê-lo bom, a primeira versão do castelo deveria estar horrível, por isso talvez que aquele monstro conseguiu entrar de forma tão fácil nele. Hummmmm.


Acho que, além do monstro, a Leide, ou melhor, a “esperança” como ela gostava de ser referida no meu mundo dos sonhos, deveria estar lá dentro do monstro e ela e o monstro dividiram o tempo pra falar comigo, e eu não lembrava muito da esperança no início porque, bom, a esperança era discreta, silenciosa, tranquila, enquanto tudo referente ao monstro era muito melhor e mais fácil de lembrar…


E quanto mais eu pensei nisso, cheguei na conclusão das vezes em que eu entrei no castelo acordada, que foram os momentos em que eu estava com o Gabriel, meu primeiro Psicomago, e quanto mais eu pensava nisso, mais eu entendia que o Gabriel e a Leide praticamente dividiam a posse do corpo da “esperança”. 


Fiz o possível para entender melhor o que eles fizeram pra me acalmar e me ajudar no castelo, e quanto mais pensava nisso, mais eu chegava a conclusão que tinha muitas coisas nos meus sonhos que eu realmente não sabia, ou tentava bloquear a todo custo. E quando a segunda parte ficou pronta, eu nem acreditei no que eu fiz até começar a ler o rascunho de novo.


(Começo do rascunho)


Dentro da morada não tinha luz, havia buracos no teto e cada janelas batia.


Tudo era horrível, mas eu não tinha medo, pois todo aquele horror, era o que eu já conhecia.


O monstro me bateu e me perseguiu até se entediar, depois fugiu para as sombras sem nenhum tempo a perder 


De forma discreta e calma, uma pequena luz apareceu, ela me sussurrou dicas para o que eu deveria fazer.


Ascendi tochas e fortaleci paredes, tudo enchendo minhas mãos de farpas.


O monstro não gostava da reforma, mas não podia destruir tudo por não ter armas.


Com tudo brilhante e seguro, me senti mais alegre, ainda ouvindo a voz, relaxei num quarto sem nenhum temor.


Mesmo com o monstro ainda me incomodando, o brilho e a luz o deixou menos assustador.


Cansada do monstro, quis o expulsar, mas a voz me falou pra preparar armadilhas, e depois de conversar tanto com ela, me tornei bem astuta


Minhas armadilhas prenderam o monstro, mas calmo, preso e banhado pela luz, vi como ele era só um lobo sujo e acabado que parecia pedir por ajuda.


A voz me orientou, e eu o limpei devagar, demorou dias para ele parecer algo além de um monstro, mas ver o que ele realmente era, valeu a pena no final.


Sem toda a sugeira, ele virou um filhotinho, um que eu não hesitei em levar pro meu ninho. 


O filhote me deu forças, mesmo cansada até a alma, me esforçei e reforcei a casa.


O filhotinho me amava e eu também o amava, mas a identidade dele é o que mais me imprecionada.


Eu era o filhote e o filhote era eu, minha alegria, minha brincadeira, machucado e enterrado em muita agonia.


Inundada de sentimentos, prometi dentro das paredes, com ninguém além de minhas variantes.


Antes de deixar qualquer um entrar, ouviria a mim mesma e aprenderia a me escutar. 


Sabendo quem era o monstro, prometi não mais vascular, mesmo que ele o machucasse, eu não iria mais o atacar.


(Fim do rascunho)


Aquele último rascunho era bem interessante, pois agora eu me lembrava de algo um pouco mais antigo, algo que era bem antes de eu virar aquela…coisa que eu nem mesmo sabia o que era, Aaaaaaah, agora eu me lembrei. 


O que aconteceu antes de eu acabar naquela grande floresta sombria, triste e sem fim, eu era feliz, eu estava no meio de muitos olhos, mas ainda escuro, enquanto o filhotinho brincava comigo. 


Mas quando eu notei que o filhotinho era desprezado pelos outros, eu o ataquei e joguei ele pra longe de mim, tentando chamar a atenção deles, sim, eu lembro bem que por muitas noites, eu ataquei o filhotinho, e fazendo bullying com ele, e o empurrando pra longe sempre que ele tentava fazer uma coisa que nós dois amávamos fazer juntos, até que eu parei de brincar por completo com ele. 


Teve muitas vezes que o filhotinho brigou comigo, tentando me fazer mudar de ideia, tentando me impedir de atacá-lo, ou me impedir de fazer as coisas que eu amo, e mesmo assim, eu o ignorei, eu apenas escutei os coiotes que estavam me dando ordens, e continuei batendo, machucando e mordendo ele, até que o cachorrinho desapareceu, e quando ele voltou, ele tinha voltado como um grande monstro bizarro que começou a me torturar, e no meio de tudo aquilo, o filhotinho ainda me amava o bastante pra não acabar o trabalho. 


