Aviso, episódio de 3000 palavras
Apesar das melhorias, os próximos dias foram muito mais do mesmo, com a simples diferença que agora, eu dançava em meu quarto, sempre fechando os olhos e imaginando a mim mesma no simples vazio, com a escuridão apenas tentando me engolir e meus passos de dança a mantinham afastada de mim.
A falta de música nos primeiros passos ajudou nisso, pois antes de preencher esse vazio com coisas, queria pelo menos ter um propósito simples, algo que...eu poderia chamar de meu, algo que, mesmo naquela escuridão, conseguia se manter sozinha, algo que não ia ser engolido, ou esquecido quando eu preenchesse aquela escuridão de outras coisas, algo que, apesar da minha fraqueza, ainda estava comigo, demorou bastante para eu descobrir aquilo, mas quando descobri, senti meus passos ganhando graça, calmaria, e frieza.
Sorrindo em um espaço de vazio total em minha mente, encontrei uma cor, algo que, antes de tudo, antes de qualquer coisa a contaminar, pintou o escuro infinito de uma cor.
Talvez tudo ficasse mais colorido depois, mas agora, ela apenas estava azul, meu mundo inteiro se tornou azul e quando abri meus olhos, vi minhas mãos se movendo pra cima, pra baixo as pontas de meus pés calmamente desenhavam no chão, com cada parte do meu corpo, mesmo desengonçada, ainda estavam cheias de sentimentos.
E quando olhei pro lado, vi a Leide, ah, graças a deus, era Leide Tranquila. E não sei porque, mas naquele simples momento onde a encarei, percebi que aquela não era mesmo a primeira vez de Leide na casa de reabilitação.
Claro, ela ja tinha me contado isso, mas depois de passar quase 3 meses ali que eu sentia de verdade o quanto ela era diferente de alguém que tava ali pela primeira vez como eu.
A calmaria dela, o olhar tranquilo e a falta de dor. Nada daquilo era de uma Singular da dupla face normal, ela já tinha o próprio chão, as próprias ideias, e próprias soluções, e sorrindo, ela parecia estar prestes a me contar um ou dois de seus segredos e eu tava quase salivando pra descobrir.
Leide: tá pronta pra, um pouco de música?
Dandara: pode apostar nisso.
E de forma simples, ritmos simples, como um bater de palmas, e assovios começaram a ser soados pela Leide, e cada um deles conseguiu me pegar de forma que eu nem conseguia descrever, melodias pintando o azul de minha alma com várias cores, as batidas fortes eram cheios de verde e marrom, dedilhados simples cobertos de rocho, ciano e branco, e as cortadas intensas faziam um escaldante vermelho emergir no fundo de minha alma.
E eu sentia um sorriso em mim, do tipo que enchia todo meu mundo de amarelo com o som das minhas risadas, risadas de verdade, um "hahaha", que eu podia agora fazer, sem que o meu Príncipe estivesse por perto.
Claro, eu podia ficar feliz, mas eu ainda queria muito ficar feliz com ele, e não sozinha, mas tava tudo bem, pois depois que o som acabou e os movimentos pararam, tudo continuava azul, e ofegante, apenas falei a Leide.
Dandara: ok, acho que já chega por hoje, hehehe.
E esses dias continuaram, comigo melhorando, até chegar no ponto onde eu consegui ficar 4 horas inteiras conseguindo manter meus sentimentos, mas 4 parecia ser meu limite diário, pois quando um pouquinho dessas 4 horas passavam, o vazio parecia voltar, muito mais violento, e pronto pra me vingar pelas 4 horas que eu fiquei feliz naqueles dias.
Era engraçado em certos níveis, pois, agora que eu entendia o que era ficar feliz, triste, irritada, com medo e com vergonha. Além de várias outras coisas, as outras 20 horas que eu ficava Vazia, pareciam bem mais pesadas do que o normal.
O Gabriel falou que era normal, que nesses "momentos de transição" como ele falou, a dor parecia sempre aumentar, mas que iria melhorar com o tempo.
