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Verdade ou Desafio?
Capítulo 10: Briga e Benjo.
1319 palavras • 7243 caracteres • ⏱ 5 min 17 s

Capítulo 10: Briga e Benjo.

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Depois de uma noite exaustiva conversando sobre a tal olimpíada que eu iria fazer, mal consegui acordar quando meu segundo despertador tocou. Isso queria dizer que eu estava atrasada.

Acordei toda princesística, me espreguiçando e me sentando ao mesmo tempo, devagarinho, e tirando o meu tapa olho e a minha toca para pentear o meu cabelo liso natural que eu amo (mas não mostro por aí, nem para a Maria). Olhei para o lado, ainda piscando muito. Aí vi o horário. 7:10.

Me desesperei. Minha aula começava às 7:30, e eu morava muito longe da escola!

Ouvi a buzina do carro da Lorena e quase tive um ataque do coração. Tirei correndo meu pijama da Victoria's Secret e coloquei meu uniforme de qualquer jeito. Passei uma maquiagem super básica e fiz uma chapinha no cabelo na velocidade turbo. E, mesmo assim, usei 10 minutos (6 para a chapinha, 3 para a make e 1 para se trocar).

Nem escovei os dentes ou lavei o rosto. Sequer tomei o café da manhã. Corri para pegar os brigadeiros que iríamos vender na Business Fair (feira de negócios em inglês)

A Lorena buzinou mais umas 5 vezes seu mini Cooper e quase me deixou sem ir para a escola, mas, logo que eu apareci, precisei ouvir muitos xingamentos de uma adolecente do ensino médio e da minha melhor amiga.

Chegando na escola, tivemos que ir para o diretor, já que chegamos atrasadas. E precisamos ficar na porta dele, porque ele estava atendendo dois alunos da minha turma. Logo que eles saíram, levei um susto.

Era o Benji e o Léo. E, tipo, eles nunca aprontavam, e saíram cheios de risinhos, como se tivessem feito algo engraçado.

Tentei perguntar o que foi, mas meio que passaram correndo por mim, correndo para a sala de aula.

Logo depois o diretor me chamou e eu entrei na sala dele.

(...)

Comecei a ficar sem ar. Encher balões não é a melhor coisa do mundo para quem tem pulmões fracos (eu). Precisávamos terminar de decorar a nossa "barraca" (literalmente, só duas mesas uma do lado da outra) e faltavam cinco minutos para as outras turmas do oitavo ano entrarem na nossa sala para comprar os nossos produtos. Eu e a Maria tivemos a brilhante ideia de fazer um mural na parede atrás da gente de balões, com o nosso poster com os preços, os produtinhos e a chave pix no centro. A Sabrina subiu para a biblioteca para imprimir mais um poster e deixar na nossa mesa enquanto arrumávamos sozinhas o resto. Colocamos uma canga de praia que eu achei no meu porão que eram exatamente da cor da nossa logo, foi só estender nas mesas, colocar a caixa registradora rosa de brinquedo que também combinava e finalizar com os nossos brigadeiros. Coloquei o cooler embaixo da mesa e a Maria ficou sentada no caixa, tamborilando as unhas na parte de cima da maquininha de brinquedo. Eu comecei a ficar nervosa e bater o pé no chão, até que uma manada de alunos da 84, que fica na frente da nossa sala, invadiu correndo quase derrubando a nossa barraquinha. A Maria começou a chamar todas as suas amigas para comprar nosso brigadeiro de copo, prometendo comprar também delas. Teve uma hora que roubaram ela para que ela comprasse da turma delas, e eu assumi fazer o marketing, as contas e o troco. Convenci um grupinho de meninas a comprar os nossos brigadeirinhos bolota e um de copo. Depois consegui convencer um menino bem popular a comprar o meu com desconto e ganhar um balão se ele conseguisse mais clientes para a nossa barraquinha. Teve pessoas que só queriam comprar os pirulitos de brinde das nossas promoções malucas (compre 3 brigadeiros e você ganha uma bala! Compre 4 e você ganha um balão junto!) e eu vendia por 1 real, e acabamos ficando com 50 reais só nos primeiros 15 minutos. Mas logo começou a virar uma briga pelos clientes; nós atraímos uns 4 e vinha outra barraca roubar! Virou uma disputa só.

