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Olhos de mel 🌻X
Enfim, livre
3287 palavras • 18432 caracteres • ⏱ 13 min 09 s

Enfim, livre

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Depois de tudo que passei, tudo que senti, tudo que trabalhei, ainda era difícil pra mim acreditar que eu estava no meio de uma festa com um bolo com meu nome em vermelho nele.


Mesmo depois de um ano lá dentro, ainda me impressionava com o carinho que essas pessoas tinham com os Singulares em geral, mas preparei minha própria mente pro que eu iria escutar.


Pois mais que eu entendesse o que eles iriam dizer, ainda era pesado ouvir isso, despreparada.

Gabriel: MUITO BEM PESSOAL, AGORA TODOS DIGAM JUNTOS, DANDARA, NÓS ESPERAMOS…


Todos: …NUNCA MAIS TE VER DE NOVO.


E mesmo que tivesse me afetando de forma ruim um pouquinho, eu consegui dar um sorriso, sabendo muito bem do que se tratava essa frase.

Muitos ficariam ofendidos em ouvir aquelas palavras, mas para alguém que sabia o verdadeiro sentido por trás delas.


As ouvindo, meu carinho e minha alegria ficaram bem maiores do que se eles tivessem falado “eu te amo” pra mim.


Pois o “nunca mais queremos te ver” significava algo simples, o que eles falavam significava “estamos muito felizes que você se recuperou Dandara, por isso esperamos que você continue bem e que nunca precise voltar aqui”.


Eu tive que ver mais de 10 Singulares recebendo esse bolo é esse mesmo pedido pra entender isso, e claro, tudo com ajuda da Leide e do Gabriel.


E quando pensei nisso com cuidado, vi que essas mensagens subliminares me fizeram chorar de novo enquanto cortava o bolo e distribuía pro pessoal, eu festejei um pouco com meus irmãos de alma uma última vez, antes de que fosse embora, e talvez nunca mais visse vários deles quando estivesse “lá fora”.


O resto foi simples, abraçar todos, agradecer aos magos que me ajudaram até aquele ponto, pegar as receitas das minhas poções e pegar cada um de meus itens.


E mais uma vez, recebi minha bolsa de moedas, minha chave da casa e as minhas roupas. E pela última vez, me senti uma prisioneira saindo de uma prisão, mas dessa vez, eu podia dizer, mesmo que só pra mim.


Dandara: hihihi, (sussurra) acho que essa prisão me mudou pra melhor.


Mas acho que o outro ponto de maior alegria desse dia foi quando eu vesti meu vestidinho branco de novo.


Aquele vestido era uma das coisas novas que eu tinha ganhado dos meus pais, ele não me machucava, nem apertava meus corpos, e nem permitia que eu colocasse pregos nele pra diminuir a dor que eu sentia, pois não existia dor.


Uebfjsksneuenckakd, apenas me recordar dos pregos fez com que eu sentisse um leve calafrio. 

E pra me esquecer do calafrio (porque eu não queria pensar nos pregos agora), eu fechei os olhos, e senti o tecido branco, levinho, macio e puro em minhas mãos. E eu me senti como se tivesse sendo abraçada por uma nuvem.


Tinham poucas coisas que eu podia agradecer, ser feliz, e realmente sentir com todas as extensões do mundo quando eu entrei, mas quando eu saí da casa de recuperação, agora eu podia sentir com mais cuidado como, aquele tecido simples, que segundo meus pais, era um vestido bem barato e famoso entre as camponesas, me fazia me sentir uma deusa.


Sentir uma roupa que não me machucava, que não apertava, que não doía e que não fazia eu sentir que tava usando uma camisa de força onde eu podia mexer meus braços, era muito satisfatório.


Por alguns segundos, eu até olhei pra baixo e dei um beliscão na minha barriga, eu tinha engordado bastante desde que entrei aqui, com essa massa toda, minhas roupas antigas iriam explodir com toda a “massa extra” que eu tinha agora.


Mas não porque eu tinha ficado obesa, mas sim porque agora eu parecia uma donzela normal e saudável, enquanto minha roupa antiga, com certeza foi feita pra Donzelas que passaram meses sem comer.


