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A garota, o monstro e a vassoura
4765 palavras • 26350 caracteres • ⏱ 19 min 04 s

A garota, o monstro e a vassoura

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"essa Kurama em mim, me mostra quanto eu sou forte, meu pai tá selado em mim, quantas vezes me livrou da morte"
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"Eu tentei, muitas vezes, enfrenta-la, domina-la, mas você era igualzinha a mim só tínhamos um ao outro e agente não enchergava"
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JKZ-Naruro, vou ser um hokage
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\nE olha só, alguns dias depois, eu entrei em um lugar peculiar, depois que contei sobre meu sonho para o Gabriel, ele usou uma técnica de meditação comigo fazendo com que, pelas próximas sessões, eu retornava ao  mundo dos sonhos que Gabriel insistia que ficava na minha cabeça.


Mas eu não queria admitir que algo tão complexo como aquilo sempre esteve dentro de mim, mesmo na minha fase do vazio, parecia surreal demais pra mim pensar nisso.

E quando pisei os pes naquele lugar de forma tão consciente quanto aquela, eu vi que voltei ao mesmo pesadelo de sempre, mas graças a hipnose, eu sabia que um pouquinho de dor não ia me fazer acordar.


Mas só pra garantir, eu dei um tapa em mim mesma pra ver se eu ia acordar, e olha só, eu senti dorz e não acordei.


Por causa daquilo, eu pensei que eu estava forte o bastante pra lutar com o monstro, mas a Hipnose fez apenas com que ficasse mais fácil pra eu sentir o monstro me batendo.


Mas pelo menos eu não fui acordada assim que fui espancada pelo monstro dessa vez, ele só bateu em mim por muito, muito, mas muito tempo mesmo.


A ponto que eu pensei que, se esse fosse o mundo real, eu já teria morrido 5 vezes.

E depois ele foi embora, e igual um desenho animado, depois que ele parou de me bater, levou segundos, mais ou menos uma piscada de olho pra eu me recuperar.


Eu fiquei imprecionada com os estranhos efeitos desse mundo dos sonhos, tão imprecionada que, eu sentia que se eu não tivesse muitos encontros com o monstrengo, eu podia até me divertir naquele mundo.


Dandara: ele foi embora, o que é que eu façi agora?


Gabriel: primeiro me fala o que você tá vendo?


Dandara: bom, parece que eu tô numa espécie de castelo, mas eu diria que tem mais cara de labirinto que castelo, é um castebirinto


Gabriel: hmhm, ok, tem algum lugar por aí que parece seguro?


Dandara: ahn, acho que, a entrada oposta pra entrada que o monstro entrou


Gabriel: então entra por ela, fica com medo não.

Ah, pois é, o Gabriel tava me ajudando também, ele não tava, literalmente ali, do meu lado, ele ainda tava no mundo real, a única coisa que ele podia fazer ali era falar comigo.


Eu não entendia totalmente como aquilo funcionava, mas ele podia me impedir de acordar, e se comunicar comigo nesse mundo dos sonhos que eu tava.


E sempre que nosso tempo de terapia acabava, eu era despertada do sonho e voltava pro quarto.

Levou quase 4 semanas, mas logo eu aprendi a entrar num estado parcial do que o Gabriel fazia comigo.


E nesse estado, eu basicamente conseguia aguentar um certo nível de dor no meu sonho, então todas as vezes que eu tinha aquele mesmo pesadelo, eu fiz um progresso de mapear o lugar, perceber os detalhes das paredes do Castebirinto e principalmente, entender a rotina do monstro, em quais corredores ele andava, e o que ele fazia.


Porque o monstro não estava só atrás de mim o tempo todo, nananananão, muitas vezes, enquanto sonhava, eu via o monstro ficar na frente de certas pinturas e ficar gritando, chorando e arranhando elas.


E as vezes, eu o via bebendo água, e tinha vezes que eu o via se jogando na sujeira, pra colocar uma nova camada de podridão dentro dele que o deixava ainda maior.


Gabriel: o que? O que que você disse?


Dandara: eu disse que eu vi ele se jogando na lama, e ficando ainda maior por isso.


