UUUUUUUUU, é hoje, comecei a me preparar, pois hoje foi um dia bem especial, mas antes de eu me preparar de verdade, a mamãe me chamou.
Mãe: DANDARA, VENHA AQUI AGORA.
Fui até ela com muito medo, a minha mãe tinha algo na voz que sempre fazia parecer que eu estava encrencada, mesmo quando eu não estava, e quando cheguei lá, ela só queria que eu sentasse na frente do espelho enquanto ela escovava meu cabelo.
Eu podia pentear meu cabelo sozinha, mas ela mesma gostava de pentear, e eu gostava de ser penteada, aquele era um dos poucos momentos onde eu sempre ficava no estado de “calmaria extrema” mas eu não tentava descobrir o que ele significava, eu atenas tentava aproveitar, e às vezes eu também usava aquilo pra cantar as músicas que eu tinha feito, mas na maioria das vezes nós apenas conversavamos de fora normal
Mãe: então, você vai visitar a Leide?
Dandara: é, quero dar a ela boas vindas ao mundo externo, do jeito que ela tava quando a vi pela primeira vez, sinto que preciso mostrar pra ela que o mundo daqui de fora e muito bom também
Mãe: (risadinha) do jeito que nos educamos você, garanto que vai ser uma ótima anfitriã
Dandara: parece surreal demais que eu vou apresentar o mundo inteiro pra minha amiga, eu mal consigo acreditar, eu queria poder mostrar tudo pra ela, mas depois da ultima vez que nós conversamos, eu sei que tem lugares que eu preciso levar ela, o lugar pra Leide Irritada e um lugar pra Leide calma
Mãe: tenho certeza que ela vai amar qualquer lugar que você leve ela
Dandara: talvez, mas quero levar ela pra um lugar que ela goste de ficar só pelo prazer de ficar naquele lugar, sinto que não serei uma boa amiga se nem consegui levar minha amiga pra um lugar que ela goste.
A minha mãe ficou em silêncio por um tempo, dando outra risadinha, uma risadinha que parecia diferente da última de alguma forma, mas não conseguia dizer o por quê.
Mãe: eu realmente criei você muito bem, mas sabe o que eu criei bem, essas trancinhas no seu cabelo.
E quando me foquei no espelho de novo, vi que minha mãe tinha feito várias trancinhas de flor em meu cabelo, e eu me sentia tão linda com aquilo que eu me levantei e dei um beijo nela, empolgada demais pra ver aquela doida de novo quando chegasse a hora.
Quando minha mãe finalmente me liberou, peguei o Ace e o arrumei de forma bem rápida, eu já estava atrasada, mas ainda estava bem feliz por estar com aquelas trancinhas.
Eu corri no meio da confusão da cidade, no meio do barulho, das pessoas conversando super alto e até das pessoas que estavam fazendo confusão só pra chamar atenção, e quando finalmente cheguei na casa de reabilitação, vi que nao precisava mais entrar, por que a Leide estava saindo com quem eu pensei ser o pai dela.
Tirei um tempo para analisar direito a garota, e agora eu via, a Leide tinha um cabelo preto, longo e encaracolado, uma testa bem grande e olhos marrons, tudo junto de uma boca bem fina. Os músculos enormes não me surpreenderam, provavelmente foi resultado dos episódios da mania da raiva. E ela tava estilosíssima com aquelas bermudas com bocas desfiadas, a jaqueta de couro super quente e blusa de caveira. Era quase como se ela tivesse falando “não fale comigo” usando as roupas delas, hehehe, era bem a cara dela fazer algo assim mesmo.
A garota me viu e correu em minha direção com uma cara fechada e cheia de ódio, mas fiquei feliz mesmo assim, mas logo percebi que ela estava vindo até mim com os punhos fechados, então colocando um broche de escudos que eu preparei, fiquei parada e deixei ela me dar socos na cara, não a impede, e depois dela bater em mim por 20 segundos, o parente dela chegou até mim, e ele falou.
???: LEIDE, O QUE VOCÊ…
Dandara: NÃO NÃO, TÁ TUDO BEM!
