Eu estava com o rosto pintado, minhas roupas estavam extravagantes e com cores muito fortes, meu pai, ao meu lado, carregava um grande chifre de batalha, enquanto nós dois estávamos cheios de dinheiro pra reabastecer nos.
Nós estávamos no meio de um corredor bem escuro, com uma grande luz bem no final. Enquanto nós andávamos devagar até a saída, um grande tremor aconteceu, junto com grandes gritos de todos os lados, e com a luz se aproximando cada vez mais de nós, eu vi que além de meu pai, minhas amigas estavam lá também.
Finalmente chegando a luz, o barulho chegou em seu auge, comigo logo me adaptando pra ver como, ao meu redor, milhares de fãs enlouquecidos gritavam e esperavam em frente a um grande jogo de vassouras peculiar.
O jogo consistia em um estilo bizarro de se agarrar na vassoura, que era segurá-la apenas com as mãos, enquanto seu corpo ficava pendurado por baixo (como se estivesse fazendo flexões na barra). E o objetivo do jogo era acertar uma bola em 5 aros de cores diferentes que ficavam girando em círculos por todo o estádio. Isso com canhões disparando bombas e outros disparando lanças por 8 pontos diferentes dos estágios.
Eu estava usando uma blusa vermelha e preta do time dos flamingos listrados, hoje eles estavam competindo com as zebras, e eles estavam ganhando.
Eu tinha pedido pro papai me levar ali porque eu queria ver como eram as vassouras profissionais de pertinho, eu tinha trazido até binóculos pra olhar as vassouras de perto.
Mas eu tinha que admitir, ficar no meio da ação, dos gritos, e das explosões de euforia era realmente algo inexplicável, além de que eu não fazia ideia do quão divertido era ver pessoas se machucando, por que quando um jogador largava a vassoura, a visão não era pra aquela de estômago fraco.
Eu fui pega na euforia, no sentimento, e no desejo de ganhar por todo o estágio, eu nem era tão fã dos flamingos listrados, mas essa moral do time era realmente algo sinistramente lindo.
Além disso, os jogadores eram realmente bons naquilo, eles faziam mergulhos, eles faziam jogos com a vassoura que fazia a bola ficar com uma embaixadinha, e eles até largavam a vassoura em alguns momentos, e no meio das suas quedas, eles direcionaram as vassouras pra irem onde eles queriam cair.
Nossa, dava pra sentir a quantidade de vezes que aqueles caras treinaram apenas vendo as vassouras deles, um dos jogadores até conseguiu chutar a bola um momento, se equilibrando em sua vassoura apenas com o dedo mindinho, e no meio de toda aquela doideira, euforia e distração, tirei um momento pra ficar boquiaberta.
Aqueles movimentos eram lindos, eu já tinha visto eles no espelho (e por causa disso que eu vim pra cá), mas ver na televisão e ver a coisa real eram duas coisas totalmente diferentes
Dandara: movimentos como esses são possíveis?
Pai: COM CERTEZA QUE SÃO, AGORA SE PREPARA, LÁ VEM A ONDA.
E assim como meu pai avisou, uma grande ola foi feita e eu participei dela. Mas na arquibancada, a parte que eu mais gostava era como alguns torcedores explodiram por comerem algo que eles eram intolerantes, não sabia por que, mas aquilo era muito engraçado.
E no meio de toda aquela alegria e euforia, eu consegui ver algo bem interessante nas vassouras, assim como pensei, cada uma delas era bem parecida, do mesmo criador, talvez, mas tinham pequenas coisinhas também, coisas que faziam as vassouras especiais.
O camisa 13 dos flamingos, por exemplo, tinha um problema maior de controle, então os giros e movimentos da vassoura dele eram bem mais duros que os outros. O camisa 7 das zebras tinha uma magia de fogo poderosa, então as arestas da vassoura dele eram cheias de estimulantes de fogo pra ele conseguir ir mais rápido. Coisas básicas, mas que faziam uma diferença gigantesca quando se estava lutando pela própria vida, ou por um jogo.
Era…interessante aquelas vassouras, por que elas pareciam ser contra tudo que eu já tinha visto ou pesquisado até o momento, não eram as melhores que existiam, eram boas, mas não as melhores, entretanto, os jogadores eram tão habilidosos com elas que eles faziam aquelas vassouras medianas ficarem boas, ou até perfeitas.
Um pouco mais a frente, eu via alguns subjugarem a força todas as “imperfeições” da vassoura, a fazendo obedecê-los, outros aprenderam a se comunicar com a vassoura, e a melhoraram pra ter uma fluidez melhor dos maneirismo a dos dois.
Aqueles dois tipos de jogadores disputaram com tudo cada pedaço do jogo, eu nem olhei direito pro placar, eu estava bem mais curiosa em desvendar aqueles estranhos movimentos, aquela estranha força e o peculiar poder mágico, um poder mágico que com certeza não podia trapacear pra se obter.
