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😭O arrependimento de uma mãe😭
2292 palavras • 13292 caracteres • ⏱ 9 min 10 s

😭O arrependimento de uma mãe😭

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Depois do que eu li na biblioteca da casa de reabilitação, eu fiquei bem curiosa pra saber mais da história da Jakeline, a mãe de Alaric, e também conhecida como “a mãe de todos os Singulares”, todos que já leram as crônicas dela falavam que ela era conhecida por outro nome, um nome que eu estava bem ansiosa pra descobrir. 


E o engraçado era que, apesar de terem muitos livros dela, todo bibliotecário que eu encontrava falava que eu deveria ver o conjunto anterior, então eu fui mais fundo e olhei o próximo, e o próximo, e o próximo, e o próximo e o próximo.


Foi uma jornada interessante até eu encontrar o livro zero, a origem de tudo, e depois de todo o trabalho que tive pra consegui-lo, minha curiosidade estava quase me matando de forma literal.


O livro era bem antigo, a ponto de que quando eu cheguei na biblioteca certa, dava pra ver que era uma biblioteca bem antiga, lá dentro tinham poucos livros, mas eu já conseguia sentir o poder em cada um deles.


E quando peguei o livro em minhas mãos, senti um poder estranho nele, um poder que não era magia, mas também não era aura, era algo mais básico, algo puro, e quentinho, como o que eu sentia quando meus pais ou meu príncipe e até minhas amigas me abraçavam, que poder misterioso.


E quando abri o livro, encontrei coisas muito interessantes, por exemplo, que o livro zero falava bastante da infância da Jaqueline, a infância, a mãe dela morreu no seu nascimento, mas seu pai nunca a culpou por isso, na verdade, ele fez o melhor que podia, principalmente sendo um alcoólatra.


Mas o livro deixou claro também que o pai de Jaqueline nunca a bateu, ao invés disso, ele descrevia como o pai dela era um bêbado que só bebia muito até precisar que a filha dele o buscasse no bar, ela fez isso tantas vezes que o barman e os clientes do bar já conheciam bem ela. 


E pra completar essa infância complicada, ela tinha mais dois irmãos mais novos, e gostando ou não, ela teve que se casar cedo pra conseguir ajudar seu pai, pois além da época não ajudar muito mulheres, a sua família não estava numa situação boa nem quando sua mãe estava viva, então ela teve pouquíssimo tempo pra dar atenção a si mesma.


Dandara: (estala a língua várias vezes) aquela época foi complicada mesmo.


Mas as coisas começaram a ficar interessantes quando Alaric quase incendiou a casa inteira na primeira manifestação de sua maldição da risada de fogo, o livro descreveu como naquele momento, todos gritaram de medo, tentaram o agarrar ou o atacar para nocauteá-lo, mas apenas a Jaqueline se aproximou o bastante dele para tentar acalmá-lo, e a primeira manifestação de poder do Alaric foi impedida de virar um completo desastre por causa da mãe.


Depois, os livros detalham um período interessante de 2 anos onde Alaric tentou lidar com sua maldição com os métodos falhos da época, mas com todo mundo o rejeitando, pois aquela era a época em que os amaldiçoados sortudos eram apenas excluídos, enquanto os mais azarados eram caçados. O que deixava tudo infinitas vezes mais difíceis pra ele.


Até que no começo do terceiro ano Jaqueline se cansou de tentar ajudar seu filho a se encaixar em um lugar que não queria ele lá, e com nada além das roupas do corpo, uma sacola de pães e um grande conhecimento de caçadas, eles tentaram a sorte vivendo uma vida isolada na floresta. 


Os dois construíram uma cabaninha e ficaram isolados do mundo um bom tempo, até que um dia, eles foram visitados por outros amaldiçoados…e algo bem interessante aconteceu, Jakeline se aproximou dos amaldiçoados e teve compaixão para os ajudar da forma certa, ao invés de gritar com eles para fazê-los parar seus tiques e manias, ela conversava com eles e tentava entender o que eles estavam sentindo para ajudá-los. 


E com o tempo, Alaric começou a imitá-la, e mais e mais amaldiçoados foram até lá, maior ficou a cabana e mais complexo o entendimento mãe e filho ficou, e depois de muito tempo, muitos amaldiçoados ou foram curados, ou ficaram controlados o bastante para conseguirem voltar às suas casas, sendo apenas impedidos pelo preconceito com suas diferenças, algo que Alaric decidiu arriscar mudar voltando pra cidade, a Jaqueline não queria que ele partisse, mas ele estava decidido, e como ela não queria voltar, ela só ficou ali, cuidando dos amaldiçoados, e fazendo outra coisa que fez meu queixo cair quando eu li.