Leide: EU ACHEI QUE VOCÊ NÃO VIRIA!
Eu vi na hora que além da raiva, a Leide estava com os olhos cheios de lágrimas, então não consegui ficar com raiva dela, o fato que eu mesma estava com vergonha de mim mesma por estar atrasada me deixou bem calma também.
Dandara: desculpa, eu me atrasei
Leide: pensei que você não iria querer mais ficar do meu lado depois de eu melhorar
Dandara: para de ser paranoica garota, e olha, eu to aqui agora, e to com uma seção de aventuras prontinha pra você, isso se seu guardião permitir
Leide: ah, ele não é meu guardião, é o meu tio.
O tio da garota foi até mim e apertou minha mão.
Tio: obrigado por tomar conta da minha sobrinha
Dandara: hehe, na verdade, eu acho que ela que tomou conta de mim
Tio: não importa, é sempre bom ter um amigo lá dentro, você deve entender isso muito bem, não é?
Dandara: e,eu sei…ai, me fala, você se importa de eu levar ela pra dar uma volta com meu cachorro?
Eu falei isso enquanto apontava pra Leide, e pelo jeito eu via que ela já tava gostando bastante do Ace, ela fazia carinho nele e o abraçava, nem parecia que ela tava no episódio e mania da raiva, mas era por isso que ela iria pro parque dessa vez ao invés do outro lugar que eu queria a levar.
Tio: sem problema, mas me diz, qual parque vocês vão?
Dandara: vamos pro parque Kael
Tio: uh, aquele lugar e otimo pra esse tipo de coisa, vocês vão se divertir bastante lá
Dandara: essa é a ideia.
Então eu fui até a Leide, ela não sabia o contexto da minha conversa com o tio dela, mas ela de alguma forma sabia que eu tinha convencido ele, a garota, por algum motivo, pensava que eu tinha uma lingua de ouro ou algo equivalente a isso.
Leide: você tem um dom com as palavras mina, e nem tenta negar, você sabe que é verdade
Dandara: bom, eu fazia isso de forma automática quando ainda tava mal da cabeça, eu perdi isso quando eu comecei a ter meus sentimentos de volta e entendi como falar bem mesmo tendo sentimentos, foi um processo, mas acho que valeu a pena no final.
Agente conversou um pouco sobre bobagens, até que nós olharmos pra frente e vermos a Isabelly, sim, a princesa Isabelly indo até nós, comendo um sanduíche muito gorduroso e com tudo que se tinha direito.
Isabelly: ah, meninas, que coincidência
Dandara: é, tá ocupada?
Isabelly: não, essa é a minha folga de ser princesa, querem que eu lhes mostre a loja que comprei esse bebe?
A princesa não tava de maquiagem, apenas com um vestido e um chapéu pras pessoas entenderem que ela era real, mas a gordura do sanduíche manchava o rosto dela, criando uma boca translúcida, o que me fez dar uma risadinha, mas antes de dizer que “sim”, Leide falou de forma seca.
Leide: fica pra depois, a Dandara vai me levar pro parque Kael, então agente tá ocupada
Isabely: o parque Kael? posso ir com vocês?
Dandara: é claro, quanto mais gente melhor.
A empregada da Leide não falou nada, mas apenas olhando pra ela, com o olhar mágico que eu tinha agora, eu sabia muito bem que ela não era normal. Ate que a Isabelly se aproximou devagar de mim e sussurrou.
Isabely: (sussurro) não encara muito, ela foi treinada pra desconfiar de todo mundo
Dandara: (sussurra) ela é sua única linha de proteção, o quão forte ela é?
Isabelly: pelo que eu li, tem uma grande torre aqui por perto, certo?
Dandara: bom, sim, mas ela tá muito longe, ela é uma torre bem grande e alta, mas onde nós estamos, ela é do tamanho do meu polegar
Isabely: bom, a Bruna consegue fazer todos os prédios, cidades, animais e até magos do seu nível serem reduzidos a poeira, transformando tudo isso num grande deserto de morte.
