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As Runas do Destino
Prólogo Arco I e II
242 palavras • 1439 caracteres • ⏱ 58 s

Prólogo Arco I e II

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Ninguém sabe ao certo quando o mundo começou a morrer.

Alguns culpam os deuses, que se calaram quando mais precisavam deles. Outros, os reis - cegos pelo poder, surdos aos gritos da terra. Mas há quem diga que o fim começou muito antes...

...antes das coroas, antes dos tronos, antes mesmo das guerras.
Começou quando os homens deixaram de ouvir.
Quando trocaram silêncio por domínio, oferendas por decretos, reverência por orgulho.

A magia - outrora abundante como o vento e selvagem como as marés - começou a se esvair como água entre os dedos. As florestas adoeceram. Os céus mudaram de cor. Crianças nasceram sem marcas, sem núcleo, sem mana. Famílias inteiras desapareceram entre terremotos, erupções vulcânicas, nevascas e inundações, enquanto as cidades buscavam abrigo atrás de muralhas e mentiras.

Foi nesse mundo estilhaçado que ela nasceu.
Na floresta que deveria ser mortal, mas a acolheu como um berço quente.

Não como heroína.
Não como mártir.
Não como princesa.

Filha de um trono usurpado e de uma mulher chamada louca, Aisha cresceu à sombra de um nome proibido - seu próprio sangue. Suas origens, seu passado e seu futuro lhe foram arrancados antes mesmo do nascimento.
A floresta a criou.
O medo e a culpa a moldaram.
E o destino, com dentes afiados, a observava de longe, esperando a hora certa para morder.

Mas o destino, assim como as runas, é uma linguagem antiga.
E toda linguagem pode ser decifrada... ou reescrita.


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