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As maravilhas dos gigantes
4175 palavras • 23262 caracteres • ⏱ 16 min 42 s

As maravilhas dos gigantes

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Em um dia como outro qualquer, eu sai de casa com a minha mãe pra encontrar uma velha amiga minha…e eu fiquei com muita vergonha disso.


Dandara: ai, isso é tão humilhante


Mãe: desculpa querida, mas não podemos te deixar sozinha ainda, não sabemos o que você vai fazer se você ficar sem ninguém por perto.


Eu abri a boca pra falar alguma coisa, mas a minha boca logo se fechou de novo. Eu sabia porque ela tava fazeno isso, mesmo eu estando muito melhor, eles nao sabiam se eu so tavafingindo pra eu me matar quando eles nao estivessem olhando.


Pelo jeito, fingir que tá tudo bem pra ninguem desconfiar e se matar quando ninguem estiver olhando e até algo bem comum em Singulares do Vazio. Então esse mega cuidado que meus pais tavam tendo comigo, era bem justificável.


Dandara: (suspiro) você tem sorte que a minha amiga nao liga pra essas coisas


Mãe: mesmo se ela ligasse, quando ela visse o colar em você, ela iria entender.


Ah, porque ela tinha que me lembrar disso? Desde que eu voltei, minha família tem me feito usar um colar de girassóis, o mesmo colar que o meu Príncipe e todos os Singulares usam…


E mesmo que eu soubesse de forma superficial toda a história daquele colar, eu ainda me sentia…indigna dele, alguém que não merecia usá-lo.


E o pior, era que eu não podia contar isso pra minha mãe, ela parecia tão feliz comigo usando ele, e tão orgulhosa, como se o fato de eu estar usando um símbolo de resistência de outras pessoas no meu pescoco fosse legal. 


Um símbolo de resistência, cuidado e respeito ao próximo. Que eu tinha certeza absoluta, que eu não estava incluída.


Mãe: você ta incluída nessa luta sim

Dandara: e mais uma vez, meu rosto entregou tudo que eu tava sentindo, não é?


Mae: desculpa, amor, mas você é alguém muito fácil de ler


Dandara: e sério? Então eu melhorei muito, antigamente, eu era um dos rostos mais inexpressivos de todos os bailes


Então, minha mãe fez carinho na minha cabeça, outra coisa que eu ainda estava me acostumando a receber, mas essa tava sendo um costume bem mais fácil de receber.


Mãe: e eu imagino.


Depois daquilo, minha vergonha por usar o colar de girassóis diminuiu um pouco, mas não sumiu. Eu já senti que aquela seria uma das situações que eu teria que repetir milhares e milhares de vezes a mesma coisa pra conseguir fazer do geito certo…


E sinceramente, depois de tudo que eu já fiz, eu tinha certeza que ia conseguir isso também.

E depois dagente voar um pouco na vassoura da minha mae, nos chegamos em um lugar muito especial. Um lugar que, pra muitos, seria a entrada pro paraíso.


Era um lugar onde tinha uma gigantesca e larga escadaria feita de vidro, que parecia continuar subindo, subindo e subindo até ultrapassar os céus. 


Eu já tinha ido lá muitas vezes com meu Príncipe, e mesmo que eu sempre tivesse noção do quanto aquele lugar era bonito, acho que era a primeira vez que eu podia ver sua beleza em toda a sua extensão.


Depois de olhar aquela escadaria por uns longos minutos, e de ver que tinham algumas pessoinhas subindo devagar nelas, eu fechei os olhos, pra incrustar essa visão maravilhosa em minha mente, colocando em um lugar bem especial em minhas novas memórias.


E então, parei de fazer novas memórias por um segundo, e decidi reviver as memórias antigas, porque eu não ia subir lá sozinha, eu ia sair com uma amiga improvável que eu fiz antes de ir pra casa de recuperação.


Bom, ela não era exatamente minha amiga, ela era amiga do meu Príncipe, mas agente meio que se deu bem na única vez que agente conversou antes de eu ir pra casa de recuperação, então eu tava esperando que ela fosse legal daquela forma comigo de novo.


E, mesmo que ela fosse bem especial, principalmente em meio a multidão, demorei pra encontrá-la, até que, no fim, ela me encontrou primeiro, ela gritou meu nome e saltou pra minha direção em um abraço. 


