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Olhos de mel 🌻X
Amor, amor, amor
2904 palavras • 16326 caracteres • ⏱ 11 min 37 s

Amor, amor, amor

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Eu fiquei feliz de ter convencido a Leide a mudar, tanto a Leide do episódio de mania como o episódio de depressão. E depois disso, sem contar meu próprio crescimento pessoal, meu décimo e décimo primeiro mês lá dentro é meio paradão. Sem nada muito extraordinário acontecendo nele, principalmente considerando os meses anteriores.


Talvez a coisa mais absurdamente divertida que aconteceu nesses meses, claro, além dos meus encontros com meu Príncipe, foram as visitas do Sir Davi, mesmo que agente nao fosse próximo o bastante pra eu chama-lo de “melhor amigo”, agente ainda tinha uma amizade boa o bastante pra gostarmos de ficar perto um do outro.


Tanto que, uma vez que ele me visitou na casa de recuperação, de novo eu fui ate a minha mesinha e me sentei calmamente na cadeira, enquanto via o olhar no careca refletindo a inveja mais pura que já vi em uma pessoa a muito tempo, tava na cara que ele queria falar primeiro, então deixei ele falar.


Davi: eu tenho muita inveja de todos vocês, sabia?


Dandara: como assim?


Davi: você, o Antônio, até o Brutus. Todos vocês encontraram a forma mais pura de amor, e eu não consigo encontrar nem a falsa


Dandara: e voce pode me falar que forma é essa?


Davi: (suspiro) você e o Antonio se atraem um ao outro por uma atração bem maior que a física, vocês se apaixonaram de uma forma que, nem se você fosse um homem ou o Antônio fosse uma mulher seu amor mudaria .


Eu segurei seu sorriso orgulhoso quando ele falou isso, pois por mais feliz que eu estivesse, eu sabia muito bem que não era hora pra isso, ainda.


Davi: esse amor é chamado de “paixão eros”, quando a atração física ou sexual é totalmente irrelevante na atração de uma pessoa por outra, e o fascínio pela pessoa apenas ser ela, ao invés de ela ter um rosto bonito ou feio, não existe barreiras que impeçam esse amor florescer, nem mentiras que podem romper a ligação dos dois…vocês se entendem a ponto de se reconhecer até se os dois mudarem totalmente de rosto ou de forma…


Vi o Davi tremendo, de inveja, raiva e uma terceira coisa que eu não conseguia descrever.


Davi: É A FORMA ABSOLUTA DE UM RELACIONAMENTO


Dandara: humpf, eu não iria tão longe, não nos conhecemos o suficiente ainda…não sabemos se iremos nos casar no futuro.


Aquela foi a pior mentira que eu já contei em toda minha vida, eu tinha conversado e muito com o Antonio dali pra cá, eu conheci meus traumas, gostos e preferências.


Também entreguei tudo que eu descobri recentemente de mim mesma pra ele, também havia conseguido muitos dos gostos, preferências e traumas do Antônio, e absorvi todos sem ser moldada por eles como ele temia, e o Davi notou isso.


Davi: voce mente muito mal


Dandara: jura? Mas que pena, antes eu era uma excelente mentirosa, sabia?


Davi: isso eu acredito.


O Davi parecia querer falar mais, mas ele parou de falar do nada, como se o comentário de antes tivesse quebrado o clima para falar algo sério, então tentei começar outra conversa.


Dandara: sabe, acabei de perceber uma coisa…eu e o Antonio, somos um amor primavera


Davi: o que? Por que? Vocês se conheceram na primavera?


Dandara: não, esse é um tipo de amor. Existe uma forma de amor para cada estação do mundo, 


Dandara: primeiro tem o amor de inverno, que é o mais cruel e sádico de todos, onde os dois amores estão em uma situação horrível, desesperadora e fria. Seja de forma fisica, emocional, ou uma mistura doida das duas. Onde eles apenas encontram conforto um no outro, como uma fogueira solitária no inverno. E o ponto desse amor, é que ele é um amor impossível, onde um dos amantes, ou os dois tem que morrer tem que morrer, seja de maneira literal ou metafórica para ficarem juntos.


