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Olhos de mel 🌻X
você é minha casa
2534 palavras • 14367 caracteres • ⏱ 10 min 08 s

você é minha casa

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Então, o dia prometido chegou, um dia, a porta do meu quarto foi aberta, um Psicomago me chamou e eu o segui pelos corredores.


E enquanto passava pelos corredores, vi como eles eram cheios de sinalizações, sendo as principais, várias linhas coloridas que se entendiam para todas as salas, mesmo que eu não entendesse pra que aquelas linhas deviam ainda.


E depois de andarmos mais um pouco, chegamos numa porta blindada, o Psicomago entao digitou uma combinação e eu entrei numa salinha de visitas.


Aquela salinha era um lugar cheio de mesas diferentes, com vários Amaldiçoados diferentes conversando com os seus parentes, ou simplesmente “Guardiões” legais.


E depois de andar um pouco pela confusão, achei uma mesa vazia e me sentei lá. Segundo as regras do lugar, a Leide naonpode vir comigo, mas olhar ao redor de mim foi mais que o suficiente pra eu conseguir me manter distraída até meu Príncipe chegar pra me visitar.


 Apesar de ter muitos Amaldiçoados entre as mesas que pareciam estar bem piores que eu, como amaldiçoados transformados, ou Amaldiçoados mais novos, que pareciam ter descoberto suas maldiçoes recentemente. Todos eles pareciam felizes dentro da sala e eu sabia muito bem o porquê.


Apesar das dificuldades que enfrentaram e que ainda teriam que enfrentar, eles enfrentam tudo e mais um pouco pelas pessoas que amavam, e essa visita era apenas uma lembrança de que, mesmo quando nós mesmos não nos importamos um com o outro, sempre terá alguém, não importa quem seja, que irá se importar conosco. 


E as vezes, ter essa certeza é o que faz agente melhorar, melhor do que qualquer tratamento ou poção que pudessem nos dar.


E este simples sentimento fazia com que, apesar de todos nós termos diferenças de Maldições, passados diferentes, histórias diferentes e níveis de problemas diferentes de várias formas. Eu ainda podia sentir bem no meu coraçao que, no final de tudo, éramos realmente irmãos. Irmãos de alma pelo menos.


E a única coisa que me tirou de meus devaneios hoje, foi quando meu Príncipe chegou, quando eu o vi passando pela porta de visitas, percebi estava mais formal hoje, parecia até que iriamos ir a uma ópera de tão chique que ele estava, ele tava de terno, com o cabelo encaracolado pintado e com uma elegancia que fez até outras Amaldiçoadas virarem a cabeça pra olha-lo.


Mas eu só conseguia focar nos olhos dourados e cheios de um amor dele, um amor que eu sabia que era apenas meu.


Às vezes parecia que os olhos do meu Principe viam o infinito e desejavam o que havia além dele, Antônio, o que seus olhos de mel desejam de verdade?


O meu príncipe olhou pra mim, e andou como se todo o caos ao redor dele não importasse, se sentou na cadeira que o deixava bem a minha frente, e antes de falarmos qualquer coisa, agente colocou a mão na mesa e entrelaçamos os dedos.


Aaaaaaah, paz, novamente os sentimentos intensos de amor, alegria, felicidade e desejo, desejo de mais. Todos durando mais que 10 minutos, ainda não consegui bater esse recorde.


O desejo de sentir algo mais intenso, mais intenso e ainda mais intenso, eu não queria apenas aquilo. Eu queria o que supera aquilo, uma intimidade tão alta que me faria destruir qualquer dúvida que ele parecia ainda ter sobre nós, mas por enquanto, teria que me acalmar e deixar ele falar primeiro.


Fiquei meio envergonhada em ver que ele parecia só ter esperado eu terminar de devanear pra falar.


Antônio: como se sente?


Dandara: como me sinto?