Em algum momento, eu acabei falando aquilo pro Gabriel, e ele ficou interessado nisso de uma forma que nem eu esperava.


Gabriel: Dandara, você acha que consegue capturar esse monstro se tentasse?


Dandara: seria difícil, mas não impossível, porque?


Gabriel: porque eu tive uma ideia, mas você vai ter que ser um pouco corajosa pra esse plano dar certo


Dandara: eu não posso morrer aqui Gabriel, não tem nada além de coragem dentro de mim.

Eu falei aquilo pra transmitir confiança ao Gabriel, mas uma parte de mim tava com um medo absurdo de ter que enfrentar de frente aquele monstro.


Mas felizmente, o Gabriel não queria que eu matasse ou ligasse com o monstro, não, o que ele queria que eu fizesse era muito mais estranho.

Prender o monstro não foi nem um pouco fácil, primeiro, eu tive que engana-lo pra entrar numa sala prisão, através de uma pintura que eu sabia que ele admirava.


E assim que o monstro entrou na sala, eu o enganei de novo, ascendendo as luzes, e o mostrando várias estátuas que eu mesma tinha feito naquele sonho.

E então, o monstro bateu em casa uma das 4, mas pra casa estaria minha que ele destruía, o monstro ativava uma corrente embutida na estátua.


E quando ele quebrou as 4 estátuas, ele ficou preso no chão, todo esticado, mas alto o suficiente pra eu conseguir fazer o plano dele.


Dandara: consegui, eu capturei ele


Gabriel: você está com as coisas que eu falei pra você pegar?


Dandara: sim, balde, esponja, uma varinha de água e sabonete, tudo que você falou…


Eu olhei para o monstro um bom tempo antes de toca-lo, vendo como ele tinha uma boca bem grande e com dentes bem afiados, eu pensei que eu devia ter posto uma fucinheira nele também.

Dandara: você tem certeza que isso vai funcionar?


Gabriel: claro, confia em mim.


Eu estava muito cética que isso ia funcionar, mas o Gabriel já tinha feito tantas coisas  inacreditáveis só na minha seção, que decidi, pelo menos, confiar um pouco nesse doidinho que chamava de Psicomago.


E mesmo assim, demorei pra me aproximar, porque agora com ele parado, e com a sala totalmente oluminada eu conseguia ver direitinho o que o monstro ela.


Ele era um grande ser humanoide, que me lembrava de um híbrido de humano com um lobo, o pelo dele era tão sujo de lama e sangue que ele parecia um milhão de vezes maior que era, além de várias armas diferentes, presas no próprio corpo, como se fossem os troféus de batalha dele.


Mas o que mais se destacava era o rosto cheio de ódio que ele tinha quando me encarou, e só se olhar foi o bastante pra eu demorar muito pra ir pra frente.


Mas, ganhando coragem bem devagar, eu começei  a jogar água nele, pras coisas mais fáceis caírem logo de vez.


E algo interessante aconteceu quando fez isso, o monstro, que me olhou com ódio até agora, arregalou os olhos, e começou a me olhar com uma extrema surpresa, e aliviou bastante o próprio olhar.


Aquela mudança de expressão foi algo tão repentino que eu acabei baixando muito minha guarda quando me aproximei, mas não o bastante pra ele me morder.


Quando cheguei perto pra passar o sabão, deixei o rosto dele longe de mim enquanto o limpava.


Quando cheguei no peitoral, eu percebi que, seja lá o motivo daquele monstro ter raiva de mim, ela parece ter passado, porque agora, eu tava no ângulo perfeito pra ele me morder, e ela ainda decidiu não me morder.


Sim, “ela” pois quanto mais eu limpava o monstro, mais eu vi que, ele não era exatamente um monstro, era uma “coisa” coberta de sangue, armas quebradas, e lama, mas muita lama, de onde veio tanta lama? 


E com o tempo, os gritos de dor e horror do monstro se tornaram choros…e foi aí que todas as peças s encaixaram, ele não estava rugindo pra mim, ele estava chorando e pedindo ajuda.