Por causa da aparência peculiar dela, eu devia estar morrendo de medo, mas não, eu gritei de empolgação pra ela que nem uma garotinha quando a vi, estando tão feliz em ver ela que ate eu fiquei impressionada.


Hehe, acho que eu tava com mais saudade dela do que eu pensei, agente se abraçou e deu pulinhos de felicidade quando agente se viu, e depois de alguns segundos, agente se soltou.

Saytus: hahahahaha, a quanto tempo, ruiva, achei que nunca mais ia te ver


Dandara: sinceramente, eu pensei que nunca ia te ver de novo também, mas…eu fiz umas pesquisas sobre o reino dos gigantes, e eu queria visitar alguns lugares que, meu Príncipe nunca se aventurou muito em ir


Saytus: pois é, hehe, o Tony pode ser meio cabeça dura com rotina as vezes


Dandara: todos os Singulares dos super sentidos são…e eu pensei que, se tivesse alguém que iria gostar de ir pra esses pontos mais “inconvencionais” no templo, esse alguém seria você.


A Saytus sorriu quando eu falei isso, ou eu pelo menos presumi que ela sorriu, eu ainda tava tentando entender um pouco como as expressões do rosto de inseto dela funcionavam.


Saytus: nesse caso, me sinto honrada, vem, vamo no divertir


Mae: filha


Saytus: ah


Mae: voce, nao vai me apresentar a sua amiga.

Ah é, minha mãe tava ali, pensei que ela ia falar pouco, igual meu pai, mas não, pelo jeito ela queria conhecer a Saytus, mesmo que um pouquinho antes dagente subir.


E antes de eu falar alguma coisa pra minha mãe, eu dei uma olhada na Saytus uma última vez, e vi como ela era.


Ela era uma fadinha de 4 braços e 4 pernas, duas asas imensas de borboleta atras dela e com vários olhos. E o mais importante, um exoesqueleto azul cobrindo todo o corpo dela, similar ao de insetos. 


E claro, com ela usando uma roupa especial, projetada pra fadas, com múltiplos buracos pros braços, e uma bermuda que tinha partes extras pras pernas. 


Uma roupa básica, mas considerando o quão “marcante” era o resto do corpo dela, acho que ter roupas marcantes ia deixar difícil de saber onde olhar.


Dandara: mãe, essa é a Saytus, uma amiga minha que eu tinha antes…de ir pra casa de recuperação


Saytus: ah, nao é pra tanto também, nós só conversamos uma vez, e dividimos um sorvete


Mãe: ahh, já é um bom começo, muitas amizades começam quando se divide comida com alguém, (põe mão no próprio peito) digo por experiência propria.


A minha mãe não pareceu afetada com o rosto da Saytus, mesmo quando ela apertou a mão dela, ela não parecia nem um pouco surpresa pela aparência dela.


Muitas Pessoas tinham uma ideia errada de como as fadas eram, e por isso quando viam uma, normalmente perdiam um pouco a calma, mas pelo jeito, minha mãe não era assim, acho que eu tinha sorte, de pelo menos, ser boa em esconder meu medo dela.


Isso porque, quando a conheci, mesmo nas circunstâncias horríveis, eu pensei “nunca que eu vou me acostumar com a aparência dela”, e agora, eu to na fase de “ei, até que ela não é tão assustadora assim”. Algo que eu sabia que ia melhorar, mas eu esperava que fosse rápido.


Achei que a Saytus ia conversar um pouco com a minha mãe, mas quando elas terminaram o aperto de mãos, a fadinha virou pra mim e falou.


Saytus: então, vamos?


Dandara: ah, é, vamos.


E então, a minha Mãe desfez a vassoura dela, usando magia pra transformá-la em um bracelete, e então nós começamos a subir a escada.

E por alguns segundos, um grande mar de nostalgia começou a inundar minha mente.

Eu tava sentindo um bem estar de outro mundo, pois quem me trouxe aqui pela primeira vez, e me fez subir toda essa escadaria, foi meu Príncipe…ahhhhh, eu lembrava daquele dia como se fosse hoje. 


