Liam
A Alys é louca.
Estava na cozinha esquentando água para fazer chá quando ouvi batidas na porta. Fiquei em alerta total - se fosse a Strike, com certeza não bateriam. Peguei uma faca pra usar como adaga improvisada e me aproximei cautelosamente.
Foi então que escutei um baque e algo caindo no chão. Antes que eu pudesse reagir, uma voz feminina disse:
— "Então você é o tão falado Liam!"
Quando me virei, vi uma mulher de cabelos escuros se levantando do chão perto da janela, que foi escancarada com os olhos brilhando. Antes que eu pudesse me defender, ela se jogou em cima de mim num abraço sufocante. Fiquei parado, com cara de peixe morto, segurando a faca sem saber como reagir.
Ela me arrastou pro sofá e começou a fazer todo tipo de pergunta que você possa imaginar:
— "Quantos anos você tem?"
— "Com quantas pessoas já transou?"
Pelo amor do sol...
Pra minha sorte, a Morwen acordou e ficou tão chocada quanto eu com a presença da amiga. Depois de um tempo (e muitas perguntas constrangedoras), a Alys finalmente foi embora - graças aos céus. A Morwen me deu uma explicação rápida e voltou a dormir, me deixando sozinho com meu chá e meus pensamentos.
・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆
Enquanto tomava o chá, comecei a refletir. Já fazia quase um mês desde que a Morwen me "sequestrou". No começo, achei que ela era maluca.
E eu não estava errado.
Mas ela era uma louca... do tipo legal.
Toda vez que ia pra cidade, trazia algo pra mim. Um barbeador. Café (que, aliás, já estava quase na hora de colher). Sério, ser sequestrado estava sendo muito melhor do que eu imaginava.
Resolvi treinar um pouco. Primeiro meditei - algo que nunca tinha feito antes da Morwen me ensinar. Senti uma onda de calor subindo pelo corpo. Quando abri o pergaminho, várias adagas de luz se formaram ao meu redor. Fechei os olhos e visualizei o terreno, mirando no boneco de treino.
Quando soltei os projéteis, alguns acertaram. Outros, nem tanto.
Continuei alternando entre as adagas e o selo da espada, melhorando minha precisão aos poucos. Consegui manter a espada por mais alguns segundos - um progresso.
・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆
Eu percebo que a carne esta acabando, então resolvo ir caçar. Deixo um bilhete pra Morwen avisando que eu sai,e fui pra floresta.
O caminho de ida sempre é fácil, normalmente demoro uns 30 minutos para chegar na floresta, o real problema é a volta, mas eu acho que hoje não vou ter nenhum problema.
Quando chego encontro alguns vestígios de corça e subo numa árvore perto de um riacho. Não demorou muito pra uma aparecer. Eu havia pedido para a Morwen para me dar um arco para caçar, mas só faltou ela me bater enquanto dizia: "você tem um selo arcano de longa distância e quer usar uma arma rudimentar!?", então me contentei em ficar apenas com os selos
Abri o pergaminho, mirei no pescoço da corça e acertei em cheio. O animal caiu instantaneamente.
Quando estava prestes a ir embora, ouvi um grunido baixo.
Que eu definitivamente deveria ignorar.
Mas a curiosidade falou mais alto.
Encontrei uma raposa encolhida, com uma expressão de dor estampada no rosto. Ela rosnou quando me aproximei.
— Calma, não vou te machucar.
Estendi a mão e levei uma mordida que me fez considerar seriamente fazer um cachecol de raposa. Mas insisti, fazendo um carinho cuidadoso no animal. Pra minha surpresa, ela relaxou um pouco.
Dei um pedaço de carne seca pra ela, que devorou como se estivesse faminta. Quando me levantei pra ir embora, notei que ela tentou me seguir, mas a pata quebrada impedia. Eu deveria deixar ela lá na mão da mãe natureza, mas quer saber:
Que se dane a mãe natureza.
Coloquei a raposa na mochila, deixando só a cabeça dela pra fora, e coloquei a corça no ombro.
・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆
A volta foi um verdadeiro inferno:
Meu braço estava latejando por terque carregar a corça que não era nada leve por quase 15 km
E a raposa resolveu que meu cabelo era o petisco perfeito pra mordiscar
Demorei o dobro do tempo normal, mas finalmente cheguei em casa.
A Morwen me recebeu com um olhar animado... que rapidamente se transformou em puro espanto.
— Liam, o que é isso nas suas costas?
— Uma mochila.
— Engraçadinho. Então por que a porra da mochila tem uma CABEÇA?!
Expliquei toda a história, e ela relaxou um pouco. Por minha sorte a corça era bem grande, por que se não eu acho que minha vida estaria por um fio.
・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆
Depois de implorar quase de joelhos, a Morwen deixou eu ficar com a raposa. não demorou muito para mim descobrir que a raposa na verdade era o raposo, então dou o nome para ele de jacks,
Enfaixei a pata dele, e dei um pouco da carne que a Morwen estava preparando (o que me rendeu alguns xingamentos). Ele comeu rapidamente e decidio que era um otimo momento para deitar e dormir.
・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆
ja na hora de janta a Morwen me chama para comer, eu estava faminto,ela havia feito um guisado com a carne da corça que estava uma delicia, logo depois tomo um banho, por que a Morwen disse que eu estava fedendo a peixe podre, oque não era mentira, depois de já vestido escuto um choramingo na porta, jack, quando eu ia abrir abrir a porta para ele, a Morwen fala:
— Esse bicho fica lá fora.
— Mas ele tá indefeso!
— Sem mas.
dou um supiro profundo e digo:
—então ta, boa noite
—boa noite
vou para o meu quarto, mas se ela achou mesmo que eu iria deixar o jacks la fora, ela estava redondamente enganada.Assim que ela saiu, pulei pela janela, assim que ele me viu fez um som de alegria, peguei o Jacks e o trouxe pro meu quarto. Ele se aninhou na minha cama, ronronando satisfeito.
Talvez - só talvez - eu já estivesse apegado a uma bola de pelos laranja que conheci hoje.
E talvez - só talvez - a Morwen me matasse amanhã.
Mas, por hoje, dormi com um sorriso no rosto.

