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A balada de sol e rosas
Capítulo 13
777 palavras • 4581 caracteres • ⏱ 3 min 06 s

Capítulo 13

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Morwen


Sombras irromperam pela casa, engolindo cada centímetro daquele lugar em escuridão pura. Cada átomo do meu corpo gritava por sangue — o sangue de Teyric. Meus passos ecoavam lentos no assoalho carbonizado, enquanto me aproximava da figura que agora era pouco mais que uma silhueta contra o clarão das chamas.


A dois metros dele, um riso escarninho cortou o ar.


— Pode tentar me matar — disse Teyric, com a voz calma como a de um predador certo da caça. — Mas, pelo sangue que esse daí está perdendo — apontou para Liam, imóvel no chão envolta de uma poça de sangue —, se ninguém cuidar dos ferimentos, ele não dura quinze minutos. Então decida: me mate ou salva esse inútil.


Meu corpo agiu antes de minha mente. Centenas de pétalas negras dispararam em sua direção, afiadas como lâminas, prontas para reduzí-lo a retalhos. Mas, para minha fúria, no instante em que iam atingi-lo, um escudo dourado e radiante absorveu cada uma delas, dissipando-as como fumaça.


Teyric riu de novo — um som que parecia saído do fundo do abismo.


— Senhorita Morwen, não a achei tão ingênua. Pensou mesmo que eu não me prepararia para seus poderes lunares? — Seus olhos brilharam sob a luz das chamas. — E, se fosse você, decidiria logo. Já se passaram dois minutos. Depois de cinco, os danos podem ser irreversíveis. Além disso… — Ele gesticulou em torno. — As chamas sobem rápido. Faça sua escolha.


A raiva borbulhou em mim, quente e amarga.


— Como alguém consegue fazer isso com o próprio filho?!


Ele virou as costas, caminhando calmamente em direção à saída já tomada pelo fogo.


— Um fraco como esse inutul jamais poderá ser chamado de meu filho.


E, como uma miragem alimentada pelas chamas, ele desapareceu.


Não hesitei mais. Corri até Liam e chequei seu pulso: fraco, mas ainda lá. Ele estava vivo. Apoiei-o contra meu corpo, erguendo-o com um esforço que fez meus músculos queimarem, e comecei a arrastá-lo para fora. O calor era insuportável, a fumaça, me cegava.


Estávamos quase na saída quando ouvi — um latido abafado, desesperado, vindo da cozinha.


Jacks.


O barulho vinha do alçapão não muito longe. Carregando Liam, cambaleei até lá, abri a portinhola com o pé e o vi, encolhido e ofegante. Agarrei a raposa com uma mão, segurando Liam com a outra. As chamas já beijavam o teto. Peguei alguns panos que estavam por perto e, com Jacks no braço e Liam ao meu lado, dei os últimos passos para fora da casa.


Ao cairmos no chão do lado de fora, olhei para trás. A casa dos meus pais — onde cresci, onde ri, onde vi as chamas consumirem as minhas últimas memórias de família. Lágrimas quentes ameaçaram romper, mas as engoli. Não era hora de chorar.


Com os panos que trouxe, estanquei o sangramento de Liam o melhor que pude. Suas pernas estavam em estado horrível — quebradas, com marcas de queimaduras profundas. Imobilizei-as rapidamente, usando galhos e tiras de tecido. 


Não podia levá-lo para a Alys — seria suicídio. Precisava de um lugar seguro, discreto, com alguém que soubesse tratar ferimentos graves. E então veio à mente o último lugar que eu desejaria pisar:


Um mosteiro solar.


Os monges que ali viviam cultuavam o sol, mas, ironicamente, na época da perseguição aos lunares, foram conhecidos por abrigar os meus sem cobrar nada. A maioria tinha conhecimentos médicos, e muitos desprezavam a Strike. Havia um mosteiro a alguns quilômetros dali. Monges costumavam fazer caminhadas ao amanhecer — talvez nos encontrassem.


Soava perfeito, exceto por um detalhe: os monges exigiam verdade absoluta de cônjuges. E eu duvido que eles acreditem que eu e Liam sejamos só amigos, eu mesma já estou começando a desconfiar disso. Isso complica minha situação porque nunca quis falar de minha história para ninguém, nem Alys sabia de tudo. 


Mas era isso ou deixar Liam morrer.


Avaliei minhas opções por um instante respirando fundo, com Jacks agora enrolado em uma trouxa feita com minha blusa, comecei a caminhada.

                   ・:.。. .。.:・゜゚・*☆

A noite avançava, e cada quilômetro parecia uma eternidade. Liam permanecia inconsciente, e o frio da noite o deixara pálido e trêmulo. Minhas pernas doíam, minha mente piscava de exaustão, mas seguia em frente, sussurrando para ele, como se pudesse me ouvir:


— Estamos chegando, Liam. Aguenta firme.


Quando avistei a silhueta do mosteiro de arenito, iluminado fracamente por tochas, faltavam apenas cinquenta metros. Mas meu corpo não aguentou. Meus joelhos cederam, a visão escureceu, e a última coisa que senti foi o peso de Liam contra mim, antes do exaustão me levar.



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