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Olhos de mel 🌻X
❤️Meu grande amor❤️
3898 palavras • 22178 caracteres • ⏱ 15 min 36 s

❤️Meu grande amor❤️

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Aviso, capítulo de 4000 palavras (são 3900 mas pode arredondar pra 4000)


Os próximos dias foram bem interessantes, eu perguntei em alguns lugares, e pelo jeito, uma das famílias ia dar uma Baile pra comemorar o primeiro ano de seu terceiro filho, e como meus pais eram amigos próximos da família, consegui um convite. 


Sinceramente, essa foi a parte simples pra mim, mas a parte fácil seria convidar meu Príncipe pra esse Baile, porque eu sabia muito bem o quanto ele odiava Bailes assim.


Mas quando fui falar com ele eu me surpreendi quando a reação dele foi só me perguntar algumas coisas, tipo “vai ter muita gente?” e “a música vai estar muito alta?” 


E quando respondi elas uma por uma, no fim ele não viu muitos problemas e apenas aceitou meu convite, dizendo a hora exata em que ia chegar e pra eu me preparar. 


O que foi estranho pra mim, pois, depois de tudo que eu pesquisei sobre os super sentidos, fiquei realmente impressionada dele estar tão tranquilo em ir comigo pra um baile, que era um dos lugares que, na teoria, devia ter tudo que a Singularidade dele não ia conseguir aguentar…


Talvez ele estivesse aguentando por mim…Nah, eu tava me dando muito crédito, por enquanto, eu tinha que me concentrar em ficar fabulosa no primeiro Baile que eu teria como uma Rodrigues, com meu Príncipe encantado como acompanhante e como uma comemoração minha pela minha saída da sala de recuperação…


E mais uma vez, quando pensei um pouco sobre isso, esse Baile iria comemorar muitas coisas que aconteceram comigo…é, mais um motivo pra eu querer ficar fabulosa pra essa grande festa, hihihi.


No dia da festa, falei pros meus pais que eu ia na frente, pois queria ir no nobre corcel do meu amado, e entendendo bem, eles foram na frente enquanto eu esperei meu Príncipe.


Mas na noite da festa, o meu Príncipe estava quase atrasado, eu disse pra ele que a festa seria às 7 horas, olhando o meu relógio, via que era 6 e 59 e não conseguia vê-lo em lugar nenhum.


Já estava esperando pelo pior, mas no momento que deu 7 em ponto, o meu Príncipe apareceu em uma das ruas, pontualmente na hora certa, como sempre.


 Eu ainda não entendia como ele fazia isso, mas ainda era maneiro pra caramba, quase como se tivesse se teleportado até ali. 


Enquanto ele se aproximava, tirei um tempo pra olhar o belíssimo cordel do meu Príncipe.


Ele era um cavalo grande, em um marrom fortíssimo e com um prisma branco na cabeça. Junto de uma criança azul neon, que representava como, naquele ponto, ele já era um cavalo mágico também.


Sabe, eu não era uma fã de cavalos, mas até eu entendia o quão belo era o Zorro, como o meu Príncipe chamava o grande cordel dele.


E quando terminei de admirar o corcel do meu Príncipe, subi meu olhar pra admirar meu próprio príncipe.


Mas antes de eu ter essa chance, ele desceu do cavalo, tirou o chapéu em uma reverência simbólica, e depois falou.


Antonio: madame, é um prazer vê-la nessa noite maravilhosa, a Lady está encantadora esta noite


Dandara: agradeço Senhor, vossa senhoria também está encantadora essa noite.


Nós dois sorrimos meigamente enquanto o outro ficava feliz pelo quão fabulosos nós dois estávamos.


Meu príncipe usava um terninho simples de um azul bem escuro, com uma blusa branca em baixo, luvas pretas, sapatos com solas super fofas e uma cartola bem bonita, com uma linha branca pra destacava das outras.


Ele parecia tão maduro naquela roupa que eu sentia que se olhasse demais pra ele, talvez começasse a sangrar pelo nariz.


