Quando eu fui colocada dentro dessa casa de Reabilitação, eu já tava preparada pra esperar o inesperado, mas o fato que a própria princesa frequentava de forma bem frequente casas de reabilitação, foi algo que até mesmo me pegou desprevenida.
Mas não deixei aquilo me distrair muito pois enquanto eu mesma dançava em meu quarto, pensava um pouco sobre as coisas que o Antônio me falou antes, sobre o que significa ser um homem, e eu comecei a pensar um pouco sobre, o que significa ser uma mulher?
Eeeeee, eu queria, queria mesmo perguntar pra ele isso, mas…algo em mim dizia que fazer isso seria trapaça, mas será que eu poderia usar minhas próprias experiências como referência?
Bom, tinha algumas pessoas novas que eu podia usar como referência, tinha a Jakelinemãe do grande Alaric, a pessoa que, no fim de tudo, acreditou em seu filho até quando ele próprio não acreditava em seu próprio valor.
Mahara, a grande exploradora, que mesmo depois de muitas explorações, e muitas descobertas, que lhes deram um título que a garantia uma vida de riqueza e conforto solitário, ela ainda se casou com um gigante e até desafiou o tempo para ficar eternamente com ele…
E tinha a Lady Marcela a mãe do Antônio, como eu poderia começar a falar da mulher que basicamente me salvou?
Sim, o António pediu ajuda dela, mas foi ela que conseguiu me ajudar, e quando a conheci pela primeira vez, eu conseguia ver a semelhança dela com meu Príncipe antes dela falar uma única palavra, e quando ela começou a falar, vi como ela influenciou muito mesmo meu Príncipe.
E eu também criei um elogio de “parceira de sofrimento” com ela, pois mesmo só bando, e sendo em menor intencidade, percebi na hora como ela tinha passado por muitas coisas tambéme tentou salvar seu filho de cometer o mesmo erro, hehe, acho que a maçã não cai longe da árvore mesml.
E como eu não poderia falar da grande rainha das fadas, Dinestas, uma guerreira lendária, que foi conhecida por unificar todas a raça de fadas, que estavam em guerras constantes na sua época, tentando exterminar umas às outras, e ela unificou todas elas, acompanhada de seu Rei, que ajudou a unir fisicamente todas terras das fadas.
4 mulheres, 4 mundos totalmente diferentes e 4 formas de lidar com seus próprios problemas, mas elas tinham algo em comum?
A primeira coisa que consegui pensar foi a forma como elas insistiram, Jackeline nunca desistiu de seu filho, a Mahara nunca desistiu de suas explorações, mesmo quando ela perdeu um olho e um braço, e a Lady Marcela nunca desistiu de seu filho…
Tinha mais coisa? Eu pensei, pensei…e pensei mais, chegando o resultado que…elas eram diferentes demais pra eu encontrar um padrão.
No meio desses pensamentos, pensei em algo interessante.
Que, de um jeito ou de outro, todo adulto era diferente, até mesmo os adultos conservadores que tentavam impedir com unhas e dentes todos de evoluírem, tinham as próprias diferenças.
Então, onde eu poderia descobrir um lugar que essas mulheres incríveis começaram?
Bom, se eu quisesse encontrar o “centro” delas, teria que voltar um pouco, antes delas serem adultas “formadas” até um certo ponto.
Demorou, e foi necessário muita pesquisa e muitos favores dos magos pra conseguir o que eu wueria, mas consegui a bibliografia dessas 4 mulheres, a Jackeline, segundo os registros, era uma moça comportada e educada, alguém “aceitável” para a época que eles viviam.
Mas quando o Alaric foi declarado um Singular, ela abandonou tudo, e todos pelo amor ao próprio filho, e não apenas isso, ela continuou cuidando dele, e toda criança nova que seu filho acolhia abaixo das próprias asas.
Era interessante que, enquanto Alaric era considerado o irmão mais velho, a senhorita Jakeline era chamada de “a mãe de todos os Singulares”.
