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Olhos de mel 🌻X
🚩Bandeiras, bandeiras e mais bandeiras🚩
1789 palavras • 10438 caracteres • ⏱ 7 min 09 s

🚩Bandeiras, bandeiras e mais bandeiras🚩

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Depois de passar por muitas coisas, de ver muitas palestras, e depois de ler muitos livros, percebi que eu estava procurando uma coisa em específico, então eu fui em um lugar bem específico do território, de forma bem específica, fui a uma biblioteca chamada “biblioteca Jakeline”. Um lugar com os livros de psicomancia mais detalhados do mundo (com exceções dos livros de classe especial, mas esses eram apenas pra especialistas, ou arcanos novatos), o slogan daquela biblioteca era “se você não encontrou no reino dos gigantes, é por que tá aqui” um slogan beeeeeem desafiador, mas ainda assim, adentrei a grande biblioteca, vendo como ela se assemelha a a um grande museu feito de pedra no estilo grego.


Lá dentro, já fui pega por uma grande gama de livros, como se eu tivesse entrado em um portal pra outra dimensão, cada prateleira de livros daquele lugar era tão longa que quase parecia alcançar o céu…então eu percebi, mesmo com feitiços de visão e mesmo com um equipamento especial, o teto estava tão distante de mim que eu não conseguia vê-lo. 


Bom, é claro que eu não esperava que um lugar que carregava o nome da mãe do Homem mais importante de todo o reino fosse um lugar comum, mas eu não esperava ser algo tão grandioso assim, o tamanho daquele lugar era ridículo de grande de várias formas, mas mantendo minha calma e me lembrando do porque eu estava lá, respirei fundo e fui até a recepção, onde falei de forma calma para a garota


Dandara: estou procurando livros sobre relacionamento, padrões e coisas a se evitar. Mais especificamente padrões onde os dois lados podem mudar e que possam fortalecer laços com todos além dos romances e amizades também


Recepcionista: então vá para aquele corredor, se quiser alugar qualquer livro, apenas fale comigo e tudo vai ficar bem.


Ouvi a recepcionista e me dirigi até aqueles livros, e depois de procurar um pouco, e me divertir um pouco voando entre aquelas estantes quase intermináveis de livros, encontrei um livro interessante chamado “o conceito da bandeira vermelha”. 


Era um livro estrangeiro, de uma língua estranha que falava sobre uma grande gama de comportamentos considerados “bandeiras vermelhas” desde que eu vi a capa, eu tinha uma pequena ideia do que significava, mas ler que bandeira vermelha significava algo como, “esse cara(ou essa mina) fez algo estranho, que alguém duas caras faria”, “algo que alguém falso faria”, “algo que alguém racista de forma escondida faria”, “algo que alguém destruidor de corações faria”. 


Existiam muitos nomes, mas a ideia era a mesma, vendo apenas pequenos comportamentos, como, como ele trata estranhos, como ele fala dos outros quando eles não estão por perto, ou a simples forma como ele se comporta perto de você, e perceber através de detalhes se aquilo causa um desconforto de qualquer tipo. 


Todas essas coisas eram bandeiras vermelhas, e olha quem diria, eu já encontrei com muita gente assim, mas depois de lê-lo por muito tempo, vi que o livro só me dizia como evitar coisas ruins, apesar de eu gostar muito do que estava aprendendo, queria aumentar ainda mais meu conhecimento, pois eu já sabia muito bem sobre bandeiras vermelhas, só precisava ficar melhor em percebê-las nas pessoas…pensando nisso passei um bom tempo estudando aquele livro, não vi necessidade de levá-lo comigo, eu já tinha entendido o suficiente dele pra não virar a noite o olhando.


Pelo que parece, o livro tinha uma parte dois, que se chamava “o conceito das bandeiras verdes” que era o completo oposto do primeiro, era um livro focado única e exclusivamente em detalhar todas as pequenas coisas positivas em uma pessoa, não ironicamente usando os mesmos exemplos do primeiro livro, como tratar estranhos, como ele falava das pessoas quando elas não estavam por perto, como eles agiam. 


Todas as mesmas circunstâncias, com a diferença que as bandeiras verdes são atitudes bondosas, “alguém corajoso agiria assim”, “alguém caridoso agiria assim”, “alguém empático faria isso”. Os exemplos eram tantos, mas a cada exemplo que eu via, só pensava como eram coisas que meu Príncipe fazia, os meus pais, minhas amigas, eu estava rodeada de bandeiras verdes, pelo menos agora, pois antes eu era cercada só de bandeiras vermelhas, muitas e muitas bandeiras vermelhas.


Parecia pretensioso falar isso, mas o livro mostrava a maneira certa de se comportar pra ser considerado um bom marido ou uma boa esposa. 


Um pedacinho de mim ficou com um toque de medo, pensando que em algum lugar, ou talvez até ali na cidade, existiam pessoas que leram aquele livro e aprenderam a “disfarçar” quem eram de verdade, mas no fim parei de pensar nisso, além de não me ajudar em nada, sabia que, quem lesse os dois conjuntos direito, saberia diferenciar quem era uma bandeira vermelha disfarçada de verde, e quem era uma verde de verdade.


E olha só, tinha um terceiro conjunto, chamado “vermelha pintada” e pela própria capa, mostrava que era um livro detalhando as bandeiras vermelhas que fingiam ser bandeiras verdes, e como eu pensava, essas bandeiras eram bem mais traiçoeiras, elogiando e depois insultando de forma carinhosa, desejando o melhor pro outro, mas nunca melhor que ele. Um sabotador que te abraça, mas ta com uma faca apontada pras suas costas. 