Eu parei de falar por alguns segundos, esse tipo de poder, esse tipo de força, era pras pessoas que estavam no top 5 do reino, só pessoas como o Rei, a Rainha ou a própria princesa Isabely conseguiam feitos assim, eu tava provocando uma pessoa tão forte assim? Nossa, pra eu estar viva o Criador deveria mesmo gostar muito de mim.
Dandara: mas em que situação ela teria que fazer isso?
Isabelly: isso é só um exemplo Dan, mas sério, não mexe com a Bruna, ela tem forças o bastante pra te matar sem voce nem saber que morreu
Dandara: Deus, como uma garota assim chegou até você?
Isabely: ah, ela e a filha mais velha de uma família bem amiga da família real, e ela aceitou passar pelo treinamento do meu pai pra ser minha dama de companhia, e como você pode ver, o amor dela por mim era bem genuíno
Dandara: é…não consigo imaginar alguém de mente fraca ganhando esse poder, e olha que eu só tô enxergando ele através da magia que ela me permite ver
Isabely: é, mas não se abala com isso não, ela gosta de se exibir pra estranhos.
Agente riu de forma bobinha, até que a Leide ficou no meio de nós, ela tava se sentindo excluída, e de novo tava me sentindo triste e culpada pelo que fiz com ela.
Leide: tentem não me deixar de fora da conversa, por favor
Dandara: na verdade, agora que você falou isso, eu queria saber, por que seu tio veio te pegar ao invés do seu pai
Leide: (suspiro) ele ta ocupado
Dandara: com o que?
Leide: com meus irmãos, e primos, e tios mais novos
Dandara: que?
Leide: minha família é grande ruiva, eu te conto os detalhes outra hora, mas eu divido a casa junto com meus 7 tios, 4 primos, 8 primas, 4 tios-avôs e avós normais barulhentos…e quando você tem tanta gente em casa, fica meio difícil até pros seus próprios pais saberem que você é amaldiçoada.
Eu fiquei alguns segundos sem falar, eu até pisquei de forma errada pela forma como eu tava tentando entender o que ela disse, mas não conseguiu computar como tantas pessoas conseguiam viver sobre o mesmo teto, e pra tentar colocar uma bússola no meu próprio pensamento pra eu nao me perder, falei
Dandara: o que é um tio avô
Leide: os irmãos dos meus avós
Dandara: os seus avós tem 4 irmãos? e todos vivos?
Leide: não fique tão boquiaberta ruiva, ter muitos tios avós é bem comum aqui
Isabely: verdade, alguns nobres até falam estar preocupados que a população está ficando “velha demais” hehe
Leide: mas que baboseira, eles estão reclamando que tem mais pessoas vivendo, tem pessoal que não tem louça pra lavar mesmo
Isabely: considerando como alguns desses nobres são, eles não tem mesmo
Dandara: OK, vamos fazer isso antes que percamos o contexto da conversa…(tosse) eu aposto 50 ouros que pelo menos 4 dos seus primos são amaldiçoados
Leide: ah, isso eu tenho certeza, mas uma coisa de cada vez, não é…era por isso que eu tava tão irritada de você não ter vindo na hora, e era por isso que não queria voltar pra casa, o lugar é muito barulhento pra eu ficar até no meu estágio de depressão extrema, imagina o quão perigoso vai ficar se eu voltar lá assim?
Dandara: mas você já saiu, você melhorou, né?
Leide: nao quero arriscar, irei voltar pra casa, mas primeiro quero ter certeza que eu vou estar no meu estado mais calmo que meu episódio de mania me permitir ficar
Dandara: você aprendeu alguma técnica de relaxamento enquanto eu estive longe dali?
A Leide nem respondeu, como se minha pergunta tivesse a lembrado de algo, ela começou a criar uma magia simples, e da magia, pequenos bastões de gelo foram colocadas nas mãos dela, e ela começou a quebrar eles ao meio um por um, ela partia a lasquinha de gelo ao meio, a derretia, e depois a congelava inteira de novo, e repetia o processo várias vezes.