Cada agarrao que ele me deu foi pra impedir que eu fugisse, e as feridas que ele me dava quando batiam em mim, nunca foram ele, mas as milhares de armas que estavam ao redor dele, que quando eu via os ângulos direito, eu podia ver perfeitamente que elas me batiam, arranharam e perfuração quando ele se movia errado.


E a grande lama coberta por todo o corpo dele, era porque ele estava em dor, e a lama parecia aliviar isso de alguma forma.


Ele quis tanto minha ajuda, e eu só continuei jogando ele pra longe, oh, pobre criaturinha.

Junto com o banho, comecei a pedir desculpas para o monstrinho, mas ele demorou muito, mas muito mesmo pra me desculpar.


Mas tava tranquilo se ele não me aceitasse, eu ainda tinha muito tempo pra gastar o limpando pra me importar com isso.


Depois de toda a dor que eu dei nele, mesmo com todo o carinho que eu demonstrava agora, eu até que entendia dele estar com medo de se abrir pra mim e eu machuca-lo quando ele tivesse distraído.


Levei um tempo imenso pra acalma-lo, mas sabia que tinha valido a pena quando consegui o acalmar e ele afagou sua cabeça em mim como um gatinho, e sem a lama e sangue em excesso, percebi que ele era absurdamente menor que eu, chegava até a ser fofinho e miudinho.


Ele era tão pequeno, que quando eu terminei a camada externa da sujeira, as correntes que o prendiam caíram no chão, por não ter mais espaço pra segura-lo.


Mas eu não fiquei com medo, com a forma fofinha do lobinho, eu sentia que ele não queria mais me machucar.


Levou várias seções pra eu terminar esse processo, mas quando cheguei na parte interna da sujeira, eu já senti que tudo valeu a pena, ficando até curioso sobre o que devia ter mais abaixo do monstro.


Gabriel: tá tudo bem ai dentro Dandara?

Dandara: sim, tá tudo ótimo, tá tudo, muito mais que nem.


E com esse pensamento, eu comecei a esfregar a parte mais profunda do monstro uma sujeira que estava com ele a tanto tempo que tanto o sangue quanto a lama petrificaram, transformando a sujeira quase em uma armadura.


Eu esfreguei, esfreguei e esfreguei, mas ainda só tirei um pouquinho daquela camada insistente de sujeira.


Frustrada, joguei a esponja pra longe, vendo que minha mão estava machucada de tanto que esfreguei o monstrinho.


E aquele momento, foi o ponto onde pensei que eu enlouqueci, pois apesar daquilo ser apenas um sonho, me senti orgulhosa daquelas feridas na minha mão, por algum motivo.


Gabriel: o que você acha que o monstro simboliza?


Dandara: ah, eu não pensei muito nisso, por enquanto eu só tô tentando terminar de limpa-lo


Gabriel: tem razão, é melhor terminar de lava-lo primeiro, depois, me diga o que você vê


Dandara: tá bom.


No fim, eu não consegui tirar toda a sujeira dele, nem quando eu completei 7 meses na casa de recuperação, mas eu consegui confiança o bastante dele pra que ele saísse da sala.


Pois, é, desde que ele parou de ser grande e intimidador, ele ficou com medo de sair do quarto que eu o prendi, pelo jeito, tinha alguma coisa assustadora no labirinto, mais do que ele era antes, por isso que ele tentou parecer um monstro.


Pelo menos foi isso que ele me contou.

Eu nem lembro o que foi que eu falei pra deixa-lo confortável pra sair, eu só tinha registrado as coisas no momento que ele começou a sair do quarto.


Uma vez afrente da porta aberta, eu vi o monstrinho dar passos fracos até a parte de fora, mostrando o quanto estava com fome e cansado.

E uma vez que nós voltamos aos corredores, vi como ele olhou pra mim, com olhos tão humanos que eu não entendia como eu não tinha visto aquela humanidade do monstrinho antes.


Dandara: me perdoe


Monstro: não, eu agradeço…aquela sujeira em mim…tava doendo, doendo muito

Dandara: então porque você colocou ela em você pra começar?


Monstrinho: porque o monstro batendo em mim dois ainda mais.