Aquele foi o dia que eu mais cheguei perto de pensar que meu Príncipe era um anjo me levando pro céu, a escadaria, o brilho dourado em tudo, essa sensação de pura paz que tinha em todo lugar…esse tipo de coisas não podia ser explicado com simples palavras, apenas sentindo em cada extensão dos nossos corpos.


E quando chegamos na parte de cima, eu me lembrei da primeira coisa que disse, quando fui para o Reino dos Gigantes pela primeira vez. “eu morri” porque era isso que o lugar parecia, um paraíso onde não existia dor ou maldade. E isso só o olhando de forma superficial.


Dandara: mesmo depois de um ano, eu ainda sinto que vim pro paraíso, assim que eu cheguei aqui


Saytus: hehehe, é, esse lugar tem esse efeito com as pessoas mesmo, então, onde vamos primeiro?


Dandara: espera um pouco Saytus, por favor…

Eu falei aquilo pra Saytus, com a voz mais calma do que eu pensava que eu podia fazer, então eu respirei bem fundo, e olhei tudo em volta, e era como eu me lembrava, a parte principal do templo era uma grande área onde milhares de pessoas se reuniam para fazer debates e ouvir palestras, todas reunidas em pequenos montinhos de conhecimentos, isolados um do ouro quase como ilhas.


Dandara: …só mais um pouquinho…


Os prédios ao redor eram bem simples, eles eram resistentes e funcionais, mas não tinham nenhum poster, pintura, ou algo que os destacava dos outros.


Pois nesse templo, os gigantes tinham uma filosofia simples de terem “apenas  essencial”, uma filosofia que os ajudou muito eles até agora, e apesar de saber o que eu ia encontrar lá logo logo, eu gostei daquele climinha minimalista de lá.


Dandara: (respira abeeeeeeeem fundo, e solta) eeeeeee, pronto, vamos.

E assim, eu levei elas comigo pra mais dentro do lugar. 


E no meio do caminho, eu dei um suspiro de raiva, eu queria poder mostrar pra minha mãe que eu tava bem e que eu podia ser deixada sozinha, mas a cada dia que se passava, mais eu sentia que não tava pronta pra isso, não ainda, pelo menos.


Mas enquanto estávamos no meio do caminho, a Saytus me perguntou algo bem pessoal.


Saytus: então, você fez mesmo aquilo?


Dandara: sim, eu fiz


Saytus: se sente melhor?


Dandara: não tanto quanto eu queria, mas sim

Saytus: vai quebrar a vassoura também?


Dandara: não, aquela varinha, ela sempre foi algo dos meus pais e não meu, por mais que quisesse me convencer que esse não era o caso, a varinha nunca foi algo meu. E isso levando também em conta a minha magia antiga, antes de eu virar uma dançarina.


Dandara: sempre era a mesma coisa, muito dos meus antigos pais e pouco de mim, mas a minha vassoura é o oposto, ela tem tão pouco dos meus pais que sinto que posso trabalhar para que tenha apenas eu nela depois de um tempo.


Ainda andando pra cima, comecei a olhar o meu próprio bracelete, minha vassoura foi uma das poucas coisas da minha antiga casa que eu mantive comigo, pois, diferente da varinha, eu tinha certeza absoluta que ela não tinha nada haver com meus pais.


Eu me lembrava vividamente como a minha vassoura foi a minha corda de salvação, um momento de calmaria em meio a vida estressada que eu tinha antes com os Galdinos. 


Enquanto que a minha varinha era uma versão distorcida de amizade, camaradagem e conforto. Sinto que minha vassoura era a versão certa de companheirismo, amor e camaradagem de alguém…e quem sabe, talvez fosse por isso que eu sentia tanto amor pelas vassouras assim.


Ou será que eu sempre gostei de vassouras e apenas tive problemas de entender isso por causa da minha condição antiga? Hummmmm.

Eu tinha certeza que, comparado a tudo na minha vida, foi minha vassoura que me impediu de perder a cabeça de vez, antes de conhecer o meu Principe.


Saytus: eu espero poder amar algo um dia tanto quanto você ama essas vassouras


Dandara: todo mundo tem uma paixão Saytus, você só não descobriu a sua 


Saytus: talvez, então, onde você quer ir primeiro?


Dandara: pra lá.

Falei isso quando a gente chegou em um canto do grande templo, que, ironicamente, meu Príncipe já tinha visitado também, em um dos vários prédios que circulavam a praça principal, existia um em especifico que era uma academia de Yoga.