Já o meu vestido, era mais infantil, queria ser fabulosa, mas depois de pensar que queria me divertir na festa, tentei colocar algo mais prático que bonito.


Era vestido azul claro, com mangas longas, um torço decorado com 3 lacinhos cor de vinho, ombreiras felpudas e um tecido longo asul e simples na saia e um tecido quase transparente com desenhos de flores que ficavam em cima do tecido mais simples da saia.


Eu me recuperei bem cedo, mas algo me dizia que meu Príncipe ainda tava se recuperando da minha beleza, porque ele ficou um bom tempo me encarando…


Até que, do mais completo nada, o meu Príncipe segurou meus ombros com carinho, e me deu um beijo…


Ok, foi algo muito bom, mas eu não tava esperando por isso, não mesmo.


Antônio: ah, desculpa, é que faz muito tempo que agente não se beija


Dandara: não, tudo bem…eu gostei…e você tem razão, faz muito tempo que agente não se beija…então…podemos continuar o ato?


Antônio: é claro.


Eu começei a ficar bem vermelha quando eu entendi que agente se beijou.


Sim, nós éramos namorados, mas acho que meu Príncipe tava certo, agente não se beijava a tanto tempo que eu me afetei bem mais do que pensei que seria afetada.


Então, tentando não pensar muito nisso, voltei ao nosso ato e levantei minha mão de forma teatral, e logo que fiz isso, meu Príncipe a pegou, de forma igualmente teatral.


Antônio: madame, por favor deixe-me auxilia-la a subir na minha montaria


Dandara: certamente.


Segurei a mão dele e subi no Zorro, tentando ficar tão confortável quanto meu vestido permitia, e como eu pensei, ele permitia bastante conforto. 


E depois de uma cavalgada tão tranquila que eu mesma questionei se nós realmente estávamos andando, chegamos no lugar certo em menos de 20 minutos.


E pelo barulho que estava do lado de fora, via que a festa já estava bem animada. 


Ao mesmo tempo, vi que o Antônio parecia estressado e cansado de antemão, como se ele não fosse ir até lá se não tivesse sido convidado por mim.


Dandara: melzinho, você não precisa fazer isso por mim


Antonio: naos e preocupe ruiva, pode não parecer, mas eu gosto de Bailes também, eu só fico na festa menos tempo que os outros, entao só se prepara por que agente provavelmente vai sair mais cedo


Dandara: (risinho) anotado, a propósito, gostei da sua roupa


Antônio: obrigado, também gostei da sua.


Agente já tinha elogiado a roupa um do outro antes, mas agente tava se sentindo tão bem que tínhamos a necessidade de falar isso pro outro de novo, de novo e de novo.


Hihihi, eu era muito sortuda, meu amado estava bonito, e eu me sentia bonita, e com essa sensação incrível entre nós, nós dois entramos na festa.


E quando entramos na festa, começei a me questionar se eu cometi um erro ou não, eu não conhecia ninguém ali, e acabei me agarrando bem forte do Antônio, por me lembrar bem rápido meu pavor de estranhos, mesmo ainda querendo ficar no Baile.


O meu Príncipe olhou pra mim bem rápido quando eu o agarrei do nada daquele jeito, mas só com uma olhada, era como se ele tivesse entendido o meu problema e tentou me levar pra parte do bufê.


Algo fácil de fazer, e eu já tava começando a sentir que meu Príncipe tinha mais experiência nesses bailes do que eu pensei.


Mas antes de chegarmos lá, alguém desconhecido ficou entre nós, e foi algo tão rápido que eu quase dei um grito, mas consegui me acalmar antes de pagar esse mico.


???: ola, voce deve ser a nova filha do casal Rodrigues, prazer em conhecê-la, eu sou Luan, o gigante primogênito da família


Antonio: os gigantes tem raízes até aqui? Isso é novidade pra mim.


A voz do Antônio me impressionou um pouco, apesar de parecer claro pra mim que ele tava tentando impedir que o Luan tentasse fazer algo comigo.


Via também que ele entendeu que o Luan não parecia estar flertando e que só queria me conhecer mesmo.