Antes, apenas pensar naquilo fazia eu ter flashbacks de coisas bem pesadas, mas agora, eu apenas pensava naquilo, e dava um suspiro, enquanto eu olhei pro lado, e vi meu reflexo em um espelho que tinha ali.


E era algo engraçado de se pensar porque, tecnicamente falando, eu não tinha, fisicamente, mudado muito. Meu cabelo longo, meu rosto mais cheio e rechonchudo, e minha pele agora em um tom bronzeado e saudável.


Eu tinha tudo isso quando eu tinha entrado ali, a diferença é que, quando eu entrei, a parte de fora tava perfeita, mas a parte de dentro ainda tava uma bagunça.


E agora, quando olhei pro meu espelho mais um tempinho, eu senti que finalmente a parte de dentro tava tão bonita quanto a parte de fora.


Dandara: você correu por muito tempo até chegar aqui.


Claro que meu reflexo não respondeu, mas tinha algo em falar coisas pro meu espelho que fez com que eu falasse um pouco mais com ele.

Dandara: mas não para não tá? Nós ainda estamos na metade da corrida.


E sorrindo, e dando uma piscadinha pro meu próprio espelho, eu continuei meu caminho, sorrindo, até que eu ouvi algo que gelou minha espinha.


???: eu sei.


Não veio do lado de fora, veio de dentro da minha cabeça, dos meus próprios pensamentos, eu não precisava ficar tão neurótica assim, era só minha cabeça conversando comigo…


Mas tinha algo no tom daquele pensamento em específico que me fez ficar um pouco preocupada, quem será que era aquela voz.


E enquanto tentava entender que voz era aquela, eu andei pelos corredores, toda “comum” de novo, e com um mago me acompanhando, pra eu conseguir ir até a “sala de retirada” que era como eles chamavam a sala onde os Singulares saiam dali.


O papai iria me buscar, mas conhecendo o Antônio, ele com certeza viria também, e eu tava muito ansiosa pra isso ser verdade e não só um delírio apaixonado meu.


Quando cheguei na sala de recuperação, com tudo no ponto para sair dali, os 20 minutos que eu normalmente superava de boas, pareceram horas, e até mesmo séculos, pela forma que todo meu corpo apenas parecia desacelerar tudo à minha volta pela ansiedade.


Por alguns segundos, me arrependi de ter recuperado meus sentidos, pois eu não tinha nem um pouco de vontade de sentir essa ansiedade de novo, “onde eles estavam?”, “por que eles estavam demorando tanto?”, “será que eles se esqueceram de mim?” 


Minha mente começou a criar vários cenários que não dariam pra lugar nenhum, mas em meio a minha grande ansiedade, eu encontrei um leve alívio, pois pelo jeito, a voz misteriosa que eu ouvi antes, não era outra personalidade, pelo bem da Criadora, não, era algo bem pior.


Era a minha voz pessimista, e ela tava de volta com força total no meio de mim, me dizendo que eu queria sentir aquilo, por algum motivo.

Haaaaaa, por mais que tivesse sido bem difícil ter minha voz pessimista tão forte na minha cabeça, fiquei meio aliviada.


Porque antes, eu não conseguia ouvir a voz, ou diferenciá-la das outras coisas que eu pensava, e agora pelo menos superficialmente eu já sabia quando ela estava falando.


Tendo uma ideia melhor de onde minha voz pessimista estava, eu tive mais do que chão o bastante pra dar forças a minha voz otimista, pra conseguir me acalmar. 


Então respirei fundo e soltei, respirei fundo, e soltei e respirei ainda mais fundo e soltei ainda mais fundo. 


Dandara: tá tudo bem, eles já vão chegar, não precisa ficar ansiosa…


Mesmo sendo devagar, eu tava conseguindo me acalmar, até que eu vi um pontinho dourado no meio das pessoas, era o meu pontinho dourado.


Eu não penso, ajo, eu saltei pelas mesas e entre os milhares de Singulares, também esperando os próprios guardiões os pegarem e agarrei meu príncipe em pleno ar.