Bom, e considerando que foi o Gabriel que me ajudou a manter meus sentimentos "ativados" por tanto tempo, eu tentei acreditar nele, mesmo sendo bem difícil também pelo quão doloroso era aquela "transição", ela era muito, mas muito dolorosa mesmo.
Mas nem tudo foi desgraça, pois em meio a minha melhora, consegui relatos de bom comportamento o bastante pra ter permissão para ir pra fora do meu quarto.
E em um dia qualquer, eu sai do meu quarto, acompanhada por um Mago, até uma das áreas que agora, eu tinha permissão pra ir, eu fiquei feliz, mas com um pouco de medo também, de acabar não gostando do que ia ter na outra sala.
Enquanto andava pelos corredores, vi que, além das linhas, também tinham vários números entre os corredores, e pelo que eu via, os corredores número um, eu já podia passar, mas pelo jeito, os de nível 2 eram muito pra mim ainda, e quando vi isso, eu nem tentei os corredore nível 3, pois ja sabia que não ia acabar nada bem pra mim.
No caminho, vi uma pequena biblioteca em um corredor 1, um pequeno ginásio e até uma sala de jogos, mas a sala de jogos era nível 2...Algo em mim dizia pra eu entrar ali, aaaaah, então eu gostava de jogos também? Bom saber.
A sala aonde eu acabei era uma sala comum, pelo menos superficialmente, era uma sala cheia de cadeiras e mesas, com alguns outros singulares jogando cartas, conversando ou vendo algo em um espelho-televisão grudado no teto.
Não querendo falar com muita gente em meu primeiro dia nessa sala nova, eu so fui até o ponto mais tranquilo e vazio do lugar e comecei a assistir seja lá o que estivesse no espelho-televisão na hora, e a história de hoje parecia ser um seriado sobre uma bruxa que era regularmente visitada por uma princesa que não gostou do final de seu "felizes para sempre".
O episódio de hoje parecia ser sobre a princesa querendo ser posta em uma maldição do sono eterno de novo, e pela cara dela com os bebês, era claro que o "beijo de amor verdadeiro" não iria funcionar dessa vez.
Dandara: nossa, HAHAHAHA!
Essa era uma das séries que o meu príncipe falou sobre "amor verdadeiro que deu errado?" Provavelmente, enquanto estava aproveitando o programa, uma das magas se aproximou de mim e perguntou.
Maga: ola, você quer ajuda pra falar com os outros?
Dandara: ah não, eu já falei bastante esses dias, eu só quero relaxar um pouco agora
Maga: ta bom.
E assim como falei pra Maga, eu só continuei relaxando e vendo os programas, até que vi outro seriado que era sobre um ogro que sequestrava uma princesa como um conto, mas ao invés de devorá-las do jeito tradicional, ele apenas passava um tempo com elas e relaxava.
E pelo jeito, todas as princesas já conheciam o ogro e usavam o sequestro dele apenas para relaxar e tentar ficar longe dos deveres de princesa por alguns dias antes do cavaleiro estragar a festa dos dois.
Me senti mal vendo o ogro sempre sendo espancado pelo cavaleiro no final, mas parecia que ele não ligava, pelo menos não a ponto de parar esses "passeios" com as princesas.
Dandara: sssssss, coitado.
Ver aquele espelho-televisao, virou um dos pontos mais felizes do meu dia, mas nos próximos dias, eu tentei me aproximar mais do resto do pessoal que tava ali, e com isso, eu conversei viagens com certas pessoas, fiquei boa em cartas, comecei a ficar muito boa em conversar com os outros.
Em uma das sessões de terapia com Gabriel, eu acabei comentando sobre ele do meu pesadelo recorrente que eu sonhava que eu tava em um grande castelo cheio de corredores, e no meio dos corredores, um monstro bizarro, feito de sangue, dor e lâminas.
