logo do projeto lunar

Capa
Olhos de mel 🌻X
Enfim completa
2746 palavras • 15420 caracteres • ⏱ 10 min 59 s

Enfim completa

0
0
0

Chegar na loja de vassouras foi mais tranquilo do que eu pensei, depois de limpar minhas mãos daquele jeito, eu tava me sentindo ótima, e o climinha do ponto dos mercadores realmente alegrou aquele dia perfeito.


E logo, quando nós chegamos na loja de vassouras, logo eu comecei a me maravilhar, pelo quão simples ela era, junto com todo o resto…e assim que eu olhei para a lojinha por mais tempo, eu percebi algo engraçado.


Dandara: você acredita que eu não consigo me lembrar de como eu consegui essa vassoura?


Pai: normal, com o quanto essa vassoura é importante pra você, eu meio que entendo porque voce tem tão poucas lembranças dela


Dandara: jura? Porque?


Pai: simples, porque você se lembra de mais detalhes de suas lembranças ruins da sua antiga família, e como dá pra ver, você não tem lembranças ruins o bastante de sua casa pra se lembrar da sua vassoura, Isso não é lindo?


Dandara: pois é…mas eu ainda queria conseguir me lembrar com cuidado das coisas boas que aquela vassoura me deu


Pai: não precisa pensar na sua vassoura antiga, vem, vamos criar memórias novas com essa nova vassoura, reescrever suas lembranças ruins.


E novamente, meu ceticismo atacou com tudo, duvidando da visão perfeita que todos pareciam ter sobre o que iria acontecer comigo, até que eu comecei a olhar pra dentro da loja…


E por alguns segundos, me senti no paraíso, ela tinha a mesma forma da loja de varinhas, milhares de prateleiras diferentes, com apenas vassouras por todos os lados. 


Mas dessa vez, eu não precisei de ajuda, eu vi as vassouras com guidões, as vassouras com suportes para os pés, as vassouras com suportes pra mãos, e eu não vi aquela que eu realmente queria, então eu entrei mais fundo na loja.


E depois de perceber isso, eu só andei com muita pressa no meio da grande loja, eu andei rápido, e o meu pai fez de tudo pra me acompanhar.


Quanto mais eu andava, mais eu percebia que aquela loja era grande, tão grande, que depois de andar rápido por alguns minutinhos, eu corri muito rápido, ansiosa pra encontrar o que eu queria de verdade.


Até o ponto onde eu fiquei ofegante, cansada, e suada, e quando eu parei de vez, eu encontrei o lugar que eu queria, deixando todo o meu cansaço se tornando mais alívio que qualquer outra coisa ao ver o que estava na minha frente.


Na minha frente tinham prateleiras e mais prateleiras de uma vassoura em especial, uma vassoura com mega feitiços de agarramento para as mãos e para a cintura, deixando impossível voar pra longe dela durante o voo.


Um cabo de vassoura aerodinâmico que parecia feito pra ser rápido.


E uma cerda vermelha com a ponta amarelada, resemblando muito mais a forma de um foguete decolando que uma cerda de vassoura.


Eu fiquei maravilhada quando vi aquelas vassouras, que se eu tivesse alguns segundos pra admirar tudo, eu me ajoelharia e começaria a agradecer a Criadora por permitir que eu conseguisse fazer aquilo.


Mas não havia tempo pra isso, então eu respirei fundo, me acalmei o máximo que podia naquele momento e comecei a olhar os modelos diferentes desses modelos Speed um a um.


As modelos Speed eram vassouras feitas pra serem rápidas, fazer com que eu sentisse o vento nos meus cabelos, me fazer ver o mundo como um borrão, e alcançar uma velocidade tão grande que apenas o céu azul que eu visitei com a minha mãe seria seguro o suficiente de eu usar uma essas belezinhas na velocidade maxima.


Eu as olhei um bom tempo, até que finalmente vi uma que chamou minha atenção.


Dandara: essa daqui


???: (assobio) vejo que a madame tem bom gosto, essa é um dos modelos mais equilibrados da Speed, ela tem a fama de ser a marca mais veloz, mas a Speed 360 que você está segurando é famosa por ter um controle de direção digno dos modelos M.O.T.O.