NOSSA, eu fiquei com um medo quase instantâneo só de pensar que tinha algo nesse castelo que fez esse monstrinho adorável ter que virar aquela aberração demoníaca que me perseguiu por tantos anos.


Fiquei com um medo tão grande que eu quase quis sair do sonho…quase.


Dandara: e você sabe onde esse monstro tá?


O monstrinho acabou não né respondendo, mas enquanto andávamos pelos corredores, eu vi que pelo que parece, o monstro não é srsca ali, pelo menos não agora, então só andei com ele, e quando eu cheguei perto do corredor do castelo que dava roa cozinha, eu falei pra ele.


Dandara: vem, vamos achar algo pra você comer.

Ainda não sabia o que o monstrinho era, mas pelo quão tímido e fraco ele era, comecei a pensar que ele era uma criança.


E algo que consolidou isso na minha mente foi o fato que ele pedia pra eu segurar a mão dele muitas vezes.


Um ato que, por mais que não falasse em voz alta, me deixava mais tranquila também.


Quando eu acordei naquela seçao, eu fiz questão de dizer algo bem importante pro Gabriel.


Gabriel: e aí? Como é que foi? Depois que você falou que levou o monstrinho ora fora, voce ficou bem quieta


Dandara: eu te conto os detalhes depois, mas, eu quero que você me prometa uma coisa


Gabriel: fala


Dandara: que, agente não se comunique mais quando eu tiver hipnotizada, é difícil explicar em detalhes agora, mas eu cheguei num ponto profundo do meu sonho que eu sinto que você só vai atrapalhar se ficar falando na minha cabeça o tempo todo, entende?


Eu achei que o Gabriel ia ficar com raiva de mim, afinal, ele tinha ficado junto comigo por muito tempo naquela aventura pra eu basicamente “corta-lo” das explorações dos meus olhos, mas com um rosto muito mais compreensivo, e até mesmo feliz, do que eu esperava, ele falou.


Gabriel: você ainda vai me contar detalhes do que tá rolando lá dentro?


Dandara: é claro Gabriel, sério, você não faz ideia do que eu tenho pra te contar agora


Gabriel: tem razão, não tenho mesmo, eu tô morrendo de curiosidade, então é melhor começar a falar.


Eu achei uma graça quando ele falou aquilo, então, pegando uma boa ligada de ar, eu falei tudo que eu descobri nesse tempo que eu fiquei com o monstrinho.


E assim como eu, o Gabriel ficou curioso em saber quem era o monstro que o monstrinho tinha medo…


Alguma coisa no olhar dele me dizia que ele sabia quem era o monstro, mas ele quisesse que eu descobrisse isso, interessante.


E com o Gabriel parado de interferir dos sonhos, e basicamente só me tirando da hipnose no fim da seção.


E naquela altura das seções, eu parei de distinguir quando eu tava sonhando e quando eu tava hipnotizada, porque eu tinha chegado em um ponto da minha jornada dentro do sonho onde saber a diferença dos dois não importava mais, pois desde a hipnose até os sonhos normais, eu não queria mais acordar.


Isso porque cuidar daquele monstrinho era muito divertido pra mim, mesmo que eu ainda não fizesse ideia do que o monstrinho era ainda.


E mesmo sem saber o que ele era, me senti melhor quando começei a cuidar dele como se fosse o meu filho.


Me dei a chance de fazer coisas, que antes, eu tinha medo. 


Do nada senti um pouco mais confortável em falar coisas que eu sentia vergonha.


Mas o que mais se soltou foi o meu amor por vassouras, talvez eu sempre tivesse ele, mas mesmo assim, gostei muito de me soltar, e conseguir dizer isso com orgulho.


E tudo grossas ao meu cuidado do monstrinho, cara, eu queria tanto entender o que ele era.


Mas acho que, mesmo com 7 meses e meio na casa de recuperação, eu ainda tava muito longe de entender completamente aquele mundo dos sonhos que eu tinha dentro de mim.


Mas pelo menos eu não tava muito longe de entender que eu amava vassouras, a nao, isso eu entendia bem até demais.


Dandara: EU AMO VASSOURAS. 