Me perseguia tentando me matar, o Gabriel me pediu detalhes do sonho, mas nas primeras secoes que eu tiv com o Gabriel sobre esse meu pesadelo recorrente, eu nao tinha muita coisa para falar.
E quando eu comecei a me lembrar melhor desse sonho recorrente, e comecei a passar mais detalhes ao Gabriel, bem devagar, eu e o Gabriel montamos uma estrategiazinha, pra tentar cuidar desse monstro, e tentar finalmente interpretar o que esse pesadelo deveria significar, foi um trabalho lento e doloroso, que me fez muitas vezes ser pega pelo monstro.
Minha sorte era que o monstro, por algum motivo, nunca quis me matar, só me machucar muito, e quando ele cumpria a tarefa, ele apenas ia embora, me deixando em frangalhos, e ainda assim, pronta pra contar qualquer detalhe disso pro Gabriel.
E quando eu contava tudo pra ele, agente tentava outra estratégia pra vencer o monstro, e de novo, e de novo e de novo. E depois de semanas fazendo isso, eu ainda não fazia ideia onde isso ia dar, mas eu confiava no Gabriel, seja lá o que ele estivesse fazendo comigo.
E no meio de todas essas doideiras rolando comigo, eu tive a ideia genial de participar da minha primeira terapia em grupo.
Dentro daquele círculo de confiança, onde todos os outros paciente s pareciam apenas se mostrar um pro outro, sem medo das próprias
Singularidades ou julgamentos alheios, eu vi como existiam pessoas muito diferentes de mim, mas ao mesmo tempo, conseguia ver o desejo, o desejo de melhorar, de ser mais inteiro, de ser completo, e eu nunca poderia me enganar nisso.
Paciente: eu...não gosto de falar disso mas...alguns dias atras, eu tive uma recaída, tive um desentendimento com meu colega de quarto e...joguei uma bola de gelo nele...não sei por que eu fiz isso, eu nem estava com raiva dele
Psicomaga: não pensou que sua raiva poderia estar meio mal direcionada?
Paciente: ...acho...eu...nem tava com raiva dele.
Psicomaga: e de quem você estava com raiva?
Paciente: da minha irma, da minha irma idiota que me enchia a paciencia o tempo todo, (lacimeja) EU NÃO TINHA CULPA QUE EU FICAVA FRIO SEMPRE QUE EU FICAVA IRRITADO...eu...ainda lembro do sangue, congelando...e se quebrando em minhas maos.
O paciente desmoronou em lágrimas de forma fascinante, senti algo bem pequenininho em meu peito, bem pequeno mesmo, mas fiquei feliz que, no fim, minha empatia estava voltando. Vi o paciente ser acolhido e acalmado pelos outros, até a Psicomaga falar.
Psicomaga: não se preocupe Lucas, você está seguro, sua irmã também, o importante é que você não a matou, e isso é o que importa
Lucas: é...mesmo sem família...ou sem amigos...eu vou conseguir
Psicomaga: claro que vai, um inteligente bonitao como você vai longe garoto.
Rindo, fiquei feliz com o jeito que a Psicomaga lidava com o Lucas, eu falava uma coisa ou outra, mas muito tempo atrás, falei "não sei quem sou, o que eu gosto ou o que eu odeio, e até eu entender essas coisas com o Gabriel, melhor eu não falar muito."
Foi necessário muito mais insistência do que essa simples frase, mas no fim, todos entenderam que no fim, eu não estava no clima de falar, esse clima chegaria, mas não seria hoje.
E logo, quando minha novela favorita iria começar, eu esbarrei em outro paciente.
Paciente: AI, CUIDADO BABACA.
Olhei pra cima, e os olhos vermelhos, junto do toque no corpo, me fizeram entender o que aquele paciente era, e o jeito que ele era bem recente, enfatizava muito aquele fato também.
Como se todo o mundo tivesse parado quando eu percebi meu erro, eu tive tempo pra tentar me afastar pra trás, devagar, pra não fazer o novo paciente ter uma crise logo agora, mas ele foi atrás de mim, quase como se estivesse tentando entrar em crise, não a evitar.