Tinha algo realmente relaxante nisso, a ponto de que eu comecei a imitá-la, e de forma engraçada, a Isabely começou a nos imitar também, mas teve que dar um jeito de quebrar o gelo com uma mão, já que a Bruna fazia tanta questão de segurar a mão dela e guiá-la com a outra, a Bruna não nos imitou, afinal, ela tava de serviço ali, pela forma como ela guiava a Isabely, era claro que ela levava o trabalho a sério.
Bruna: arbusto à esquerda, tronco cortado, pedra grande, pedrinha, prego…
Chegamos no parquinho do Kael a pouco tempo, era só um parquinho normal, ele era coberto por um extenso verde de grama, com um espaço cheio de estradinhas de pedra pra nós andarmos, árvores enormes, longas e fortes por todos os lados, um ponto grande e sem de árvores onde vários cachorros brincam e um ponto onde tinha vários brinquedos de parquinho, apesar de ficar tão tentada a ir naquele pontinho de brinquedos, me mantive no plano de começar a ir ao ponto dos cãezinhos e tentar acalmar a Leide.
E pro meu alívio, a Leide parecia mais calma, então, tirando um frisbee do bolso, agitei um pouquinho o Ace, e depois falei.
Dandara: toma Leide
Leide: hmhmhm, você, tem certeza?
Dandara: pode jogar com toda a força que tiver, esse cachorro doido pega, te devolve e ainda debocha de você
Leide: NINGUÉM VAI DEBOCHAR DE MIM.
A Leide falou isso enquanto ela jogava o frisbee pra bem longe, quase como um foguete, mas no meio do ar, em um salto sobre-humano, ou seria, sobre-canino? E assim como eu falei, o Ace pousou no chão, andou todo alegrinho pra Leide, colocou o frisbee na frente dela, e rindo ele pareceu desafiar a Leide, e ela mordeu a isca.
Leide: ISSO SIGNIFICA GUERRA!
E assim, a Leide ativou seus feitiços e saiu voando dali em grande velocidade, e balançando a cabeça eu apenas vi minha amiga prestes a travar uma guerra com meu cão, sabendo muito bem que ela iria perder, era impossível ganhar daquele cachorro.
E quando eu olhei em volta, vi que a Isabely tinha sumido, mas ela logo voltou, usando seu cajado para levar 4 sanduíches no ar. O cajado dela era bem interessante, um cajado com uma base de biscoito, decorado com jóias de pirulitos e com cabos feitos de balas, era simples,mas pelo quão doce ela era, não me surpreendia tanto.
Dandara: por que não me impressiona que sua varinha já é um cajado?
Isabely: talvez porque você sabe que eu sou incrível
Dandara: mesmo assim, algo na minha cabeça me diz que eu deveria achar isso estranho…mas uma bem maior dis que isso não é estranho e que as coisas vão ficar mais fáceis se eu apenas deixar elas assim
Bruna: é melhor você escutar a voz mais alta.
Bruuuuuunaaaaa, eu não sabia se um dia seriamos amigas, mas se você queria jogar o jogo de “apenas falar o necessário”, então eu estava pronta, eu iria ficar mais do que feliz em conversar com sua mestra, ainda mais agora que estávamos só eu e ela aqui pelo quão pouco você fala, espero que não se importe se eu chamar demais a atenção dela ein.
Isabelly: entaaaaão, quando você acha que eles vão voltar?
Dandara: da última vez que eu vi ela irritada assim, ela ficou uma semana inteira na solitária só deixando a raiva extravasar, mas quero pensar que daquele ponto até aqui, ela evoluiu muito
Isabely: e quando foi isso?
Dandara: a quase um ano atrás
Isabelly: ela com certeza evoluiu depois disso…mas me fala, tem algo interessante pra gente conversar?
Dandara: se eu tenho? Ah, eu vou ter que escolher pra gente não ficar até a noite aqui, mas tenho certeza que você vai gostar da conversa que eu escolhi
Isabely: é, eu espero.