Era interessante como o livro não poupou esforços pra explicar como a Jackeline tinha um sentimento de cuidado, amor e carinho que fez muitos Singulares traumatizados, confiarem nela numa forma que não podiam confiar nem no Alaric.
Ela conseguia acalmar os Singulares com Singularidade mais instáveis de formas inacreditáveis e até manteve viva a vontade dos Singulares de não quererem ser apenas monstros, e irem atrás do seu lugar no meio da sociedade.
Muitos livros contam as façanhas de Alaric, mas era impressionante o quanto de coisa o mais importante Filo-Arcano da história só conseguiu graças a sua mãe.
E depois de ler aquilo, eu fechei os olhos um pouco, pois mesmo que minha infância não fosse a das melhores, ela ainda tinha coisas o suficiente pra eu lembrar de toda a glória que o Alaric guardou pra mãe.
Se minha memória não estivesse errada, o Grande Alaric fez templos dedicados a mãe, estátuas maiores e mais bem conservadas que a dele, e até grandes galerias de músicas, todas dedicadas aos grandes feitos da mãe.
Em algumas extençoes de história, ele até se importou em conservar a história da mãe mais que a dele.
Enquanto seu pai, ele era apenas mencionado de forma bem breve a todos os momentos do livro, como alguém desprezível, que descartou Alaric no momento em que descobriram que ele era um Singular.
Mas eu notei logo de cara que parecia como se quem escreveu o livro tivesse medo de contar sobre ele, como se ele precisasse ser esquecido.
Eeeeeita, não era à toa que tantos singulares simpatizavam tanto com Alaric, se o pai dele era tão ruim que ele mal era mencionado na história, era porque a situação dele era seria mesmo.
Eu queria olhar com calma o registro das outras, mas algo naqueles textos, fez algo mais primário ascender dentro de mim.
Era uma sensação diferente da felicidade, não era sequer um sentimento, era como um desejo primordial gravado em minha alma.
Algo que eu sentia que sobreviveu por gerações de minhas ancestrais até chegar a mim e ser ascendido novamente, era isso que as pessoas chamavam de “instinto”?
E o instinto de meu peito era bem claro, “eu quero cuidar de algo”.
Hehe, muitas Princesas não iriam concordar comigo, mas eu queria poder abraçar alguém, fazer carinho nessa pessoa, ver ela crescer e se tornar mais forte e no fim, sentir um vazio quando essa coisa se desprender de mim.
Era o que minha alma dizia, era meu instinto, minha natureza…igual a Jakeline…mas por mais que eu amava descobrir aquilo sobre mim, não era o suficiente, eu não era um animal para me guiar apenas em instintos.
O segundo registro, o registro de Mahara, me contou como os Sapiens e Gigantes estavam passando por uma época turbulenta quando ela apareceu.
Uma epoca onde nenhum navegador conseguia ir muito longe no mar branco por causa dos piratas, e de outros perigos que o grande mãe branco escondia.
E depois de anos se preparando pra entrar nele, a Mahara se jogou no mar com uma tripulação robusta, viril e confiável, disposta a conquistar o 7 mares brancos, bem acima das nuvens, ninguém pediu para ela fazer isso, ela fez tudo por que quis.
Muitos leigos sexistas diriam que ela não tinha noção de onde ela estava se metendo, pois ela era uma mulher.
Mas também tinham alguns realmente preocupados com ela, pois eles sabiam que quando se punha “piratas” e “mulheres” na mesma frase, quase nunca terminava bem.
Mas diferente do que eles pensavam, a Mahara não só sabia muito bem onde tava se metendo, mas também onde precizava “se meter” primeiro, se quisesse ficar viva.
Tinha até um registo de algo que ela falou pra um entrevistador da época.
Dandara: “eu apenas sou uma tartaruga no meio de lebres. No conto da lebre e da tartaruga, a tartaruga ganha pois tem total noção das suas fraquezas e por isso ela nunca para de andar, eu só vou entrar no mar, pois sei bem até demais as minhas próprias fraquezas.”
Ciente de suas fraquezas e as fraquezas de sua tripulação, a Mahara entendia quem do seu bando era covarde, quem era impulsivo e quem era corajoso, então ela sempre sabia o que falar pra cada um na hora de uma batalha naval.