Dandara: prazer em conhecê-lo Luan


Luan: você conhece os peixes do mar branco?


Dandara: eu ja ouvi falar, mas não me aprofundei muito.


Ok, eu não era a maior referência quanto o assunto era converças, principalmente agora, mas tinha alguma coisa naquela conversa que parecia aleatório demais.


Luan: sabia que os peixes ali tiveram que criar uma mistura de gases mágicos pra conseguirem nadar no mar branco sem despencar no mar azul? 


Luan: e por causa disso, muitos peixes do mar branco tem bexigas venenosas que dispersam um vírus mortal no ar se forem preparados errado


Dandara: me faz pensar quantos gigantes morreram antes de aprenderem a receita certa


Gigante: não muitos na verdade, (bate no próprio peito) pode não parecer pelos nossos corpos mais cheios, mas gigantes são muito mais durões que as fadas e os elfos, e exatamente por sermos tão fortes que não usamos muito nossa própria forca


Dandara: como nunca comi um peixe do mar branco, acho que não tenho chão pra falar nessa conversa


Luan: não é apenas os peixes, tem algas curiosas ali que são como pedaços de raios, se você não usar equipamento especial com elas, você pode acabar sendo paralisado como se fosse atacado por uma enguia elétrica, 


Luan: é por causa dessas coisinhas que muitos gigantes despencaram do mar branco, porque pegaram essas algas do jeito errado e despencaram do mar branco…


Luan: hehehe, por muito tempo, essa foi uma das maiores causas de mortes de gigantes, ate mais que as caças ilegais


Dandara: meu deus.


E o Luan, o gigante mais operativo que eu já conheci, continuou me bombardeando com fatos do mar branco.


E naquele momento, meu maior arrependimento foi não ter um bloquinho pra anotar tudo que ele falou, porque aquilo tava sendo um papo tão bom que por alguns minutos, eu tinha me esquecido por completo que eu tava nervosa pra início de conversa.


E olha só, agente ficou naquele papo por tanto tempo que acabamos sendo levados para a mesa do primogênito.


E aquela era uma mesa tão grande, com tantos convidados e tão divertida que até meu Principe, que era normalmente quieto com estranhos, estava falando com a maior tranquilidade do mundo.


O Antonio falou tanto que eles que até teve que beber água pra recuperar a voz e conversar mais tempo.


Eu tava com medo das pessoas não aguentarem ele falando muito, porque meu Príncipe era um canário quando conhecia alguém que o escutava.


Mas pelo que parece, todo mundo daquela mesa amava ouvir o António, e até fazia alguns contrapontos com ele, e começavam até alguns debatesinhos no meio da mesa.


E eu só tava absorvendo o que eles diziam, não fiquei com vergonha disso, aquela era com certeza uma conversa que era melhor eu só ficar calada primeiro e tentar entrar quando tivesse uma chance.


Até que eu encontrei um chão pra me colocar na conversa, e apesar de não estar falando tanto quanto eles, fiquei feliz pelo quanto eles conseguiram respeitar minhas ideias.


Eles até me ajudaram a entender quando eu falava algo errado, pois pelo que parece, chamar algo de “normal” não era algo tão legal quanto eu estava fazendo a tanto tempo.


Esse foi só um dos exemplos das coisas que eu aprendi com naquela mesa doidinho.


Mas, infelizmente, o baile não tava focado só naquela mesa, então eu  já tava meio animada pra sair de lá e aproveitar um pouco melhor certos lugares da festa também.


Antonio: bom, agora se me der licença, preciso comer um pouco pra continuar essa conversa maravilhosa.


E pela segunda vez, o meu Príncipe me salvou naquela festa, e olha que a festa nem tinha começado direito.


 E logo depois de falar aquilo, fomos direto a mesa de banquetes, sem que ninguém nos interrompesse de chegar lá dessa vez.


E agora, chegamos em um dos melhores lugares da festa, pois lá, nós nos enchendo de coxinhas, tortas salgadas, frutas mergulhadas numa fonte de chocolate, balas.