Não senti nenhuma surpresa quando aquele Vendedor apareceu “do nada” aquele vendedor devia estar nos seguindo desde que nós entramos naquela loja, ele só tava tentando encontrar o momento perfeito pra aparecer, e esse momento era agora.


E quando ele falou tudo aquilo, eu senti alguma coisa no meu peito, um tipo de coragem que eu nunca senti antes, e uma espécie de conhecimento que eu nem lembrava que tinha, mas tudo pareceu voltar, exatamente naquele momento.


Ah, coitado do vendedor, ele com certeza não devia entender o que tava prestes a acontecer, porque eu mesma não entendia o que tava prestes a acontecer.


Dandara: exatamente por isso que escolhi esse modelo, bom, isso e também o fato dela ter um núcleo que é fácil de trocar quando fica ruim, que ela tem uma cerda mais resistente a velocidades altas e contínuas, e além dela ter um feitiço de emergência pra colisões mais eficaz que as outras.


Eu sorri pro vendedor quando eu falei tudo aquilo, mostrando pra ele que não era uma amadora. O vendedor olhou pra mim por um bom tempo, e depois falou.


Vendedor: nesse caso, você gostaria de levá-la? É uma pechincha, apenas 800 moedas de ouro


Dandara: hummmmm, 800 ouros?


Eu brinquei um pouco com o vendedor quando ele falou aquilo, olhei a vassoura mais um tempinho, e depois coloquei ela no lugar.


Dandara: lamento por desperdiçar seu tempo.


Aquele vendedor tava tentando me fazer de otária, essa vassoura era boa, muito boa, mas ela só valia no maximo do maximo 400 ouros, ele queria que eu pagasse o dobro por uma vassoura? 


Nah, eu ia pra outra loja, qualquer outra com certeza teria um preço certo, e mesmo que ele fosse grande também, não seria tão grande quanto esse. Diferente quando eu entrei, eu demorei pra sair, dando passos lentos, e então eu contei…3…2…1.


Vendedor: espera.


Eu sabia.


Dandara: sim?


Vendedor: não gostou da vassoura?


Dandara: hohohoho, nao, eu gostei muito dela, mas o preço dela parecia muito alto pra mim


Vendedor: sério? Então que preço você sugere?


Dandara: sei lá? 100 ouros?


Vendedor: 100 OUROS, ESTA QUERENDO ME FALIR!?...(tosse) Madame, você deve entender que nao posso vender uma Speed por um preço tão baixo


Dandara: 100 ouros, e pegar ou largar


Vendedor: humpf, 700 ouros


Dandara: 200


Vendedor: 600


Dandara: 300


Vendedor: 500


Dandara e vendedor: 450


Vendedor: 450 ouros, nada além disso


Dandara: negócio fechado.


E depois da guerra de lances mais intensa que eu já fiz na minha vida(mesmo que tenha sido só a primeira), o meu pai pagou pela vassoura.


Tudo enquanto o vendedor ainda tava tão impressionado com a guerra de lances que ele acabou de participar. Tanto que ele quase enrolou a vassoura pra mim, mas eu o impedi antes dele conseguir.


Dandara: ah não, não precisa fazer isso, eu já vou pra casa em cima dela


Vendedor: sério? Então tá.


E depois do vendedor me entregar a vassoura, nós dois saímos da loja, e pela primeira vez do dia, eu não subi na Amanhecer desta vez. 


Pai: me desculpa por isso filha, quando a questão é vassouras, seu pai é uma lenda, mas eu não entendo o bastante de vassouras pra saber se o preço que nós conseguimos pela vassoura e bom


Dandara: sem problemas papai, o meu conhecimento de vassouras salvou agente, então não precisa se preocupar


Pai: haha, eu sabia que você gostava de vassouras, mas não sabia que era tanto assim


Dandara: eu também não.


Eu não me lembrava mesmo de todo esse conhecimento de vassoura que eu acabei de falar com o vendedor, essa foi uma das coisas que minha mente bloqueou da minha vida antiga?


Se for, então esperava poder ter mais lembranças legais da minha infância, eu sabia que a maioria delas ainda devia ser horrível mesmo, mas se o meu conhecimento de vassouras é da minha infancia, então talvez tivesse algumas coisas na minha infância que eu deveria revisitar, apenas pra ter certeza que não deixei nada bom pra tras.