Quando entramos, vi que a Saytus ficou confusa no inicio, mas depois de alguns segundinhos ali, nos esticando em poses diferentes, começamos a participar.


Saytus: ainda bem que eu escutei sua dica de usar roupas leves pra vim pra cá


Dandara: hmhmhm, não foi por causa da Yoga que eu pedi pra voce ir com roupas simples.

A Saytus não me perguntou o que eu quis dizer com isso, ela apenas ficou quietinha e ficou focada em esticar o próprio corpo da maneira certa.


Esticando meu corpo, deixei todas as partes ruins de mim saírem, e respirando bem fundo, senti todo meu corpo tenso, e depois de desfazer a pose, me senti ainda mais relaxada.


Contando hoje, já tinham se feito 3 semanas desde que eu sai da casa de reabilitação, e apesar de tudo, estava sentindo que as coisas estavam começando a funcionar agora.


A formatura do meu Príncipe já estava chegando, e ele sempre me contou como ele iria viajar pra todos os cantos do mundo assim que conseguisse se formar, então eu não tinha muito tempo até que meu amado fosse embora pra realizar seu sonho.


Eu sabia que ele iria voltar por mim…mas eu não podia apenas esperar ele voltar, ele estava realizando o próprio sonho, eu precisava começar a lutar pelo meu próprio sonho também: o grande sonho de ser uma grande e famosa carpinteira de vassouras voadoras. Hihihi.


 Eu ainda tinha lindos devaneios disso, mas eu não precisava pensar nisso, não ali, ali eu só tinha que me preocupar em esticar meu corpo tanto quanto o instrutor, algo que mesmo desejando muito, era difícil pra caramba.

Porque ele era um gigante, então ele se alongava muito mais do que uma Sapien como eu. 


E depois do alongamento básico, fomos colocadas de pé e depois começamos uma pequena dança de ritmo, não era algo espalhafatoso, muito pelo contrário, cada movimento parecia manter as partes agora alongadas do meu corpo ainda relaxadas, outros movimentos faziam minha mana empurrar e limpar minhas veias, e jogar meu cabelo as vezes pra trás. 


Uma vez que a sessão de Yoga terminou, eu me senti a garota mais completa do mundo, sentindo uma pureza em meu coração que eu tentava manter com todas as minhas forças sempre que ela aparecia nessas sessões de Yoga.


Mas pra variar, a pureza desapareceu e foi infectada por muitos outros sentimentos, mas mesmo infectado, a mente dessa nova “eu” era algo que eu amava de forma indescritível.

Gigante: muito bom irmãos e irmãs, espero vê-los novamente amanhã.


Depois fomos dispensados para fora do prédio, e apesar do quão bem eu estava depois do que eu passei na casa de reabilitação, sempre me sentia renovada quando saia de uma boa sessão de relaxamento.

Pra variar, eu estava estressada naquele dia também, nem sabia o porque, eu apenas estava estressada.


Eu saí da sala de yoga do reino dos gigantes com bastante calma e de olhos fechados, de tão sonolenta que eu estava, até que a Saytus esbarrou em mim de propósito e…eu não sei porque eu fiz isso, eu realmente não sei.


Mas quando a Saytus fez aquilo, algum instinto animal pareceu ser despertado em mim, e eu prendi ela numa chave de braço e comecei a fazer cascudos nela, eu nao entendia como ainda, as a Saytus era a única até agora, que conseguia causar esse efeito estranho em mim, que fazia eu soltar totalmente as minhas inibições.


Dandara: você sabe como me tirar do sério, né fadinha?


Saytus: nao fala como se você não gostasse


Mãe: ai ai, olha essas mocinhas, como é bom ser jovem.


Ah e, a mamãe, ela ainda tava ali…eu tinha esquecido que ela tava aqui por alguns instantes, mas isso era bom, eu acho, sinto que, se eu me esquecesse dela, e mostrasse de forma natural como eu tava realmente bem, talvez ela e o papai vissem que eu merecia um quarto só meu, mas pra variar, talvez eu estivesse sendo otimista demais de novo.