E quando o primeiro tempo acabou, meu lado começou a comemorar e quando olhei o placar, vi que o lado do time do meu pai tinha ganhado. Não sabia se meu pai iria querer ir pra outro lugar, mas não, ele apenas sentou na cadeira de fã dele, respirou fundo, e falou.
Pai: ah, um grande estágio, meu time favorito jogando, e eu tô passando um tempo com a alegria da minha vida, será que esse dia pode ficar melhor?
Dandara: claro com cachorro quente
Pai: uh, boa ideia filha.
Rindo, nós dois estávamos levantando, quando vimos no grande espelho de telão, que eu e meu pai estávamos no “espelho do beijo”, parece auto explicativo. Graças ao Criador, meu pai veio preparado, ele tirou um papel dobrado do bolso, mostrou a ponto de aparecer no espelho, e o papel dizia “ela é a minha filha”.
Com uma setinha apontando pra mim, mas pra encher um pouquinho com ele, eu me aproximei e dei um beijo na bochecha do meu pai, hehez ele ficou feliz, e pelo jeito, o mago que nos pegou também ficou.
Haaaaaa, era uma pena mesmo, mas eu queria muito olhar aquelas vassouras de perto, mas aquilo era impossível.
Dandara: eu quero ver uma vassoura de verdade
Pai: vassouras tipo, em lojas?
Dandara: não, eu quero ir numa exposição, você me levaria pra uma exposição?
Pai: claro filha, deixa que o papai dê um jeito nisso.
Sorrindo, eu continuei olhando o jogo novamente, não liguei pro placar, eu tava muito mais ligada nessa combinação linda que cada jogador tinha com sua vassoura, e novamente, cheguei na mesma conclusão.
Dandara: como eu imaginei, aqueles caras não tão com estimulantes, esses movimentos, esse poder, essa conexão com a vassoura, só dá pra conseguir esses níveis de manobra treinando dia após dia movimentos cada vez mais impossíveis, forçando seu corpo até ele quebrar e se reconstruir mais forte, e apertar o cabo da vassoura até sair sangue de sua mão, mesmo não estando na quadra, consigo sentir cada uma dessas coisas em casa movimento deles
Pai: você tem um bom olho como sempre filha, me diz, quem você acha que vai ganhar?
Levei um tempinho pra responder, não por que estava em dúvida, mas porque eu não acreditei por alguns segundos que meu pai me escutaria com tantas pessoas gritando e explodindo ao redor de nós.
Dandara: é difícil dizer, até agora eles estão bem empatados.
Eu tinha falado aquilo, mas eu vi uma das vassouras do nosso time meio estranha, como se ela tivesse mais rápida que o normal.
Dandara: mas se o camisa 5 não trocar a vassoura, eles não vão conseguir se recuperar.
Meu pai acreditou no que eu disse, mas como agente não podia só explicar aos jogadores o que ia acontecer, apenas pudemos observar a vassoura do camisa 5, assim como eu imaginei, ter uma pequena falha, ficar rápida demais e ele não conseguir bloquear um atacante.
Então, numa reação em cadeia de 10 chutes, esquerda, esquerda, baixo, direita, cima, direita, baixo, esquerda, cima, e baixo pra frente em diagonal, o último aro foi acertado pelo time inimigo, e na comemoração da torcida adversária, o nosso lado começou a gritar e até jogar alguns feitiços neles, aí que medo, e vendo como eu tava meu pai viu que as coisas iam ficar feias.
Pai: quer ir pra casa?
Dandara: acho que vai ser melhor.
Eu queria ver o fim do jogo, mas aquelas duas torcidas sempre brigavam quando um jogo ficava empatado demais, então a melhor escolha era não ficar entre o fogo cruzado.
Enquanto entramos de novo no túnel pra sairmos, vimos que o camisa 5 foi substituído pelo camisa 9, mas não levei muita fé naquilo, na verdade, aquilo poderia piorar e muito a situação deles.
Pai: filha?
Dandara: é inútil, os flamingos estão abalados demais…não vai conseguir recuperar, (suspiro) melhor ligarmos prós guardas, no fim do último tempo, ou talvez até no meio dele, esse lugar vai virar um campo de guerra
Pai: o rei não vai deixar isso acontecer, fique tranquila querida.
“Ficar tranquila?” Engraçado ele pedir pra eu ficar tranquila fez tudo, menos me deixar tranquila.
Mas eu era uma boa menina, então tentei pensar em outra coisa pra me deixar calma…e isso funcionou melhor do que pensei, aqueles movimentos doidos daqueles caras ficaram na minha cabeça, então de forma simples eu perguntei.
Dandara: papai, você acha que eu consigo fazer aqueles movimentos?
Pai: é claro que consegue querida mas não vai ser fácil, aqueles moços conseguem fazer isso por que eles treinam muito todo dia, eles basicamente só param pra comer e dormir
Dandara: dureza ein
Pai: acha isso dureza? Devia ver o que eles precisam fazer para não serem sequestrados pelos fans
Dandara: (risadinha) tadinhos.