Eu não fazia ideia o quanto eu estava reprimindo isso, mas a felicidade que senti quando falei isso alto foi absurda, nem liguei pra quem me olhou estranho, quNdo eu tava vendo o espelho televisão, ou os magos que já se prepararam pra me pegar caso eu desse um ataque.


Eu só tentei aproveitar minha própria felicidade, e dessa vez, pela primeira vez em muitos tempo, o vazio dentro de mim não a engoliu…


Eu…não sabia o que fazer sobre isso, mas…eu ainda não me sentia pronta pra sair, não ainda, eu ainda tinha muita coisa pra ver antes de me sentir segura pra sair desse lugar.


E…bom, tentando não pensar muito nessa duração da felicidade em mim, eu tentei me focar nas vassouras por um tempo, algo bem fácil de se fazer, já que quando eu falei aquilo pro Gabriel, as minhas seçoes de hipnose da terapia pararam.


Algo que não me afetou tanto pela forma que eu podia sonhar com o castebirinto sozinha agora, e o que substituiu a hipnose foi algo bem melhor, vassourinhas de brinquedo.


No resto das seções, eu passei um bom tempo apenas brincando com vassouras de brinquedo igual a uma criança, vrooom, vrooom, vroooooooom.

Hahaha, não conseguia parar de sorrir fazendo aquelas coisas infantis, e o Gabriel parecia feliz igual a mim com isso.


E depois de várias sessões comigo brincando com a vassoura, ele colocou na minha frente uma vassoura de modelo simples, e me pediu para desmontá-la. 


Claro, apesar de eu amar vassouras, eu não terminei aquilo naquela seção, nem na seção seguinte, foi um trabalho árduo que precisou com que eu completasse meu oitavo mês lá dentro antes de conseguir.


Combinado com a leitura de vários livros que me deram pelo menos um conhecimento  amador em criar vassouras, permitindo que eu desmontasse a vassoura sem quebrar as peças. 


E mais uma vez, eu senti meu instinto, dizendo pra eu não parar, pra eu tentar mais, e pra eu pesquisar ainda mais pra aprender como desmontar e remontar uma vassoura do jeito certo.


Era que nem com a dança e com a música, em uma parte bem profunda de mim, eu sentia que as vassouras despertavavam uma paixão imensa em mim…


E quando eu percebi isso, em uma das minhas pesquisas, eu chorei, mas não de tristeza, eu não sabia que isso era de verdade.


Mas assim como no dia em que eu fiquei tão triste que eu começei a rir, eu fiquei tão feliz, mas tão feliz quando eu descobri aquilo que eu começei a chorar, pelo jeito as duas emoçoes estavam ligadas, de alguma forma.


Eu ainda não entendia por completo o porquê que a minha paixão por vassouras era tão grande, mas pra poder conseguir me fazer sentir uma felicidade capas de me deixar sem ar e sentir seu peito doendo de uma forma boa, entao eu sabia que, pra qualquer caso, valia a pena eu investir mais em vassouras.


E depois que eu consegui cuidar de desmontar as vassouras, ele me pediu  pra remonta-la toda de novo, e com mais suor derramado, noites em claro e pesquisas. Eu consegui remontar a vassoura por completo, agora tendo um conhecimento e experiência que eu sabia que não era amador.


Tudo isso enquanto falava um pouco do que eu consegui com aquela excelente experiencia.

Dandara: e apesar de tudo isso, sinto que ainda não foi o bastante


Gabriel: como assim, não é o bastante?

Dandara: se sabe, eu…tô feliz, meu corpo tá quase normal, mas eu ainda sinto pânico sempre que eu penso na minha família antiga…


Dandara: eu nunca tinha sentido pânico de verdade, e nas raras vezes que senti, não sabia o que era…


Dandara: e eu tô com vergonha, pois eu me sinto uma cadeirante que começou a andar, e está dando os primeiros passos igual a um bebê


Gabriel: e o que tem de vergonhoso nisso?


Dandara: eu tô com vergonha que…eu me permiti chegar a esse ponto, o meu corpo, eu vi algumas fotos minhas antes de entrar aqui, e sinto que eu era quase tão boa quanto um zumbi…


Dandara: qualquer pessoa podia dizer que eu não tava bem…eu mesma sabia que não tava bem…


Mais um engasgamento de emoções, é, acho que esse tipo de coisa não ia parar de acontecer comigo nunca.