Ela se dava o trabalho de sempre parar em ilhas pequenas para conseguir o máximo de informação possível dos monstros, piratas e até do mar em si que ela estava entrando como onde o mar branco ficava menos denso fazendo alguns navios de piratas gigantes caírem.
Muitos acreditavam que Mahara era uma exploradora impulsiva que se jogou no mar e teve sorte de sobreviver, mas aquela maga teve tudo, literalmente tudo com ela, menos sorte.
Pois ela vagou por aqueles mares, mapeou mais de 1 milhão de ilhas diferentes. Capturou mais de 500 navios piratas diferentes, e os fizeram nunca mais ver a luz do dia…
Mas um dos feitos mais famosos dela foi como ela também afundou mais de 1 milhão de navios piratas em sua carreira.
Até derrubando o navio daqueles que todos diziam ser “o rei tirano dos mares”, que tinha até feito o navio dele ser acoplado a um Kraken.
Nossa, o registro dessa batalha devia ter sido bem sinistro de anotar.
Graças a Mahara, as águas do mar branco ficarem mais seguras, não livres de piratas, mas muito mais fáceis de navegar do que antes dela começar sua jornada.
A Lady Mahara foi alguém muito importante pra história do reino, tanto pela mentalidade das pessoas, que viram o que ela fez, e começaram a levar mulheres mais a sério, como pra mente de várias jovens damas, que depois de ouvirem a história de Mahara, desejaram imita-la, ou tentarem carreiras que, naquela época, não eram pra garotas. em
E claro, ela foi mais que essencial pra mais de um milhão de animais, espécies de gigantes, espécies de plantas, e ilhas em geral serem descobertas bem mais pra frente.
Um dos livros mais famosos que ela fez foi um clássico de “comoidad com piratas” tinham coisas naquele livro sobre batalha naval, e até situações mais extremas como, “o que fazer quando os piratas sequestraram seu capitão”.
E mesmo precisando de algumas modificações ao longo daa eras, segundo os registros, aquele livro era útil até os dias de hoje, hummmmm.
Em um dos registros, tinha até uma frase dela, com o jornalista que a entrevistou, perguntando por que, por que ela fez tudo aquilo? Uma pergunta que eu estava fazendo eu mesma tambem, e a maga apenas respondeu.
Dandara: “bom, senhor jornalista, desde que eu era pequenininha e ainda brincava com minhas bonecas, eu sempre perguntei a mim mesma: pelo que eu, Mahara Galilei ficaria conhecida na história? Eu queria ser lembrada, e ter uma história que transcendence até meu sobrenome, pois se eu conseguisse, então eu me tornaria imortal”.
Eu…fiquei confusa com essa última parte, mas logo, eu entendi com o resto do registrondela, pois pelo jeito para Mahara, as pessoas não morriam depois de, pararem de respirar e serem enterradas, naonaonão.
Para aquela maga surpreendente, as pessoas apenas morriam quando eram esquecidas, algo que a fazia pensar que o Grande Alaric era alguém imortal, mesmo quando ele fosse sepultado.
Dandara: “não importa o quão vivo ou morto você acha que esta, apenas as lembranças das pessoas de você podiam dizer se alguém existiu ou não, se ninguém lembrar de você, o que pode dizer que você sequer existiu?
Ler aquela fala da Mahara me fez olhar pro chão, por um bom tempo.
Ou melhor eu só fiquei olhando as páginas, não conseguindo registrar tudo que eu li, até que lágrimas sujaram as páginas, enquanto eu não conseguia parar de rir.
Meu peito tava doendo muito, com um sentimento que eu não conseguia decifrar o que era, e o fato de eu não entender so me fazia ficar ainda mais desesperada, e o mais doido foi que esse sentimento desconhecido do meu peito não sumiu, na verdade, o desespero pareceu só deixar ele mais forte.
Eu sabia que não era medo, nem raiva. Que eu já tinha entendido que era intenso assim, era algo, ainda pior.