Lendo as páginas mais longas, comecei a entender por que tinha tantos volumes dela, mesmo lendo e relendo os livros, eu não conseguia acreditar por completo o que as páginas falavam, segundo os livros que encontrei, a Jaqueline, além de líder da cabaninha, também era uma general, porque ela liderou muitas expedições para acabar com os ditos “normais” que caçavam os amaldiçoados. 


Boa parte dos livros entre a dupla mãe e filho morando na cabana e o Alaric se tornando um filo-arcano eram sobre várias batalhas detalhadas em táticas de guerra que a Jaqueline teve, batalhas acirradas, mas que sempre acabavam com os caçadores fugindo, muitos até dizem que ela era a responsável pelos amaldiçoados não serem apagados da história. 


Eu tinha certeza que nao era pra tanto também, já que maldicoes nao eram algo tão simples de lidar assim, mesmo que todos os amaldiçoados daquela época fossem exterminados, era certeiro que pelo menos metade da nova geração iria ser amaldiçoada também, por que, a Singularidade não era uma praga, era uma parte essencial da natureza, incapaz de ser exterminada, não importa o quão complexo ou forte a magia seja. 


Da mesma forma como não se podia quebrar o tempo ou destruir a gravidade, era impossível exterminar a Singularidade, pelo menos enquanto todos ainda fossem humanos, mas graças a grandes heróis idiotas e muitos sacrificados doidos que acreditavam que o amanhã seria melhor do que hoje, não chegamos ao ponto de não parecermos mais humanos, e pensando assim, dei um sorriso fraco e sussurrei baixinha.


Dandara: (sussurro) obrigada, a todo mundo, por tudo isso.


Quase perdi o fio da meada de novo e acabei voltando a ler, e no meio de tudo isso, quando Alaric foi nomeado um filo-arcano, teve um capítulo de 30 páginas apenas explicando o quão orgulhosa ela estava de seu filho, além de dizer como ela foi oferecida uma casa pelas pessoas que a rejeitaram e a perseguiram, mas esses ela recusou, aquela cabaninha, aquele lugar era a sua casa, seu conforto, seu lar, e o lar de muitos outros também.


Alaric, seu filho, entendia aquilo perfeitamente, por isso, ao invés de tirá-la da floresta, ele se ofereceu pra melhorar a cabaninha, e com vários construtores, a cabaninha melhorada se tornou um grande orfanato, onde muitas crianças que não se entendiam direito conseguiam entrar e se entenderem melhor.


Então, algo interessante aconteceu, muitas crianças Singulares, que foram levadas pra casa depois de ficarem um tempo com a Jaqueine, voltaram, melhores, mais fortes, mais…completos de certa forma, Alaric estava definitivamente surpreso em escutar isso, então decidiu visitar sua mãe depois de muito tempo. 


E depois de muitas conversas e muitas perguntas super específicas, Alaric ficou surpreso em descobrir que sua mãe havia virado uma filo-arcana também, incompleta, e definitivamente incomum, mas definitivamente uma filo-arcana, ele sentia isso falando com ela.


Alaric: como você ficou tão diferente?


Jakeline: só ouvi os pequeninos e pensei um pouco com o que eles me falaram, você se surpreenderia com o que pode descobrir através de outra pessoa.


UHHHHHHHH, gostei dessa, eu realmente iria guardar essa ai pra mais tarde, mas por enquanto, eu iria só ler o resto, e depois de vários estudos de outros filo-arcanos, eles chegaram a conclusão que a Jakeline havia se tornado uma coisa “nova” algo que o próprio Alaric era, mas de forma menos intensa. 


E depois de muitas dúvidas e indagações, os filo-arcanos da época, decidiram batizar Jakeline como a primeira Psicomante da história, uma maga de poderes psíquicos mentais que eram tão intensos que sua própria compreensão era um desafio em si, algo que muitos ainda tentavam descobrir até hoje como ela conseguiu fazer isso.


Muitos tinham grandes dúvidas de como ela alcançou esse nível, algo que em mais de 10 séculos, apenas 4 pessoas conseguiram, e isso contando ela própria e seu filho também, a resposta estava em seu último livro, uma das últimas recordações de Alaric, antes dele ficar fraco demais até pra levantar uma pena pra escrever.


Alaric: mãe, sabe, sei que deve ser rude perguntar isso, mas, por que você tenta tanto me ajudar? Você podia ter me abandonado e me tirado a própria sorte quando quisesse, mas você não fez isso, mesmo quando o mundo inteiro estava contra nós, e eu quero saber o por que, porque você está disposta a ir tão longe por mim? E não diga que é apenas amor de mãe, aprendi o bastante junto de você pra saber que não é só isso


Jakeline: hehe, eu te ensinei bem…é que, eu não queria perder outro filho.