Mas esse, pelo menos, não demorou pra vomitar as palavras.


Dandara: mas eu não me ajudei, eu me repreendi e falei que precisava tentar mais, quando eu devia ter descansado…


Dandara: eu tô com vergonha por ter quase me destruído, meus antigos pais não fizeram isso comigo, eu mesma fiz.


Quando falei aquela última parte, sinto que foi por muito pouco que eu não tive outro ataque de tristeza capas de me fazer rir.


Mas acho que eu sei sorte, porque eu sentia a tristeza vindo, mas não no nível que eu tive na biblioteca naquele dia, pelo menos por enquanto.


Eu tinha visto o Gabriel ouvir cada palavra do que eu disse, e ele esperando eu me recuperar do que eu mesma falei, então ele mesmo falou.


Gabriel: todos cometem erros, Dandara, você não é exceção, sim, seu erro foi mais extremo, mas olha pra você agora, você está batalhando para garantir que esse erro não se repita


Gabriel: e apesar de tudo, não tem nada de vergonhoso em demorar pra admitir que está com problemas


Gabriel: acredite garota, eu já perdi a conta de quantos pacientes já atendi que começaram com a frase “isso deve ser um engano, eu não sou um Singular” 


Dandara: hmhmhm, eu tive uma ajudinha


Gabriel: e você decidiu escutar essa ajuda, muita gente tem medo de entrar nesse “mundo novo” onde elas não são “normais”


Eu vi muito bem como o rosto do Gabriel se encheu em ódio auNdo ele pronunciou a palavra “normal”, e com o tempo, eu já tava começando a entender como a palavra “normal” era uma palavra tão ruim quanto a “maldição” mas eu ainda ia chegar lá.


Gabriel: e apesar da vergonha e medo, você entrou no mundo estranho que você sempre fez parte e tentou melhorar.


E quando ouvi isso, eu vi um sorriso cheio de orgulho dele, e essa parte eu entendi bem o que significava.


Gabriel: então, não sinta vergonha por ter demorado tanto, apesar de ser tarde, você veio, você está melhorando, e você está quase saindo daqui, então fique apenas calma e deixe que seu corpo receba a recuperação que merece.


Aquelas simples palavras fizeram a tristeza no meu coração diminuir muito, a ponto de me afundar na poltrona que eu tava, até quase ser engolida por ela.


Depois eu respirei fundo várias vezes, ainda não acreditando no quão simples, tranquilo e relaxante era apenas respirar. 


Aquilo não conseguia passar por minha cabeça, mas em meio ao meu relaxamento, outra coisa passou por minha cabeça, e falei sem pensar.


Dandara: mas eu também…tenho medo


Gabriel: medo do que?


Dandara: de piorar, eu me sinto melhor, eu sinto que, estou me tornando uma versão de mim, diferente de tudo que eu já fui…


Dandara: e mesmo assim…eu tenho medo que eu tenha um dia ruim e…piore, e desça pra um ponto ainda mais fundo no grande poço de nada que eu estava


Dandara: porque essa era a realidade, eu não era um poço de tristeza, eu era um poço de NADA, nem a tristeza, nem a raiva e nem o medo conseguiam me afetar. Eu era…vazia por dentro…e eu tô com medo de ficar pior que isso se algum dia eu acabar tendo uma recaida


Eu senti meu vazio voltando com força total quando falei aquilo, ao mesmo tempo, eu também pensei “ora quem diria, acho que não existe ninguém melhor do que o Gabriel para presenciar isso”.


Porque, achonque a única pessoa que iria saber lidar melhor com o que eu acabei de falar, seria o meu Príncipe, mas o Gabriel era uma boa segunda opçao também.


E a resposta que ele deu pra mim deixou isso ainda mais claro pra mim.


Gabriel: sabe algo interessante Dandara, é que tá tudo bem em cair, piorar depois de uma grande melhora, algo assim é até bem comum em Singulares, mas me responde aqui, você tem certeza que, depois de tudo que você já passou, você chegaria em um estado ainda pior do que você estava? 