E quando o pânico já tava se instalando em meu corpo, antes do novo paciente conseguir fazer qualquer coisa comigo, uma mão o agarrou pelo ombro e o relaxou, a ponto dele ficar de joelhos, pois aquelas eram as poderosas mãos do Gabriel.
E, sem nem pensar duas vezes, eu já sabia que aquele não era um aperto normal, devia ser uma massagem especial de algum tipo, pois, esse tipo de reação do novo paciente a um "carinho no ombro" já dizia tudo sobre a intensidade do aperto.
Gabriel: senhor Jonas, eu teria mais calma se fosse o senhor, ou você teria que ir até a solitária.
Ahhhh a solitaria, não era um lugar ruim pra quem gostada de ficar sosinho, mas pra pessoas agitadas como o Sir Jonas, poderia ser mais que uma tortura.
E apenas imaginando isso o Jonas começou a lutar com a magia do Gabriel até que ele teve que ser nocauteado por aquele aperto de ombro, que agora, eu tinha mais que certeza que era uma espécie de técnica de mobilização, e de forma instantânea, Gabriel foi até mim, me ajeitou e falou.
Gabriel: lamento por isso, agora, me dê licença.
E de forma calma, ele levou Sir João desmaiado para a solitária, mas não senti pena, apenas alívio que ele não teve uma explosão de raiva na minha cara.
Passei o resto dos dias lendo muitos livros, rindo com eles e tambem me apegando bastantes nas simples histórias antigas, imaginando meu príncipe, se aventurando num grande castelo, lutando com um grande dragão e depois me pegando numa bela montaria e me levando em uma grande história de aventuras, rumo a um belo pôr do sol.
Até eu notar que isso nunca aconteceria, pelo menos não com o meu Príncipe pelo menos, meu Príncipe era alguém que dialogaria com o dragão, o convenceria a não apenas me deixar em paz, mas também sair do castelo e ir viver a própria aventura.
E quando ele subisse na torre do castelo pra me ver, ele iria me pedir pra ir com ele, não me pegar como um prêmio...mas...me...perguntar se era isso que eu queria...
E apenas depois de garantir que eu, não meus pais, meu Reino, ou outros terceiros queriam que eu fizesse isso.
E que o desejo em meu coração era totalmente meu, ai sim ele iria pedir pra me colocar em cima de sua montaria e assim cavalgariamos para o pôr do sol, com um carinho que eu enxergava ser bem maior que a versao simples, mas talvez só porque foi minha historia...hummmm.
Pois...era isso que ele era, ele era alguém que dava às escolhas às pessoas desde que elas permitissem ele falar...isso me deixou pensativa, será que meu Príncipe era capaz de perdoar a todos? Ou será que até ele tinha um limite...hehe, iria ter uma conversa interessante com ele depois.
Já de noite, eu tinha pensado bastante sobre meu príncipe, sobre o que ele era, sobre como ele era, e sobre como eu tive uma sorte absurda por conhecê-lo, e quando fui dormir, tive um pesadelo horroroso.
Eu acordei e me senti novamente em minhas roupas antigas, minhas roupas que me machucavam, quando tentei as arrancar, vozes e gritos tão foram desferidos de forma tão alta que eu fui amassada no chão, completamente indefesa.
Dandara: ANTÔNIO, SOCORRO, SOCORRO, SOCORROOOOOOO!
Eu clamei e implorei pela presença de Antonio, gritei, e gritei até sentir o gosto de sangue sair da minha garganta, e ele não veio, até que uma das vozes ali comigo, me perguntou algo que gelou minha alma
Voz: quem é Antônio?.
Não, não, não, não pode ser! NAAAAAAAAAAAAAAAÃO!