Depois de um tempão nas outras turmas, a Maria veio com um bando de garotas querendo comprar tudo. Teve uma até que quis comprar a minha caixa registradora!

Acabamos vendendo todos os nossos brigadeiros de copo (que, sinceramente, eram os melhores!) mas ainda não tínhamos juntado dinheiro suficiente para pagar tudo o que gastamos no mercado para comprar os ingredientes. Fiz a Maria ficar ali cuidando da nossa barraca e fui dar uma volta nas outras quatro turmas. Comprei uma trufa de morango e um pires de cerâmica na 82, comprei um marcador de página de livro para o meu pai (achei a cara dele!) e uma pipoca com leite ninho (odiei) na 83 e, por fim, na 84, eu estava passeando até que o Rodrigo, um menino meio baixinho que tem o cabelo despenteado, olhos muito claros e uma cara deformada, veio até mim e começou a tentar me vender o produto da barraca deles.

— Você tem cara de quem gosta de pulseiras! Olha, no seu pulso a pulseira brilharia como você! E a pulseira valoriza o seu tom de pele e você ficaria mais bonita ainda do que já é!

— Olha, eu só tô dando uma olhadinha, ok? E-

— Então dê um olhadinha na nossa barraca! - ele me pegou pela cintura e começou a me empurrar a para a barraca de pulseiras dele. Eu comecei a me debater e dizer que eu não queria ir na barraca dele, mas não adiantava. Ele era muito mais forte do que parecia ser, para um menino baixinho.

Já estávamos chegando na barraca dele quando eu ouvi um grito.

— Ela disse que não queria!

Mal pude entender o que estava acontecendo, só vi o Rodrigo com a mão no rosto e me soltando. Dei uns passos para trás e acabei esbarrando na Jasmine, uma amiga minha da 63. Olhei para os lados e vi que tinha se formado uma pequena multidão. Quando finalmente olhei para a frente, entendi o que estava acontecendo e o porque de todos estarem com os rostos tensos. O Benji tinha dado um soco na boca do Rodrigo.

Alguns meninos abobados começaram a gritar "Briga, briga, briga!" enquanto o Rodrigo tentava revidar no Benji, e o clima começou a ficar mais tenso ainda, principalmente porque o motivo dela era eu.

A briga foi evoluindo até eles se agarrarem e começarem a se espancar e tentar bater a cabeça um do outro no chão. E comecei a me desesperar. O menino que eu gostava estava bem ali, no meio!

Para a tristeza dos guris, a Alícia, da minha turma, acabou chamando o diretor para separar os meninos. O monitor segurou um Rodrigo enfurecido que estava com o canto da boca sangrando e um Benji querendo espancar mais ainda o Rodrigo.Por sorte, meu amigo consegue mudar de emoção em segundos. Ele só respirou fundo e se acalmou, enquanto o outro começou a chutar o ar como se estivesse correndo em um chão invisível, erguido pelo primeiro monitor e pelo sor Paulo (de ciências).

O Benjamín só ergueu as mãos para o alto, dizendo que estava se rendendo da briga, e os guris fizeram um bolinho na volta dele, gritando "Benjão, Benjão, Benjão!" mas ele parecia meio perdido no meio de todos eles. Percebi que ele tava tentando sair do meio daqueles tapas de parabéns, e começou a vir na minha direção. Engoli em seco.

Ele olhou diretamente para mim, dentro dos meus olhos. Com um sorriso um pouco menos bobo, passou a mão no meu pescoço, encaixando na lateral do meu rosto. Senti um leve choque vindo das mãos dele, bem frias.

Eu voltei o olhar para ele, e vi que a expressão do seu rosto começou a ficar estranha. Ele sorriu meio torto, olhou para a minha boca e, sem mais nem menos, me beijou. Na boca.

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