E enquanto eu olhava de forma discreta pra minha mãe, atrás de mim, comecei a olhar de maneira menos discreta ao ver que ela olhava tudo em volta, mas não estava nem um pouco surpresa com tudo que ela tava vendo, ela tava com um olhar no rosto que mais parecia um olhar de felicidade, ao ver que muita coisa não mudou naquele lugar.


Ah, entendi, ela já tinha vindo pra cá, e talvez até tenha vindo pros pontos do templo que eu queria ir, não era atoa que ela queria vir comigo ao invés do papai.


E sinceramente, fiquei mais tranquila em ver que não era a primeira vez de nenhuma de nós no reino, graças a isso, eu fiquei menos culpada de leva-las pros prédios, ao invés de leva-las pras palestras.


Isso porque, hoje eu não queria ir nas palestras, mas elas eram realmente algo muito legal de ver. 


O próximo lugar que fomos no templo, não era um prédio, parecia uma feirinha quase, um espaço aberto, onde tinham muitas estátuas feitas de argila. E quando me aproximei de lá, um gigante escultor veio ate mim, usando uma magia pra ficar do meu tamanho, e depois falando.


Escultor: saudações madame, como deveria chamá-la?


Dandara: Dandara, Dandara Rodrigues


Escultor: quem você quer que eu crie? Dandara Rodrigues


Dandara: ele.


E quando falei isso, entreguei uma pequena foto pro escultor, uma foto do meu pai biológico. E com o rosto monótono, mostrando que tudo aquilo já virou uma rotina normal pra ele, o Escultor se virou pra mim, e começou a esculpir uma escultura perfeita do meu pai biológico.


Ele pegou um montão de argila e começou a girá-la até ela ficar com a aparência perfeita dele…e quando eu vi aquele rosto arrogante, prepotente,e todo narcisista, o meu coração generosamente lançou uma imensa quantidade de fúria em meus braços.


Dandara: nossa, impressionante, você até capturou de forma perfeita o rosto narcisista dele


Escultor: eu faço esse trabalho a 100 anos(20 anos sapiens) então eu já aprendi como colocar detalhes em estátuas


Dandara: eu e a minha raiva agradecemos sua experiência(estala dedos).


Eu me aproximei devagar da estátua de argila, e antes de fazer o que eu queria fazer, eu toquei naquele rosto, e senti a argila nos meus dedos, so pra ter certeza que eu não ia me machucar.

Eu olhei pra trás, e vi que as duas estavam paralisadas com aquela estátua, a minha mãe estava paralisada de tanto ódio, enquanto a Saytus parecia paralisada de medo.


Saytus: esse, é ele?


Dandara: é, é ele…mas não se preocupe fadinha, eu não vou levar essa estatueta pra casa


Mãe: graças a deus, eu já estava a ponto de quebrá-la em milhares de pedacinhos


Dandara: hmhmhm, voce nao conseguiria fazer isso nem se tentasse mãe


Mar: jura? Por que não?


Dandara: porque essas estátuas…


E antes de eu terminar a frase, eu girei meu corpo com toda a força que eu tinha, e acertei aquela estátua do meu pai bem no queixo. 

E eu senti de forma perfeita meu punho acertando e deformando a argila, até a estátua ter um queixo que tocava a bochecha esquerda dele, então eu terminei de falar.


Dandara: …SÃO FEITAS PRA ISSO AQUI!

Eu dei um sorriso insano quando eu fiz aquilo, mas eu esperei um pouco, eu só olhei pro meu punho por um tempo.


Dandara: e eu nao senti dor nenhuma, do jeitinho que os boatos diziam


Mãe: doideira, esse lugar é novo até pra mim

Dandara: esse lugar não é muito conhecido, já que o reino dos gigantes é mais conhecido por ser um lugar de calmaria e iluminação…


E quando olhei pra estátua de argila do meu pai de novo, eu senti minha raiva voltando, e comecei a fazer carinho na estátua, pensando que iria sofrer muito na minha mão antes de estar satisfeita.


Dandara: esse é um ponto do templo onde os gigantes criam argilas de pessoas irritantes e chatas, e quem compra essas esculturas usam elas pra bater, chutar e destruir a estátua…os gigantes acreditam que isso diminui o desejo de machucar a pessoa real. Essa última parte eu não sei se é verdade, mas eu me sinto um pouco melhor depois desse soco (estala dedos) só não o suficiente.