Repeti a pergunta sem nem pensar direito por que? A alguns meses atrás, eu diria que não sentia nada, mas, agora, eu sentia, não as coisas fracas que eu tinha perto da Leide, era algo que, eu já senti um dia…e quase esqueci disso, entao sorriso, falei.


Dandara: eu me sinto, normal


Antônio: como assim normal?


Dandara: sabe…eu to…sentindo coisas novamente, sem você eu não sinto nada por muito tempo, mas com você, me sinto na infância de novo, antes de tudo, isso…


Falei apontando pro meu corpo todo.


Dandara: apenas te olhar me faz lembrar do tempo que eu era feliz, do tempo em que eu não precisava me esforçar ao máximo pra sentir qualquer coisa e manter esse sentimento comigo, você é alguém que consegue trazer esse lado de mim, um lado que pensei que nunca iria recuperar, meu lado leve, lado simples…feliz.


Deixei as palavras no ar um pouco, vi meu príncipe me olhando um pouco e depois ele falou.


Antonio: mas eu não quero isso


Dandara: voce nao quer meu amor?


Antonio: o que você está sentindo agora não é amor dandara, é dependência, você “depende” de mim pra sentir coisas. Do jeito que as coisas estão, você não é melhor que um cachorrinho pra mim.


Eu entendia onde ele queria chegar, eu entendia mesmo, mas isso não impediu minha raiva, tristeza e meu nojo de se intensificarem a ponto de eu ficar com um rosto de puro odio e me levantar a ponto de jogar a cadeira no chão. 


Os Psicomagoa pareciam preparados pra me pegarem se eu passasse muito do limite, mas considerando o quão calmo o meu Príncipe estava, sinto que isso não seria necessário.


Eu tava com muita raiva, mas como eu não tinha aprendido a jogar minha raiva de forma segura para as pessoas, me concentrei, engoli minha raiva e perguntei com a voz mais calma que podia fazer.


Dandara: o que? desculpa Antônio, mas tem muita gente falando em volta de nós, então eu eu não ouvi direito o que você falou por último?


Antonio: que você é um cachorrinho, e é verdade. Você me ama porque não tem outras opções, nada mais, você só pode dizer que me ama quando você tem outros amores, não só amores românticos, mas amores de hobbies, amores de doces, qualquer coisa que você deseje, aprecie ou respeite para dizer “eu amo isso” porque é isso que eu sinto por você.


O que o meu Príncipe falou me acalmou, bem rápido, mas a raiva e nojo ainda estavam bem fortes em mim, então ele precisava falar um pouco mais antes de eu me acalmar por completo.


Mesmo que, agora eu estivesse mais curiosa que qualquer outra coisa sobre o que meu Príncipe queria dizer.


Tanto que eu pus minha cadeira no lugar e me sentei, não fingindo mais estar calmas mas estando calma de verdade.


Antonio: em questão de pretendentes, não posso dizer que tenho muitas opções, mas em questão de livros, doces, lugares favoritos, amigos, parentes e etcetera. Você competiu com todos esses amores em mim, e você ainda conseguiu ganhar de todos eles, a ponto de eu conseguir dizer, “sim, é com ela que eu quero passar o resto da minha vida, mesmo que eu tenha que abrir mão de alguns desses amores pra passar mais tempo com ela”.


É isso, o meu ódio e nojo se desfizeram no segundo que ele falou isso, sendo substituídos por uma culpa gigantesca.


Eu…não consegui pensar em nada além do quão imatura, cega e insensível eu era, ele já havia pensado tanto em nós, enquanto eu apenas quis me agarrar nele, como uma tábua da salvação, que tola eu fui.


E mesmo assim, não consegui pensar em nada, quando olhei pro meu príncipe, apenas conseguia pensar nele, nenhum outro “amor” em mim competia com ele…e quando eu olhava desse jeito, ele podia mesmo ser meu amor se ele não tivesse concorrência?


Antônio: me fala, você sente isso, com mais alguma coisa? Algo parecido com isso, sem eu estar por perto?


