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A balada de sol e rosas
Capítulo 8
860 palavras • 4784 caracteres • ⏱ 3 min 26 s

Capítulo 8

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Morwen


Eu não sei quem eu mato primeiro: o Liam ou aquela bola de pelos em que ele estava agarrado.


Não sei o que passava pela cabeça dele quando trouxe essa raposa para cá. Até gosto de raposas, mas uma daquele tamanho come muita carne - uma quantidade que não estava animada em gastar. No fim, ele me convenceu que daria um jeito de caçar mais.


Deixando os dois dormirem, preparo um chá para mim, quando ouço uma batida na porta que soava familiar, igual às que ouvia quando criança.


Alys


Quando abro a porta, ela entra com toda a animação do mundo:


- Morwen, nem te conto, amiga!


Revirando os olhos, respondo:

- Oi, Alys. O que foi?


- Ganhei um convite para um baile de gala da Strike! E posso levar duas pessoas. Pensei na minha amiga que planeja uma revolução e no namorado gato dela.


Ao ouvir "Strike", fiquei interessada, mas a esperança morreu quando lembrei que somos procurados.


- Primeiro: Liam não é meu namorado. Segundo: nós somos procurados.


- É que você não sabe - ela sorri - é um baile de máscaras.


A esperança renasce:

- Mas onde arranjamos máscaras e roupas até amanhã?


- Confia em mim! Até as 21h, vocês terão roupas lindas e máscaras melhores ainda.


Alys pode ser doida com seu jeito extrovertido demoníaco, mas era a melhor pessoa que conhecia. Com olhos cheios de gratidão, digo:


- Muito obrigada, Alys. Só uma pergunta: como conseguiu esses convites?


- Quem você acha que faz todos os ternos de grife deles?


Depois de conversas fúteis, Alys vai embora antes do Liam acordar (graças à Lua). Mas minutos depois, Liam aparece na cozinha com Jacks (o nome que deu ao raposo):


- Bom dia, Morwen.


- Bom dia, Liam. E bola de pelos.


Ele sorri, e Jacks emite um som de reclamação. Continuo:


- Amanhã vamos a um baile de máscaras da Strike.


Seus olhos se arregalam, a boca fazendo um "O". Explico:


- A Alys providenciará roupas. E você não tem opção de recusar.


- E se nos identificarem?


- Eu mato todos.


- E se for meu pai?


- Aí farei com mais prazer ainda.


Ele parece ficar furioso com meu comentário, mas se abstém de responder (ainda bem). Finalizo:


- Pensei em fazermos um treino de combate hoje. O que acha?


Com expressão mais animada, murmura um "Tá". Vou me preparar.


・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆


Lá fora, ficamos frente a frente. Estabeleço as regras:


- Só duas regras: não destrua nada e venha como se quisesse me matar.


- Então tá. Só não me responsabilizo se você morrer, my luna.


- É o que vamos ver, solzinho.


Ele avança com uma lâmina arcana. Desvio de cada golpe com facilidade e, tomando distância, abro um pergaminho. Uma chuva de pétalas negras voa em sua direção. Para rebatê-las, ele invoca adagas que colidem com as pétalas, criando explosões de luz dourada e negra.


Liam corre em minha direção empunhando sua espada. Rapidamente, abro outro pergaminho - vinhas negras se enrolam em seus pés. Puxo, e ele cai de cara no chão. Mas então algo me choca: ele vira luz e desaparece.


Merda. Era um clone.


Me virando, vejo várias adagas a centímetros do meu rosto e Liam com um sorriso vitorioso. Enganado se achava que seria tão fácil. Em milésimos de segundo, crio vinhas que formam um escudo, bloqueando todas as adagas.


- Boa tentativa, seu merda.


Abro meu pergaminho trunfo: uma rosa negra mais escura que a noite surge. Suas pétalas se aglomeram no caule, formando uma lâmina. Liam tenta lançar mais adagas, mas as corto como se fossem nada. Em segundos, minha lâmina está em seu pescoço, um filete de sangue escorrendo.


- Se mexer, corto sua jugular. Desista.


- Ótimas opções: desisto ou morro. Prefiro viver. Desisto.


Ao ouvir isso, a espada se desfaz. Dou tapinhas em seu ombro:


- Foi uma boa tentativa.


Me afasto e entro em casa, sabendo que, enquanto me torno mais forte, Liam evolui rápido demais.


・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆


À noite, durante o jantar, Liam come com cara emburrada - ainda não digeriu a derrota. Aperto sua bochecha inchada:


- Não precisa ficar emburrado por perder, mimado.


Ele revira os olhos:

- Primeiro, não estou emburrado. Segundo, não sou mimado.


- Então por que essa cara?


Com um suspiro pesado:

- No final, você invocou uma rosa que virou espada. Ela cortou minhas adagas como se fossem nada.


- É por isso essa cara?


Ele murmura um "sim". Explico:


- É um pacto arcano. Só posso usar esse selo uma vez por dia - gasta 60% da minha energia. Se usar três vezes, morro. Mas a espada corta qualquer coisa.


- Entendi. Mas não é arriscado?


- Qual seria a graça se não fosse?


- Você tem razão. Vou dormir. Boa noite, Morwen.


Ele pega Jacks, que dormia no sofá. Respondo:


- Boa noite, Liam.


No quarto, deito e reflito: como Liam parece uma criança quando está emburrado (chega a ser engraçado), e como evoluiu nesse tempo morando comigo (mesmo que tecnicamente eu o tenha sequestrado, mas isso não vem ao caso). Com esses pensamentos, adormeço.

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