Quando eu subi em cima da vassoura…eu me senti ótima, a mesma sensação de completude que senti quando segurei minha varinha pela primeira vez, com apenas um detalhe de diferença, essa completude não foi criada com uma necessidade, mas sim por um desejo.


Era estranho pensar isso, mas eu já estava conseguindo diferenciar quando eu cumpria uma necessidade e quando eu cumpria um desejo do meu corpo agora. E essa a vassoura com certeza era a segunda opção.


Eu senti tintim por tintim como as amarras da minha vassoura estavam prontas pra impedir que eu caísse dela na velocidade máxima, mesmo que, pra velocidade que eu tava naquele momento, isso tava longe de ser necessário.


Eu tava usando a velocidade mínima da mínima naquela belezinha, e ela ainda assim, conseguia ser tão rápida que eu precisava tomar cuidado pra não acabar ultrapassando meu pai.


Pai: (assovio) essa ai parece uma boa mesmo


Dandara: e…sabe pai, acho que vc tava certo sobre…o lance de eu perder a calma com as vassouras


Pai: hmhm, sou seu pai, eu conheço a filha que tenho, mas eu fiquei impressionado que você saiba negociar assim


Dandara: (risinho envergonhado) sinceramente, eu não sei de onde veio aquilo


Pai: tenho certeza que veio de um lugar bom e tranquilo, você só não consegui acessar esse lugar até esse momento 


Dandara: hmhm, é…vamos pensar dessa forma por enquanto.


E depois de falar tudo aquilo, nós ficamos bem quietinhos por algum tempinho, apenas respirando, e indo pro caminho de casa, até que meu coração pareceu se ascender um momento, e então, eu falei com meu pai.


Dandara: papai


Pai: sim?


Dandara: sei que nós estamos fora de casa a muito tempo…mas o que você acha dagente ir pra casa depois, pra gente se divertir um pouco com minha varinha e vassoura nova?


Pai: hmhmhm, ta bom, vamos nos divertir, mas não se esquece, cuidado com as suas mãos, elas acabaram e começar o tratamento


Dandara: hhmhm, claro, claro.


E depois de nos decidirmos demorar um pouco mais pra voltarmos pra casa, eu fui levada a vários lugares pro meu pai.


Uma área de tiros, onde eu pude praticar feitiços de jatos de água, bolas de fogo, tempestades de areia, e cortes de vento. Ahhhh, tinha muito tempo desde que eu usei cada um desses feitiços, foi nostálgico fazer cada um deles, ao mesmo tempo que foi libertador fazer isso de novo.


E foi interessante como, mesmo com seus calos parcialmente desfeitos, minha varinha não ficou estranha na minha mão, ela apenas continuou perfeita na minha mão, e até mesmo, mais fácil de segurar sem os calos, era como o vendedor falou, ela era uma verdadeira extensão do meu corpo.


Diferente daquela varinha dourada, super cara, e super pesada, que não tinha um pedacinho da verdadeira eu…


A minha nova varinha de espinhos simplesmente transbordava personalidade, além do grande poder que tinha, mas o poder mal importava pra mim, o que eu sentia era algo bem diferente de poder.


Dandara: ela não briga comigo, nós estamos trabalhando juntas e não uma contra a outra…eu sabia que varinhas eram diferentes da que eu já usei mas não sabia que era tanto assim


Pai: a varinha escolhe o mago, e a que você usava com certeza não escolheu você


Dandara: é…eu sei…


Ela me escolheu, e eu escolhi ela, por mais simples que essa rase fosse pro meu pai, ela significava o mundo pra mim.


Talvez meu pai entendesse isso, afinal, ele dizia que me conhecia, por isso ele esperou eu acabar de admirar minha varinha mais um pouco, e depois eu falei.


Dandara: então, vamos curtir um pouco com as vassouras?


Pai: lembre-se, não exagera


Dandara: eu vou tentar.


Eu tentei não exagerar, assim como meu pai pediu, mas foi um pouco difícil, já que eu tava com uma vassoura Speed pela primeira vez em minha vida, então quando fui permitida de voar com ela com doa a minha força, eu disparei pelos céus.


Eu fiz certo em pegar o modelo 360, porque assim como eu tinha pesquisado, aquela vassoura tinha uma facilidade pra mudar de direções que não era muito comum pra modelos Speed, uma verdadeira joia da marca.


