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Olhos de mel 🌻X
🤩bem vinda🤩
2109 palavras • 12233 caracteres • ⏱ 8 min 26 s

🤩bem vinda🤩

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O resto dos meus dias, eu passei um bom tempo olhando pra mim mesma e falando: você é Singular, não Amaldiçoada. Não sabia se isso teria mudado alguma coisa e minha cabeça, mas ainda era difícil pra mim dizer “singular” tinha virado senso comum pra mim falar “amaldiçoada”...e aquela palavra, “comum” me fez entender que precisava me esforçar um pouco mais, pois se algo que essas experiências todas me ensinaram era que valia a pena romper o “comum” principalmente quando era algo horrível como minha Singularidade, “maldição” não é uma maldição, é só uma singularidade e pro que eu iria fazer isso, eu iria provar isso.


Eu tava muito animada naquele dia, mesmo já tendo quase 28 anos na cara, eu corria e me empolgava igual uma criança numa loja de doces, era a primeira vez que eu via uma convenção de vassouras, aquele foi o segundo lugar mais lindo que eu já visitei (desculpa, mas não dava pra competir com o reino dos gigantes). Aquele lugar tinha as vassouras mais lindas que eu já vi, totalmente diferente de qualquer outra vassoura fraquinha tanto da casa de reabilitação quanto da minha escola.


Pai: aí, toma cuidado filha, nunca se sabe que pessoa você pode encontrar aqui


Dandara: não se preocupe pai, eu vou ter cuidado.


Eu sabia bem o que meu pai estava falando, por que eu pesquisei e o campo de carpintaria era um ramo quase 80% masculino, ou seja, existe muito machismo por ali, mas eu estava disposta a dar a todos os carpinteiros ali o benefício da dúvida, e ainda dar a eles o benefício das 3 chances, a menos que eu tivesse o azar de esbarrar com 3 carpinteiros machistas de uma vez, eu não iria generalizar que eles realmente só me vêem como um objeto, tinha que conhecer pra julgar primeiro, eu nem sabia quem fez esse princípio, mas ele é tão simples que talvez ninguém nunca tivesse descoberto eles e apenas todos chegaram nesse tipo de conclusão algum momento da vida.


Vendo que eu tava entrando em um ponto bem sombrio da minha própria cabeça, comecei a olhar as vassouras de novos e meus olhos começaram a brilhar como vagalumes de novo, aquelas vassouras eram todas de primeira linha, muitas eram modelos muito bons que foram modificados por profissionais, outras eram modelos “simples” que foram personalizados pra ficar na cara de suas lojas e em casos raros existiam modelos únicos, coisas exclusivas da própria loja, eu não podia ver minha própria cara, mas eu sentia que meus olhos tinham virado estrelas de tanto que eu tava empolgada.


Além do modelo simples de vassoura comum, tinha o modelo “surf” onde tinham encaixes no topo para colocar os pés que nem uma prancha; Os modelos “derrape” que tinham grandes guidões pra girar e até aumentar a força o poder da vassoura (um modelo bem famoso por bruxos de estrada). Clássicos modelos “flexão” que era o modelo padrão em qualquer jogo de bola aérea, com encaixes para manter as mãos presas, podendo deslizar e até aumentar a velocidade com o passar do tempo. Mas meu modelo favorito eram os de modelo “speed”, modelos usados em corridas de pura velocidade, alguns daqueles modelos pareciam rápidos apenas em sua aparência, e no poder que emanavam, eu sentia quase poder me ver, voando a toda a velocidade em grandes pastos em cima dessas coisas. E quanto mais eu olhava, um dos carpinteiros veio até mim e começou a conversar.


Carpinteiro: hummm, então você é uma fan dos modelos “speed”? Esse bebê que você esta vendo foi feito sob encomenda, um Sapien do outro lado do mundo queria que eu o ajudasse a percorrer todo o deserto de Silo em 10 segundos, foi difícil, mas conseguimos dar um jeito


Dandara: o Silo inteiro em 10 segundos? Deve ter dado muito trabalho calibrar a base de controle sem quer a vassoura perdesse o controle, até modelos “speed” tem seus limites


Carpinteiro: e como carpinteiro profissional, é o meu trabalho alongar esses limites até o máximo que eu conseguir, esse carinha é um dos trabalhos que eu mais tenho orgulho, principalmente graças a essas peças e jóias na vassoura, muito difícil de achar.


