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Olhos de mel 🌻X
🫠🤩🥳O Centro dos Mercadores🥳🤩🫠
2274 palavras • 12938 caracteres • ⏱ 9 min 06 s

🫠🤩🥳O Centro dos Mercadores🥳🤩🫠

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Sinceramente, eu não fazia ideia do que as garotas queriam fazer, mas eu não esperava que primeiro agente fosse numa loja de brinquedos e começássemos a escolher vários bonecos diferentes, princesas, cavaleiros e vassouras. 


Nossa, depois daquilo agente foi provar roupas, e apesar de todo mundo ter ido pelo caminho do fofo e bonitinho, eu peguei o tecido de algumas e comecei a sentir eles com bastante cuidado.


E bem devagar, comecei a dar roupas pra elas provarem, e além de bonitas, as roupas eram confortáveis e práticas pra cada uma delas. Nesse meio tempo, a Luiza, ou apenas Lu, como todo mundo chamava, falou o quanto gostou do que eu fiz.


Lu: nossa Dan, essas roupas são incríveis, você não errou uma o dia todo, como conseguiu?


Dandara: ah, é que eu tenho muita experiência escolhendo roupas


Kali: pensei que você não tinha muito tempo no mundo de fora


Dandara: não tenho, mas meu namorado é muito chato com roupas, eu dei a ele uma blusa alguns meses, e ele não usou, porque segundo ele "os detalhes dela pinicavam demais, ela esquentava muito rápido, ela amarrotada fácil e o tecido dela me incomodava"


Kali: nossa, pra que tudo isso?


Dandara: é o jeitinho dele, fazer o que? E por causa disso, eu passei meses tentando descobrir como diferenciar roupas, e no fim eu consegui pegar algo que ele gosta


Kali: seu namorado deve amar ter uma namorada como você


Dandara: você não faz ideia.


Quando agente tava saindo dali, uma funcionária foi até mim, e falou com o sorriso mais gentil do mundo.


Funcionária: é apenas isso? Vocês precisam de mais alguma coisa?


Eu me encolhi na hora, como se um predador selvagem estivesse na minha cara, eu tava quase me escondendo por dentro do meu cabelo de novo, mas antes do pior acontecer, a Kali se pôs entre eu e ela, com um sorriso no rosto, e falou.


Kali: não obrigada, nós já temos tudo que precisamos.


E antes de tudo piorar, elas me levaram ao caixa, e algumas de nós já saímos com as roupas que compramos. E depois de ficarmos um pouco mais longe da loja, eu falei.


Dandara: nossa, vocês viram aquilo? Aquela funcionária parecia que ia me engolir


Lu: com garfo, faca e guardanapo garota, o pacote completo.


Rindo da piada de Lu, agente continuou passeando, as vezes eu precisava parar pra conseguir me acalmar um pouco porque eu sentia que todos naquele prédio estavam me olhando, me julgando, me repreendendo.


Eles olhavam, e olhavam pra mim, a ponto de eu precisar parar e respirar um pouco pras visões e vozes na minha cabeça se acalmarem.


E aquela altura do campeonato, as meninas entenderam que eu tinha alguma coisa, mas nem eu sabia direito o que aquilo deveria ser, antes, eu tinha a Singularidade do Vazio, mas agora ela estava tão controlada e fraca que eu mal sentia que ela ainda estava ali.


Mas essa Singularidade "nova" em mim, não era algo da Dandara Galdino, era da Dandara Rodrigues, era algo que eu tinha antes de me guardar pra sempre pros outros, era algo que eu descobri apenas depois de tudo que eu passei, meu, santo, deus, eu tinha tanta coisa pela frente ainda.


Pois aquilo, não era uma consequência de jogar minhas emoções fora, era uma consequência direta de liberar minhas emoções, deixar minhas emoções saírem pra elas fazerem o que quiserem fora do meu corpo.


E essa era apenas uma das consequências de meus sentimentos liberados, algo que me deixava empolgada e com um pouco de medo do que ainda podia rolar com meus sentimentos, e em meio aos meus constantes e fortíssimos devaneios, a Lu me perguntou algo.


Lu: ai Dan, tem algum lugar que você quer ir?


Dandara: bom, eu quero ir numa lojinha de colares


Lu: pros colares nós vamos então.


Pelo menos eu podia ficar tranquila tendo amigas como aquelas, eu não sabia quando, mas em algum momento, elas criaram uma espécie de fortaleza ao meu redor, com elas ficando ao redor de mim e comigo bem segura e protegida no meio.


Impedindo que qualquer estranho tentasse conversar comigo, e principalmente me protegendo de vendedoras que pareciam sempre me atacar, porque sem conseguir falar direito com uma vendedora agressiva, eu iria comprar a loja inteira pra ela me deixar em paz.