E sabe, eu tava realmente com um medinho de que eu perdesse o controle da vassoura, e não controle físico, mas controle emocional, porque assim como meu pai falou eu tava bem perto de perder a calma e o controle da própria vassoura muitas vezes.


Mas felizmente, o meu pai nunca me abandonou, ele sempre ficou perto de mim, me mantendo calma e impedindo que eu acabasse fazendo uma doideira, como correr a toda velocidade da Speed, até ser só parada quando eu batesse em alguma coisa.


E mesmo assim, quando olhei pra trás, eu fui pega totalmente de surpresa em ver que o meu pai tava bem atrás de mim…VOANDO TAMBÉM!?


Mas quando o medo inicial acabou e ele se aproximou de mim um pouco mais, eu entendi, pelo menos parcialmente o que aconteceu, ele não tava voando, a Amanhecer tava apenas cavalgando, no ar…eu…


Eu não fazia ideia do tipo de treinamento que era necessário pra conseguir fazer isso, mas eu não liguei muito pra como a égua tava voando no ar, eu apenas me foquei em aproveitar cada grama daquele novo ceu azul que agora eu podia voar de novo, sem medo algum, me sentindo de novo como um pássaro voando livre no ar.


Dandara: eu fugi da gaiola


Eu senti o vento balançando meus cabelos, esticando meu rosto e jogando meu corpo pra trás. Com o jeito que minhas mãos estavam, eu pensei que ia demorar pra testar os mega controles de segurança da vassoura, mas pelo jeito, isso acabou não demorando muito.


E olha só, pelo jeito não precisei preocupar muito com as minhas mãos, porque com as amarras da vassoura, eu não precisei agarrar o cabo tão forte assim. 


Sim, eu ainda sentia um grande puxão nos meus antebraços, mas era uma dor tão insignificante comparada a toda a alegria que eu tava tendo que eu nem percebi que tava ali.


Eu fiquei voando nos céus, e disparando magia com a minha varinha naquelas casas de treino de magia até a noite cair, e eu estar tão cansada que precisei descer no chão de novo. E respirar, apenas pra conseguir voltar pra casa se desmaiar no meio do ar.


Dandara: (arfa, arfa) nossa, isso foi, intenso


Pai: pra se dizer o mínimo né? Então, vamos pra casa?


Dandara: sim, por favor.


Subindo na minha Sped 360 de novo, eu comecei a acompanhar meu pai de novo, não sentindo nem um pingo de vontade de fazer uma corrida longa de novo.


A ida pra casa foi bem calminha e tranquila, a ponto que, de novo, quando cheguei em casa, eu tomei banho, e já estava quase pronta pra dormir…


Mas enquanto eu tava no caminho do meu quarto, eu ouvi meus pais conversando, e por mais errado que isso fosse, eu me aproximei deles pra ouvir direito o que eles estavam falando.


Mae: e ai, você sentiu também?


Pai: sim, ela parece, melhor, muito melhor, mas eu não sei querida, acha que ela tá pronta pra ter o próprio quarto?


Mãe: eu também to com medo, mas agente não podemos ficar vigiando ela pra sempre, uma hora agente vai ter que deixá-la sozinha de novo…e ela já tem nos mostrado o quanto tá bem a tanto tempo, então, acho que ela merece um pouco da nossa confiança, você não acha?


Pai: (suspiro) ok, mas vamos ir devagar


Mãe: concordo.


E depois de ouvir isso, eu tentei ir embora mas eu fui paralisada quando meu pai falou.


Pai: tudo bem Dandara, eu sei que você tá ouvindo, pode sair


Me: João você também mocinha.


Eu fiquei um pouco chocada que eles me notaram, então, eu lentamente sai de lá e vi o João escondido em outro canto da sala.


Pai: olha, não precisam se preocupar, não é nada sério, só estamos pensando em dar um quarto so pra voces dois


João: já tava na hora, não é maninha?


O João deu uns toquinhos de cotovelo no meu braço e eu ri um pouquinho quando ele fez isso.


Dandara: hihi, e, já tava na hora mesmo…hmhmhm.


Esse era um teste, um teste que eu realmente era confiável, eu não podia falhar, eu sinto que não iria falhar de qualquer jeito, mas ainda fiquei feliz por eles confiarem em mim dessa forma


Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.