Dandara: esse amor é bem conhecido em histórias de dark romance, ou em qualquer história onde protagonistas sofrem, e apenas o par romântico deles e onde eles se sentem felizes e seguros. Claro, esse amor também é marcado por um eterno estado de melancolia que acompanha toda a obra, mesmo quando os protagonistas estão juntos


Davi: esse parece um bem dificil de acertar


Dandara: e difícil de interpretar também, existem tantas aplicações ruins pro amor inverno hoje em dia que sinto que as pessoas precisam procurar isso a fundo, sabe, pra saber o que estão fazendo


Davi: concordo


Dandara: também tem o amor de outono, onde é bem mais dinâmico, que é bem mais jogada numa dinâmica do personagem sério, tranquilo, e pé no chão igual uma árvore, e um personagem alegre, animado e meio maluquinho, como uma folha de outono. A dinâmica desse casal normalmente é a “folha” conseguir fazer algo que o tronco consegue, seja acreditar nele, ou ficar um pouco mais séria. Enquanto o “tronco” irá se soltar um pouco, e adotar um pouco da maluquice da “folha”, se divertindo mais no processo


Dandara: casais assim são bem mais comuns em histórias e filmes pra família toda, onde um personagens cheio de traumas, ou que apenas é sério demais pra se divertir, aprender a se soltar um pouco através de uma nova pessoa que ele conhece, e que aparece dentro da vida dele como um furacão desgovernado, jogando todos os problemas mal resolvidos dele pra longe e o focando a limpar a própria cabeça antes que o caos se espalhe ainda mais


Davi: nossa, esse parece  tipo  amor que pode dar tão errado


Dandara: eu sei né? E ironicamente ele é bem melhor representado que o amor inverno, da pra entender?


Davi: acho que, como o amor outono parece mais pra família toda, os autores tentam fazer o máximo possível que o casal seja bom, sabe, pras crianças não ficarem com padrões estranhos de relacionamentos no futuro


Dandara: isso…é bem mais perto da realidade do que eu pensei, até perdi o contexto que eu ia falar aqui, bom, se é assim, então vamos continuar


Davi: nossa, ja to empolgado pa ver como vai ser os outros dois


Dandara: e também tem o super complicado de desenvolver, amor verão, que é sempre representado como um casal perfeito, eles não brigam, entendem bem um ao outro, não acreditam em mentiras, e sempre escutam um ao outro, nunca deixando mal entendidos acontecem, pois no verão só existe amor, alegria, felicidade e o lindo sol para saltitar na praia enquanto segura a mão de seu amado. Casais assim são melhores pra histórias que a relação dos personagens não é o foco, ou quando o autor quer desenvolver algo maior que o amor de dois personagens.


Dandara: muitos autores, que tentam criar histórias onde o romance não é o foco, tendem a tentar criar esse romance, mas esse romance, mesmo parecendo bem simples de fazer e ao mesmo tempo o mais complicado de se manter em longo prazo, pois se você fizer os personagens falarem uma coisinha diferente, ou que só um deles brigue por tempo demais, você vai ir do verão diretamente pro outono, indo pra dinâmica da folha e do ronco


Davi: isso é…bem fascinante de certa forma


Dandara: eu sei nao e? O outono e o verão estão bem ligados em quesito de romance, sempre que o amor verão e desfeito, ele quase sempre morfã pra um amor outono. Claro, ele tem chances de morfar pra um amor inverno, e até pra um primavera, mas a dinâmica de ir pro outono e a mais comum


Davi: e qual é o amor primavera?  


Dandara: o amor Primavera, e o que eu e o meu Príncipe temos, pois ele é um amor com múltiplas faces, principalmente ligado a grande conexão entre os dois casais. O amor primavera representa a conexão que duas almas destinadas a se encontras, tem quando se encontram pela primeira vez, não importa o quão diferentes suas vidas são, no momento em que o casal olha um no outro nos olhos, ou tocam as mãos, ambos entendem que, aquele encontro deveria acontecer, e que quando eles estão juntos, e quase como se flores desabrocharem neles, de antas felicidades que eles sentem.


Eu abracei meu próprio corpo um pouquinho quando eu fiz isso, devaneando um pouco sobre o que eu DEFINITIVAMENTE SENTI quando vi meu Príncipe pela primeira vez.


Dandara: ele é o amor mais bonito de todos, o mais famoso pelas histórias de romance, e um que qualquer Donsela que mereça usar um vestido chique deseja viver um dia. 