Refrigerante, muito, muito, mas muito refrigerante mesmo. 


Pizzas, bombons, brigadeiros e até copinhos de sucos. 


Comer nunca foi tão divertido quanto na quelé dia. Ah, paladar, por que você me abandonou por tanto tempo?


Antonio: comer e uma das maiores bênçãos que a Criadora nos deu


Dandara: e por isso que não podemos desperdiçar, pois tem muita gente por aí que não tem esse direito


Antonio: uououou, uma coisa de cada vez, vamos tentar salvar a nós mesmos antes de tentar salvar o próximo


Dandara: justo.


Continuamos nos divertindo quase de forma solitária, como se no meio das vozes, da música e das luzes, apenas nos dois existíssemos um pro outro. 


Ah, momentos como esse era um dos motivos que eu amava meu príncipe. 


Ah meu príncipe dos olhos de mel, se eu pudesse olhar dentro de sua mente, e ver se você me ama tanto quanto eu te amo, eu ficaria decepcionada?


O Davi falou que você é louco por mim, mas até onde eu sei, eu não sei ler pensamentos, então talvez eu nunca descobriria se isso era verdade, mas eu iria aproveitar cada momento com meu amado nesse meio tempo.


Até que a música dos músicos da banda mudou pra um ritmo bem lento e romântico, então, um ponto de dança se abriu e muitos casais começaram a dançar de forma lenta.


Sem pensar duas vezes, nós dois fomos até lá e tentamos curtir a música lenta, e apesar de ser um pouco rígida em meus passos ainda, fiquei surpresa com o quão bem o Antonio dançava.


Dandara: você dança muito bem


Antonio: eu era todo desengonçado quando criança, eu não conseguia nem andar direito, mas meus pais conseguiram um instrutor pra mim, uma das melhores decisões que já fizeram por mim.


Dando uma risadinha, só tentei aproveitar o ritmo lento de tudo aquilo, me agarrando ao meu amado, sentindo o perfume dele e deixando a música mais suave diminuir o desespero que parecia não abandonar meu coração. 


Dandara: o que mais seus pais fizeram por você?


Antônio: um instrutor de etiqueta, uma fonu e um instrutor de escrita


Dandara: hihihi, não consigo imaginar você tendo esses problemas, você é bom em tudo isso


Antônio: sério? Então esses três fizeram um ótimo trabalho me ensinando.


E depois de ouvir aquilo, eu senti que era melhor ficar quietinha e só Dandara essa música lenta coladinha no meu Príncipe, e pelo jeito, ele pensava o mesmo.


Era em momentos como aquele que eu desejava poder parar o tempo, porque eu apenas desejava que aquele momento durasse pra sempre. A música, o clima, o calor entre nós, tudo tava muito perfeito.


Até uma pergunta ficar em minha garganta, tentei reprimi-la, mas tentar reprimir só a deixou mais forte, e antes de parar minha língua, eu perguntei


Dandara: Antônio


Antônio: fala


Dandara: o que você sente por mim?


Antônio: pode ser mais específica, querida?


Dandara: o que você sente por mim é diferente do que você sente pelos outros?


Antônio: claro que sim


Dandara: de que jeito?


Antônio: eu já não te expliquei? Eu consigo catalogar quase todos os meus sentimentos, pode levar um tempo, mas depois de passar por muitas coisas, seja antes ou depois de senti-los, posso dizer precisamente que “ah, eu fiquei daquele jeito por isso isso e isso” ou, “ah, eu fiquei tão irritado por isso, isso é aquilo”. 


Antônio: mas o que eu sinto por você é incatalogável, eu sinto coisas por você desde o primeiro dia que eu te vi, e desde aquele dia, as coisas que eu sentia sobre você mudaram tanto que eu sequer consigo dar um nome complexo pra elas, tipo, alegria, amor, tristeza, raiva, stress, ansiedade, ou outro nome


Antônio: porque eu já senti isso tudo por você, às vezes ao mesmo tempo, e mesmo assim, eu quero ficar perto de você, porque por mais que esses sentimentos sejam confusos, eles são muito bons, e eu acho que isso é amor.