A pergunta dele me pegou de surpresa, mas fiquei em dúvida tempo demais pra responder isso.


Gabriel: Pois na minha visão, essa nova Dandara é muito diferente da Dandara que eu conheci na primeira seção, você não iria cair tão feio, você poderia cair, mas não cair de volta ao zero.

Eu não respondi, mas o meu coração concordou com ele, e éra algo que ele com certeza percebeu também.


Eu ainda achava estranho como meu corpo ainda parecia fazer coisas sem eu notar ou permitir, mas sinto que eu ainda tava longe de pensar no que isso devia significar, pelo menos ainda.


Gabriel: e no pior cenário, onde você está tão ruim da cabeça que você não consegue mais se regular ou se manter positiva a ponto de realmente voltar ao fundo do poço, você tem muitos amigos, amigos que te amam, amigos que não permitiriam que você ficasse daquela forma de novo…você não vê Dandara? Você não está mais no fundo do poço.


Aquelas últimas palavras, me atingiram mais forte que qualquer golpe que eu já recebi em toda a minha vida.

A minha mente ficou confusa por alguns instantes sobre o que eu deveria sentir, e que tanto ela quanto eu, entendemos melhor o que seria melhor pra nos sentirmos naquela hora: tristeza, fazendo meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu ainda segurei minha postura, porque eu sentia que algo ainda mais incrível estava chegando, então eu perguntei.


Dandara: e onde eu estou agora?


Gabriel: você está no mundo, antes voce estava no fundo do poço, onde você só podia olhar e desejar ir pra cima, mas agora você pode olhar pra esquerda, pra direita, pras diagonais…


Dandara: pra frente.


Parafraseei, enquanto demonstrava minha vassoura, que eu tinha acabado de montar. E o Gabriel riu largamente quando eu fiz isso.


Ela estava linda, e naquele momento eu senti, uma felicidade primordial, algo diferente dos outros tipos de felicidade que já senti até agora, essa, era uma felicidade que só podia sentir porque eu me esforcei pra conseguir montar e remontar essa vassoura, e eu amei o conhecimento que eu consegui pra fazer isso, junto do esforço que usei pra fazer isso possível.

E por último, mas não menos importante, eu amava o trabalho final, no segundo ponto mais profundo do meu coração, com o primeiro ponto sendo  lugar do meu Príncipe e nada mais.


Contemplando a vassoura, devaneiei um pouco sobre esquadrões e mais esquadrões de bruxos voando com as linhas de carros com a assinatura de Dandara Rodrigues, e o sentimento que senti nesse devaneio foi tão bom que fiquei de pé, senti meu peito batendo rápido e meu ar falhando, mas de alegria, felicidade e muito amor. 


Era uma forma estranha e doida de perder o ar, mas muito bem vinda. E com alegria invadindo tanto meu ser que eu comecei a pensar que eu ia começar a chorar lágrimas de felicidade de novo, eu levantei minha vassoura no ar, e falei.


Dandara: é isso…EU SEI QUEM EU SOOOOOOU!


Gabriel não falou nada, apenas continuou olhando para mim com uma grande alegria, e como uma garotinha, olhei pra ele um bom tempo, até ouvir.


Gabriel: bom, acho que já chega por hoje, pode ir.


Era a primeira vez que eu saia do Psicomago antes da hora, mas de certa forma, eu sentia que aquilo era o melhor mesmo, eu tinha tanto a fazer, e tao pouco tempo tempo. Tu me sentia tão cheia, e tão vazia, tão cansada e tão agitada, tão dura e tão mole, tão irada e tão tranquila. 


Era como se todos os extremos de meu corpo estivessem tendo uma briga, com quase nunca tendo um vencedor, mas quando tomei banho, todos chegaram num consenso que precisávamos relaxar, e apesar de ainda estar claro lá fora, me deitei na cama e tirei um cochilinho, e a Leide apenas olhou pra mim, feliz com o que eu já consegui, enquanto as Psicomagas me olhavam, pensando no que poderiam fazer agora, mas nem pensei nisso, e apenas dormi um pouco mais.

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