Dandara: e algo interessante nesse amor, é que, diferente dos outros, ele não pode ser enganado, os personagens podem mudar de corpo, mudar de voz, perder a memória e até ter a cabeça reescrita, mas eles ainda vão se amar e se reencontrar, (toca na própria cabeça) porque isso aqui pode não se lembrar (toca no próprio peito) mas isso aqui, nao se esquece tão fácil assim.


Dandara: de certa forma, ela até me lembra o amor eros, que você acabou de comentar


Davi: hehe, é mesmo. Eu queria falar algo mas, depois de tudo que eu ouvi você dizer, eu não tenho o que comentar, mais alguma coisa a me dizer sobre o incrível amor primavera?


Dandara: bom, outro fato interessante entre o amor primavera é que ele pode ser dito também como uma mistura maluca de todas as 4 estações de uma vez, ou apenas 3, pois afinal,  primavera é o objetivo de todas as estações, não é?


Davi: hm, pior que faz sentido mesmo


Dandara: e, e as combinações para o Primavera são muito boas, pode começar com o inverno, ir para o outono e depois ir pro verão. Ou começar o verão, passa por um inverno bem intenso, e entra num equilíbrio com o outono, ou apenas fica mudando entre dois, indo de inverno pra outono e inverno pra outono. Ou verão pra primavera e verão pra primavera, e essas são só algumas das possibilidades


Davi: e qual é a combinação entre você e o Tony? Porque, depois de tudo que você falou, eu tenho certeza absoluta que vocês são um casal Primavera.


Eu tava preeeeeestes a dizer alguma coisa, mas não consegui falar nada imediatamente, eu fiquei ocupada demais sorrindo como uma bobinha por alguns segundos, antes de conseguir falar.


Dandara: pois é, eu também acho quando descobri isso, eu analisei muito bem a nossa, história, e descobri algo bem interessante, nós começamos com um pouco de inverno, e no início de nosso relacionamento, quando a gente, conversou pela primeira vez, tivemos uma longa seção de outono, onde eu pensei que o Antonio era maluco, mas como gosto de me lembrar constantemente, a maluca no relacionamento naquela hora era eu. 


Dandara: depois que eu vim pra cá, e parece que voltamos ao inverno por um tempo, comigo estando com muito medo de morrer fisicamente na minha história…hihihi, mas no fim, acho eu morri de forma metafórica.


O Davi pareceu entender muito bem o que eu queria dizer com isso, mas como se quisesse uma confirmação de que não estava entendo errado, ele ainda me perguntou.


Davi: como assim, “morreu metaforicamente”?


Dandara: a minha antiga eu, a “Dandara Galdino” está morta, e dentro desse lugar seguro e de recuperação mental, Dandara Rodrigues nasceu…


Eu quis falar um pouco  mais, mas a minha voz parou no meio, enquanto eu sorria de forma mais larga agora, e o Davi, bem na minha frente, sorria de alegria e conquistava tanto quanto eu, mesmo que ele só tivesse ouvindo o que eu conquistei, não ele. Hummmm.


Dandara: mas não acabou por aí, quando consegui rir, amar, e conversar com todos, principalmente o António depois de tudo que passei, caminhamos bem devagar para o “verão” de nosso amor primavera.


Eu estava tão apaixonada, que juntei minhas mãos com um olhar que eu tinha certeza que havia corações. Mas o Davi não parecia ter interesse nisso, ele na verdade, estava pensando bastante em alguma coisa.


Davi: agora que eu penso, quase todos os casais são primavera, mas com intensidades diferentes


Dandara: é normal, além do amor primavera ser o que mais se altera, ele também é o mais simples, pois dificilmente existe um amor que fica em uma única estação pra sempre e se torna saudável, não estou dizendo que não existem, apenas que é muito difícil


Davi: como casais inverno que não conseguem morrer de forma metafórica…e só conseguem se manter juntos na morte física


Dandara: ou o outono que o tronco fica tão fraco, mole e sem firmeza que cai no chão, e a folha fica tão pesada e séria perdeu sua suavidade no meio do caminho, e acaba caindo no chão como uma pedra, com os dois perdendo tudo o que os fazem únicos


Davi: ou o “falso verão” onde o casal finge estar tudo bem, mas eles apenas estão ignorando os problemas, até que eles “se queimam” pela própria incompetência


Dandara: ou a primavera desorganizada, onde as misturas de estações está tão bagunçada e confusa que ninguém sabe o que o relacionamento é mais