Eu devia estar fazendo uma cara assustadora, mas as risadas e as lágrimas não paravam, o que era isso? O que era isso? O que era isso?
Eu tentei ao Massimo descobrir que sensação era aquela, até que eu senti que…o que eu tava sentindo no meu peito era “tristeza”.
Mas isso não fazia sentido nenhum, não tinha como a tristeza ser tão forte e intensa assim…não é?
Aquela dúvida, por algum motivo, fez eu cair no chão, ainda chorando e rindo muito pra sequer me manter em pé.
Até que euvi um par de sandálias na minha frente e quando eu olhei pra cima, e a minha visão embaçada pelas lagrimas mostrou a Leide, me olhando como se nem tivesse impressionada que eu fiquei daquela forma, por favor, que não fosse a Frenetica hoje.
Leide: você tá rindo ou chorando?
Dandara: EU NÃO SEI O QUE DIZER!
Graças a Deus, era a Leide Tranquila hoje.
De alguma forma, ter a Leide do meu lado, sem ficar impressionada com meu estado atual, me acalmou bem devagar, e quanto mais eu me acalmava, mais eu sentia que aquilo que eu senti agora era tristes, uma tristeza bem intensa, mas ainda tristeza.
Mas eu senti que, o que eu senti não era só tristeza, era tristeza misturada com outra coisa, eu só não sabia o que era.
A Leide não mostrou nenhuma reação, ela apenas me viu enlouquecendo, se manteve calma e tirou qualquer coisa que podia me machucar de perto de mim.
E considerando meu estado, não a culpava.
E quando as risadas pararam e as lágrimas não, a Leide perguntou.
A Leide ficou bem quietinha, como se esperasse que eu confessasse ou perguntasse algo antes de me perguntar qualquer coisa.
Dandara: Leide
Leide: hum?
Dandara: é possível ficar tão triste, mas tão triste, que você da risada?
Leide: acho que você acabou de sentir na pele que, sim, é possível
Dandara: e da pra impedir isso de acontecer de novo?
Leide: até da, mas se você quer me ajuda pra isso, vou ter que te perguntar uma coisa, o que aconteceu?
E quando eu comecei a pensar um pouco do “porque eu fiquei assim?” Me senti com um pouco de vergonha, eu sabia que a Leide não iria me julgar, mas ainda tava com vergonha de falar isso pra ela.
Dandara: ah, nada demais, eu só acabei de perceber que, antes de vir pra cá, eu estava morta, mesmo estando viva
Leide: segundo quem?
Dandara: segundo a Mahara…eu(arfa) estava viva, mas(arfa) ninguém sabia que eu existia(arfa), nem(arva) mesmo(arfa) eeeeeeeeeeu(arfa).
Eu tava sufocando, eu respirava forte, tentando pegar ar, mas era como se ele fugisse de meus pulmões.
Eu não tava conseguindo respirar, meu coração tava batendo muito rápido, ai, ai, ai, meu coração, meu peito estava doendo demais, minha respiração tava piorando, e tudo ficou embaçado.
Não conseguia sentir nada, ver nada, eu estava em chamas, e suando frio ao mesmo tempo, apenas pensando na morte, EU VOU MORRER, EU VOU MORRER, EU VOU MORRER.
Não sabia o que estava acontecendo comigo, mas era óbvio que estava quase chegando no clímax, até que eu ouvi uma melodia calminha de um ukulele.
GAROTINHA E GAROTINHO
Garotinha loira, no alto de uma montanha.
Pegue um girassol e mostre sua barganha.
Garotinho ruivo, no meio da praia.
suba numa árvore e saboreie a papaia…
Ela continuou recitando aquela música estranha, e em cada verso, senti meu stress diminuindo, senti meu coração relaxado e senti meu ar voltando aos pulmões, no momento em que minha concentração foi puxada totalmente pra música.
A dor e o tristeza extrema ainda estavam ali, mas a música a enfraquece.
He, mais uma vez minha mente foi salva pelo milagre da música.
E quando eu respirei fundo de novo, vi que a musica ja tava no 53 verso
garotinho albino, no meio da estrada…
Dandara: quantos versos tem essa musica?