Ele falou aquilo enquanto fazia carinho na base da vassoura tambem apontando pra uma peça na base das cerdas da vassoura, uma velinha apagada, aquela simples velinha, quando posta da forma certa, conseguia transformar uma lesma em um leopardo, e quando se colocava em algo que já era rápido, era necessário até que existisse uma proteção extra pelo perigo de quebrar a barreira do som sem querer, e isso era pra que servia a jóia que estava na ponta da vassoura, e eu nem cheguei a olhar direito todas as técnicas de entalhe, encantamentos de feitiços através de verniz e tinta e milhares de coisas que eu sequer sabia completamente ainda.


Dandara: tudo nessa vassoura é de primeira qualidade


Carpinteiro: sim, é mesmo


Dandara: ah não, eu falei isso alto? O quanto eu falei algo?


Carpinteiro: quase tudo, tá afim de conseguir um desses pra você?


Dandara: Ah, nananão, eu sou só uma admiradora de vassouras


Carpinteiro: bom saber, mas pode olhar a vontade, afinal, quanto mais olhos, melhor.


Nem precisei que ele me explicasse o que era isso, quanto mais pessoas vissem a vassoura dele, mais chances ele teria de ter um cliente grande atraído por uma multidão. 


Eu sabia disso porque, por mais que gostasse de ver as vassourinhas isoladas e especiais que poucas pessoas olhavam, eu gostava de ir até a multidão e perceber que todo o alvoroço não era atoa, tinham muitas vassouras cheias de pessoas que pareciam ser feitas por deus, aquelas vassouras não eram apenas bonitas, mas úteis, era como ter uma arma bonita mas ainda poderosa. 


Além do carpinteiro que falei, de alguma forma, eu sempre conseguia conversar um pouco com os outros carpinteiros, conseguir algumas informações e até saber detalhes melhores das peças que eles escolheram, e pelo jeito, eu acabei fazendo a coisa certa, mesmo que existissem sim caras babacas que falam coisas bem desnecessárias pra mim (tipo que eu tinha uma bunda grande ou que meus lábios eram carnudos) eles eram a minoria, quase todos os Carpinteiros que eu conversei foram muito gentis comigo…não, gentis não era a palavra certa, “profissionais” sim, eles foram profissionais comigo, pois gentis significaria que eles me trataram de forma especial, e não, elas me trataram como qualquer outra pessoa que foi lá ver suas vassouras, e por algum motivo, eu conseguia respeitar isso mais do que se eles apenas tivessem sido gentis, hmhm?


Às vezes eu conseguia tocar na vassoura, não tinha regras me proibindo de fazer isso, mas não podia montar nelas (por motivos óbvios). E como sempre, depois de muito tempo, percebi que o que eu queria fazer era algo bem mais complicado do que parecia. Eu também fiquei surpresa como tinha uma comunidade tão forte de amantes de vassouras, além de existirem tantas guildas que se especialização em “turbinar” uma vassoura já conhecida, “golens de ouro” “druidas outono”, “gilds core”. Existiam muitas guildas, cada uma com sua própria marca, e cada uma tão boa no que faz quanto poderia ser. 


Eu não sabia quanto tempo tinha passado, só sabia que tinha sido muito, pois tava de dia quando chegamos, e pra variar, já tava anoitecendo. Eu estava prestes a chamar meu pai pra irmos embora, mas antes de fazer isso, vi algo peculiar, talvez eu estivesse cega demais pelas vassouras em volta e não os vi ali de primeira, mas percebi que tinham muitos fotógrafos com “pinturas de magia” (artefatos que, usando um feitiço, conseguiam tirar fotos das coisas) tirando pinturas de mulheres em cima das vassouras, mulheres com roupas bem sugestivas e com pozes mais sugestivas ainda, eu só consegui controlar minha raiva quando eu olhei pro outro lado quando vi que tinham homens tirando fotos assim também, o apelo parecia diferente das mulheres, mas vê-los tirando fotos também me fez sentir melhor, de alguma forma.


Dandara: unhun, unhun, agora sim, isso é igualdade


Pai: o que é igualdade?


Dandara: não liga pra isso não, só tô pensando alto


Pai: quer ir pra casa?


Dandara: agente pode tomar sorvete primeiro?


Pai: é claro.