O pesadelo continuou, e todos os sentimentos que consegui, ficaram mais ralos, até eu finalmente ser a garota perfeita, melhores notas, comportamento exemplar, e um uniforme que novamente estava leve porque eu não comia direito, mas a dor de minha barriga mal se comparava a dor de meu coração, que diferente de antes, eles estavam inteirinhos e não desapareceram.
E foi só quando eu senti de novo o que era sentir aquilo, só com meus sentimentos parcialmente inteiros, foi que eu entendi o quanto minha Singularidade realmente me ajudou, porque, sem minha Singularidade, eu com certeza teria morrido muito antes de conhecer o meu Príncipe. Porque eu só aguentei naquele sonho, porque ali eu não podia morrer.
E quanto mais tempo eu passava naqueles pesadelos, mais certeza eu também tinha que eu devia chamar minha "condição" de
Singularidade e não Maldição, pois, por mais maldita que minha Singularidade tenha me feito sentir antes, naquele pesadelo, eu tive certeza que eu nao podia chamar minha "condição" de Maldição, não depois de todas as dores que ela me impediu de passar, seria baixaria demais com ela.
Meus dias naqueles pesadelos ficaram muito monótonos, iguais e previsíveis, a ponto de eu perder a noção de quando era dia, noite, que dia da semana era, e que ano estava.
Chegou num ponto onde,o que eu mais temia, realmente acontecer eu esqueci meu próprio nome, pois nada importava além de ser a menina de ouro, nem minha própria vida importava mais que isso, sim, eu era uma boa menina, eu era sim.
O pesadelo continuou até o dia do meu casamento arranjado, e quando eu caminhei no altar, eu senti...
O VAZIO EM MIM, TOMANDO TUDO QUE RESTOU
\n
\nEu senti o que tinha restado meus sentimentos, até aquele ponto do sonho, escorrendo e escapando por entre meus dedos, até que eu não conseguia ver o propósito de fazer nada, a ponto que nem mesmo ficar em pé me mantendo respirando fazia mais sentido em minha cabeça.
Fisicamente falando, eu ainda conseguia respirar, meu corpo ainda era totalmente funcional, mas não existia uma única vontade em mim sequer pra me manter viva.
E quando perguntei na minha mente "para que eu ia querer ficar viva?" Dessa vez, nenhuma resposta foi boa o bastante pra eu me manter viva, e com nenhum dos convidados e nem sequer meu noivo olhando pra mim, eu morri e ninguém entre os céus e terra, ligou pra isso.
No momento seguinte, eu acordei do pesadelo, mas sendo um pesadelo ou realidade, eu gritei, gritei com sentimentos tão confusos que nem consegui ou queria compreender, eu só queria gritar, pra mostrar pro mundo que eu estava ali, que eu existia, QUE EU IMPORTAVA!
E pra provar isso eu gritei, gritei de medo puro, misturado com raiva pura, duas emoções que deveriam ser opostos, mas naquele breve momento de colapso mental por pesadelos, elas estavam juntas, eu só conseguia gritar, gritar, e gritar mais.
A cunhada da Ledie Frenética tentou entender o que aconteceu, mas ela ficou tão ocupada só sentindo medo do estado que eu tava que mal conseguia se mover, e em menos de 10 segundos, o quarto foi aberto, e magos vieram me tratar.
Então eles me colocaram numa solitária mais avançada, uma sala cheia de almofadas e com uma camisa de força à prova de magia em mim, mas tava tudo bem, pra crise que eu tava passando, ficar ali, mesmo sem conseguir usar os braços, me dava mais liberdade pra eu conseguir passar pelo meu surto sem machucar ninguém.
Porque no fim era esse o objetivo daquela casa, né? Ensinar as pessoas a passarem por suas crises sem machucar ninguém...ainda estava aprendendo, mas sinto que eu melhorei nisso tambem.
No fim do meu surto, eu tava suada, chorando, com o naris escorrendo e com outros fluidos no corpo que eu nem sabia o que eram, mas consegui me acalmar, ficando bem empolgada para o próximo domingo, pois isso, era algo que eu não poderia falar com o Gabriel.