Leide: os meus nunca acabam.
Depois de dar uma risada sincera com a Leide, me senti tranquila de novo, com aquela tristeza gigantesca dentro de mim se acalmando e indo dormir.
E depois de respirar fundo várias vezes, e limpar meu rosto com um pano que (estranhamente) Leide tinha com ela, a Sapien me perguntou de novo.
Leide: o que aconteceu?
Dandara: hehe, você não ouviu, ninguém sabia que eu existia, eu era tão insignificante para as pessoas que eu me importava que eu sequer seria lembrada, mesmo se eu morresse hoje, no dia seguinte ia ser como se eu sequer tivesse existido pra eles, eu já estava morta, eu só não sabia disso
Leide: e isso mudou?
Dandara: mas é claro, a minha nova família é adorável, eles gostam de me dar roupas, de passear comigo, de me dar doces, hummm, docinhos de chocolate e morango.
Enquanto descrevia aquilo, fiquei feliz, ao mesmo tempo triste naquelas contemplações.
Dandara: e…eu não conseguia sentir nada daquele amor, o amor incondicional deles, todos os doces e as regalias que me davam, era algo que eu não estava acostumada, e a minha Singularidade não entendia que eu tava seguranja, então eu não pude sentir nada daquilo direito
Dandara: e por causa disso, além de outros motivos, meus pais adotivos me levaram pra fazer o teste de Singularidade…
Quando me lembrei do dia do teste, pensei como aquele foi um dos dias mais calmos da minha vida, ao mesmo tempo que foi um dos mais loucos também.
Eu fiquei em choque, quando descobri minha Singularidade, pensando que eu estava condenada por ser uma Singular, pois isso foi o que meus pais fizeram eu acreditar que tinha.
E desde aquele segundo, eles tentaram me ajudar, e lembrando do que o Psicomago responsável por me testar disse, eu ri de forma descontraída e falei.
Dandara: eu ainda me lembro do que o Psicomago que me atendeu falou pra mim. “Relaxa, você tá segura agora, agora você tem um nome pro seu problema…”
Leide e Dandara: “...e não importa o quão difícil uma condição seja, quando você tem um nome pro que você tem, tudo fica mais fácil.”
Eu fiquei uns bons minutos só pensando no que eu acabei de ouvir da Leide Tranquila, e quando me recuperei, ela falou.
Leide: é uma frase simples, mas pode fazer milagres pra alguém que pensa que é uma aberração.
Eu não tinha nada a acrescentar o que ela disse, ela apenas falou verdade atrás de verdade, e tanto eu quanto minha alma podíamos apenas balançar a cabeça, concordando com ela.
Dandara: (suspiro) tô com saudade dos meus pais, agora que eu tô melhor, sempre que eu me lembro de como eles me amam, sinto um pouco de ansiedade pra querer sair, voltar a sentir o carinho e os abraços também, mas sei que ainda não tô pronta
Leide: é o que você acha?
Dandara: é o que o meu instinto dia…e…eu tô tentando ouvir melhor ele agora
Leide: hehe, ótimo, e eles te dizem mais o que?
Dandara: você primeiro, o que o seu instinto diz?
A Leide Tranquila não se hesitou nem por um segundo quando ela chegou perto de mim, fez carinho na minha cabeça antes e falou.
Leide: ele diz pra eu te deixar calma, e te guiar nesse caminho doido que você tá entrando, como sua veterana nesse mundo novo
Dandara: hehe, que engraçado, o Antônio falou a mesma coisa antes…mas…acho que tô sentindo algo, um pouquinho melhor agora
Leide: não tô nem surpresa maisz e o que que você tá sentindo melhor?
E mais uma vez, eu me senti engasgada de emoçoes, mas era uma sensaçao mais essa de acontecer, a de que eu tinha tanta coisa pra falar que engasgou na minha garganta, até que eu “vomitei” minhas palavras pra fora.
Dandara: eu…quero…eu quero ser amada, eu quero amar as pessoas, eu quero…eu quero que alguém diga que se sente em casa quando tá perto de mim, assim como eu me sinto em casa quando estou perto do meu Principe
Leide: hummm, legal, mas me diz, o que o seu instinto diz sobre você ficar sozinha?