Dandara: bom, sim, mas é bem fraco, não é nada comparado o que eu sinto por você


Antonio: sabe qual o nome disso? Paixão…e não é apenas paixão física ou amorosa, o que você sente por mim e algo que você pode sentir por muitas coisas, um hobby, um trabalho e até uma comida, você tem uma comida favorita?


Dandara: eu…não…sei.


Na minha língua, a resposta “não” estava engatilhada, mas não disparou, ela apenas ficou ali, sendo engolida por mim mesma.


Antonio: vamos pensar um pouco na época em que você “era feliz”, existia alguma coisa, qualquer coisa que você gostava?


Muitas lembranças ruins inundaram minha cabeça, e quando meu estresse aumentou, apertei com mais força a mão de Antônio, e ele apenas apertou ela de volta, e de forma estranha, isso pareceu me acalmar um pouco.


Segurando forte a mão do meu Príncipe, eu respirei fundo e tentei me lembrar das coisas boas, e olha quem diria, eu consegui lembrar de algumas coisas.


Dandara: eu…gosto de doces super amargos? Eita, não lembrava disso…eeeeeeeeee


…Eeeeeeeeeeu…também…gosto de dançar…hehe, eu gosto de dançar…PELA MADRUGADA GELADA EU GOSTO MUITO DE DANÇAR…


Fiquei muito envergonhada de gritar, isso porque um Psicomago veio até nós.


Mago: ola, tá tudo bem?


Antônio: ah, sim, tá tudo ótimo, e vai ficar melhor ainda.


Apesar de eu estar com um pouco de medo por causa do Mago indo até nos com tanta velocidade, eu me acalmei pelo olhar de pura calmaria e tranquilidade que meu Príncipe fez naquela situação.


Então ele se virou pra mim, e me perguntou. 


Antônio: mais alguma coisa?


Dandara: hummmmmm, acho que…eu gosto de caezinhos, eeeeeeeee…(estala os dedos rapido) e eu também gosto de festas da destruição


Antonio: festa da destruição?


Dandara: é um lance especial, onde você vai pra um lugar e paga alguém pra poder quebrar tudo que conseguir por uma certa quantidade de tempo, eu só fiz aquilo uma vez antes de…você sabe, começar a perder meus sentimentos, mas foi algo tão incrível que um simples pensamento me fez lembrar quase por completo dele.


Meu príncipe me olhou com olhos cheios de felicidade, e com a mão livre, ele começou a acariciar a união de nossas duas mãos.


Eu tava sentindo algo estranho na minha barriga, como se borboletas tivessem batendo dentro dela, eu não conseguia parar de olhá-lo, nem ele comigo.


Antonio: eu queria muito ter visto você nessa tal “festa da destruição”, você deveria estar com uma cara inesquecível naquela ocasião


Dandara: você nem imagina, eu ainda me impressiono com o quanto de raiva acumulada eu liberei lá


Antônio: ainda tem vontade de liberar essa raiva?


Dandara: bom, sim eu tenho, mas ainda é difícil pra mim liberar ela de forma saudável, não quero a liberar de forma construtiva, eu quero quebrar algo e sentir ela quebrando em minhas mãos, sinto que apenas dessa forma que minha raiva irá se aliviar. Isso faz sentido pra você?


Antônio: bem mais do que você pensa, e sabe o que é ótimo pra isso? Exercícios, você pode tentar dançar, como você mesma falou, mas qualquer coisa, apenas pessa pra ter umas partidas de luta com algum outro paciente


Dandara: isso é permitido aqui?


Antônio: ouvi dizer que sim, mas só se você tiver certos pontos por “bom comportamento”


Dandara: nossa, eu nem sai do meu quarto ainda.


António: eles estão indo devagar, aínda é seu segundo mês, seja mais paciente garota.


Apesar do que ele falou, estava bem alegre com ele, com borboletas no estômago, e ainda mais com essa nova lembrança de infância que ele conseguiu me fazer resgatar.