Quando saímos dali, eu finalmente percebi o quanto eu tava cansada, quando nos afastamos do barulho, sabia que precisaríamos nos sentar assim que nós chegássemos na sorveteria, mas acho que fui boba demais em pensar que tudo ficaria bem, pois meu pai pediu um baldão de sorvete, com jujubas, chocolates, caldas de chocolate, bolinhas de chocolate, pó de açucar, biscoitos picotados e tudo que tinha direito, tudo com uma grande quantidade de leite por cima, só pra completar tudo quase como um milkshake, mas não, ainda era duro o bastante pra ser um sorvete. O nome do que agente pediu se chamava “nuclear” e sabendo o que acontecia se pessoas como a Jez tomassem aquilo, eu tinha uma ideia do por que desse nome.


Nós não falamos nada enquanto comíamos o sorvete, eu tinha que recuperar meu corpo, minha voz e até minha energia inteira depois de toda a doideira daquela feira, foi impressionante o que eu consegui falar naquele lugar sem comprar nada, nem imagino se eu conseguiria falar com mais de uma pessoa se eu tivesse a possibilidade de comprar algo.


Pai: e aí, o que você achou?


Dandara: foi como eu imaginei, a coisa real é incomparável a qualquer coisa que eu já vi, aquele tipo de vassoura não chega nas mãos das “pessoas comuns”.


Eu queria que tivesse uma forma mais gentil de falar isso, mas era a verdade, alguém “comum”, alguém simples, alguém que não consegue controlar suas próprias moedas nunca conseguiria por as mãos em uma vassoura daquelas, era apenas a verdade.


Pai: e você quer um desses?


Dandara: quero, mas nao quero que seja o personalizado ainda, um simplesinho ja ta bom, e depois da nossa viagem a loja de varinhas, tenho certeza que você conseguira escolher direitinho pra mim.


Falei isso enquanto levantava meu bastão, que agora era um grande bastão de cactos, mas agora, sempre que eu ou uma pessoa que eu gostava tentava tocá-lo, flores cresciam antes dele tocar no cacto, eu testei dando eles pra pessoas que eu odiava, e sem surpresa, aquela pessoas se machucaram e muito com os cactos,  e sorrindo, meu pai apenas perguntou, levantando uma sobrancelha.


Pai: voe tem certeza?


Dandara: quero comprar meu primeiro bebê personalizado com meu próprio dinheiro, não quero abusar de você pra algo que eu nem saberia usar direito ainda


Pai: você que sabe, mas saiba que se precisar, estarei com você pra inteirar


Dandara: sei disso, sei disso.


Nós tomamos o sorvete mais, e a cada mordida eu agradecia por não ser intolerante, pois como o próprio nome sugeria, uma colher daquilo iria me fazer criar uma explosão nuclear de tanto que minha magia ia rejeitar aquela lactose.


Pai: algum deles foi babaca com você?


Dandara: foi sim, mas não se preocupa com isso não


Pai: eles te tocaram?


Dandara: POR DEUS NÃO, eles não chegaram tão longe, só foram babacas e falaram coisas bem desnecessárias pra mim


Pai: tem certeza que não quer que o papai vai ter uma “conversinha” com esses sujeitos


Dandara: por favor pai, confie em mim, isso não é necessário.


O meu pai ouviu aquilo, e depois me olhou nos olhos por alguns segundos, talvez tentando ver se eu tava com alguma vergonha acumulada ou desconforto escondido pelas minhas palavras, mas quando ele não achou nada, apenas uma certeza e um pouquinho de raiva, ele se acalmou.


Pai: tá bom querida, se é o que você quer


Dandara: obrigada.


Quanto terminamos o sorvete, senti que estava recuperada de tudo, mas agora eu estava tão cheia que precisei me recuperar do sorvete, meu pai deu um arrotinho e nós dois rimos como idiotas.


Dandara: eca pai, que nojo.


Rimos mais, e depois nos levantamos e fomos pra casa, de forma instintiva, eu enrolei minhas mãos no braço esquerdo do meu pai, e ele apenas deixou, agindo como um protetor enquanto eu me sentia quase dormindo enquanto era guiada por ele. Quando subimos na nebulosa (a egua do meu pai) chegamos em casa segundos depois, com o João já me esperando na porta querendo saber de tudo.


João: e aí? Como é que foi?


Dandara: bem doido.


Não queria entrar em detalhes ainda, primeiro eu ia deixar ele imaginar o que aquele “bem doido” queria dizer é quando ele estivesse cheio de imaginação e esperança, iria contar os detalhes, pois agora eu só queria ir pro meu quarto e criar mais músicas.


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