Eu comecei então a me lembrar do tempo que o filhotinho voltou a si, quando ele ficou com raiva de mim mais um tempo, e depois começou a me perdoar bem devagar, me perdoando através das formas que me deixava me aproximar dele da forma em que ele pedia pra ainda brincar comigo, da forma como ele nunca falou daquilo, e até da forma como ele…como ele fazia carinho em mim, como ele fazia carinho junto do gatinho, afinal, ele era eu, ele ainda me amava, mas ele precisava de provas pra poder confiar em mim, e com tudo que pensei, tive uma estranha inspiração, mas não podia colocá-la no papel, no lugar disso, simulei o som de um baixo e com uma melodia triste, comecei a cantar.



(Começo da música)


A dooooor meeeee ceeeegoooou.


A dor me guiou


A dooooor meeeee destruuuuuiu


A dor me montou


A dooooor me apaaaaagou


A dor me acordou


A dor me iluuuuuuudiu


A dor me amou…


(Continua)


Continuei cantando aquelas estrofes, enquanto pensava como até agora mesmo, eu ainda era guiada pela dor, minha dor mental pelos traumas, minha dor física pelos ferimentos antigos, dores mais fracas como a dor do stress por estudar demais, a dor ainda menos intensa, tão fraca que virava sentimentos ou apenas incômodos, todo o tipo diferente de dor, mas no fim, eu era guiada por elas, até o momento em que eu aprendi qual dor eu queria, por que afinal, não dava pra escapar da dor, apenas tentar lidar com ela, e depois que os versos da minha música acabavam, terminava ela com uma melancolia bem menor e com uma mudança de ritmo, fazendo com quem tudo parecesse mais alegre no finalzinho.


(Continuidade)


Eu fugi da dooooooor, e ela me perseguiu.


Eu neguei a doooooor, e ela se fortaleceu


Eu entendi a dooooor, e ela se acalmou


Eu escolhi minha dor, e ela se acomodou.


(Fim da música) 


Mesmo pensando que aquela era a música mais fraca que eu fiz até agora, ainda sentia que a estrofe final valia todo o esforço que eu passei até aquele momento, além de que ele estava me ajudando bastante em entender as coisas.


Eu pensei um pouco se eu deveria tentar fazer uma música apenas do gatinho preto, eu queria colocar ele no meio da minha própria música, mas logo percebi que não ia dar pra fazer isso, então apenas comecei a escrever, por que meu simples pensamento nisso fez minha mão formigar e minha pena escrever coisas quase por conta própria.


(Início do rascunho)


Pequeno invasor, indesejado e desolador. 


Feliz eu estava na 


Na ignorância eu estava feliz na miséria, mas você veio do nada e me mostrou uma vida sem tragédia.


Te odiei muito por ser tão feliz, lati pra você se afastar, e muito bonzinho, você obedeceu.


não queria te escutar, um grande erro que não repetirei, quando você fugiu, minha determinação quase morreu.


Te ignorei mesmo sangrando, não importa o que houvesse, não podia estar mudando.


Mas quando quase morri, vi que ali não era minha casa, eles nem me odiavam, pra eles eu era apenas nada.


Fugi dali, sem nem limpar meu sangue, livro pra lua, desejando que me encontre.


Vendo novamente seus olhos de mel, dei graças aos céus. Em amor e carinho, você me mostrou um lindo caminho.


Dentro do castelo, só você entrava, não se importando que não era sua morada.


Eu sempre lhe abria os portões, pois amava como você guiava minhas ações.


Minhas patinhas aprenderam a dançar, minha linguinha aprendeu a cantar. 


Tudo graças a um único gato preto que eu decidi amar.


(Fim da música)


Eu pensei que essa última estrofe ficou bem pequena, mas também pensei que ia ficar tudo bem, poderia muito bem concertar aquilo depois, por enquanto tinha apenas me preocupei em arrumar tudo, mas então eu parei um pouco, parei para pensar no que eu acabei de fazer…


Dandara: WOOOOOOOOOOOW!


Aquela letra estava ótima, dei um tapinha em minhas próprias costas pela coisa incrível que eu fiz, tentando ficar mais tranquila possível e tentando ficar calma, e relaxando na cadeira, eu dormi, ficando impressionada como “de novo” eu tive um sonho normal, já tinha um bom tempo que eu não tinha nenhum sonho específico como aquele, eu tinha discutido bastante aquilo com o Diego, e ele falou algo como “você me disse que esses sonhos são o seu cérebro e sua magia tentando te dizer alguma coisa não é? Talvez você esteja lidando com as coisas que você não lidava antes de forma melhor agora, por isso que não está tendo mais sonhos” e vendo como eu estava realmente bem melhor, mais equipada e jogando todos os meus pensamentos nas folhas das pinturas, eu não podia fazer nada além de concordar com o Diego, mas ainda ficava curiosa se eu iria acabar tendo outro sonho como aqueles ou não, aquilo realmente atiçava minha curiosidade.


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