Fiquei sem falar por alguns segundos, é, ele talvez tivesse me falado isso algum momento, mas eu talvez tenha esquecido ou talvez eu só não tivesse com a cabeça boa pra entender tudo na época que ele falou.


Dandara: é sério?


Antônio: muito sério, eu não consigo compreender o que eu sinto por você e eu quero sentir mesmo assim, e acredite, pra alguém que não soube o que sentiu por mais de 15 anos, isso é algo muito único.


Eu fiquei sem palavras de novo, até ele falar.


Antônio: por que a pergunta?


Dandara: é que, sabe como é, eu tô testando algumas coisas


Antônio: que coisas?


Dandara: desde que eu saí daquela casa de reabilitação, eu tenho sentido muitas coisas, muitas coisas mesmo, boas e ruins, intensas e tranquilas


Dandara: mas não importa o que eu sentisse, ou o quão diferente o mesmo sentimento era com pessoas diferentes, o que eu sinto por você é totalmente diferente, é único


Dandara: esse “calor quentinho” que sinto no meu peito, minha cabeça nas nuvens, a sensação que eu poderia relaxar em seus braços e deixar você cuidar de mim como um bebezinho


Dandara: eu nunca senti algo como isso por mais nada ou ninguem, seja objeto ou ser vivo, de todas as coisas em todo o mundo conhecido e desconhecido, nada do que senti chega perto de ter a intensidade específica que sinto quando tô com você e apenas por você.


Eu acabei me inclinando na direção dele, e ele olhou pra mim com um rosto sonolento ainda, nem ligando que eu tava tão perto dele.


Dandara: você é único pra mim Antônio Carvalho


Antônio: e você é indecifrável pra mim, Dandara Rodrigues.


Então eu o beijei, e o calor que só estava no meu coração se espalhou pra cada pedaço do meu corpo. 


Agente parou de dançar por alguns segundos por causa da quantidade de sentimentos naquele momento


 O beijo foi demorado, e eu sentia como o calor estava invadindo todo meu corpo.


Ainda em uma pose de dança, eu relaxei a ponto de ficar numa pose de costas pro chão enquanto ele me segurava com uma mão nas minhas costas. 


Nós dois estávamos ofegantes por causa da dança, e ao redor, muitos casais nos imitaram e se beijaram também.


Dandara: (arfa) quer dar uma pausa?


Antônio: sim.


Voltamos a mesa do primogênito e nos sentamos, mas enquanto eu conseguia ficar mais um tempo ali, vi que o Antônio já estava chegando no limite, então olhei com cuidado pra ele, toquei em sua mão e perguntei devagar.


Dandara: Antônio, você quer ir embora?


Antônio: sim


Dandara: então vamos.


Humpf, era estranho, cheguei lá antes dos meus pais, e agora iria sair primeiro que eles, disse a eles no baile que eu já estava indo e eles aceitaram sem problemas. 


Quando fiquei em cima da garupa do Zorro novamente, olhei para o horizonte enquanto o Antonio continuava cavalgando devagar, provavelmente pra não me deixar cair.


Mas olhando com cuidado pro meu Príncipe, percebi que ele tava com um olhar todo preocupado no rosto, era fofo de uma certa forma, não era normal eu ver meu Príncipe preocupado desse jeito.


Antonio: você tá brava comigo?


Dandara: brava? por que estaria?


Antônio: por que agente saiu mais cedo, não deu nem tempo deles cantarem o parabéns


Dandara: pra uma primeira experiência até que foi bom, ver o quanto eu ainda gosto de bailes foi algo bem novo de entender sobre mim mesma


Dandara: além de que você me ajudou muito quando a minha timidez atacou naquela hora


Antônio: de nada


Dandara: mas eu realmente fiquei surpresa que você não teve problemas em ir pro baile comigo.


Então, quando falei isso, meu príncipe ficou com um rosto mais caído e deprimido, então ele falou.