Senti um medo tremendo de sequer ter encontrado com alguém assim, considerando o meio que eu estava, era bem provável que eu conheci pelo menos UMA pessoa assim, mas eu provavelmente tive sorte que eu não era “interessante” o bastante pra ser um alvo dela em longo prazo, e só podia agradecer ao criador por isso, e não podia sequer imaginar um futuro onde eu tivesse uma “falsa verde” perto de mim, era horrível demais sequer de imaginar.


Fiquei tão absorvida naquela interação maluca que as bandeiras pintadas significava que passei horas lendo os livros, e logo notei que o conjunto era mais legal e mais fácil de entender quando se lia o trio junto, eu fiquei horas na biblioteca, a ponto que eu tive que voltar pra casa e tentar ler os livros no dia seguinte, algo que eu nao tive problema em fazer.


Eu li aqueles livros, obcecada em entender o truque de observação das “bandeiras”, eu não iria ser enganada, não de novo, já imaginava que não seria enganada, mas eu queria ter certeza. Testei aqueles livros em minhas amigas, testei eles na minha família, testei elas em minhas amigas, nos pais delas, todas que podiam ser minhas parceiras em entender se esse livro era realmente verdade ficaram perto de mim. 


E apesar de já saber disso a muito tempo, fiquei meio triste com minhas antigas amigas tinham algumas bandeiras verdes, mas os pais delas tinham muitas bandeiras vermelhas, eu queria ajudá-las, mas elas não queriam minha ajuda, não importa o que eu fazia, então tentei não pensar muito mais nisso, e apenas ficar feliz que, como eu suspeitava, toda minha nova família, minhas amigas de verdade agora e principalmente meu lindo Príncipe encantado dos olhos de mel, eles tinham tantas bandeiras verdes que era fácil de fazer um festival com elas, e isso me fazia rir que nem uma garotinha empolgada, hihihihihi.


Dandara: ta bom, acho que eu to pegando o jeito.


Me sentia a mulher mais poderosa do mundo depois de todas as coisas que eu descobri, mas ainda tentava aprender mais “vai que eu acabe esquecendo ou pulando algo importante né?”. 


Estava no meio de uma pesquisa intensa quando, do nada, um livro caiu na minha cabeça, AI, olhei em volta e até em cima, tentando achar o engraçadinho que fez isso, mas não havia ninguém, era como se o livro tivesse sido jogado por um fantasma, com um desenho na capa de um passarinho, que estranhamente parecia que foi desenhado por uma criança de 5 anos, mas por algum motivo, eu estava com uma vontade monstruosa de ler o livro, talvez isso tenha a ver com a cor branca intensa e imaculada na capa, que me fazia perceber que o livro não estava ali quando olhei e fucei as estantes, era como eu pensei, ele realmente foi jogado por um fantasma.


Eu não sabia o que estava esperando de um livro que, na teoria, “caiu do além”, mas sentia que tinha algo especial nele, e nas 10 primeiras páginas, descobri sobre o que o livro era, era uma história de terror psicológico, em uma terra abandonada pelo criador, onde as pessoas que habitavam aquele universo eram tão imundas que a magia nunca se manifestou neles.


(Obs: PRA QUEM ESTIVER INTERESSADO, A OBRA INSPIRADA NISSO E, BOA NOITE PUNPUN, É UM MANGÁ DE HORROR PSICOLÓGICO, LEIAM POR SUA CONTA E RISCO)


Fechei o livro logo em seguida, pensando no que eu acabei de ler, minha mente apenas tentava entender o pai com problemas de raiva e que gritava tanto, uma mãe que revidava e acaba espancada logo depois a criança que tentava fugir de tudo aquilo apenas tentando fugir da realidade. 


Aquele livro provavelmente iria me machucar muito, eu sabia disso em apenas 10 capítulos e com menos de 10 personagens apresentados, nenhum deles sequer parecia próximo de ter uma bandeira verde, aquele livro poderia muito bem mudar seu nome pra “festival das bandeiras vermelhas” por que era isso que eu via em cada página, nada além de vermelho em todas as direções, eu deveria ter guardado o livro, o esquecido e fingir que apenas os livros das bandeiras me interessaram, mas eu não fiz isso, no lugar disso, aluguei o livro, então eu finalmente li o título, ele se chamava “Hora da Naninha”, que cruel, olhando só a capa iriam pensar que era um livro infantil, aquilo já deve ter traumatizado tanta criança.


Eu entrei em casa e conversei bem pouco com meus pais, eles perceberam que tinha algo estranho e tentaram me impedir.


Pai: Dandara


Dandara: senhor:?


Pai: tá tudo bem?


Dandara: sim


Pai: é que você não parece bem


Dandara: ah, é que eu acabei de alugar um livro papai, e eu to empolgada pras aventuras que eu vou ler nele, na verdade, estou tão animada que eu mal consigo expressar isso direito, mas eu estou bem papai, eu prometo, desculpa se eu te preocupei.


Meu pai me abraçou ouvindo aquilo, e apenas falou.


Pai: ótimo.


Eles gostavam bastante de me abraçar, e eu tenho que admitir que eu estava começando a gostar também. Quando entrei em meu quarto, acendi a luz, deixei a Jade se aventurar a noite, e comecei uma leitura afiada, eu talvez me arrepender disso no futuro, mas por mais que aquilo me machucasse, eu estava disposta a fazer aquilo e entender que fui eu mesma que fiz isso comigo, afinal, isso é que é ser uma adulta.


Dandara: capítulo 2…


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