No fim do dia, agente foi levado a um Dog Burger, um lugar que vende hambúrgueres como o próprio nome sugere, mas era lotado de cachorros bem treinados pra fazer carinho e deixar a refeição mais deliciosa.


Eles eram tão adoráveis, mas nenhum adorável como meu querido Rex, e sinceramente, não sabia se eu tinha algum magnetismo ou se eu exalava alguma energia ruim, mas sempre que eu comia e parava pra fazer carinho em um cachorro, um cão de terapia aparecia e tentava me acalmar. 


E o irônico era que eles sempre apareciam na hora certa pra eu me acalmar. E quando agente tava comendo. Jéssica, ou só Jez, como agente chamava ela, falou comigo.


Jez: aí Dan


Dandara: que foi?


Jez: você tem um colar?


Dandara: sim


Jez: e por que você não tá com ele?


Dandara: é que eu, coloquei ele no bolso do meu vestido


Jez: por que você não tem um colar?


Dandara: é que eu não sei se preciso de um


Jez: pode me explicar por que você tem dúvidas se precisa ou não do colar?


Dandara: (suspiro) esse colar foi criado para pessoas com problemas serem protegidas, pessoas que não conseguem resolver coisas sozinhas, pessoas que precisam de algum tempinho pra acalmarem a si mesmas por causa das Singularidades que carregam. Elas precisam de ajuda, mais paciência das pessoas, e proteção contra pessoas mal intencionadas...


Dandara: e quando eu penso em todo o significado e simbolismo por trás desse colar, não consigo parar de pensar que eu tenho uma Singularidade muito fraca pra usá-lo, enquanto tem muita gente por aí com uma Singularidade bem pior que a minha, entende?


A Jez pareceu entender o que eu quis dizer, ao mesmo tempo que ela olhou pra mim, olhou pra esquerda, e olhou pra direita, como se estivesse pensando, e depois me falou. 


Jez: bom, vamos ver aqui, você precisou ser protegida de vendedores(levanta dedo), teve que parar várias vezes pra conseguir se acalmar, tanto na escola quanto aqui no centro de mercadores (levanta outro dedo), você só ficou aqui com agente por que a Kali se aproximou de você primeiro(levanta outro dedo) e você sequer consegue falar com estranhos sem quase ter um ataque de pânico instantâneo(levanta mais um dedo).


Jaz: acho que isso é o bastante pra você ter um colar de girassóis, não acha?


Eu queria contra-argumentar o que ela falou, mas quando ela falou aquilo, eu acabei ficando vermelha igual meu cabelo de novo e tentei me esconder dentro dele mais uma vez.


Dandara: quando você fala desse jeito fica difícil de contrariar


Jaz: me fala Dan, você queria mesmo vir aqui?


Dandara: sim, eu quero...éeeeeeeee, que isso tudo, tudo, isso...


Falei enquanto abria meus braços na direção delas, depois abri meus braços mais para todo o prédio dos mercadores que estávamos, e depois fiz outro gesto com as mãos, como se me referisse a "tudo" agora, todo o mundo exterior como um todo.


Dandara: tudo isso é muito novo pra mim, e eu nem entendo direito o que é essa nova "eu" de agora


Jaz: nova "você"? Como assim?


Dandara: eu tenho a Singularidade do Vazio.


Aquela simples frase fez todas pararem de comer, elas estavam me olhando com medo, e depois pena, a não, não não, não me olhem assim.


Dandara: por favor, não me olhem assim, eu estou bem, não é nada sério, bom, é sério, mas eu recebi tratamento, consegui voltar ao "normal" e agora eu tô tentando entender o que essa minha eu "normal" uma "eu" com sentimentos...é.


"Sentimentos", não sei porque, mas falar aquilo, falar essa simples frase, carregava um peso dentro de mim que mesmo depois de tudo, ainda fazia eu perder a voz por completo, de anto que eu ansiei pra esse momento chegar, mesmo que eu ainda tivesse muitos outros "momentos" pra alcançar também.


Jaz: e o que descobriu?


Dandara: bastante coisa, principalmente que com meus sentimentos fortes e não sendo reprimidos, eu tenho uma Singularidade diferente


Jaz: normal, Singularidades são famosas por virem em duplas, ou em rios, ou até mesmo em quartetos, se a pessoa for azarada


Dandara: e você tem uma?


Jaz: a Singularia do coração de coelho, em estágio avançado, ela faz o meu coração entrar em estados de pânico quando eu fico levemente mais nervosa que o normal, então eu tenho que me manter calma constantemente...e eu também tenho...(suspiro) a maldição do anti-leite


Dandara: então...


Jaz: é...leite me faz explodir.


Eu já tinha visto muitas, mas muitas pessoas mesmo com essa Singularidade, principalmente quando eu tava na casa de reabilitação, mas ver uma tão próxima de mim era impressionante mesmo assim.