Quando fiquei novamente com noção do que eu tava fazendo, eu percebi como derrubei meu príncipe no chão quando saltei em cima dele.


Mas algo no rosto cheio de felicidade do meu príncipe, me dizia que ele não ligava muito pra isso.


Agente se via praticamente toda semana, mas tomados por uma necessidade nova, a necessidade de sentir cada fibra do corpo um do outro, nós ficamos empolgados bem rápido.


Tomada por sentimentos completamente novos, que eu sequer conseguia nomear, deixei minhas mãos assumirem o controle de minhas ações e elas percorreram  as costas dele, e fizeram um carinho que, parecia bem menos desejo, mas sim, confirmação.


Eu sentia como meus dedos estavam analisando e imprimindo cada parte do meu Príncipe em minha memória, pra que eu não me esquecesse até do detalhe mais pequeno e fútil dele, o que me deixou impressionada, e com um pouquinho de medo.


Mas esse medo acabou deixando meu corpo quando eu comecei a entender melhor o que minhas mãos estavam sentindo, a começar pelos músculos imensos que meu Príncipe tinha.


Nossa, eu nunca tinha notado, já que ele quase tava sempre todo coberto, mas sentindo ele com minhas mãos, eu entendi de cara que, por baixo daquelas roupas super grossas, o meu Príncipe deveria guardar um corpo que com certeza não era o corpo de um mago normal. 


A pele dele era muito macia, macia demais pra um homem, eu gostei disso, e aquele cheiro de floresta que ele tinha, será que era um perfume dele? Não importava, eu queria me afogar naquele cheiro. 


Levou um bom tempo para eu me acalmar, sendo ajudada pelo simples fato que eu estava no meio de muitas pessoas e a vergonha que eu recuperei a pouco tempo me inibiu um pouco, fazendo com que eu me levantasse, e ajudasse meu Príncipe a levantar, mas não soltei a mão de António.


Dandara: (sussurra) obrigada, vergonha, você me salvou de um grande mico.


Apesar de eu ter sussurrado isso, eu meio que não tava ligando tá tô assim pro que os outros iam falar do que eu fiz, eu ainda trabalhando nisso, mas quando o assunto era meu Príncipe acho que já parei de me importar com o que pensavam de mim a muito tempo.


Olhando pro meu Príncipe com mais cuidado, assim como minha aparência não mudou muito desde que eu entrei e saí de lá, eu ainda via meu Príncipe da mesma forma que quando o conheci.


Uma bela e imaculada pele marrom como chocolate, um cabelo grande e encaracolado que me fazia desejar nadar nas curvas daquele cabelo e olhos dourados como o um sol que ilumina a noite depois do ponto mais sombrio dela passar. 


Ele parecia tão calmo, tão imponente e tão intocável, como sempre, não me contive e sorri de forma travessa, enquanto dava um beijo demorado nele novamente.


Ainda um beijo só de lábios, mas que ainda era tão carregado de sentimentos quanto os outros que nós demos. 


Os outros Singulares viram aquilo e bateram palmas pro que fazíamos, até que agente foi separado pelo meu pai.


Pai: por favor, arranjem um quarto vocês dois


Antônio: não se preocupe, nós vamos.


Acho que, pra qualquer sogro, aquilo seria impensável de se ouvir, mas o meu Pai nem piscou quando o meu Príncipe falou isso.


Pois o meu Principe já tinha visitado minha casa, e convivido com meus pais tempo o suficiente pro meu pai, minha mãe e meu novo irmãozinho. Entenderem bem até demais, que o meu Príncipe não era uma pessoa comum, no bom sentido, claro.


E uma vez, eu passei por mega sistema de seguranças do lugar, paredes trocadas que aguentavam explosões, feitiços de proteção gigantes, pra bloquear teletransportes e outros feitiços parecidos e claro, muito, mas muitos guardas protegendo a saída.


Tudo pra impedir que, qualquer um saísse, ou que qualquer um entrasse.