Eu pensei que não existia nada bom da minha vida antiga pra ser lembrado, e mais uma vez, o meu Príncipe me mostrou o quanto eu tava errada, isso podia muito bem ser um som dele a essa altura, hihihi.


 Eu tava curiosa pra saber se meus gostos mudaramndepois de todas as poucas e boas que eu passei, ou se eu continuava a mesma quando criança.


Mas no meio desses devaneios, percebi que meu príncipe não havia falado quase nada, e o encontro estava quase acabando.


Dandara: aí Antônio, quer me falar alguma coisa?


Antônio: acho que posso esperar um pouco mais


Dandara: por que?


Antônio: não quero te deixar confusa


Dandara: confuza? Como assim?


Antônio: talvez as coisas que eu amo e gosto contaminem as coisas que você está tentando descobrir que gosta, e você pode ficar confusa e embaralhada de novo, e eu não quero isso


Dandara: ué? Mas não foi isso que você queria? Que agente se conhece melhor? Que agente soubesse mais um do outro?


Antônio: ah Dandara, como você quer que eu te conheça melhor se nem você mesma se conhece direito?


Minha língua estava engatilhada com uma resposta, mas não a usei, apenas deixei a pergunta de Antônio no ar, viajano entre o silêncio entre nós dois e pensando como ele falou a verdade.


Eu queria conhecê-lo melhor, muito, mas como eu podia dizer que se eu conhecesse ele melhor eu não iria virar uma cópia dele…a, meu, deus, o que eu estou fazendo.


Dandara: a cada dia que passa, mais certeza tenho que você é um anjo, sabia disso?


Antônio: acredite Dandara, eu escuto isso de forma bem mais frequente do que você pensa.


Ouvindo aquilo, eu ri, era uma risada normal, “hahahaha”, o meu Príncipe, olha quem diria, também era o único que me fazia rir assim, mesmo depois de 2 meses aqui…


E depois que eu pensei nisso, mesmo sem ter falado nada, eu percebi o quanto eu tava dependente do meu príncipe, de uma forma nada saudável, nossa, ele tava certo mesmo, eu precisava de outras “paixões” se eu quisesse ter algo saudável com ele.


Só esperava não acabar perdendo meu amor por ele no meio do caminho, perder o meu amor pelo homem que salvou minha vida era algo que eu não ia aceitar acontecer de jeito nenhum.


Então, o meu Principe bancou o terapeuta comigo mais um tempinho antes do nosso tempo de visita acabar, e então eu fui levada até a porta de Pacientes e voltei pro meu quarto, totalmente renovada, e me deitei na cama feliz como a cachorrinha que eu era, hihihi.


Leide: e aí, seu príncipe continua encantador como sempre?


Dandara: Não.


Leide me olhou de canto, como se tentasse decifrar meu sorriso.


Dandara: ele está melhor do que antes.


Não podia desfazer meu sorriso, mesmo com ele longe de mim, o mundo inteiro parecia ter ficado perfeito e cor de rosa quando ficamos juntos, meu colchão simples parecia a cama mais macia do mundo, e até o ar parecia mais perfumado que o normal, acho que era isso que significava sentir paixão.


Hum, interessante, a essa altura esse sentimento já devia ter acabado…mas pelo jeito, ele ia ficar em mim por mais tempo pelo que eu aprendi aqui…


Noooooossa, e eu só tava começando ali, isso me deixava empolgada e bem animada pro que iria acontecer quando eu tivesse boa o bastante pra sair dali, hihihi.


E enquanto ainda pensava assim, eu olhei pro lado, e me deparei com a Leide, me olhando com uma cara de extremo choque.


Leide: eu nunca vi você rir desse jeito…


Mas então, o rosto de choque se transformou em profunda felicidade, quNdo ela completou.


Leide: …e eu gosto desse seu novo lado


Dandara: é…eu também.


E olha que essa nem era a “versão final” e apenas pensar em como eu estaria quando eu pudesse sair dali, foi mais que o suficiente roa eu tentar dormir de novo, pronta pra sonhar com aquele lindo encontro.


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