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Olhos de mel 🌻X
Qual seu nome?
793 palavras • 4506 caracteres • ⏱ 3 min 10 s

Qual seu nome?

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No meu sonho, acordei novamente em um castelo, onde eu procurei o monstrinho em um jogo de pique esconde, demorei, mas não apenas o encontrei, como amava esse joguinho que nós sempre fazíamos.


Eu tinha aqueles sonhos de forma irregular, tinha dias que eu estava no castelo e tinha dias que não, mas eles começaram a acontecer todos os dias desde que eu saí da casa de recuperação, e eu percebia que, com o passar das noites, um padrão se formava nos sonhos.


Agora, agente visitava vários lugares dentro do castelo, descobrindo vários animaizinhos de pelúcia e muitas camas pra dormirmos juntos e fazermos fortes de travesseiro. 


Em outros sonhos, eu dava comida na boca dele, e tentava tirar a sujeira dele, mas a sujeira era muito forte, então tentei pelo menos por uma roupinha nele, e depois de mais alguns banhos, decidi por um vestido nela, vendo como o monstrinho era uma monstrinha. 


Eu me diverti muito voando aos céus com o monstrinho, jogando joguinhos e procurando um cãozinho nas florestas do castelo, pois pelo visto a monstrinha queria muito um cãozinho.


Demoramos pra achar um cãozinho e ela come;ouu a ficar irritada e chorosa, mas encontramos um violão e eu toquei uma música desengonçada e super desafinada pra ela, mas a monstrinha gostou mais do que tudo nesse mundo.


Mas o que eu mais gostava de fazer era a comida, eu ainda não era boa nisso, mas colher os vegetais, cortar a carne, e fazer as comidas me faziam muito feliz, ainda mais quando a monstrinha comia. 


Eu não sentia fome naquele sonho, mas ver a monstrinha desenhar, ver ela dançando de forma desengonçada, aquilo me deixava realizada, tinha alguma conexão minha com o monstrinho que não sabia dizer o que era, hummmm.


E depois de explorarmos todos os arredores da floresta a ponto de meus pés sangrarem e eu ter que dar outro banho na monstrinha, agente encontrou um cãozinho, nós o chamamos de Ace, eu não sabia o que daquilo era real…ver ela brincando e se divertindo com o Ace, me fez perceber algo totalmente insensível que eu percebi ter feito com ela.


Quando eu tava dando banho nela de novo, fiquei de frente com ela, e falei.


Dandara: agora que eu percebi, eu nunca perguntei o seu nome né? Qual é o seu nome?


E quando eu perguntei isso, a monstrinha coçou o próprio olho, fazendo a sujeira finalmente revelar o que tinha por baixo e eu deixei o sabão na minha mão cair enquanto meu estômago revirava e meu corpo se paralisava ao ver um olho azul idêntico ao meu…nossa, eu fiquei sem ar, mesmo estando em um sonho.


Monstrinha: eu sou Dandara Galdino.


Galdino, Galdino, ela era eu, mas não “eu” era…minha criança, a voz que eu tentei encontrar por tanto tempo. 


Agi sem pensar de novo, bom, pelo menos senti isso, pois mesmo num sonho, meus braços pareceram se mover por conta própria quando a abracei, e minha criança interior me abraçou de volta. 


Então, a culpa pesou em meu peito, e toda minha tristeza começou a sair naquela banheira, enquanto minha criança fazia carinho em minhas costas, como se nossos papéis tivessem se invertido, mesmo que por um segundo.


Dandara: me perdoa…eu te ignorei por muito tempo


Monstrinha: mas você não tá mais me ignorando, e é isso que importa


Dandara: não, não, você devia me odiar, você…não devia confiar em mim


Monstrinha: como posso não confiar em você depois de todo seu trabalho pra me libertar.


“Libertar” é, essa parece ser a palavra certa, queria dizer para minha criança que foi eu que a prendi pra início de conversa, que fui eu que a sujei, e fui eu que a enchi de lama e sangue, mas não consegui, pois ela era eu, então ela já sabia disso, e nós duas sabíamos que o perdão foi algo que agente praticou muito pra dizer uma a outra.


Dandara: eu prometo de proteger, te amar, e cuidar de você, não importa quantas vezes eu quebre essa promessa, sempre farei questão de refazê-la promessa


Monstrinha: e eu sempre farei questão de te lembrar dessa promessa machucando você


Dandara: Não podia pedir menos de mim mesma.


Não sabia quando exatamente eu acordei, apenas senti meus olhos abrindo, com lágrimas ainda em meus olhos, eu ainda tinha problemas pra entender o que aqueles sonhos eram, o que meus sonhos, e por tabela, minha magia, queriam dizer pra mim?


Me levantei, ficando sentada em minha cama, em um estado que não sabia explicar direito, mas pus a mão em meu peito, e ele estava num estado de paz que eu desejei por muito tempo, e pela primeira vez, ouvi a minha voz interior falando comigo “eu quero tangerinas, muitas tangerinas”.


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