E então, de repente, um medo antigo, que eu pensei ter esquecido, voltou com todas as forças do mundo pra mim. “Ele tá lá fora, ele pode me pegar”


Antônio: eu não vou deixar.


Quando estávamos prestes a passar pela última saída, eu parei um pouco, imprecionada que o meu Príncipe percebeu o que eu tava pensando.


Eu queria perguntar como ele descobriu, mas eu acho que, não precizava muito pra descobrir, eu devia estar fazendo um rosto bem amedrontado agora, e sabendo o que eu passei com meu pai, meu Príncipe devia ter adivinhado o que eu pensei


Antônio: enquanto eu estiver vivo, eu vou garantir que aquele porco imundo nunca mais chegue perto de você.


E ele falou aquilo, enquanto segurava bem forte a minha mão…e eu me senti segura, porque eu sabia, que se tinha alguém que podia espancar o meu pai biológico, esse alguém era o meu Príncipe.


Ele sempre fazia isso, ele vinha até mim, em meus piores momentos, e fazia eu sentir como se ele fosse um anjo me tirando do inferno.


Dandara: eu sei…


Muito tocada pelo que ele disse, eu fiz carinho na mão dele com o polegar, o que pareceu fazer ele diminuir o ato de durão dele.


Dandara: …mas eu ainda amo ouvir você falando isso


Antônio: que interessante, eu também amo falar isso.


E sorrindo pra nós dois, agente deu mais um beijinho até que chegamos, e por mais que eu tentasse não pensar muito nisso, a cena na minha frente era muito difícil não pensar que era um sonho meu.


Eu estava em uma sala bem escura, tendo só uma porta na frente de nós, a última barreira entre nós, e a liberdade.


E quando passamos por ela, logo eu senti algo inacreditável, pois atrás de toda aquela luz, eu vi apenas…algo, comum. 


Mas essa visão, comum, do que tava na minha frente, me fez derramar lágrimas de alegria de novo, algo que eu tenho feito bastante ultimamente.


As árvores em volta do lugar estavam marrons e com folhas verdes. 


A calçada e a estrada estavam ladrilhadas em tijolinhos azuis, com a calçada estando em um azul bem mais forte que a da rua.


As pessoas estavam radiantes, em roupas das mais diversas cores, e pelas com cores tão diversas quanto.


Mas acho que minha visão favorita de quando eu saí de lá, foi olhar pra cima, e ver duas coisas, que pra todos ali, todos os “livres” deveriam ser normais, mas pra mim, pra mim aquilo era uma visão do paraíso.


Um céu azul bem forte, com nuvenzinhas brancas em volta e um grande sol amarelo iluminando tudo abaixo de nós.


Eu olhei praquela cena por um bom tempo, até que meus olhos foram pelo sol, e eu olhei pra baixo, ainda chorando.

O meu Príncipe e o meu pai não ficaram


preocupados comigo, eu não lembrava se eu cheguei a chorar de felicidade perto deles dessa forma, mas tava claro pra mim que eu não tava chorando de tristeza.


Eu chorei por um bom tempo, até que eu olhei toda aquela cena de novo, ficando bem feliz pelas cores que estava vendo, agora que tava mais calma.


Antônio: então ruiva, você tá melhor?


Dandara: tô sim, sóooooo, tô pensando numa coisa


Antônio: e o que é?


Dandara: que é assim que o mundo se parece…não cinza, nem todo rosa como eu vejo quando tô com você as vezes, mas com todas as cores mágicas que a Criadora criou e espalhou pelo mundo


Antônio: é sério? Nossa, que legal


Dandara: e eu demorei tanto tempo pra descobrir isso…por causa da minha Singularidade, eu tive que lutar pra ver essas cores


Antônio: e tá irritada por causa disso?


Dandara: pra caramba…mas dá mesma forma, acho que, é exatamente porque eu precisei lutar por essas cores que elas parecem tão especiais assim pra mim


Dandara: isso me faz pensar, se…se sabe, vai chegar um ponto onde essas cores vão parar de ser especiais pra mim


Antônio: eu duvido, mas se você tem dúvidas se vai ou não deixar de ver tudo isso como algo especial…


O meu Príncipe falou aquilo, enquanto levantava a mão, usando tudo aquilo que tava na nossa frente como uma prova das próprias palavras dele.