Davi: meu deus


Dandara: e eu nem falei dos casos em que apenas um membro do casal sente um desses 4 amores, e o outro não, aí é que a dor de cabeça realmente come;a


Davi: cara, amar alguém parece ser complicado pra caramba


Dandara: não, não é complicado, as pessoas tornam complicado, o quê tem de difícil em ir alguém que você gosta e dizer “gosto de você, quer sair comigo?” Se a pessoa disser não, então e daí? você parte pra próxima…sei que…deve ser difícil pra certas pessoas, mas não importa quantas vezes te rejeitem, você precisa continuar, alguma hora, alguém irá te dizer “sim”


Dandara: existem mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, é impossível que todas essas 7 bilhões de pessoas te digam “não”


Davi: pra voce é facil falar, você é bonita pra caramba


Dandara: e isso invalida tudo que eu falei?


O Davi não respondeu.


Dandara: me diz, como ser bonita invalida tudo que eu disse?


E novamente o Davi não respondeu, ele estava com muita vergonha, então terminei.


Dandara: sem ofensas careca, mas se você quer se relacionar com alguém, você precisa ser a melhor versão de você mesmo, e eu sinto que você ainda tá tentando ser isso


Davi: pois é, faz pouco tempo que eu deixei de ser só “a mascara” e começei a ser mais…“eu” o “Davi”...e o Brutus conseguiu uma namorada e com o pouco que tenho agora, eu sinto muita inveja, inveja dele, e de vocês, eu quero ter alguém especial pra mim também.


Aquelas lágrimas que ele derramava eram bem familiares pra mim, não pensei, só agi, me aproximei devagar do Davi, e o abracei, assim como o meu Príncipe fez em nosso primeiro beijo, lenta o bastante pra ele me empurrar se não quisesse o abraço, mas como ele não lutou ou tentou me empurrar, vi aquilo como uma confirmação, e dei nele o abraço mais gentil que os 11 meses naquele lugar me permitiram dar.


E pela forma que ele relaxou em meus braços, eu senti que os meus 11 meses de treinamento em dar abraços aqui dentro foram beeeeeem frutíferos.


Dandara: se você continuar visitando o Reino dos Gigantes, e melhorando em ser o Davi e não a máscara, sei que a melhor pessoa do mundo irá até você, você só precisa de um pouco de paciência, tá bom?


O Davi não respondeu, ele apenas sentiu meu abraço enquanto meu toque mandava energia positiva pra ele, algo que eu aprendi a fazer em algum momento aqui dentro, eu só não sabia daonde, e depois de algum tempo comigo só mandando energia positiva pra ele, o Davi falou.


Davi: o quanto de paciência?


Dandara: isso não posso te dizer, ela pode chegar daqui a 10 dias, ou daqui a 100 anos, quem sabe? Mas ela irá chegar, acredite.


Mas então, o Davi me empurrou um pouco e me olhou nos olhos, ele estava com um olhar contemplativo, impressionado, era estranho porque, eu nunca vi aquele olhar nele antes, era assustador, de certa forma.


Já estava me preparando pra empurrar ele longe caso ele tentasse alguma coisa, mas pelo jeito não precisou, pois ele só falou.


Davi: sabe, o Antonio falou disso um dia


Dandara: falou o que?


Davi: isso, um dia ele me falou algo como (estala dedos rapido) ah e, ele falou, “é estranho isso, nossos ancestrais lutaram, protegeram, e afastaram todos os monstros que estavam lá fora, e agora temos tempo pra lutar com os monstros que estão aqui dentro…”


Davi falou isso enquanto batia na própria cabeça, aquela simples alegoria me tirou tanto do próprio foco que tive que sentar de novo, e contemplar tudo que estava à minha volta, e então Davi continuou.


Davi: “...estou curioso pra saber qual problema nossos tatara-tatara-tatara netos irão lidar, será que o mundo estará melhor nessa época? Acho que tudo irá depender de nós”


Dandara: hehe, gosto de acreditar que sim, muita coisa piorou, mas muita coisa melhorou também


Davi: hm hmhmhmhmhm HAHAHAHAHA, ótimo, então você é tão doida quanto eu e o cachinhos.


Parece que me preocupei à toa, o Davi não levava o título de cavaleiro à toa, ele tinha uma mente bem mais forte do que eu mesmo dava o crédito pra ele, e no fim do horário de visitas, estava ansiosa para vê-lo novamente.


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