Eita, só agora eu percebi que, eu falei bastante sobre o que eu queria fazer pelos os outros, mas o que eu queria fazer por mim?
Wow, isso me atingiu bem mais sério do que achei que atingiria, e quando pensei um pouco demais nisso, começei a escavar as partes mais profundas da minha alma, de uma forma que nem eu sabia direito o que tava fazendo.
Eu fechei os olhos, e estava no meio de uma escavaçao, eu escavei os meus medos pra fora, depois escavei as minhas restriçoes morais, e depois de caçar por muito tempos cheguei nos meus sentidos, que logo depois escavei de forma mais profunda também.
Eu escavei tudo, camada por camada, tentando encontrar algo primordial, algo que eu pudesse sentir quando tava sozinha, algo que não era tristeza.
E nem aquela emoção sinistra que minha mente insistia dizer que também era tristeza, ao mesmo tempo que eu não queria admitir que era tristeza tambem
Algo que me fazia conseguir ser solitária sem o pior acontecer comigo, e não consegui muita coisa, ou meljorz assim como falei pra Leide Tranquila.
Dandara: nada, não encontrei nada
Leide: tranquilo garota, não é como se você fosse conseguir descobrir tudo de primeira
Dandara: mas eu já tô aqui a meses
Leide: e tem gente que tá aqui a anos, e não tem o progresso que você tem, não se esqueça, essas coisas levam tempo, você não ficou assim do dia pra noite.
Eu queria argumentar com o que a Leide falou,umas eu não tinha tempo, a minha parte mais pessimista quis distorcer o que ela falou em algo pra me fazer me sentir ruim.
E enquanto eu lutava com minha própria cabeça pra eu me manter calma, acabei não tendo mais chance de discutir com elas antaoz decidindo perguntar a Leide sonre outra coisa.
Dandara: então…o que você acha da Princesa?
Leide: ela é ótima, é gentil, alegre e boa de papo, e uma das pessoas mais doces que eu já conheci
Dandara: é mesmo né?...não quero parecer insensível, mas…você não acha incrível que ela consiga ser tão feliz assim?
Leide: você também notou? É difícil dizer o que é, mas aquela garota tem um brilho estranho, como se ela tivesse um anjo a protegendo
Dandara: pois é.
E eu tava a pensando que só a Princesa Isabely tinha esse dom de falar comigo, agora mesmo, eu conversava com a Leide Tranquila, de uma forma tão calma e organizada quanto eu tava falando com a Princesa Isabeli a alguns segundos atrás.
Eu já tinha feito amigas no mundo lá goraz mesmo antes de vir pra cá, a Lady Saytus, apesar de nunca ter me visitado, pela forma como ela me tratava desde que nós conhecemos, me fez sentir que ela fosse minha amiga, mesmo que eu não tivesse oficializado isso.
Mas até aquilo era diferente do que eu e a Leide estávamos passando agora.
Assim como eu sentia que eu e o meu Príncipe iríamos ficar juntos por todo o sempre, algo também me dizia que eu ia ser a melhor amiga pra sempre dá Leide, mesmo depois de nós sairmos dali.
E se era o meu instinto que tsva falando isso então ele tava muito mais certo do que eu imaginava.
E depois de conversar um pouco mais com a mulher que eu já sabia que seria uma das melhores amigas da minha vida, nos dias voltamos pro quarto e eu voltei a dançar.
E sorrindo em meio a minha dança, deixei meus pensamentos saírem soltos, me permitindo pensar em tudo que eu quisesse.
E enquanto meus pensamentos doidos vagavam prós pontos mais longínquos da minha cabeça, eu cheguei numa conclusão peculiar sobre meus questionamentos sobre mulheres, garotas e adolescentes…
Uma conclusão que, quando eu pensei um pouco mais, eu encontrei resultados tão extensos, doidos e absurdos, que eu também pensei pensei como eu tinha muita coisa pra conversar com o meu Príncipe na próxima visita dele.