Dandara: eeeeee. Dói?


Deve ter sido a coisa mais idiota que eu já perguntei, mas com a voz mais casual do mundo (entregando que ela provavelmente era perguntada isso muitas vezes por dia) ela falou.


Jaz: não tem palavras pra descrever o quanto dói, mas a pior parte é quando a magia reconstrói meus pedaços...eu consigo sentir cada um deles, se reconstruindo, se remontando, é um horror


Dandara: nem consigo imaginar


Jaz: e nem tenta imaginar, pense na coisa mais dolorosa fisicamente possível que voce pode passar, a explosão da intolerância é pior.


Droga, a conversa tinha morrido ali, não tinha como se recuperar disso, mas tentando manter o clima alegre, a Valentina, ou só Val, tentou manter o clima alegre.


Val: nossa, que complicado, mas me fala, como é que tá o "gancho de esquerda"?


O hamburguer que eu pedi se chamava "gancho de esquerda" e como o próprio nome já diz, ele te dá um soco bem no queixo de quem o compra, e você pode desviar, ou aguentar o golpe, e se você receber o soco o soco, o hambúrguer libera um molho especial que é como o paraíso das carnes em sua boca. 


Eu ja tava acostumada a receber pancadas por causa de treinos, então aguentar o soco do hambúrguer foi tranquilo pra mim, e depois de 5 mordidas, me senti a garota mais sortuda do mundo.


Dandara: comer esse hambúrguer é como deixar seu corpo ser levado por uma correnteza aquecida igual a um banho quente enquanto o sol esquenta seu rostinho lindo


Val: hehe e o bom laço é como estar pendurada por várias cordas no alto, é perigoso, parece imprevisível, mas quando acho a posição perfeita, é como encontrar uma cama bizarra e confortável.


Não sei se ela tava tentando me imitar ou não, mas com uma cara de "você tá falando sério?", deixei a Val ficar um pouco vermelha, depois eu falei.


Dandara: tem que melhorar seu discurso


Val: ah é? Acha que descreve melhor que eu? eu te desafio


Dandara: ótimo, aqui, prova o meu.


Nós trocamos hambúrgueres, e comemos bem, hum, bom, sim, e como a propaganda dizia, o laço enlaçou meu estômago, e quase me fez arrotar, mas eu mantive a boca fechada, e depois abri pra arrotar sem fazer barulho.


Dandara: hum, comer o laço não é perigoso e nem imprevisível, eu diria que é simples, confiável e tranquilo. Como fazer uma caminhada num campinho seguro onde você sente poder andar de olhos fechados e nada doido, perigoso ou imprevisível irá acontecer com você. É uma boa pedida pra quem nao sabe o que pedir aqui de primeira, ou pra clientes que querem algo simples e sem surpresas.


Falei isso enquanto fazia carinho na cabeça de outro cão, um não de terapia dessa vez, enquanto via a Val ainda mastigando meu hambúrguer, ficando com o rosto vermelho de novo, mas por motivos diferentes.


Val: sim(mastiga) sim(mastiga e engole) é picante...picante...PICANTE PICANTE, AAAAAAAAAAAA!


Não sabia se ela iria disparar magia, mas ela pegou o próprio suco e tentou beber.


Dandara: espera, beber refri só vai...


Mas não terminei antes dela entornar o refri na boca e ela começar a arrotar chamas como um lançador de fogo.


Dandara: aumentar ainda mais a picância.


E quando eu falei isso, a Val começou a gritar, e disparar jatos de fogo pra todos os lados, e com uma calmaria que eu com certeza não devia estar tendo naquela hora, eu só fiquei vendo aquilo acontecendo, até que um funcionário veio até nós com um feitiço estranho, e jogou um jato de leite puro na boca da Val. 


Tudo aconteceu tão rápido que eu nem tive tempo de reagir o que aconteceu, só consegui ver o leite entrando na boa da Val como uma mangueira, o fogo da boca dela apagando, e a garota caindo no chão, com a boca toda suja de leite e com algumas queimaduras de fogo nos lábios ainda, mas extremamente aliviada pelo fogo ter apagado.


A Val se sentou na cadeira devagar, limpou o leite da própria boca, destrocou nossos hambúrgueres, e então, fraca, cansada e muito irritada, ela falou.


Val: nunca, mais, me deixe comer nada que você goste


Dandara: ah assim você me ofende.


Mordi de novo meu hambúrguer, não entendendo por que de tanto drama, era tão picante assim?


Kali: Dan, eu não sei você, mas pra mim isso é o começo de uma grande amizade


Dandara: é, eu espero.


Sorrindo, abracei a Kali, era engraçado como eu ganhei amigas tão rápido, mas não questionei, só tava feliz de não ter me aproximado da pessoa errada logo no meu primeiro dia de aula.


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