Antonio: todos gostam de bailes Dandara


Dandara: achei que você não gostasse


Antonio: eu gosto, ate um certo ponto, como hoje, eu tenho um limite pra aguentar bailes, depois desse limite é apenas tortura pra mim


Dandara: que dureza ein


Antonio: ja passei por pior


Dandara: acredito em você.


Algo que eu amava no meu Principe dos olhos de mel eram esses momentos, o primeiro era que eu podia ser totalmente sincera com ele, sem medo algum.


E a segunda coisa eram esses momentos incríveis que agente podia só ficar super quietinhos sem da nenhuma estranheza em nos.


Nenhum de nós dois sentia a necessidade de continuar a conversa, então só olhamos o horizonte da cidade a noite, enauanto aproveita vamos esse silêncio no meio de nós dois.


E aquele silêncio, de sua própria forma, tinha uma espécie de amor entre nós dois que não podia ser descrito em palavras.


Sim, eu agarrei meu Príncipe por trás da nossa viagem do Corsel igual eu fazia com meu pai, mas eu entendi rapidinho como essa agarrada era bem diferente entre meu Pai e meu Príncipe.


Haaaa, tão quietinho, tão bom, tentando não pensar muito nessas coisas diferentes, eu apenas relaxei e fiquei me recuperando da doideira da festa até nos chegarmos na nossa casa…


Pera ai, não, não é nossa casa, é minha casa, não nossa, MINHA, ainda não tava no momento de eu pensar em dividir nossas coisas, eu tinha que conseguir ficar sozinha antes de começar a dizer “nos” tão fácil em frases assim. 


E quando acalmei minha mente de novo e  desci da garupa com ajuda do meu Príncipe, terminei nosso belíssimo encontro dizendo.


Dandara: Sir Antônio, eu me diverti muito hoje, espero poder atender meus pedidos em  futuros Bailes


Antônio: na medida do possível, sempre estarei disponível pra você, Lady Dandara.


Ficando coradinha de novo, eu dei um último beijo nele, antes de nós despedirmos, e eu fiquei feliz em ver que nesse último beijo eu já não tava tão envergonhada como no primeiro.


Eu acenei pra ele enquanto ele ia embora em cima do Zorro e desaparecia no horizonte escuro da noite.


 E enquanto meu Principe partia, notei como o meu mundo que antes era cinza, e que se transformou em colorido depois de muito cuidado e amor, agora estava rosa.


Tudo porque era isso que eu sentia quando tava perto do meu Principe, um mundo perfeito e cor de rosa onde só existia o amor.


Eu tinha descoberto outras cores, além do rosa e eu descobri coisas muito mais interessantes que apenas um mundo perfeito. Mas eu ainda guardava essas duas partes da minha personalidade com muito carinho.


Eu queria descobrir se ainda gostava de bailes, de bolos, do “parabéns pra você”, e eu também queria ver o bebe, e no lugar disso, sai mais cedo, não conseguindo ver nenhuma dessas coisas.


E mesmo assim, eu não conseguia me sentir mais feliz, uma felicidade que não poderia ser conquistada nem mesmo combinando meus três desejos do que eu queria ver daquela festa, era como eu falei pra ele.


Dandara: você é único pra mim Antonio Carvalho.


Ele não sabia o quanto ele era único, e em certa extensão, nem eu mesma sabia, e eu estava ansiosa pra entender aquele sentimento melhor, mas uma coisa de cada vez, uma coisa de cada vez, primeiro eu precisava falar sobre meu possível cordão. 


E ainda tinha minhas amigas e minha nova escola.


Dandara: haaaaaa, ter sentimentos não é fácil…(sorri) mas eu não trocaria isso por nada.


Por alguns segundos, pensei estar falando sozinha, até que eu vi uma ilusão bem fraca da Monstrinha na minha frente de novo, ou melhor, da Dandara Galdino, OK, já chega, era melhor eu ir entrar, seja lá o que eu ainda tivesse que resolver, poderia ficar pra amanhã.


Porque depois de tudo o que eu fiz hoje, eu queria muito dormir, muito muito mesmo.


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