Antônio: então, saiba que eu vou estar aqui, do seu lado, pro que der e vier.


Depois do que o meu Príncipe falou, eu senti que já tava entendendo melhor o que era o sentimento de amor.


Porque, quando ele falou aquilo, eu fechei os olhos, e senti que algo mais intenso que o calor se instalou no meu peito, era algo pesado e espesso, como líquido quente, instalado bem no meu coração.


Uma sensação que me fez sorrir quando meu Príncipe falou aquilo, e me fez responder.


Dandara: eu sei, Melzinho, eu sei


Antônio: sei que deve estar com saudade de casa, então, se quiser, eu posso ir pra casa agora


Dandara: tem certeza? Eu achei que você, de todas as pessoas, ia querer passar mais tempo comigo


Antônio: eu até quero, mas eu meio que me sinto culpado de estar te monopolizando, agente se fala o tempo todo, mas seus pais quase nunca tiveram tempo de ver você.


Ele falou aquilo enquanto apontava pro meu pai, e vendo ele ali, parado, como se estivesse tentando não se meter na nossa conversa, me deixou um pouco envergonhada também.


Dandara: mas ele me visitou


Antonio: é, mas não tanto quanto eu, olha, eu vim aqui só pra te ver saindo, e por mais que eu queria ficar aqui mais tempo, quero te deixar passar um tempo com sua nova família


Dandara: mas…você é a minha família.


Quando eu falei aquilo, o meu Príncipe olhou pra mim com o rosto mais apaixonado que eu já vi ele fazer, e me deu um último beijo antes de falar.


Antônio: eu sei disso, e como sua família, eu vou deixar você passar um tempo com outras pessoas que também te amam muito, e amanhã, agente vai ter um encontro mais calmo, tá legal?


Dandara: você tem certeza disso?


Antônio: nunca tive mais certeza de algo na minha vida, então, mate a saudade o quanto der com sua família hoje, porque amanhã, você vai ser só minha.


Havia, alguma coisa no jeito que ele falou que fez eu ter borboletas no estômago, se ele queria que eu ficasse só nos meus pais e no meu irmãozinho hoje, então ele tava fazendo um péssimo trabalho.


E depois dele falar aquilo, ele me deu um abraço, e se afastou, mas nós dois mantivemos nossas mãos juntas até que agente se separou de vez.

E quando nos desconectamos, mesmo não me sentindo mais Vazia, eu me sentia incompleta, como se uma parte de mim tivesse indo embora junto com ele.


Acho que o único alívio que eu tive naquela situação, foi ver como meu Príncipe também tava sofrendo com nossa separação, aquilo com certeza era doloroso pra ele tanto quanto pra mim.


Antônio: até amanhã, ruiva


Dandara: até amanhã, melzinho.


O Vazio continuou no meu coração, por um bom tempo até que meu pai, notando que o Antônio foi embora, começou a falar.


Pai: ah, onde ele foi?


Dandara: pra casa


Pai: ah. 


E assim, nós ficamos ali, parados, no mais profundo silêncio.


Pois, mesmo que eu soubesse que meu pai me amava, e que ele realmente se importava comigo, era como meu Príncipe falou, ele ainda era um estranho pra mim, bom, pelo menos pra essa nova eu.


Pra Dandara Rodrigues, o meu pai era um estranho, um estranho que se importava demais comigo mas ainda um estranho.


Pai: quer ir pra casa também?


Dandara: quero.


E mesmo sendo um estranho, ele ainda era um milhão de vezes mais confiável que meus pais biológicos, então eu estava tranquila perto dele.

Haaaa, só esperava que eu conseguisse um “momento” de família tão mágico quanto o meu Príncipe pensava que eu poderia ter.


Porque, mesmo pensando que eu ia mesmo ter um tempo legal com eles, eu não achava que ia ser tão mágico quanto meu Principe pensava.

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