O livro detalhou como Alaric ficou chocado, lembrando como ele tinha uma irmã mais velha que ela nunca soube como morreu.


Alaric: o que quer dizer?


Jakeline: a sua irmã era uma amaldiçoada, como você, a maldição dela era bem diferente da sua, mas em questão de “lidar” com ela, foi tudo igual, todos a rejeitaram, todos tinham medo dela, com a leve diferença que eu não acreditei, eu não acreditei em nenhum momento que o que ela tinha era sério, eu falava que era apenas uma fase, que ela iria melhorar, e que ela só tava tentando chamar a atenção…até que ela enfiou uma faca na própria garganta na frente de uma plateia…agente tentou, mas já era tarde…eu ainda sinto o sangue escorrendo entre meus dedos enquanto tentava manter o ferimento fechado…


Nossa…só…nossa, eu tive que parar de ler um pouco, eu fechei os olhos por alguns segundos e respirei um pouco, apesar de isso ser bem longe da coisa mais pesada que eu já li, eu queria fazer tudo certo e com calma, então respirando fundo, abri o livro de novo e continuei lendo.


Jakeline: e sabe algo bem engraçado nisso tudo? Ninguém ligou, minha filha tava morrendo nos meus braços, e nenhuma pessoa sequer chamou um curandeiro pra ajudar, por que isso que a minha filha era pra essas pessoas, nada…(respira fundo) e naquele dia, eu fiz uma promessa a minha filha antes dela ir pro outro lado, eu prometi que, não importa o quão difícil, desafiador, ou doloroso fosse, eu jamais iria tratar a Maldição de alguém como brincadeira


Alaric: é Singularidade mamãe, não Maldição


Jakeline: você me entendeu


Alaric: é, eu entendi…e por tudo que você fez por mim e por eles, sinto que você fez um bom trabalho…e tenho certeza que a irmazona tá sorrindo pra você, de onde quer que eu esteja


Jaqueline: gosto de pensar nisso também, filho, e torço para que isso seja verdade.


O livro dizia que a Jaqueline não respondeu, ela apenas sorriu de forma doce enquanto relaxava nos últimos momentos dela e seu filho…antes de finalmente ceder e morrer de velhice. 


Fechei o livro bem devagar, fechei os olhos, e respirei fundo, eu ainda estava tentando entender, acreditar, e levar a sério o que eu li, por que mesmo depois de tudo, e sabendo que tudo aquilo era algo histórico, por algum motivo, um parte de mim não conseguia acreditar que tudo aquilo realmente aconteceu, parecia, doido demais para algo assim realmente acontecer…


Eu respirei, senti meu corpo ficando mais leve a cada respirada, até que eu finalmente deixei soltar tudo, sentindo como se minha magia tivesse dado uma massagem em meu corpo, de tão relaxada que eu estava, não sabia se o que eu tava sentindo tinha um nome, mas decidi não ligar pra aquilo por enquanto e apenas me divertir com o tempo que eu ainda tinha.


Mas quando estava prestes  alcançar a porta pra ir embora, uma observação quase instantânea depois de ler aquela história por tanto tempo acendeu na minha cabeça, tentei não pensar muito nisso, mas aquele pensamento incendiou dentro da minha cabeça, até o ponto que era só isso que eu conseguia pensar, e depois de parar de lutar e aceitar o que eu estava pensando, percebi o quanto no fim de tudo, aquilo era bizarro pra caramba, em todo aquele livro, o nome do pai de Alaric nunca sequer foi mencionado.


Tentei não pensar muito nisso, mas quando estava vendo, eu estava no meio de uma investigação intensa através do pai de Alaric, mas achei algo ainda mais bizarro, o Pai de Alaric não tinha nenhuma menção em nenhum conto, e ele apenas aparecia quando ele estava na história de outro personagem, como o próprio Alaric ou a Jaqueline por exemplo, além de que ele nunca teve seu nome mencionado em nenhum momento, sendo só referido como Pai ou Marido, mas não parecia algo como “registros perdidos” ou descuido, parecia algo friamente calculado na verdade, era como se alguém tivesse apagado ele da história.


Uau, não fazia ideia o que o pai do Alaric fez pra deixar tanta raiva no coração do garoto assim, mas pra chegar nesse nível de raiva a ponto de apagar sua existência da história quase completamente, ele com certeza fez algo muito feio pra ele.


Tentando focar meus pensamentos em algo mais produtivo, acabei saindo da biblioteca, não tendo certeza se aquilo me mudou de verdade, eu me sentia um pouquinho, mas não tinha certeza absoluta no que fiquei melhor, talvez fosse algo que eu entendesse com o tempo, quem sabe?


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