Eu estalei meus dedos um por um quando me aproximei da estátua de novo, a Saytus e a minha Mae nao falaram nada quando me aproximei da estátua de novo, apena me viram chutar, bater, e até arranhar a grande estátua de argila várias vezes, minhas mãos e sapatos ficaram todos sujos mas eu não liguei.


Eu me senti numa espécie diferente de paraíso, quando eu acertei aquele boneco de argila com toda a minha força, o deformando, e imaginando que aquele era meu pai real.


Não havia magia em meus golpes, eu não era uma maga ou uma guerreira naquele momento, como em muitos momentos na minha vida desde que fui tirada dos meus pais e adotada, nesse momento, eu era apenas uma mulher descontando toda a raiva e frustração dentro de mim em uma estátua que representava tudo que eu passei e tudo que eu queria destruir.


Eu quebrei a estátua até ela virar apenas uma grande massa de argila no chão. 

Saytus: eu to com pena se um dia você reencontrar com um deles


Dandara: se eu os reencontrar, eles que virão atrás de mim, e eu vou fazer eles se arrependerem disso.


Falei isso enquanto amassava a massa que tava na minha mão, talvez fosse porque eu tava com a minha familia nova, e agora eu entendia o que era uma família amorosa de verdade, mas agora, o medo e culpa tímida que eu tinha com a minha família foi substituído por um ódio incontrolável.


Eu fechei minha mão bem forte, porque agora, mesmo com traumas ainda, eu não tinha mais medo dos Galdinos, eu tinha ódio, um ódio tão violento que eu sentia que meu Príncipe e o papai não iam precisar me proteger se eles um dia, viessem atrás de mim.


E enquanto eu fazia isso, a Saytus não deu nem uma tremida quando, talvez porque ela sabia que esse ódio todo não era pra ela, mas considerando que as vezes, até eu mesma tinha medo desse meu ódio interior às vezes, eu ficava um pouco impressionada que meu ódio não parecia afetar ou assustar a fadinha.


Mas Fadas eram uma raça guerreira, então esse tipo de ódio deve ser normal pra raca dela.

Minhas mãos estavam marrons de tanto que bati na argila, e minha respiração estava ofegante, mas quando pensei que ia ficar assim, o escultor trouxe um jarrinho pra eu lavar minhas mãos e sapatos, que atencioso.


E depois de estar limpa de novo, eu peguei minha bolsa de moedas em um dos bolsos do  meu vestido, e quando estava prestes a pegar o escultor, minha mãe colocou a mão no meu ombro e falou.


Mãe: ah não, deixa que eu pago, filha


Dandara: tem certeza mãe? Não é pra situações assim que você me dá mesada?


Mãe: é, mas você pode pagar quando vier aqui sozinha, pois sinto que esse dia ta bem perto


Dandara: eu também acho mamãe.

Eu sorri quando vi minha mãe pagando o Escultor.

Não sabia quanto tempo faríamos isso, mas algo no olhar da minha mãe me dizia que a minha mãe tá percebendo que eu tava melhor da cabeça que eles esperavam.


Mãe: filha, me diz, você acha que tá pronta pra ter um quarto só seu?


Dandara: eu quero dizer que sim…mas é difícil pra mim dizer ainda, acho que o mais perto de ficar sozinha que eu fiquei no último ano, foi quando eu ficava na solitária por um ou dois dias pra tentar me acalmar


Mãe: nossa, você ficou solitária? Por que?


Dandara: só digamos que meus pesadelos ficaram “intensos” demais em alguns momentos da minha estadia lá.


A minha mãe com certeza queria mais detalhes que isso, mas quando ela olhou pra mim, ela entendeu na hora que eu não tava pronta pra falar sobre isso, não ainda.


Mãe: eu vou querer detalhes disso depois


Dandara: sim, mamãe.


E então, eu olhei pra trás, e fiquei um pouco mal pela Saytus, de repente, tinha parecido que ela que ficou segurando vela, então eu andei um pouco pra trás e falei.


Dandara: ai Saytus, o que acha dagente ir pra praça de palestras?


Saytus: por mim tudo bem.


Ok, acho que eu já tava entendendo o que era “sorrir” pra raca dela, mesmo que seja algo que eu estivesse tentando entender ainda

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